Do Jornal do Brasil

 

Tereza Cruvinel

Soma zero

Os candidatos da segunda divisão bem que se esforçaram mas dificilmente terão conseguido, no debate ontem (Folha/Uol/SBT) arranhar a polarização Bolsonaro X Fernando Haddad, confirmada pouco antes com a divulgação de mais uma pesquisa Ibope. Ausente, Bolsonaro acabou preservado, embora citado negativamente. A sociedade civil é que se levanta com mais força contra ele, neste momento. O petista virou alvo de todos, mas não deve perder votos com o tipo de ataques que sofre nos debates. Quem está com ele já estava com Lula. Não vai se abalar com críticas aos governos petistas ou por chamarem o PT de organização criminosa. E assim, o jogo acaba sendo de soma zero.

Nem por isso, o debate deixa de ter sua importância, contribuindo para que os eleitores conheçam melhor os candidatos, seus pontos fracos, suas propostas. E todos trataram de ter a melhor performance, buscando evitar que se configure a situação de “segundo turno no primeiro”, com uma disparada de voto útil a favor dos candidatos agora polares, que desidrataria a votação dos demais. Da votação obtida no primeiro turno dependerá, para os excluídos do segundo, o peso que terão para negociar apoio a um dos finalistas ou para participar do futuro governo.

E assim, foram todos valentões. Álvaro Dias, esconjurando o tempo todo “a volta da organização criminosa”, desencavou até os assassinatos de Celso Daniel e Toninho do PT, do início dos anos 2000. Ciro Gomes chegou a culpar o PT por ter permitido, ao criar “uma estrutura odienta’, o surgimento da “aberração” Bolsonaro. Marina responsabilizou o PT pela existência de Temer e seu governo. “Ele não teria chegado lá sem a ajuda de vocês”, rebateu Haddad. E como quem bate leva, o desgaste acaba socializado. O tucano Geraldo Alckmin bateu muito no PT, mas saiu também muito avariado. Para isso o petista teve a ajuda de Guilherme Boulos, do PSOL, que lhe perguntou pelo escândalo da merenda escolar e pelos desvios que estão sendo investigados em grandes obras do mandarinato tucano em São Paulo.

Teremos mais debates e mais pesquisas nesta reta final, mas os movimentos da sociedade, pelo menos contra Bolsonaro, ganham dinâmica própria, reduzindo a importância dos confrontos. Movimentos como #elenão, o #Democraciasim e o manifesto “Juristas contra o fascismo”, lançado ontem por 560 luminares do direito, devem estar servindo mais para conter Bolsonaro que os ataques de concorrentes. Na pesquisa CNI-Ibope de ontem, ele aparece com 27%, um ponto porcentual a menos que na pesquisa anterior, feita para a Rede Globo, fechada um dia antes. Uma oscilação negativa ligeira, mas ele já havia parado de crescer. Haddad se manteve em segundo lugar com 21%, mas Ciro veio com 12%, um ponto a mais que na anterior. Mas agora, saindo do hospital, o ex-capitão fará transmissões ao vivo diárias a partir de sua página no Facebook. E isso pode lhe dar novo gás.

Se algum padrão eleitoral será mantido nesta eleição, teremos na retinha final um arrastão em algum sentido. Poderá ser uma onda vermelha a favor de Haddad, ou uma expansão do bolsonarismo pela adesão de candidatos estaduais do PSDB e de outros partidos de direita. Ou as duas coisas, fazendo o segundo turno no primeiro.

Fato grave

O Supremo manteve ontem a cassação do título, e logo do voto, de 3,3 milhões de eleitores que não fizeram o cadastramento biológico. O procurador e ex-ministro Eugênio Aragão, um dos defensores do pedido de liminar do PSB contra a decisão do TSE, lembrou que a maioria dos eleitores que ficarão sem votar são pobres, não tendo se recadastrado por falta de informação ou de meios para cumprir a exigência legal. Diz a Constituição que só a condenação com trânsito em julgado pode privar um brasileiro com mais de 16 anos de exercer o direito de voto. O STF podia ter evitado o risco de, lá na frente, isso ser usado para questionar o resultado do pleito.

“Não diga não”, Nana Caymmi: um composição de mexer na alma em face de  tais e tão expressivos e inequívocos sinais do gênio e da imortalidade de Tito Madi, cuja interpretação da filha de seu Dorival empresta grandiosidade absoluta. Confira.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

set
28
Posted on 28-09-2018
Filed Under (Artigos) by vitor on 28-09-2018

São Paulo, a batalha final na direita

Segundo o Ibope, entre os paulistas que indicaram pretender votar em algum candidato, 38% escolheram Jair Bolsonaro (PSL), 17% apontaram Geraldo Alckmin e 16%, Fernando Haddad (PT)

Oswaldo E. do Amaral
Protesto em apoio ao candidato presidencial Jair Bolsonaro em frente à Basílica do Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, Aparecida do Norte, SP.
Protesto em apoio ao candidato presidencial Jair Bolsonaro em frente à Basílica do Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, Aparecida do Norte, SP. PAULO WHITAKER REUTERS

 

O estado de São Paulo é o lar de 22,4% dos eleitores brasileiros. Desde 1994, o PSDB ganha as eleições para o governo e, desde 2006, o estado é reduto importante das candidaturas tucanas à presidência. O bom desempenho do PSDB nas últimas eleições presidenciais passou por votações substantivas em São Paulo. E em 2018? Como está a candidatura do tucano Geraldo Alckmin na unidade mais populosa da federação? Quando comparamos com os dados da eleição de 2014, vemos que o PSDB tem um desempenho muito mais fraco neste pleito. Em 2014, o então candidato Aécio Neves (PSDB) teve 44,2% dos votos válidos no estado. Dilma Rousseff (PT) recebeu 25,8% e Marina Silva (PSB), 25,1%. Apenas para relembrar, em todo o País, Dilma teve 41,6% dos votos válidos e Aécio, 33,6% no primeiro turno em 2014.

Segundo a última pesquisa do Ibope realizada em São Paulo e divulgada no dia 19 de setembro, entre os paulistas que indicaram pretender votar em algum candidato, 38% escolheram Jair Bolsonaro (PSL), 17% apontaram Geraldo Alckmin e 16%, Fernando Haddad (PT). Na mesma pesquisa, em âmbito nacional, o capitão atingiu 35%, o tucano, 9% e o petista, 24% dos votos válidos. É interessante notar ainda que, entre 20 de agosto e 18 de setembro, Alckmin perdeu cinco pontos percentuais enquanto Bolsonaro ganhou sete e Haddad, dez em São Paulo.São Paulo, a batalha final na direita

A maior fragmentação dessa eleição, com um número maior de candidatos competitivos até o momento, explica a redução na proporção de votos válidos do PT e do PSDB em São Paulo. Mas, para o candidato tucano, essa explicação deve ser analisada levando em consideração o desempenho de seu principal concorrente no momento, Jair Bolsonaro. Enquanto Haddad está dez pontos abaixo da votação obtida por Dilma no primeiro turno de 2014, a intenção de votos em Alckmin está quase 30 pontos abaixo do obtido por Aécio Neves.

Quando analisamos os dados de forma um pouco mais desagregada, vemos que o desempenho do tucano, em comparação com Jair Bolsonaro, é especialmente ruim entre os homens (Bolsonaro 50% x 10% Alckmin), os mais escolarizados (Bolsonaro 41% x 9% Alckmin – Ensino Superior), e os mais ricos (Bolsonaro 45% x 10% Alckmin – Acima de 5 salários mínimos). Além disso, quando observamos as escolhas para a disputa presidencial entre os eleitores do candidato tucano ao governo do estado, João Dória (PSDB), é possível termos uma dimensão ainda mais clara de como Alckmin perde votos para Bolsonaro em seu estado natal. Dos eleitores de Dória, que lidera a disputa empatado com Paulo Skaf (MDB) e tem 32% dos votos válidos, 45% declararam votar em Bolsonaro, enquanto apenas 19% mencionaram o nome de Alckmin – é o voto “Bolsodória”.

Para concretizar a sonhada “arrancada” rumo ao segundo turno, Alckmin vai precisar melhorar seu desempenho em São Paulo – o que significa não só conquistar os votos de outros candidatos de “centro” e “centro-direita”, mas conseguir captar votos diretamente de Jair Bolsonaro.

São Paulo, a batalha final na direita
 

Dada a estrutura competitiva da atual disputa presidencial, isso significa conseguir atrair, especialmente, o voto dos “antipetistas”. No Brasil, esse contingente está em torno de 30%, segundo dados do Ibope (eleitores que não votariam no PT de jeito nenhum). Em São Paulo, a porcentagem é de 43%. Até aqui, foi o capitão reformado que conseguiu conquistar parcela significativa desse eleitorado. A Alckmin resta ir para o “tudo ou nada”. Precisa mostrar que, ainda que faça parte de um partido desgastado junto à opinião pública e com escândalos de corrupção no estado, é o único com chances de derrotar Haddad e o PT. Para Bolsonaro, manter a vantagem em São Paulo será fundamental para garantir a passagem ao segundo turno. A briga na direita vai ser dura nos próximos dias.


Oswaldo E. do Amaral é professor de Ciência Política na Unicamp e diretor do Centro de Estudos de Opinião Pública (Cesop) da mesma instituição. Esse texto foi elaborado no âmbito do projeto Observatório das Eleições de 2018, que conta com a participação de grupos de pesquisa de várias universidades brasileiras e busca contribuir com o debate público por meio de análises e divulgação de dados. Para mais informações, ver: observatoriodaseleicoes.org

Do  Jornal do Brasil

Após infecção, o candidato do PSL, Jair Bolsonaro, adiou a saída do hospital que estava prevista para sexta-feira, 28. De acordo com pessoas próximas ao presidenciável, o quadro foi constatado após a retirada do catéter na quarta-feira. Bolsonaro está internado no Hospital Israelita Albert Einstein desde o dia 7 de setembro após sofrer um atentado a faca em Juiz de Fora (MG) no dia 6. A informação foi antecipada pelo site BR18, do Grupo Estado.

Macaque in the trees
Jair Bolsonaro (Foto: Miguel Schincariol/AFP)

Segundo o jornal O Estado de S. Paulo apurou junto à direção do PSL, a infecção é bacteriana e foi diagnosticada após a retirada do catérer. O boletim médico do hospital divulgado nesta quinta-feira, 27, não abordou a questão. É um procedimento comum em hospitais mandar a ponta do catéter, que fica em contato com o sangue, para exames. Isso é feito justamente para verificar se há ou não infecção. Caso seja constatada presença de bactérias, inicia-se tratamento com antibiótico, o que pode adiar a alta hospitalar.

O Estado apurou também que a avaliação médica repassada a equipe de Bolsonaro é de que o quadro não apresenta nenhum tipo de risco e que o candidato poderia sair neste domingo, 30.

Bolsonaro foi esfaqueado pelo pedreiro Adelio Bispo de Oliveira e precisou ser operado na Santa Casa da cidade, dia 6. No dia seguinte, ele foi transferido para o Albert Einstein, em São Paulo. A previsão inicial era de que Bolsonaro só retomaria a suas atividades no final deste mês.

set
28
Posted on 28-09-2018
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Miguel, no (PE)

 

Estagnação de Alckmin provoca ‘DR’ entre tucanos

Os tucanos, que sempre conviveram em harmonia, estão –que surpresa– trocando farpas publicamente graças ao desempenho pífio de Geraldo Alckmin nas pesquisas.

O deputado mineiro Marcus Pestana falou a Thais Bilenky, da Folha, e criticou Cássio Cunha Lima por contestar a estratégia de Alckmin de atacar Jair Bolsonaro, e não só o PT.

“O senador Cássio está absolutamente equivocado, talvez porque tenha deixado na Paraíba se consolidar a polarização entre os extremos, que cristaliza uma ruptura do tecido social e político brasileiro”, declarou Pestana.

“Este não é o momento de DRs [discussões de relacionamento] públicas. Creio que o senador Cássio está se rendendo ao maniqueísmo e se associando a um dos campos”, acrescentou Pestana, contribuindo para a DR pública.

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