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Dona Justina festeja 100 anos bem vividos em São Felipe.

CRÔNICA/ VIVER

Dona Justina – 100 anos de fé e persistência

Lílian Machado

Cem anos de vida, uma idade por muitos sonhada, mas que poucos conseguem alcançá-la. Dona Justina, como é conhecida em São Felipe a 178 quilômetros de Salvador conquistou essa dádiva e com o brilho nos olhos, sorriso no rosto e rodeada de amigos e admiradores celebrou o seu centenário, no último domingo. O aniversário aconteceu do jeito que ela gosta. Uma missa foi celebrada na Paróquia de São Felipe e São Tiago, que ela frequenta todos os domingos, na cidade. Cinco religiosos abençoaram o momento. Além disso, amigos e familiares declamaram palavras de amor e gratidão aquela que é considerada a habitante mais idosa do município. Rezadeira, devota do Sagrado Coração de Jesus e de Nossa Senhora, dona Justina agradeceu. Para ela não poderia ter comemoração melhor do que está cercada de pessoas queridas, em meio ao ambiente de muitos cânticos e orações. Justina Paula, nascida em 10 de setembro de 1918 atribui a sua longevidade à fé que alimenta desde a juventude.

Com fala mansa como se estivesse orando, ela responde sobre a receita para chegar aos 100 anos. “Ave Maria se eu não rezar o terço três vezes ao dia e se chegar o sábado e eu não rezar o santo Ofício de Nossa Senhora (oração popular do século XV). Eu sempre fui do lado de Deus. Quem quiser durar e aturar essa vida que chame muito por ele. Com essa bondade que eu tenho com Deus estou me dando é muito bem”, disse aos risos. Ela conta que aprendeu a devoção religiosa com a sua mãe, falecida aos 105 anos. “Meu pai era bebedor de cachaça e morreu cedo, mas minha mãe, não. Ela era uma pessoa de muita fé”, relatou.

Na missa, o padre Adilton Pinto, pároco da Basílica de Nossa Senhora da Conceição da Praia de Salvador, lembrou as dificuldades enfrentadas pela aniversariante. “Mesmo viúva aos 41 anos e com oito filhos, dona Justina manteve a fé para seguir em frente. Muita gente quando sofre se revolta com Deus, mas ela é exemplo para nós porque tem fé e obras”, destacou. Durante a celebração, objetos que retratam a vida da aniversariante foram levados por amigos e familiares até o altar. Um quadro com sua fotografia, bordados e fuxicos, além do vestido, usado por ela no casamento há mais sessenta anos foram algumas das lembranças.

Justina relata que sempre teve uma vida simples. Nasceu na localidade do Vai-Vai, zona rural da cidade. Depois morou com a família na comunidade do Riachão até os 6 anos. Em seguida morou na cidade de Maragojipe, também no Recôncavo Baiano e retornou a terra natal, onde reside até hoje. Foi lavradora, lavadeira e exerceu uma das mais importantes funções de sua época, que era a de ser parteira. São muitos os afilhados espalhados pela região. “Eram muitos os chamados. Eu pedia luz ao Sagrado Coração de Jesus e a Nossa Senhora e fazia. Só não conseguir fazer dois partos, pois eram complicados. Diante daquela aflição rezei e encaminhei para o médico. Quando eu vi que não dava mais parei”, relatou. 

Há 15 anos perdeu uma perna por causa de problemas circulatórios e há dois meses também teve a outra perna retirada, mas o que ela diz ser mais importante não foi perdido: a fé e o desejo de abençoar a todos. Além disso, gosta de manter o zelo com a aparência, usando perfume e vestimentas novas. Até hoje ainda borda e guarda com orgulho, algumas costuras que fez, quando mais jovem.

Justina mora com a filha Maria dos Passos, de 72 anos numa grande casa, localizada em uma das principais ruas da cidade. Tem 23 netos, 26 bisnetos e 1 tataraneto.

A sua festa foi em clima de muita emoção, com homenagens de parentes, amigos, afilhados e vizinhos. Depois da cerimônia, na igreja, uma grande recepção foi organizada em um espaço de evento, da cidade, com muita comida e música. A máquina de costura, usada durante muitos anos e as imagens dos santos estavam presentes, na decoração. No bolo, o destaque em dourado era para os 100 anos de uma “vida bem vivida”, como a própria definiu.

Lilian Machado é jornalista, ex-reporter da editoria de Política da Tribuna da Bahia, ganhadora, mais de uma vez, do Prêmio Quintino de Carvalho, pela melhor cobertura  da Assembleia Legislativa da Bahia.

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Comentários

PATRICIA DOS SANTOS MACHADO on 27 setembro, 2018 at 17:29 #

Excelente historia, que retrata a simplicidade e a alegria pueril de uma grande senhora.Senhora de um século, senhora de nosso recôncavo. Obrigado irmã.


Valdice Alves Ferreira de Jesus on 27 setembro, 2018 at 18:45 #

Parabéns a grande profissional , Lilian Machado a qual Deus me presenteou com sua amizade, concunhada e comadre pessoa que tiro o chapéu profissional ímpar que Jesus abençoe sua carreira continue te dando sabedoria para escrever tão bem obrigada por homenagear minha madrinha Justina.


Janaina Aparecida de Medeiros Leung on 27 setembro, 2018 at 20:14 #

Cada detalhe descrito deu vontade de iconhecer Dona Justina, sentir o perfume e ouvir suas histórias. Acho que o segredo de viver tanto tempo foi ter retornado a sua terra natal, Recôncavo, lugar de muita fartura de alimentos do corpo e da alma, lugar de pessoas generosas, amorosas, e que o passar do tempo está em outra frequência.
Obrigada Lilian Machado por nos brindar com linda história. Beijos e Feliz Centenário à Sra. Justina


Maria José Souza de Almeida on 14 outubro, 2018 at 17:06 #

Linda a história de vida e de fé de D. Justina. Lilian mostrou isso de maneira brilhante e senssivel como sempre. Parabéns a D. Justina e a nossa jornalista.


Maria José Souza de Almeida on 14 outubro, 2018 at 17:08 #

Linda a história de vida e de fé de D. Justina. Lilian,como sempre, mostrou isso de maneira brilhante e senssivel.Parabéns a D. Justina e a nossa jornalista.


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