DO JORNAL DO BRASIL

Coisas da Política

Tereza Cruvinel

Todos contra Haddad

. O tucano Geraldo Alckmin faz um esforço desesperado para deslanchar, atacando ao mesmo tempo o petista, Bolsonaro e Temer. A campanha de Bolsonaro reage declarando ser ele o único “anti-PT de raiz”, seja lá o que isso signifique. Ciro Gomes também ataca o petista que, ao se tornar “o candidato de Lula”, cortou sua onda de crescimento. São movimentos táticos que também confirmam a natureza plebiscitária da disputa entre o nome do PT e o antipetismo.
Nos 18 dias que faltam para o pleito a taxa de agressividade vai subir. É nesta fase que o desespero produz as campanhas de desconstrução do adversário, daquele que representa o obstáculo imediato. Alckmin foi convencido por aliados do Centrão e do próprio empresariado que o apoia a adotar um tom mais agressivo. E ele o fará tanto contra Bolsonaro e contra o petista. No horário eleitoral de ontem, referiu-se mais de uma vez a “Dilma e Temer” como responsáveis pela crise, pela recessão e o desemprego. Agora vai retomar os ataques a Bolsonaro, interrompidos quando o candidato do PSL foi esfaqueado. Espera o tucano atrair eleitores antipetistas que estão com Bolsonaro. Mas o tempo é curto e os aliados estão céticos. Nada pior para Alckmin do que a notícia de que o Centrão começou a discutir o que fazer num segundo turno entre Haddad e Bolsonaro.

No outro polo, Ciro Gomes acusou ontem o petista de não se comprometer com a inteira revisão da PEC do gasto público, mas apenas com os limites para investimentos. O petista não se deu por achado e declarou que “com certeza” ele e Ciro estarão juntos no segundo turno.
A pancadaria pode ajudar Haddad. Enquanto os outros vociferam, ele segue recordando o que fez no MEC, apresentando propostas e falando em pacificação. No fechamento desta coluna ainda não havia saído uma esperada pesquisa IBOPE. Anteontem, a CNT/MDA trouxe Bolsonaro com 28,2%, Haddad com 17,6%, Ciro com 10,8% e Alckmin com 6,1%. A turma de Bolsonaro fala em arrancada para vencer no primeiro turno mas não existe, na sociedade, uma clivagem antipetista que permita isso.

Quem inventou
A questão do indulto a Lula brotou do nada e virou pauta embaraçosa para o candidato do PT, embora desprovida de sentido. Nenhum presidente poderá, de uma canetada, indultar um único preso apenas porque lhe deu vontade. Haddad finalmente disse um não sonoro à hipótese e, após visitar Lula, o deputado Wadih Damous jogou a pá de cal: “Lula quer ver reconhecida sua inocência e não quer saber de indulto”.

Quem se desculpa?
Quando o senador Renan Calheiros foi acusado, em 2007, de contar com a ajuda de uma empreiteira para custear a pensão de uma filha tida fora do casamento, estava começando para ele um calvário pessoal mas também uma fase peculiar na política brasileira. Estava começando ali a cruzada moralizante que seria encarnada depois pela Lava Jato. Renan teve a privacidade, a vida familiar e financeira devassadas, teve que renunciar à presidência do Senado para salvar o mandato. A imprensa também fez sua parte, alimentando o caso. Onze anos depois, a Justiça o absolve por falta de provas mas, como perguntou ele ontem, “a quem responsabilizar?”

Nas redes
Entre os dias 7 e 13 de setembro, a chapa de Ciro Gomes teve um salto espetacular de relevância e visibilidade no Twitter, segundo a mensuração da agência Aja Solutions. Ficou com 28,09% do total, logo atrás de Bolsonaro. Isso ocorreu no lapso entre a inabibilitação de Lula pelo TSE e o registro de Haddad como candidato do PT, período em que Ciro mais cresceu. Com a facada, a atividade digital da campanha de Bolsonaro reduziu-se, e começa a ser retomada. Agora cresce a presença da chapa petista, com presença mais intensa da vice Manuela D’Ávila nos primeiros dias.

“Segue o Teu Destino”, Nana Caymmi: Letra: Ricardo Reis (heterônimo do Fernando Pessoa) Música: Sueli Costa Intérprete: Nana Caymmi

=============================

Fantástica poesia de Pessoa! Maravilhosa música de Sueli Costa! Insuperável interpretação de Nana!

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

set
20

Do Jornal do Brasil

 

O economista Paulo Guedes, que foi anunciado pelo presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) como seu ministro da Fazenda, caso vença as eleições 2018, propôs a criação de um tributo semelhante à extinta CPMF, caso o capitão da reserva assuma o Planalto. As declarações do economista a um grupo pequeno de investidores foram rebatidas por Bolsonaro pelo Twitter: “Chega de impostos é o nosso lema!”, afirmou.

Guedes defendeu ainda uma alíquota única de Imposto de Renda de 20% para pessoas físicas e jurídicas. A taxa também incidiria sobre a distribuição de lucros e dividendos.

O anúncio de sua provável reforma tributária, que ainda prevê a eliminação da contribuição patronal para a Previdência, foi feito em evento fechado e organizado pela GPS Investimentos, empresa de aconselhamento e gestão de fortunas familiares.

A informação foi publicadas na última terça-feira (19), pelo jornal Folha de S.Paulo, e confirmada pelo jornal O Estado de S. Paulo. Em Bauru, no interior de São Paulo, o general Mourão, vice de Bolsonaro, disse que é contra uma eventual CPMF e que falar em criação de imposto é dar um tiro no pé, mas acrescentou que isso deve ser decidido entre o candidato e economista.

Macaque in the trees
Candidato do PSL segue internado no Hospital Albert Einstein após ser vítima de uma facada no início de setembro, em MG (Foto: reprodução redes sociais)

A “nova CPMF” seria usada, segundo a reportagem, para financiar o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

A volta da contribuição chegou a ser cogitada no final do governo da presidente cassada Dilma Rousseff (PT) como uma solução para cobrir o rombo no Orçamento, mas a proposta acabou sendo abandonada devido à falta de apoio no Congresso.

DO G1 – Jornal Nacional

Literatura de Cordel vira patrimônio cultural

Literatura de Cordel vira patrimônio cultural

A literatura de cordel foi reconhecida, nesta quarta-feira (19), como Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro. O título foi concedido por unanimidade pelo Conselho Consultivo do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A reunião ocorreu no Rio de Janeiro, com presença de representantes do Ministério da Cultura e da Academia Brasileira de Literatura de Cordel. (Veja vídeo acima)

Em Pernambuco, o gênero ganha destaque em festivais e com o Museu do Cordel Olegário Fernandes, em Caruaru, reformado em 2013.

 
 
Literatura de cordel é reconhecida como patrimônio cultural

Literatura de cordel é reconhecida como patrimônio cultural

No mesmo município, a literatura também é valorizada pela Academia Caruaruense de Literatura de Cordel (ACLC), criada em 2005 com o objetivo de valorizar os poetas do passado e incentivar os futuros cordelistas. As homenagens ao gênero são feitas sobretudo em novembro, mês em que é celebrado o Dia da Literatura de Cordel. (Veja vídeo acima)

De acordo com a pesquisadora e escritora Maria Alice Amorim, que estudou a literatura de cordel no mestrado e doutorado, o título é uma forma de reconhecer um gênero que já sofreu preconceitos.

“Embora seja uma tradição reconhecida e admirada, ela também sofre uma série de preconceitos e, consequentemente, exclusões de alguns nichos literários devido ao caráter popular”, explica.

 

Literatura de cordel virou patrimônio cultural — Foto: Oton Veiga/TV Globo Literatura de cordel virou patrimônio cultural — Foto: Oton Veiga/TV Globo

Literatura de cordel virou patrimônio cultural — Foto: Oton Veiga/TV Globo

Maria Alice, no entanto, acredita que a riqueza do gênero supera as discriminações já sofridas pelas produções e pelos escritores.

“Por ter esse caráter de uma tradição popular, de livros que são feitos de uma forma mais artesanal, com materiais mais baratos, existe esse preconceito. Só que na verdade, enquanto discurso poético, o cordel é muito rico e refinado, porque necessita de uma técnica de métrica e rima”, observa.

Com o título, a pesquisadora acredita que a literatura de cordel ganha força para ser perpetuada. “Essa salvaguarda vai garantir que a tradição permaneça viva e que outras pessoas possam desenvolver o talento poético pra poesia de cordel”, afirma.

 

Literatura de cordel é comumente exibida em cordões em feiras e editoras — Foto: Oton Veiga/TV Globo Literatura de cordel é comumente exibida em cordões em feiras e editoras — Foto: Oton Veiga/TV Globo

Literatura de cordel é comumente exibida em cordões em feiras e editoras — Foto: Oton Veiga/TV Globo

Estilo

Em texto postado no site, o Iphan informa que a literatura de cordel teve início no Norte e no Nordeste e o estilo se espalhou por todo o Brasil, principalmente por causa do processo de migração populacional.

Hoje, de acordo com o Instituto, o gênero circula com maior intensidade na Paraíba, Pernambuco, Ceará, Maranhão, Pará, Rio Grande do Norte, Alagoas, Sergipe, Bahia, Minas Gerais, Distrito Federal, Rio de Janeiro e São Paulo.

A expressão cultural retrata o imaginário coletivo, a memória social e o ponto de vista dos poetas a respeito de acontecimentos vividos ou imaginados.

DO EL PAIS

O candidato do PT à Presidência, Fernando Haddad, nesta segunda em Curitiba.
O candidato do PT à Presidência, Fernando Haddad, nesta segunda em Curitiba. Rodolfo Buhrer REUTERS

 

Quando o jornal O Estado de S.Paulo realizou, no final de agosto, uma série de sabatinas com os formuladores das propostas econômicas de cada um dos presidenciáveis, o Partido dos Trabalhadores apontou como seu representante o ex-presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) Marcio Pochmann. Aos 56 anos e professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Pochmann tem larga militância no PT — atualmente é candidato a deputado federal e presidente da Fundação Perseu Abramo, braço formativo do partido. Ele é também um dos maiores representantes da ala mais desenvolvimentista do petismo: na sabatina do Estadão, por exemplo, disse que a Previdência “não precisa de uma reformulação geral”, mas de “mudanças pontuais”. Frases que soam a heresia nos ouvidos do mercado financeiro.

Menos de um mês depois, o tradicional programa de entrevistas Roda Viva, da TV Cultura, organizou uma edição com economistas indicados pelos principais candidatos à Presidência da República. Na bancada reservada ao PT já não estava Pochmann, mas o economista Ricardo Carneiro. Também professor da Unicamp, Carneiro está muito longe de ser um liberal, mas o fato de ele ter sido escalado para participar do encontro televisivo — e o que ele disse ali — é sintomático de um passo que o agora candidato da sigla, Fernando Haddad, começa a ensaiar. Consolidado no segundo lugar nas pesquisas de opinião, Haddad passou a enviar sinais públicos de que, se eleito, não dará um “cavalo de pau” à esquerda na economia e de que quer preservar pontes com o setor financeiro.

“O Ricardo [Carneiro] é mais cuidadoso com a questão fiscal do que o Marcio [Pochmann]”, diz um economista próximo ao PT.O economista Ricardo Carneiro.O economista Ricardo Carneiro. Reprodução TV Cultura

 No Roda Viva desta segunda à noite, Carneiro contracenou com os economistas Persio Arida (coordenador do programa econômico de Geraldo Alckmin), Mauro Benevides (Ciro Gomes) e Bazileu Margarido (representando Marina Silva). Se Carneiro manteve a defesa de uma linha desenvolvimentista, a partir principalmente da criação de um orçamento próprio para investimentos, também é verdade que adotou um tom mais conciliatório. “Nós achamos que existe um problema fiscal e que o déficit [público] é uma das dimensões. A nossa diferença é o timing no qual você vai defender esse déficit. Estamos propondo que você zere o déficit em quatro anos, não dois”, afirmou o economista do PT no programa. “Nós não pretendemos, para financiar investimentos, aumentar o déficit. Nós pretendemos depois discutir como remanejar um conjunto de despesas importantes para fazer esses investimentos”.

Outro tema abordado por Carneiro foi a emenda constitucional sancionada pelo presidente Michel Temer que limita o crescimento do gasto público — e que o PT promete revogar caso volte ao poder. “Nós não concordamos com a regra do teto [de gastos] corrigida pela inflação. Tira completamente a flexibilidade, ela não é razoável numa economia em que você precisa ampliar os gastos per capita em educação e saúde e em que a Previdência vai crescer inevitavelmente […] Então, primeiro é uma regra fiscal que para nós poderia ser a indexação pelo PIB (Produto Interno Bruto), porque isso mantém a carga tributária constante”, declarou.

O tom menos radical foi percebido inclusive por especialistas que militam no espectro oposto do pensamento econômico. Para Fernando de Holanda Barbosa Filho, professor da Escola Brasileira de Economia e Finanças, da Fundação Getúlio Vargas, Carneiro tentou empreender uma “mudança retórica” no discurso do PT, mas que “não combina” com o programa que o partido vinha defendendo publicamente desde o início da campanha. “Ele não falou, por exemplo, do uso das reservas internacionais, algo que até do ponto de vista legal é complicado”, diz.

As declarações mais moderadas do economista do PT não foram a única sinalização recente de que, na área econômica, a campanha de Haddad terá cada vez menos a cara do ex-presidente do Ipea. Em sabatina na segunda, o presidenciável foi questionado sobre as opiniões de Pochmann, e tratou de diluir seu protagonismo: “O Marcio [Pochmann] é um professor, candidato a deputado federal e uma pessoa independente do ponto de vista intelectual. Ele participou [do programa de governo] como 300 outras pessoas participaram”.

Nesta quarta, quando questionado sobre o perfil de seu eventual ministro da Fazenda, Haddad disse que seu escolhido vai ter perfil pragmático“, “sem ser sectário”. O perfil, segundo ele, é o dele mesmo. “Os economistas figurões são muito sectários, acham que são donos da verdade. Quando você está no Governo, tem de ter jogo de cintura, pragmatismo e flexibilidade para saber buscar a solução”, seguiu.

Mais Lula, menos Dilma

Como até o início da semana passada todas as atenções da campanha do PT estavam centradas na operação de substituição da candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva por Haddad, uma série de questões ficaram em segundo plano no comitê petista. Entre eles, quem seria o porta-voz da política econômica de um eventual retorno de um presidente do partido ao Palácio do Planalto.

Agora, Haddad passa a discutir com seus assessores econômicos os detalhes da mensagem que quer empunhar. A de que, apesar da polarização atual da sociedade brasileira, não está disposto a empreender uma aventura radical na condução da economia; que será fiscalmente responsável e planeja promover uma administração na qual os investidores tenham previsibilidade e segurança jurídica. “Não tem bicho-papão”, resume um aliado do candidato.

O problema é encontrar uma maneira de fazer isso renegando o brusco ajuste fiscal promovido pela ex-presidenta Dilma Rousseff após a sua reeleição, quando a então mandatária escolheu para o ministério da Fazenda Joaquim Levy. Logo de largada e de forma oposta ao prometido na campanha, Levy propôs uma série de medidas de corte de despesas e de aumento de arrecadação, mas o tamanho do ajuste e a estagnação da economia — somados ao passado do então ministro como executivo do Bradesco e egresso do cânone neoliberal mundial, a Universidade de Chicago — geraram uma sucessão de crises com o PT e um choque de confiança com parte do eleitorado. Os atritos internos  culminaram, no final de 2015, com a demissão de Levy e a sua substituição por Nelson Barbosa. Até hoje setores do petismo não poupam Dilma pela guinada radical promovida por Levy.

Diante da necessidade de promover um equilibrismo no discurso, Haddad tem investido na linha que pode ser definida como “mais Lula, menos Dilma”. Em entrevista nesta segunda, o candidato repetiu que considera a política econômica dos governos petistas até 2012 “praticamente irretocável”, mas reconheceu que erros foram cometidos. “Em 2013 e 2014, a própria Dilma admite que algumas medidas ela não tomaria. [Ela] cita o caso das desonerações e da [revisão dos contratos no setor de] energia elétrica”, disse Haddad. Soma-se a essa tímida autocrítica o controle dos preços dos combustíveis pela ex-presidenta para reduzir artificialmente a inflação.

Independentemente disso, permanece em aberto na campanha a pergunta: quem será capaz de conduzir esse aceno ao centro com credibilidade e sem incorrer num receituário como o de Levy que poderia ser lido como traição da base? Em 2002, quando se elegeu presidente pela primeira vez, Lula  fez uma “carta ao povo brasileiro” se comprometendo com o equilíbrio fiscal para acalmar os ânimos do mercado, que naquele ano estavam ainda mais voláteis do que agora. Ancorou-se num ministro da Fazenda político — Antonio Palocci — e num presidente do Banco Central — Henrique Meirelles — com longa carreira no setor financeiro e que naquele mesmo ano havia sido eleito deputado federal pelo PSDB. Até o momento, no comitê petista não há um economista com força suficiente para cumprir esse papel. Haddad sinaliza o rol para ele mesmo.

set
20
Posted on 20-09-2018
Filed Under (Artigos) by vitor on 20-09-2018



 

J. Bosco, no jornal (PA)

 

set
20
Posted on 20-09-2018
Filed Under (Artigos) by vitor on 20-09-2018
 

Carlos Fernando pede afastamento da Lava Jato

 

O procurador Carlos Fernando Lima, da Lava Jato, acabou de pedir afastamento da força-tarefa, publica Lauro Jardim em sua coluna em O Globo.

“Pedi o afastamento por faltarem alguns meses para a minha aposentadoria. Foram quatro anos e meio de intenso trabalho na Lava-Jato, cumulado com a totalidade de minha função na Procuradoria Regional de São Paulo. Entendo que é preciso haver um afastamento das informações sensíveis da investigação. Por isso meu pedido. Mas serei substituído e o trabalho continuará no mesmo ritmo”.

O procurador foi questionado se teria interesse de entrar para a vida política:

“Não me impressiono por moscas azuis. O futuro são palestras, aulas e advocacia”.

  • Arquivos