Pesquisa Ibope divulgada nesta terça-feira, 18, mostrou um salto de 11 pontos de Fernando Haddad (PT) na corrida ao Palácio do Planalto. Com 19% das intenções de voto, o petista se isola na segunda colocação na disputa liderada por Jair Bolsonaro (PSL), que oscilou dois pontos para cima e alcança agora 28%. Ciro Gomes (PDT) não se moveu em relação à pesquisa anterior: ficou com 11%. Marina Silva (Rede) caiu de 9% para 6%. Já o tucano Geraldo Alckmin, dono do maior tempo de propaganda obrigatória na televisão, oscilou para baixo: de 9% para 7%. Houve ainda uma forte queda dos que declaravam voto branco ou nulo: a cifra foi de 19% para 14%. Os indecisos permaneceram em 7%.

A pesquisa Ibope, feita com 2.506 eleitores ouvidos entre o domingo 16 e esta terça e com margem de erro de dois pontos, é um alento para Bolsonaro, que viu seus índices seguirem em uma tendência de alta mesmo estando hospitalizado desde o dia 6, quando foi alvo de um atentado a faca. O candidato da extrema direita, que se submeteu a uma nova cirurgia na semana passada, não deve voltar a fazer campanha de rua até a votação de primeiro turno, em 7 de outubro. Protegido de ter má performances em debates, ele tem explorado o canal que lhe resta e é sua zona de conforto: as redes sociais. Bolsonaro cresceu especialmente no seguimento para quem ganha mais que 5 salários mínimos, passando de 35% para 41%, segundo Marcia Cavallari, diretora executiva do Ibope Inteligência. Ele conseguiu também diminuir sua resistência entre as mulheres: marca 20% nessa parcela do eleitorado.

As cifras são também um enorme impulso à campanha petista: Haddad só é candidato oficial do partido há uma semana, quando substituiu finalmente o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso em Curitiba e proibido de concorrer por causa da Lei da Ficha Limpa. Havia dúvidas se Lula conseguiria transferir sua intenção de votos, que rondava 40%, ao ex-prefeito de São Paulo. A julgar pelos números, o fenômeno já está ocorrendo e de forma acelerada. Em contrapartida, 49% disseram que não votariam de jeito nenhum em um nome indicado por Lula. A disparada de Haddad é também um revés para Ciro Gomes, que tenta se consolidar como um nome à esquerda com algum apelo entre os antipetistas. No Nordeste, Haddad ultrapassou Ciro e chegou a 31%.

Os números são um balde de água fria incontestável para a Marina Silva, que viu sua candidatura derreter em pouco mais de dez dias, e para Alckmin. O tucano, que é o preferido dos investidores na corrida ao Planalto, não consegue capitalizar a exposição na mídia obrigatória. A campanha do ex-governador de São Paulo voltou a investir na desconstrução de Bolsonaro na TV como maneira de tentar disputar o voto à direita com o militar reformado. O problema é que a candidato de extrema direita é o que tem a porcentagem mais alta de eleitores que dizem que a decisão de votar no deputado é definitiva.

Empate no segundo turno e voto útil

Com os eleitores precocemente de olho no voto útil, os números da rejeição dos candidatos e a simulação de segundo turno ganham ainda mais relevância. Todos os cenários de segundo turno mostram bastante equilíbrio. Na principal simulação de segundo turno, Bolsonaro e Haddad estão rigorosamente empatados, com 40% (outros 15% não sabem e 5% não responderam). Bolsonaro tem 39% contra Ciro (40%). Na simulação de embate direto, Bolsonaro e Alckmin tem 38%.

Já no ranking da rejeição, Jair Bolsonaro tem o nível mais alto de rechaço, com 42% do eleitorado. O índice oscilou um ponto para cima: era 41% no levantamento divulgado no dia 11. Haddad viu sua rejeição crescer: a taxa foi de 23% para 29%.

O Ibope perguntou diretamente sobre o voto útil e 32% disseram estar dispostos a votar em um candidato diferente de sua primeira opção só para evitar a vitória de um concorrente: 14% disseram que a possibilidade de fazer isso é muito alta, enquanto 18% disseram que essa possibilidade é alta.

Na quinta-feira, o Datafolha deve divulgar um novo levantamento nacional.

OS PRINCIPAIS NÚMEROS DA PESQUISA

INTENÇÃO DE VOTO

(Entre parênteses o índice de cada candidato na pesquisa anterior, aplicada entre os dias 8 e 10/09)

Jair Bolsonaro (PSL): 28% (26%)

Fernando Haddad (PT): 19% (8%)

Ciro Gomes (PDT): 11% (11%)

Marina Silva (Rede): 6% (9%)

Geraldo Alckmin (PSDB): 7% (9%)

Alvaro Dias (Podemos): 2% (3%)

João Amoêdo (Novo): 2% (3%)

Henrique Meirelles (MDB): 2% (3%)

Cabo Daciolo (Patriota): 1% (1%)

Guilherme Boulos (PSOL): % (0%)

João Goulart Filho (PPL): 0% (0%)

Vera (PSTU): 0% (1%)

Eymael (DC): 0% (0%)

Branco/nulos: 14% (19%)

Não sabe/não respondeu: 7% (7%)

REJEIÇÃO DOS CANDIDATOS

Jair Bolsonaro (PSL): 42% (41%)

Marina Silva (Rede): 26% (24%)

Fernando Haddad (PT): 29% (23%)

Geraldo Alckmin (PSDB): 20% (19%)

Ciro Gomes (PDT): 19% (17%)

Poderia votar em todos: 2% (2%)

Não sabe/não respondeu: 9% (11%)

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Comentários

Daniel on 19 setembro, 2018 at 10:07 #

Essa pesquisa me parece muito estranha. Como é possível que o post do pt tenha crescido em cima de votos do PSDB, Marina e até Amoedo?? Não faz sentido que ele tenha crescido assim sem uma queda acentuada de Ciro Gomes, já que eles disputam o mesmo eleitorado.

Em outra análise, percebo que eles farão um crescimento de Bolsonaro meio que a conta gotas, ainda que as aferições “não oficiais” mostrem que já tenha entre 35 e 38% do total de votos.


Vanderlei on 19 setembro, 2018 at 14:34 #

Eu não acredito nessas pesquisas, tanto do Data folha quanto do IBOPE. Elas vão corrigindo as informações com a proximidade do dia do voto, mas mesmo assim erram feio. A meu ver, Elas são feitas de forma a fornecer resultados que conduzam ou induzam os votos dos eleitores, ao longo do tempo, até o dia da eleição, mais ou menos semelhante a “pastorear o gado”. Ou seja, principalmente os eleitores mal informados, ou que não procuram informações sobre os seus candidatos, pois são levados para o CURRAL, digo, URNA eletrônica “pastoreados” por pesquisas destorcidas, conforme os interesses de quem quer chegar ao poder. É para isso que servem as pesquisas!


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