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CRÔNICA/TEMPO

                                              Estranho setembro

  Janio Ferreira Soares

 

Procuro nuvens que possam esperançar o tempo, mas no céu não há nada além do estrangeiro mormaço lembrando dezembros. “E agora, José?”, pergunta a voz de Paulo Diniz cantando um poema de Drumonnd num som distante. Será que serve a fumaça do avião que risca o ar e que o Flight Radar me informa ser um Airbus da TAP que saiu de Lisboa com destino a São Paulo? E o que diabos faz um jato altamente internacional cortando a paz de minha aldeia, com sua fuselagem refletindo o alaranjado do sol bem na hora em que ele se põe por trás da Serra do Retiro? Será que o comandante, ao receber o bip do radar que existe aqui no aeroporto para orientá-lo, avisa aos passageiros – com o típico sotaque do garçom que um dia me serviu amêijoas em frente ao Tejo -, que está passando sobre o Raso da Catarina? Na remotíssima hipótese de um sim, sejamos sinceros: o que importa ao casal cochilando na classe executiva se o Raso é de Catarina, de Amélia ou de Dolores?

As primeiras estrelas surgem e o Google me diz que o rastro de fumaça formado pelo contato do ar quente das turbinas com a fria temperatura lá do alto se transforma em gotículas de gelo dançando na atmosfera, mas chuva que é bom, necas. Alheias a tudo, corujas suindaras saem do telhado para caçar animais noturnos, enquanto Júlio e Edgar uivam por uma cadela no cio, o que me faz pensar em amarrá-los para não se ferirem no inevitável confronto com os demais pretendentes atraídos pelo perfume que a todos cega, mas quem sou eu para impedir instintos?

Abro um tinto e me sento na cadeira de balanço à espera dos satélites que daqui a pouco cruzarão a escuridão. O primeiro vem por cima da barragem que há anos interrompeu os caminhos de Francisco e passa bem no meio das Três Marias, que batizei de das Graças, das Dores e de Lurdes. O segundo cruza um pouco abaixo da boca da lua e segue em direção às luzes de Paulo Afonso, até sumir. Encho o copo com o que resta na garrafa e penso no casal paulista que ia no avião da TAP e que agora, pelos meus cálculos, já deve ter chegado ao seu apartamento no Itaim. Ele, um empresário cinquentão, vota em Dória pra governador e Alckmin pra presidente. Ela, beirando os 46, já não bate mais panelas, apagou as curtidas em Aécio e estranhamente anda tendo sonhos eróticos com o capitão colostomizado, que mesmo internado faz gesto com as mãos como se fosse atirar, presumo, na enfermeira que troca sua bolsa coletora.

Tomo o derradeiro gole, espanto as jias no banheiro do quarto e, qual o jovem Wally Salomão quando descia a ladeira na sua Jequié, me preparo para tomar meu velho navio. Nele rolarei insone padecendo minhas dores e meus pecados, até que os primeiros raios me devolvam o verde dos coqueiros que o escuro da noite apagou.

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura de Paulo Afonso, na barranca baiana do Rio São Francisco.

“Vapor Barato”, Gal Costa: uma canção definitiva da música brasileira. Bela e marcante, na letra e na melodia.  A interpretação de Gal é simplesmente sensacional!!!

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

Passados 30 dias desde que a campanha começou oficialmente, a estratégia política dos principais candidatos à presidência – os cinco primeiros nas pesquisas – é tentar se consolidar nas regiões onde já têm maior aceitação ou ao menos menor rejeição. É o que mostra uma análise das agendas do último mês de Jair Bolsonaro (PSL), Geraldo Alckmin (PSDB), Ciro Gomes (PDT), Marina Silva (Rede) e Fernando Haddad (PT). Quatro deles concentraram as atividades de campanha nas regiões onde já têm eleitores, ou o Sudeste. Além de ser o maior colégio eleitoral do país, a região de São Paulo e Rio concentra também os meios de comunicação e entidades que estão promovendo sabatinas e entrevistas presenciais. A exceção nesse panorama foi Haddad que, mesmo antes de ser confirmado pelo PT na terça-feira, já havia sido o nome mais frequente no Nordeste, de olho no estoque de votos lulistas que ele disputa agora com Ciro.

A prioridade da campanha petista não é nenhuma surpresa. É no Nordeste onde Haddad vem em forte crescente, passando de 5% no final de agosto para 20% das intenções de voto no Datafolha divulgado na sexta-feira —na votação no país inteiro, Haddad marca 13%. Entre os nordestinos, o ex-prefeito de São Paulo ocupa a primeira posição em empate técnico com Ciro, que oscilou de 20% para 18% na zona. Dos últimos 30 dias de campanha, Haddad passou 25 deles como vice. Mesmo assim, já estava em campanha e foi o que mais visitou a região Nordeste, passando pelos nove Estados. “Ele precisa fazer o voto dele crescer mais rapidamente”, diz Alberto Almeida, cientista político do Instituto Brasilis. “E o lugar mais propenso a votar mais rapidamente nele é o Nordeste”.

A estratégia do petista deve ser mantida pelas próximas três semanas até o primeiro turno. Foi especificamente ao Nordeste que Haddad dedicou o programa na TV deste sábado (veja abaixo). A primeira agenda fora do Sudeste como candidato oficial foi voltar à Bahia, passando por Vitória da Conquista e Jequié, também neste sábado. Ainda há previsão dele voltar para Pernambuco, com uma agenda no Recife, e para outros Estados nordestinos até o final da campanha. Sua agenda está mesclada com idas a cidades da região metropolitana de São Paulo e a Curitiba, onde o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva está preso. Em um mês, foram seis visitas à capital paranaense.

A batalha do Nordeste será travada especialmente com Ciro Gomes. Nascido em São Paulo, mas com carreira política no Ceará, onde foi governador e é aliado do grupo petista no poder, o pedetista vem em segundo lugar em visitas ao Nordeste: já visitou seis Estados. Se, por um lado, é onde Ciro tem mais potencial de crescimento, por outro, não é fácil disputar o voto com “o candidato de Lula” na região. “Ciro pode ser esmagado na região Nordeste pelo PT, dada a posição de centro-esquerda dele”, doz Almeida. Por isso, na opinião do especialista, se o pedetista quiser chegar ao segundo turno, vai ter que disputar o voto da direita e não da esquerda entre os nordestinos. “Hipoteticamente falando, se ele quiser subir, vai ter que disputar com Bolsonaro uma vaga no segundo turno”, afirma. “Para isso, teria de fazer uma volta à direita e não à esquerda. É hipotético, mas ele pode fazer isso”.

Uma análise distinta é feita por Mauro Paulino e Alessandro Janoni, do Datafolha. Os dois escreveram que a melhor aposta de Ciro é “conseguir associar-se ao discurso lulista”. Se for bem sucedido e Haddad patinar, pode chegar a 19% dos votos. Fora do Nordeste, “o pedetista corre o risco de se prender a nichos de jovens universitários, segmento onde chega a ter 34% das intenções de votos, mas de pouca expressão quantitativa”, analisaram.

Reflexo da campanha mais curta

Além das disputas regionais, há motivos estruturais que explicam a menor mobilidade dos candidatos neste ano. Para o cientista político Rui Tavares Maluf, da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, a campanha mais curta neste ano – de 90 para 45 dias – e com menos recursos são fatores importantes para a escolha dessa estratégia. “O tempo e a questão de não ter mais financiamento público de campanha faz com que não houvesse tempo hábil para compensar demais ou reduzir as dificuldades nos outros segmentos nos quais os candidatos buscariam melhorar seu desempenho”, diz.Jair Bolsonaro (PSL), cujo fundo partidário é o menor dentre os cinco primeiros candidatos (pouco mais de 9 milhões de reais), foi o que teve a agenda mais enxuta.

Antes de sofrer um atentado que o tirou da campanha, no último dia 6, o deputado focou em visitar cidades onde os diretórios locais tinham alguma musculatura para organizar as recepções a ele ou comícios.

Em primeiro lugar nas pesquisas (26% das intenções de voto, segundo o Datafolha), o capitão do Exército decidiu por consolidar a audiência que já tem, pontua Alberto Carlos Almeida. “Ele passou a ir nos lugares que considerava os mais importantes para segurar o voto e não para tentar conquistar um novo eleitor”.e fato, entre os dias 16 de agosto, quando a campanha começou oficialmente, e 6 de setembro, quando o candidato fora atacado, ele não fez nenhuma visita ao Nordeste.

A região é a que mais o rejeita, segundo levantamento mais recente do Datafolha: 51% dos eleitores nordestinos não votariam no deputado. Nas demais regiões, ele esteve ao menos uma vez.Já a campanha com menos recursos de Marina Silva forçou a candidata a permanecer a maior parte do tempo no Sudeste.  Foi três vezes o Nordeste – Fortaleza, Recife e Salvador – e nenhuma no Sul, onde sua rejeição é a segunda maior do país: 32%, seguida do Centro-oeste, com um ponto a mais.

A acreana visitou o Norte, região que sofre um colapso com a crise dos imigrantes venezuelanos, somente duas vezes – esteve em Macapá e Belém, mas até Ciro foi mais à região do que ela. Em dois dias, o pedetista passou por seis dos sete Estados do Norte – Acre, Rondônia, Roraima, Amapá, Pará e Amazonas – completando assim a região toda, já que já havia ido ao Tocantins no mês passado. O abandono de Marina à sua região foi sentido nas pesquisas, que registraram a despencada da ambientalista ali: de 23% no final de agosto, para 12% das intenções de votos agora. Enquanto isso, Haddad cresceu de 2% para 12% no mesmo período, empatando com Ciro, que oscilou de 10% para 12%.

Para Alberto Almeida, os 10,6 milhões de reais de fundo partidário da Rede, somados aos escassos 21 segundos de inserção por bloco no horário eleitoral moldaram a agenda de Marina, que participou de sabatinas, entrevistas e debates mais do que realizou agendas de rua. Ele acredita que essa tendência deve permanecer. “Marina tende a ficar mais próxima das regiões onde já está, o que pode indicar falta de recursos”. O fundo partidário da Rede não chega a 5% dos 212,2 milhões de reais do PT, partido com o maior fundo desta eleição.

O fique onde está também foi adotado por Geraldo Alckmin, talvez não por falta de recursos, mas por uma questão mais estratégica. O PSDB detém quase 186 milhões do fundo partidário e mesmo assim, sua agenda é muito mais intensa no Sudeste. “Os candidatos de certa maneira estão tentando maximizar as áreas onde eles estão mais fortes”, diz Rui Tavares. “Não adianta Alckmin sair correndo em direção ao Nordeste, que ele não vai conseguir minimizar isso numa campanha tão curta quanto essa”. Na região onde já foi governador, o tucano tem 11% das intenções de voto, contra 9% no país todo. Com somente dois Estados nordestinos visitados, Alckmin não vai engrossar a disputa em terreno com Haddad e Ciro.

Jô Soares – Fundo musical, arranjo, direção musical, violão e sintetizadores de Nando Carneiro. Álbum: A Música em Pessoa. Gravação de 1985.

 

Cruzou por mim, veio ter comigo, numa rua da baixa Aquele homem mal vestido, pedinte por profissão que se lhe vê na cara, Que simpatiza comigo e eu simpatizo com ele; E reciprocamente, num gesto largo, transbordante, dei-lhe tudo quanto tinha (exceto, naturalmente, o que estava na algibeira onde trago mais dinheiro: Não sou parvo nem romancista russo, aplicado, E romantismo, sim, mas devagar…). Sinto uma imensa simpatia por essa gente toda, Sobretudo quando não merece simpatia. Sim, eu sou também vadio e pedinte, E sou-o também por minha culpa. Ser vadio e pedinte não é ser vadio e pedinte: E’ estar ao lado da escala social, E’ não ser adaptável às normas da vida, ‘as normas reais ou sentimentais da vida – Não ser juiz do supremo, empregado certo, prostituta, Não ser pobre a valer, operário explorado, Não ser doente de uma doença incurável, Não ser sedento da justiça, ou capitão de cavalaria, Não ser, enfim, aquelas pessoas sociais dos novelistas Que se fartam de letras porque tem razão para chorar lagrimas, E se revoltam contra a vida social porque tem razão para isso supor. Não: tudo menos ter razão! Tudo menos importar-se com a humanidade! Tudo menos ceder ao humanitarismo! De que serve uma sensação se ha uma razão exterior a ela? Sim, ser vadio e pedinte, como eu sou, Não é ser vadio e pedinte, o que é corrente: E’ ser isolado na alma, e isso é que é ser vadio, E’ ter que pedir aos dias que passem, e nos deixem, e isso é que é ser pedinte. Tudo o mais é estúpido como um dostoiewski ou um gorki. Tudo o mais é ter fome ou não ter o que vestir. E, mesmo que isso aconteça, isso acontece a tanta gente Que nem vale a pena ter pena da gente a quem isso acontece. Sou vadio e pedinte a valer, isto é, no sentido translato, E estou-me rebolando numa grande caridade por mim. Coitado do álvaro de campos! Tão isolado na vida! tão deprimido nas sensações! Coitado dele, enfiado na poltrona da sua melancolia! Coitado dele, que com lagrimas (autenticas) nos olhos, Deu hoje, num gesto largo, liberal e moscovita, Tudo quanto tinha, na algibeira em que tinha pouco aquele pobre que não era pobre que tinha olhos tristes por profissão. Coitado do álvaro de campos, com quem ninguém se importa! Coitado dele que tem tanta pena de si mesmo! E, sim, coitado dele! Mais coitado dele que de muitos que são vadios e vadiam, Que são pedintes e pedem, Porque a alma humana é um abismo. Eu é que sei. coitado dele! Que bom poder-me revoltar num comício dentro de minha alma! Mas até nem parvo sou! Nem tenho a defesa de poder ter opiniões sociais. Não tenho, mesmo, defesa nenhuma: sou lúcido. Não me queiram converter a convicção: sou lúcido! Já disse: sou lúcido. Nada de estéticas com coração: sou lúcido. Merda! sou lúcido.

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Viva a poesia!!! Salve Álvaro de Campos!!! Eternidade para Fernando Pessoa!!!

Parabéns, Jô Soares, pela escolha!

BOM DOMINGO A TODOS!!!

(Vitor Hugo Soares)

set
16
Posted on 16-09-2018
Filed Under (Artigos) by vitor on 16-09-2018

Do Jornal do Brasil

O candidato a presidente pelo PT, Fernando Haddad, compartilhou em sua conta no Twitter, na manhã deste sábado, 15, uma imagem que mostra uma bilhete assinado pelo seu principal padrinho político, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com uma mensagem de apoio.

“A eleição de Haddad vai ser a resposta do povo brasileiro ao golpe! Aos que sabotaram a democracia e tentaram impedir a soberania do voto popular”, escreve o ex-presidente, que está preso desde abril em Curitiba, na sede da Polícia Federal, após ter sido condenado pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, no caso do triplex do Guarujá (SP).

Macaque in the trees
Enquanto Luiz Eduardo Greenhalg lia carta de Lula, Fernando Haddad, Manuela DÁvila e Gleisi Hoffmann saudaram a militância em Curitiba (Foto: Cassiano Rosário/AE)

A mensagem de Lula foi publicada inicialmente no perfil do ex-presidente e, em seguida, compartilhada pela conta de Haddad. “Vamos juntos, presidente”, escreveu o ex-prefeito de São Paulo, ao republicar o bilhete de Lula.

Desde que assumiu a candidatura do PT no lugar de Lula, que foi impedido de participar da campanha em razão da Lei da Ficha Limpa, Haddad tem buscado capturar os votos do ex-presidente, que liderava as pesquisas.

Em levantamento divulgado na sexta-feira, 14, pelo Datafolha, Haddad subiu de 9% para 13% e se consolidou em segundo lugar, empatado com Ciro Gomes (PDT), que também tem 13%, e, pela margem de erro, com Geraldo Alckmin (PSDB), que registrou 9%.

O candidato do PT, que na sexta concedeu entrevista ao “Jornal Nacional”, da TV Globo, participa neste sábado de ato de campanha em Vitória da Conquista, na Bahia, numa tentativa de garantir os votos do Nordeste, onde o partido é tradicionalmente mais forte em eleições presidenciais. O principal adversário do ex-prefeito de São Paulo na região é Ciro Gomes, ex-governador do Ceará.

set
16
Posted on 16-09-2018
Filed Under (Artigos) by vitor on 16-09-2018
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Mariano, no portal de humor gráfico A Charge Online

 

FHC pede voto para ‘Alkmin’

 

Depois da nota do Estadão que dizia que Fernando Henrique Cardoso nunca havia usado o Twitter para pedir votos para Geraldo Alckmin, o ex-presidente finalmente usou a plataforma para falar do candidato tucano.

“Intriga não ajuda a convencer. No que publiquei ontem está claro que Alkmin é quem pode governar melhor: experiente, honesto, com olho no orçamento e capaz de ouvir. Meu voto é sabidamente nele. Há tempo para evitar votar em aventuras ou em desastres anunciados”.

FHC, assim como Lula, não sabe nem o nome de seu candidato.

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