Do Jornal do BrasilCoisas da Política

Tereza Cruvinel

Conter fardados e togados

 

“Em meu governo, militar não fala em política”, disse ontem o candidato do PDT, Ciro Gomes, em sabatina aos jornais O Globo/Valor. Se fosse presidente, acrescentou, demitiria e prenderia o comandante do Exército, general Villas Bôas. Finalmente, um representante do poder civil enfrenta o assanhamento dos militares, em alta desde que o presidente Temer, para compensar sua debilidade e ilegitimidade, resolveu lhes dar corda e protagonismo.

O general permitiu-se dizer que uma candidatura sub judice (a de Lula) não seria admitida e que a facada em Bolsonaro poderia até colocar em dúvida a legitimidade do pleito. Já o vice de Bolsonaro, general da reserva Mourão, além de cultuar o torturador Ulstra, elucubrou sobre a possibilidade de o futuro presidente aplicar-se um auto-golpe para fazer reformas. Seja quem for o presidente eleito, terá que fortalecer as Forças Armadas, parar com a mania de Temer de acioná-las em qualquer aperto, e de mantê-las no cercado da missão constitucional.

As razões da crise que levou o Brasil à degradação que espanta o mundo dão um rosário mas certamente incluem a bagunça institucional gerada pela hipertrofia do poder do Judiciário e de forças auxiliares, como Ministério Público e Polícia Federal. O mesmo Ciro, há alguns dias, causou celeuma ao dizer que, para a normalização da vida nacional, terão todos que “voltar para dentro de suas caixinhas”. Quem quis entendeu: para o círculo das previsões constitucionais, rompidas pelo abuso de poder, mas falou-se logo em ameaça à independência destas instituições.

Saudável movimento rumo às caixinhas fez ontem o Conselho Nacional do Ministério Público, ao decidir pelo exame das motivações de procuradores que apresentaram denúncias, no calor da campanha, contra Alckmin e Haddad. A prisão do ex-governador tucano do Paraná, Beto Richa, pode ser incluída no rol suspeito, pois sendo a investigação de 2011, só agora gera uma prisão preventiva.

O ministro do STF Gilmar Mendes endossou, apontando “notório abuso do poder de litigar” nestas iniciativas coincidentes com a fase crucial da campanha. “É preciso colocar freios”. Mas, como no passado o abuso correu frouxo, os procuradores da Lava Jato estrilaram ontem.

Em 2012, o STF marcou o julgamento da ação penal 470, a do mensalão, para período coincidente com o da campanha. Em 2014, o PT sofreu os efeitos do vazamento cronometrado de delações da Lava Jato sobre a corrupção na Petrobras. Mas é bom sinal que os militares voltem a ser lembrados de que estão sob o poder civil e que haja no Judiciário disposição para “colocar freios”.

Motivos para votar

Na terça-feira, 11, o Instituto Paraná Pesquisas também foi a campo, contratado pela Empiricus, e obteve resultados não muito diferente do Datafolha e do IBOPE: Bolsonaro liderando com 26,6%, seguido de Ciro (11,9%), Marina (10,6), Alckmin (8,7%) e Haddad (8,3%). Diz o PT que seus levantamentos indicam aumento na transferência de votos a partir da indicação oficial de Haddad na terça. As próximas pesquisas dirão.

Diferencial da pesquisa Paraná foi a busca das razões do eleitor para votar num candidato. A maioria dos que votam em Bolsonaro (23,6%) apontou seus projetos contra a criminalidade. Entre eleitores de Ciro, 14,2% disseram que se identificam com o discurso dele, 9,2% apontaram seus projetos na área econômica e 8,8% destacaram o fato de ele ter experiência política. Entre eleitores de Haddad, 38% apontaram o fato de ser apoiado por Lula. Agora, ele precisa se distinguir também pelas propostas. Já 25% dos eleitores de Alckmin destacaram sua experiência administrativa e política.

Toffoli

Depois de empossado hoje na presidência do STF, o ministro Dias Toffoli dará início a um programa de distensão na conturbada relação entre os ministros. Ele pretende ainda melhorar a relação com os outros dois Poderes e fortalecer o CNJ como órgão de controle, numa fase em que o Judiciário acumulou desgaste e desconfiança.

“Rio de Maio”, Ivan Lins: a maravilhosa cidade que inspira lindas canções que vale a pena cantar sempre e todo dia. Como esta composição de Ivan. “Frio, vejo arrepios, na pele azul crepom do mar”. Beleza!

BOM DIA!!!

(Vitor Hug Soares)

Boneco de Bolsonaro em frente ao hospital Albert Einstein.

 
Boneco de Bolsonaro em frente ao hospital Albert Einstein. Sebastião Moreira EFE

A cirurgia de emergência do candidato Jair Bolsonaro (PSL) na noite desta quarta-feira (12), após a detecção de uma aderência obstruindo o intestino delgado, impõe novos desafios para sua campanha ao Palácio do Planalto. A estratégia de gravar vídeos diários para as redes sociais, prevista para começar esta semana, foi adiada em função do grave estado de saúde do presidenciável, que voltou para a Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Albert Einstein, onde se recupera “sem intercorrências” e com visitas restritas a familiares para reduzir o risco de infecção. Sem prognóstico de alta do candidato nem mesmo da UTI, alguns correligionários já admitem que ele não retomará a campanha ou participará de debates até o primeiro turno, no dia 7 de outubro, o que abre espaço para que políticos de seu círculo íntimo comecem a se movimentar —e entrar em atrito.

Com o candidato fora de cena, seus filhos e o candidato a vice na chapa, general Hamilton Mourão (PRTB), começaram a assumir o protagonismo da campanha, de forma aparentemente desordenada. O ato mais ousado veio do militar, cujo partido entrou com um pedido junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para que possa representar Bolsonaro nos debates. A ação, entretanto, não contou com o aval da cúpula do PSL, que não foi consultada antes de o general ter se voluntariado para ocupar o púlpito destinado ao capitão da reserva. Na terça-feira Mourão foi além, e afirmou que “este troço já deu o que tinha que dar”, referindo-se à facada levada pelo companheiro de chapa, e disse ainda que era preciso acabar com a “vitimização” do capitão. As declarações foram consideradas insensíveis por partidários de Bolsonaro.

O presidente do PSL paulista, Major Olímpio, tratou de colocar panos quentes no assunto, e negou que haja mal-estar entre o vice e os líderes do PSL após o pedido feito ao TSE. “Nós não demos muita importância a esse tipo de coisa. A intenção foi 100% positiva, pra quem conhece o general Mourão”, afirmou nesta quinta-feira ao visitar Bolsonaro no hospital Albert Einstein. Segundo Olímpio, é positivo ter o candidato a vice nos debates para falar das propostas do militar reformado e defendê-lo de possíveis “ataques” dos demais presidenciáveis. “Agora isso não depende de nós. Depende do TSE”.

Segundo Olímpio, o PSL está tentando unir as agendas dos líderes partidários com a dos filhos de Bolsonaro e do general Mourão para tentar passar uma imagem de coesão dentro da chapa, que lidera as intenções de voto até o momento. Nos próximos dias estão marcados atos de campanha em Assis, Marília, Ourinhos, Santa Cruz do Rio Pardo, Bauru e Itupeva, no interior do Estado de São Paulo. “Quanto mais eu puder ter o general Mourão em São Paulo, mais isso fortalece o Jair Bolsonaro”, afirma, fazendo a ressalva de que o general “tem um perfil diferente, não é homem de estar nas massas”. Para Olímpio, os 33 milhões de eleitores paulistas podem ajudar a definir a eleição “no primeiro turno”. Para o partido isso seria importante, tendo em vista que até o momento nas simulações de segundo turno da mais recente pesquisa, o Datafolha, o máximo que o capitão obtém é um empate com o petista Fernando Haddad (PT).

Apesar do esforço de Olímpio para amarrar um agenda conjunta, o general parece ter outros planos. “Já estou no Paraná desde terça-feira, e nos próximo dias irei até o Rio de Janeiro e Manaus”, afirmou Mourão em conversa por telefone com o EL PAÍS. “O Brasil é enorme, temos que nos mover”, disse. O candidato a vice negou que tenha agido de forma desleal com o partido de Bolsonaro ao propor sua participação nos debates: “Eu apenas estou fazendo minha parte como segundo na campanha. Não posso substituí-lo, ele é insubstituível. Apenas o que posso fazer é aumentar a minha circulação pelo país para difundir nossas ideias”.

Outra peça importante no xadrez da campanha bolsonarista é o candidato ao Senado Flávio Bolsonaro (PSL), filho do presidenciável, um dos coordenadores da ponta fluminense da campanha. Ele também nega qualquer mal-estar entre seu partido e Mourão. “O general é um cara 100% fechado com a gente, confiamos plenamente nele, e ele mostra que está disposto a ajudar onde for necessário”, afirma. No entanto, Flávio diz que a participação do vice ou de qualquer um dos filhos do capitão em eventos ou agendas da chapa depende da decisão do candidato à presidência. “A participação dele depende da anuência do Jair, é dele a decisão final. Se ele entender que o Mourão tem que ir [aos debates], ele é super qualificado, não será uma peça decorativa”, explica. “Somos todos soldados do capitão, a palavra final é sempre dele”. Seja como for, Bolsonaro foi aconselhado pela equipe do Einstein a falar o menos possível para evitar qualquer complicação extra na recuperação. “Quando ele estiver em condições de tomar decisões, irá tomá-las”, disse Flávio.

Do leito do hospital, o próprio Bolsonaro usou o Twitter para tentar conter os rumores de bate-cabeça. “Muita coisa vem sendo falada na tentativa de nos dividir e consequentemente nos enfraquecer. Não caiam nessa! Desde o início sabíamos que a caminhada não seria fácil, por isso formamos um time sólido e preparado para a missão de mudar o Brasil! Não há divisão!”, escreveu.

“Forte como um cavalo”

Hospitalizado há sete dias, desde que levou uma facada no abdômen durante ato em Juiz de Fora (MG), Bolsonaro não deve voltar tão cedo para a campanha. E as perspectivas de retorno são ainda piores desde esta quarta-feira. O professor de cirurgia intestinal do Hospital das Clínicas, Carlos Sobrado, explica que uma complicação tida pelo capitão da reserva é comum neste tipo de trauma, mas é grave. “Nessas condições, o pós-operatório é complicado. O candidato tem mais de 60 anos, já passou por duas cirurgias em pouco tempo e está há uma semana sem se alimentar. Com certeza vai passar outra semana em jejum para depois retomar a dieta de forma muito gradativa”, analisa. Segundo ele, se o presidenciável evoluir positivamente, deverá receber alta em dez ou doze dias. “Acredito que no dia 7 [de outubro, quando acontece o primeiro turno] ele já estará em casa, mas não vai voltar a fazer campanha. Talvez para um segundo turno, se ele passar, ele tenha condições de participar de alguma atividade, mas com muito cuidado e restrição”, afirma.

O contraste entre o capitão da reserva que construiu sua carreira política alicerçada em um discurso conservador —e viril— e o candidato acamado com saúde fragilizada desempenha um duplo papel na campanha. “O drama pessoal humaniza o Bolsonaro, sempre há lugar no imaginário coletivo para os heróis feridos, que enfrentam situações adversas”, explica o cientista político Antônio Lavareda, da Universidade Federal do Pernambuco. “Mas suponha que isso se estenda até o segundo turno, que ele continue fora da campanha caso avance para a reta final do pleito: aí é impossível prever o efeito que a ausência e fragilidade da saúde de Bolsonaro terão na cabeça das pessoas”, diz. Para o professor, até o momento o fato de que o candidato não poderá ir a debates e sabatinas é positivo para ele, que não terá que se expor. “Mas enquanto ele fica no hospital outros personagens de seu círculo próximo ganham protagonismo, e eventualmente entram em conflito. Isso tudo deixa a opinião publica desconcertada, sem saber exatamente qual o estado de saúde do capitão”, afirma, lembrando também o “trauma coletivo” que foi a morte do então presidente Tancredo Neves em 1985, que foi eleito, mas morreu antes de ser empossado, dando lugar a seu vice, José Sarney.

Flávio Bolsonaro afirma mesmo que o pai esteja em situação delicada no momento, sua imagem não será prejudicada. “Se ele não fosse forte já estava morto. É incrível como ele se recupera muito rápido de todas as cirurgias, operação após operação”, diz. O vereador Carlos Bolsonaro, irmão mais novo de Flávio, também endossa o discurso familiar de que o capitão é “forte como um cavalo”. No Twitter ele escreveu que apesar da “noite delicada (…) o velho é forte como um cavalo, não é à toa que seu apelido de Exército é ‘cavalão!”. Resta saber quanto vigor pode ter Bolsonaro para liderar uma corrida eleitoral da cama do hospital.

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Posted on 14-09-2018
Filed Under (Artigos) by vitor on 14-09-2018
Paula Felix
 

A nova cirurgia a qual o candidato do PSL à Presidência, deputado Jair Bolsonaro, foi submetido nesta quarta-feira, 12, é um procedimento que pode ocorrer em pacientes que sofrem lesões intestinais e apresentam casos de obstrução no órgão, segundo especialistas ouvidos pelo “Estado”. O presidenciável, internado no Hospital Israelita Albert Einstein para se recuperar de uma facada sofrida em ato de campanha em Juiz de Fora (MG), teve perfurações nos intestinos grosso e delgado.

Candidato do PSL à Presidência, Jair Bolsonaro, durante evento de campanha em Taguatinga, antes da facada 05/09/2018 REUTERS/Adriano Machado

 Candidato do PSL à Presidência, Jair Bolsonaro, durante evento de campanha em Taguatinga, antes da facada 05/09/2018 REUTERS/Adriano Machado
Foto: Reuters

Cirurgião-geral especialista em cirurgia minimamente invasiva da Rede D’OR São Luiz, Duarte Miguel Ferreira Rodrigues Ribeiro diz que a formação de aderências é um evento esperado nesses casos e que as equipes médicas estão preparadas para fazer intervenções caso o paciente apresente esse quadro. “É esperado isso e prontamente foi identificada a obstrução intestinal.”

Mas os casos de aderência do órgão não são tão comuns, segundo o cirurgião do aparelho digestivo Fabio Atui. “Depois de uma cirurgia maior, pode acontecer de o corpo tentar cicatrizar e se formar uma certa dobra no intestino, fazendo com que o trânsito fique obstruído. Após uma cirurgia, o intestino fica parado, especialmente em cirurgias de emergência com sangramento. Ele se contrai menos e é normal ter distensão”, explica.

Quando a cicatrização não é ideal, segundo Atui, é necessária uma abordagem médica para soltar a aderência. “Quando é isso, a evolução costuma ser muito benigna e a recuperação é rápida, mas cada caso é um caso”, relativiza.

De acordo com boletim médico divulgado na manhã desta quinta-feira, 13, a nova intervenção durou duas horas e o paciente evoluiu bem após a cirurgia. Ele permanece internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Ainda segundo o boletim, houve vazamento do conteúdo intestinal. Ribeiro diz que esse tipo de ocorrência pode oferecer riscos de infecção, caso não seja rapidamente revertida.

“Em casos de várias lesões nessas costuras, uma delas pode arrebentar. Repara-se o dano e a região é lavada exaustivamente. Com os antibióticos, isso minimiza o risco de infecção. Além disso, a área que extravazou tem uma colonização menor de bactérias, ao contrário do reto. A equipe viu e agiu prontamente.”.

Sobre a retomada da alimentação, o cirurgião diz que é um procedimento normal voltar a alimentar o paciente quando ele apresenta melhora. “Quanto mais precocemente alimentar o indivíduo, mais rápido ele vai se recuperar. A mucosa intestinal em jejum é muito ruim.”

Do  Jornal do Brasil

O candidato do PDT à Presidência da República, Ciro Gomes (PDT), voltou a afirmar na manhã desta quinta-feira, 13, no Rio que o vice de Jair Bolsonaro (PSL), o General Mourão é um jumento de carga. “O bicho jumento de carga esse Mourão” , disse, ao ser questionado sobre o general. O pedetista já havia classificado assim o militar em sabatina do jornal O Globo ocorrida na véspera.

Em contrapartida, Ciro elogiou o candidato do PT Fernando Haddad, de quem é amigo pessoal, mas reafirmou que este não é um momento para brincadeiras. “Estamos às vésperas de um fenômeno protofascista”, afirmou, numa referência a uma eventual vitória de Bolsonaro no primeiro turno. “Não é hora de botar o País para dançar na beira do abismo “. Ciro Gomes faz as declarações em palestra na Academia Brasileira de Ciências (ABC), no Rio.

Macaque in the trees
Ciro Gomes durante caminhada em Mauá, Região Metropolitana de São Paulo (Foto: Leo Canabarro)

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Posted on 14-09-2018
Filed Under (Artigos) by vitor on 14-09-2018
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Atorres, no DIÁRIO DO PARÁ

 

TOFFOLI SUSPENDE AÇÃO PENAL CONTRA GUIDO MANTEGA

 

Por Claudio Dantas

Dias Toffoli, que está tomando posse na Presidência do Supremo, mandou Sergio Moro suspender a ação penal contra Guido Mantega.

Foi seu último ato como membro da Segunda Turma.

A liminar foi pedida pela defesa do ex-ministro, denunciado por atuar para a Odebrecht na edição de medidas provisórias em troca de propina.

No entendimento do ex-advogado do PT, Mantega não pode ser investigado por corrupção passiva, mas por crime eleitoral.

“Pois bem, à luz do entendimento fixado na ação paradigma, entendo, neste juízo de cognição sumária, que a decisão do Juízo da 13ª Vara Federal de Curitiba/PR tentou burlar o entendimento fixado no acórdão invocado como paradigma, ao receber a denúncia do Ministério Público Federal, acolhendo, sob a roupagem de corrupção passiva, os mesmos fatos que o Supremo Tribunal Federal entendeu – a partir dos termos de colaboração contidos na PET nº 6986-AgR/DF – que poderiam constituir crime eleitoral de falsidade ideológica (art. 350 da Lei nº 4.735/65), por se tratar de doações eleitorais por meio de caixa 2.”

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