OPINIÃO
 
A estátua de D. Pedro II em frente ao Museu Nacional no Rio de Janeiro, em 3 de setembro.
A estátua de D. Pedro II em frente ao Museu Nacional no Rio de Janeiro, em 3 de setembro. PILAR OLIVARES REUTERS
Fábio Teixeira de Sá

 

Relatos sobre o abandono do Museu Nacional deixaram atônitos muitos brasileiros que assistiram pela televisão às labaredas consumirem 200 anos de pesquisa. É impossível não sentir uma certa resignação com a tragédia. Afinal, o Museu Nacional não é o primeiro a ter este destino, e não há indícios de mudanças para que seja o último. A sensação é que naturalizamos a ideia que a cultura não faz parte do projeto de Brasil e, por isso, é normal vê-la destruída. É só acompanhar os comentários de internautas satisfeitos com o incêndio nas redes sociais: “Segue o baile! Se não há vítimas, deixa queimar essa história comunista que criaram”, afirmou um entusiasta da tragédia. “Um gasto a menos nos cofres públicos”, disse outro.

Mas há de existir algo mais entre o descaso e a conformidade.

A história do Museu Nacional é a história de um projeto civilizatório para o Brasil que fracassou. Embora a discussão sobre o que é “civilização” seja, hoje em dia, alvo de de discussões, a ideia da família real portuguesa ao fugir para o Brasil era muito clara: trazer para os tórridos trópicos as boas maneiras, as artes e a cultura europeia. D. João VI, rei português, para além de todo um aparato político institucional, precisava também da criação de um aparato intelectual que tornasse legítima a Corte portuguesa trasladada para a América do Sul. Assim o Museu Nacional funcionou como uma das formas de validação do Império Português, agora em outras terras.

Criado via decreto de 6 de junho de 1808 com a função de “estimular os estudos de botânica e zoologia”, o museu não tinha acervo e começou com pequena coleção doada pelo próprio João VI e, posteriormente, aumentada por seu neto e imperador, D.Pedro II. Vale lembrar que Pedro (segundo) é um desses personagens peculiares de nossa história. Aclamado imperador aos quinze anos, em 1831, ele teve uma educação baseada nas ideias de seu principal tutor, o Marquês de Itanhaém. Sua educação baseava-se em “uma mistura de iluminismo, humanismo e moralismo”, que o tornasse, nas palavras do historiador José Murilo de Carvalho, “um monarca humano, sábio, justo, honesto, constitucional, pacifista, tolerante”.

Era também viajante contumaz para Europa e Estados Unidos. Suas viagens eram marcadas pela visita a instituições culturais, de educação e ciência e a lugares históricos. Algumas das peças que mais chamavam a atenção do Museu Nacional, e que foram destruídas no incêndio, eram as múmias adquiridas em sua visita ao Egito. Ele se correspondeu com Nietzsche, Lewis Carroll, Júlio Verne e Victor Hugo. Foi amigo do astrônomo Camille Flammarion. Esteve nos Estados Unidos, em 1876, quando Alexander Graham Bell lançou o telefone. Se entusiasmou pela invenção e logo a trouxe para o Brasil. Financiou o cientista Louis Pasteur. Apoiou o projeto do empreendedor Irineu Evangelista de Sousa, o Visconde de Mauá, de trazer fazer a Estrada de Ferro Dom Pedro II. Financiou a primeira expedição brasileira à Antártida, e muitos outros projetos que, hoje criticados por seu viés elitista e etnocêntrico, foram, sem dúvida, um grande impulso na construção de um esboço de nação. Mas esse esboço não saiu realmente do papel.

O Museu Nacional era apenas um dos instrumentos civilizatórios do Império. Outras instituições eram a Biblioteca Nacional, o Jardim Botânico do Rio, a Imprensa Régia (atual Imprensa Nacional), a Casa de Suplicação (que mais tarde se tornaria o Supremo Tribunal Federal), o Banco do Brasil, a Academia Real da Marinha e a Escola Real de Ciências, Artes e Ofício (atual Escola de Belas Artes), além da Real Junta de Comércio, Agricultura, Fábricas e Navegação (mais conhecida como Junta do Comércio).

Não é preciso conhecimento histórico para saber quais dessas instituições cresceram e prosperaram, e quais ficaram relegadas ao esquecimento. Quantas pessoas conhecem o STF ou o Banco do Brasil e quantas sabiam até o incêndio que existia um Museu Nacional no Rio? Qual você consideraria mais importante? Há razões porque as instituições culturais tem sido sendo lentamente apagadas. Com a proclamação da República, em 1889, e com boa parte das forças políticas defendendo ainda a monarquia, muitos republicanos se viram, de certa maneira, impelidos a deixar de lado qualquer ícone ou projeto que lembrassem o império.

Além disso, a ênfase na economia e no progresso material, de maneira desordenada, sobretudo a partir do começo do século XX impeliu o país a relegar e a enxergar o passado como algo velho e sem uso prático, abdicando de sua memória. É nesse contexto que o Brasil se torna o eterno “país do futuro”, aquele de Stefan Zweig. Neste futuro, há uma cultura que tem importância, mas essa não é a do acesso para todos. Ela está nos grandes museus da Europa e Estados Unidos, nos mesmos lugares onde D. Pedro II ia para buscar inspirar. “No Brasil, temos a ideia de que a cultura é a ‘salvação’ para todas as nossas misérias, mas ao mesmo tempo só é digna de acessá-la quem é ‘de bem’, ou tem algum dinheiro”, desabafou nas redes sociais a historiadora Deborah Neves, especialista em patrimônio histórico.

Nesse Brasil, atuar na cultura sequer é considerado trabalho. A rejeição da história como coisa de “esquerdista” está nas redes, mas também no projeto da Base Nacional Comum Curricular do Ensino Médio, que tenta abolir a disciplina. A história se tornou um supérfluo e também uma maneira de distinção. Não gera riqueza, só prazer. E prazer é só para quem pode manter a vida nababesca de um imperador-menino visitando grandes museus ao redor do mundo.

Fábio Teixeira de Sá é historiador e economista. Regiane Oliveira é historiadora e repórter do EL PAÍS.

 

 
De Celso P. A.

Publicado no youtube (área de comentários) em 1 de abr de 2013

 
Gravação original, com o puro som do vinil, de um grupo que misturava rítmos regionais com o experimentalismo dos anos 70. Contando ainda com o tecladista Vermelho, que nos meados dos anos 70 juntou-se a integrantes do grupo “O Terço”, para formar o grupo 14-BIS. Se o rádio não toca… Músicas: 1- Onde o Olhar Não Mira Vermelho – Capenga – Zéca/Patinhas 2- Obrigado Bandida Patinhas 3- Olhos de Fogo Zéca – Capenga – Patinhas 4- Você e Tú Gereba – Tuzé de Abreu 5- Tierra LLena Del Sol Y de Luna Capenga – Zeca – Gereba – Patinhas 6- O Côco Louco Capenga – Carlos Eladio 7- As Muié Santa de Canudos Gereba – Patinhas 8- Além de Arembepe Gereba – Capenga – Zéca – Patinhas 9- Palhas de Miljo Capenga – Vermelho – Patinhas 10-O Arco Íris Trovejou Capenga – Patinhas 11-Dom Tapanatara Gereba – Patinhas.
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Maravilhas da banda baiana Bendengó. Com a força resistente do meteorito que caiu na área de Monte Santo, sertão de Canudos , que acaba de escapar do assombroso e devastador incêndio do Museu Nacional , na Quinta da Boa Vista, no Rio, e lhe emprestou o nome. Vi o grupo surgir em Salvador, nos anos 70, na casa do jornalista João Santana (Patinhas), quando ele chefiava a redação de O Globo, na Bahia, e eu a do Jornal do Brasil.
BOM DIA!!!
(Vitor Hugo Soares)

 

 

 

  Haddad e sua mulher, Ana Estela, após visitarem Lula na cadeia. Haddad e sua mulher, Ana Estela, após visitarem Lula na cadeia. HEULER ANDREY AFP

Os dois principais institutos de pesquisa do Brasil, o Ibope e o Datafolha, mudaram os planos de divulgação dos resultados de seus levantamentos sobre a corrida presidencial que estavam previstos para ocorrer nesta semana. O Ibope havia feito suas entrevistas entre os dias 1º e 3 de setembro e havia confirmado que noticiaria os resultados nesta terça, mas acabou decidindo pela suspensão da divulgação conforme publicou, primeiramente, a revista digital Crusoé, por causa da situação de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), impugnado como candidato pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) na madrugada de sábado. Ao EL PAÍS, o TSE confirmou oficialmente que o Ibope havia feito um questionamento sobre essa pesquisa, mas o esclarecimento do que havia ocorrido só viria no próprio Jornal Nacional, da TV Globo, onde deveria ser divulgado o levantamento. Segundo nota do Ibope, lida no programa, o instituto fez o registro no dia 29 de agosto prevendo perguntar aos eleitores sobre Lula, mas acabou não usando o questionário que incluía o ex-presidente por causa da derrota do petista na Justiça Eleitoral. Só nesta terça, informou o instituto, o Ibope então questionou o TSE se poderia divulgar o resultado, diferente daquilo que havia sido registrado. O tribunal, seguiu a nota, não havia respondido até então.

O levantamento do Ibope foi contratado também pelo jornal O Estado de S. Paulo. A notícia da suspensão provocou protestos de petistas. Em seu perfil no Facebook, o senador Lindbergh Farias (PT-RJ), disse em tom de ironia que a suspensão do Ibope foi curiosa. “Não tenho dúvidas: Lula apareceria mais uma vez liderando com folga, pra desespero da direita. A pressão que rolou nos bastidores para anular a divulgação teve dedos poderosos das elites sem voto”.

Já o Datafolha anunciou no site do jornal Folha de S. Paulo, ao qual o instituto é vinculado, que cancelou o registro de sua pesquisa por causa da situação de Lula, agora impedido. Segundo o órgão, a solicitação para realizar o levantamento havia sido feito no dia 31, antes, portanto, do TSE declarar Lula inelegível. Conforme a lei eleitoral, os registros das pesquisas precisam ser feitos em até cinco dias antes da data de divulgação de seus resultados.

Como até a semana passada havia dúvidas se Lula poderia ou não ser candidato (apesar de o PT tê-lo lançado) os institutos de pesquisas costumavam fazer levantamentos com pelo menos dois cenários. Em um no qual Lula era o presidenciável do PT e no outro em que o concorrente era o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad. No primeiro cenário Lula aparecia na liderança, com 37% no Ibope e 39% no Datafolha, seguido de Jair Bolsonaro (PSL – 18% e 19%) e Marina Silva (REDE – 6% e 8%). No outro cenário, Haddad aparece apenas como o quinto colocado (com 4% em ambos institutos) e o líder é Bolsonaro, com 20 % no Ibope e 22% no Datafolha. As pesquisas mais recentes foram publicadas nos dias 20 e 22 de agosto, respectivamente.

Hildegard Angel

 HILDE – Sob todo esse estresse que você viveu e vive, condenado a 41 anos e um mês de prisão, você está me parecendo muito bem. Você é um homem à prova de angústias?

José Dirceu – Eu falei sobre isso, quando Palocci fez a delação. Não que não me custe dor, sofrimento, medo, pânico de ficar na prisão, mas não estou disposto a abrir mão de dignidade, de meus sonhos, para fazer delação. A vida de preso, de ignomínia, porque você não tem liberdade, mas não tem outra alternativa: tem que se organizar na prisão, se alimentar bem, fazer exercício todos os dias, e isso não é privilégio, todos fazem, ler, porque você abate quatro dias com a leitura de um livro, e trabalhar, porque a cada ano você abate cinco ou seis meses da pena.  

Macaque in the trees
Hilde conversa com o ex-ministro José Dirceu (Foto: José Peres)

O racional se sobrepõe ao seu emocional?

Nos primeiros dois meses fiquei muito mal. Tive insônia, depressão. Minha filha estava para ser denunciada, meu irmão foi preso, investigado, e ele está ainda cumprindo pena. Minhas filhas perderam o emprego, tiveram que vender carro.

Atingir a família é uma técnica?

Atingir a família é um método com todos, bloqueia os bens, a conta bancária e vai atrás da família. As delações foram primeiramente conseguidas na base das prisões antecipadas e as penas longas de prisão. Sem a prisão preventiva, a pena antecipada, não haveria delação. Eles são réus confessos. Eles mesmos dizem que sem a prisão preventiva não haveria delações. O STF agora revogou isso. O que a lei diz é que, se pela segunda vez o investigado, o réu, o cidadão se negar, poderá haver a condução coercitiva.

Mas demorou para revogar…

Eles (Lava Jato) criaram o clima de que eram os únicos a lutar contra a recuperação. Esqueceram que todas as leis, os instrumentos que eles tinham, foram dados no governo do Lula e da Dilma. Esqueceram que as carreiras, reestruturação do Tribunal de Contas, da Polícia Federal, da CGU, da AGU foi no governo de Lula e Dilma.

Quando começou esse processo de desestabilização?

Na ação AP 470, chamada de Mensalão, em que eu fui a principal vítima, foi o começo de processo de desestabilização do governo, de bloquear o governo em suas ações, para depois fazerem o impeachment. Tentaram fazer o impeachment, mas não conseguiram, em 2006. A “Folha” chegou a pedir o impeachment. É a teoria do domínio do fato.

E também quiseram desacreditar os militantes de 68, destruir a aura de heroísmo daqueles jovens.

Foi para atacar a memória da luta armada, da resistência à ditadura de 1968. Eu virei bandido em dois dias, em junho de 2005. Nunca tinha sido investigado em toda a minha vida, nem com Imposto de Renda, legislação eleitoral, nem Comissão de Ética, nem processo, nada. Virei bandido em 24 horas, porque Roberto Jefferson disse que era chefe do Mensalão. E não havia dinheiro público, tudo foi inventado, criaram a história. E estamos vendo agora quem é o Roberto Jefferson.

Todos sabiam quem era Roberto Jefferson.

Sabiam. Como sabiam que estavam entregando o governo para Temer e os quatro cavaleiros do apocalipse. Moreira Franco, Padilha, Geddel, Jucá. Assim mesmo fizeram o impeachment, porque o objetivo deles, exatamente, era criminalizar Lula e o PT. Mas o efeito foi justamente o contrário do objetivo deles. Hoje, Lula ganharia a eleição em primeiro turno.

E você, vai também conseguir reverter a campanha que atingiu você?

O apoio que encontro é muito grande. Em nível internacional, tenho apoio não só da esquerda, como de todos aqueles que me conheceram, que trabalharam comigo. Qualquer país que eu visite serei recebido pelas principais personalidades, pelos principais partidos. Tenho recebido convites e solidariedade oficial no exterior. E muito apoio da juventude. Agora mesmo fui recebido por ela na minha faculdade. Há um reconhecimento de minha luta e de que tudo isso foi um processo político. Sabem que estou vivendo de minha aposentadoria, moro no apartamento da mãe de minha mulher, Simone, meus filhos vivem por conta própria.

E a Globo?

Quando fui preso fiquei sabendo pela Globo. Fiquei sabendo pelo Jornal Nacional que estava sendo investigado. Quando disseram que abriram meu sigilo, eu já estava com tudo aberto na internet. Venderam a ideia de que eu tinha ganho 40 milhões. Mas foram 40 milhões em dez anos! Eu ganhava em média, por mês, 50 a 60 mil reais, podia muito bem ter os bens que eu tinha. Podia ter comprado a casa de Vinhedo financiada pelo Banco do Brasil. A casa de filha custou menos 200 mil. A da minha mãe, de 200 mil. E isso ao longo de dez anos.

Aquela sua reunião com o Requião, em que ele diz que você afirmou que vocês tinham a Rede Globo, e não precisavam de uma TV pública, isso é verdade? 

Virou verdade, não é? Não vou dizer que não é verdade. Eu vou dizer que eu dou um boi para não entrar em uma briga com o Requião. Ao contrário do ditado mineiro, que diz que eu dou um boi para não brigar, e uma boiada para não sair da briga. Eu nunca disse isso para o Requião. Eu nem tratei deste assunto e nem era responsável por isso. Isso ele tinha que discutir com o Gushiken, com a Secom, podia discutir isso com o Ricardo Kotscho, com o André Singer, que era o porta-voz. Eu nunca invadi essa área da publicidade. O que eu posso dizer é o seguinte: o Lula criou e tentou impulsionar a TV pública, o Lula descentralizou a publicidade para os jornais de todo o Brasil. E todos os jornalões fizeram editorial contra…

Você teve interferência nisso?

… e Lula, principalmente, depois que saiu do governo, se deu conta de que era preciso, e deixou já uma proposta de reforma do Franklin Martins.

E a Dilma engavetou…

Não levou adiante.

Como você viu a “abdicação” do Joaquim Barbosa, assim que terminou o Mensalão?

Bem, o Joaquim Barbosa tem que ser visto sob a luz da psicóloga. A recepção a Joaquim Barbosa no Supremo foi muito preconceituosa, e na mídia também. A mídia tratava ele como um analfabeto jurídico, que só tinha sido nomeado porque era do PT ou por ser negro. E, no Supremo, se nos recordarmos no primeiro, segundo e terceiro anos, ele foi muito humilhado. Eu acho que ele se apegou à relatoria do Mensalão porque a mídia deu uma mensagem muito clara para ele. Nós o transformaremos numa celebridade… Porque hoje todo mundo é celebridade, e esse jogo de celebridade, no Brasil, é muito poderoso para atrair certas personalidades que não têm lado, que não têm sonhos, porque elas passam a trocar a aparição no Jornal Nacional e o aplauso de certos setores da sociedade, a ascensão nos bares, restaurantes, em novos ambientes, quer dizer, o cara se deslumbra. É evidente que isso se repete com certos ministros do STF hoje, e o Joaquim Barbosa foi um caso típico. Agora, veja bem, Joaquim Barbosa se aposentou aos 60 anos de idade para ser uma celebridade, por quê? Afinal, o que ele é? Não é advogado, professor, não voltou nem para a toga nem para o Ministério Público, e essa é a vida dele, ser celebridade. O Joaquim Barbosa se comportava como um progressista de esquerda. E o Ayres Brito? Ele era suplente de deputado do PT. O Eros Grau, todos eles tinham passado. Um até era do Partidão. O Fachin agora é o caso mais recente, ele deu um voto extraordinário, “fora da curva”, como diria o ministro Barroso. O Barroso é hoje o grande embandeirado da Lava Jato. Iluminista, ele vai refundar a República, vai fazer a roda da história girar, um país novo está nascendo… acima da Constituição. Ele diz que, para defender a democracia e a moralidade pode mudar qualquer artigo da Constituição. Na verdade, é a isso que nós estamos assistindo. Na verdade, o Supremo se tornou um poder político, e vai se dividir, porque todo poder politico se divide. Se partidariza. O Supremo hoje não é um poder moderador. Esses dias, a ministra Cármen Lúcia fez uma fala que o Jornal Nacional transmitiu. Foi um pouco incompreensível a fala dela, mas, lá pelas tantas, ela afirma que o papel do Supremo é reinterpretar a Constituição, porque são novos tempos. O papel do Supremo é ver a compatibilidade da lei com a Constituição. E não reinterpretar, atualizar a Constituição. Isso é papel do Congresso Nacional. O Supremo assumiu o papel do Judiciário e do Executivo. Porque, muitas vezes o STF está tomando medidas que são de exclusiva competência do Executivo. Por exemplo, o indulto do Michel Temer. O ministro Barroso, a Cármen Lúcia e a Raquel Dodge não podiam alterar ou aceitar. Porque é de exclusiva competência do presidente da República, e é discricionária. Ele pode dar um perdão, uma graça, para quem ele quiser. E ele pode dar indultos, sim. A Constituição não estabelece se é um terço da pena, um quarto, um quinto… Se é até 70 anos ou 12, e nem diz que crime hediondo não se pode ter. É o presidente que estabelece.

A entrevista prossegue amanhã…

———-

José Dirceu lança hoje no Circo Voador seu livro de Memórias, escrito no cárcere. A primeira edição de 30 mil livros, já foi esgotada. A segunda já roda no prelo. O interesse nacional é grande. Depois de mais de dois anos de mutismo, ele agora fala, e fala muito, sobre a política, o Brasil, a Globo, e sobre os governos do PT.

set
05

Do Jornal do Brasil

 

O vice na chapa do PSL ao Planalto, General Hamilton Mourão (PRTB), contradisse o cabeça da chapa, Jair Bolsonaro (PSL), e afirmou que os venezuelanos precisam ser acolhidos. “O Brasil sempre auxiliou as demais nações. Não podemos virar as costas aos nossos irmãos venezuelanos”, disse, durante debate promovido pelo Facebook e pela revista Veja com candidatos a vice-presidentes.

Bolsonaro já se posicionou de forma dura sobre a crise na Venezuela e chegou a defender a revogação da lei de imigração, além de campos para refugiados em Roraima.

Confrontado sobre as posições de Bolsonaro, Mourão disse que “o cabeça da chapa será o comandante do Brasil, não o dono”. “Da forma como estamos acostumados a lidar no meio militar. Ele terá um estado maior que vai apresentar as linhas de ação dele. E ele terá de decidir, mesmo contra as opiniões pessoais dele, às vezes”, disse, em entrevista após o debate.

Eduardo Jorge

O vice na chapa de Marina Silva (Rede) ao Planalto, Eduardo Jorge (PV), atacou Bolsonaro, cuja atuação no Congresso como deputado em mais de 28 anos teria sido “medíocre”. Durante debate entre os vices, Eduardo questionou General Mourão sobre qual a avaliação dele sobre o líder do PSL na disputa.

“Tive 20 anos de Congresso, assim como Bolsonaro. Aprovei vários projetos importantes. Sou autor da lei de medicamentos genéricos, fui autor da primeira PEC de reforma da Previdência”, disse, questionando como Mourão via a atuação de Bolsonaro como deputado.

“A atuação (de Bolsonaro) pode não ter sido por aprovação de emendas como a sua (de Eduardo), mas fez um trabalho muito grande pela nossas forças armadas, pelos nossos hospitais”, disse Mourão. O general defendeu que a atuação de Bolsonaro esteve alinhada com a fatia da população que o elegeu. Ao passo que Eduardo Jorge o confrontou: “Bolsonaro não fez nada disso… E quer governar o País? Estão vendendo gato por lebre”.

O confronto entre os vices foi promovido pela revista Veja e Facebook, nesta terça-feira, em São Paulo. Participaram Ana Amélia (PP, vice do tucano Geraldo Alckmin), Eduardo Jorge (PV, vice de Marina Silva, da Rede), Paulo Rabello de Castro (PSC, vice de Alvaro Dias, do Podemos) e General Mourão (PRTB, vice de Jair Bolsonaro, do PSL).

set
05
Posted on 05-09-2018
Filed Under (Artigos) by vitor on 05-09-2018


 

Edu, no jornal (RS)

 

DO BLOG O ANTAGONISTA

Gleisi Hoffmann e o tesoureiro do PT, Emídio de Souza, foram proibidos de entrar hoje na sala onde o chefe está preso na sede da PF em Curitiba, relata o Estadão.

O único político autorizado a entrar foi o poste oficial de Lula, Fernando Haddad, ainda constituído como integrante da equipe de advogados do condenado.

Apesar de Gleisi ter tentado se passar por “advogada eleitoral” de Lula, a ordem para barrá-la –da juíza Carolina Lebbos, a pedido do MPF– continuou valendo.

A senadora saiu esbravejando e comparando a decisão da juíza à “ditadura militar”. Ontem, aconteceu o mesmo.

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