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Presidenciáveis com Bonner e Renata no “JN”: polêmicas nas redes

ARTIGO DA SEMANA
Presidenciáveis no “JN”: Deus e o Diabo na TV

Vitor Hugo Soares

 

Ateu que acredita em milagres – depois da entrevista do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) no Jornal Nacional e diante dos disparos barulhentos e raivosos de ofensas e ataques pessoais aos apresentadores William Bonner e Renata Vasconcelos (além de rajadas contra a TV Globo e seus donos) nas redes sociais em chamas, – rogo a Santo Antonio da Glória e ao Senhor do Bonfim da Bahia, para que livrem o País de “um mal passo” nas eleições presidenciais que se aproximam.

Na véspera, fenômeno semelhante já se dera em relação à passagem do candidato do PDT, Ciro Gomes, pela bancada de âncoras do JN, os dois como o Diabo gosta (Deus também, creio) e o jornalismo vibra em prós e contras. Sem refresco também, na quarta e quinta, para Geraldo Alckmin (PSDB), e Marina Silva ( REDE). Produção ao vivo, de competência técnica, conteúdo informativo e polêmico, sem espaço para oba-oba. Falhas, exageros e equívocos também, por parte dos entrevistadores, sim. Mas Renata e Bonner, no balanço geral, fizeram o que se espera de profissionais de comunicação ao entrevistar candidatos em campanha eleitoral: perguntas sobre temas de interesse público, que cobram respostas cabais. Sem concessões a proselitismos vazios, gabolices intelectuais, arrogâncias explícitas ou mal disfarçadas, dubiedades, desculpas esfarrapadas ou valentias retóricas que cheiram a bravatas. 

Na prece referida no começo deste artigo reproduzo um exemplo de minha mãe (atenta ouvinte de TV e crítica ate a morte dos malfeitos de políticos e donos do poder) e tias sertanejas, nas ladainhas da matriz da cidade da infância na beira do São Francisco (o rio da minha aldeia), quando o tempo fechava, e relâmpagos e trovões ameaçavam tempestade. Rodado profissional do ramo, o que vi e ouvi nas quatro sabatinas (de regras e estilos já conhecidos) não me impactam negativamente nem me constrangem. Tudo (ou quase) ficou dentro da expectativa de um programa de TV com o alcance e repercussão do JN. Em seguida à passagem de Ciro, comentei em meio ao bafafá ideológico ( à “direita” e à “esquerda”)  contra Renata e Bonner nas redes sociais:

“A essência de uma entrevista está nas perguntas e nas respostas. Nos fatos, como a questão do SPC. Não importa a “simpatia” ou “antipatia” de entrevistadores ou do entrevistado. Não é uma reunião para troca de amabilidades ou uma ação entre amigos, mas oportunidade de produzir informações, revelar contradições, desmascarar imposturas. Do contrário vira tudo uma sala de rede social, onde o que importa é parecer bonzinho, obter “curtidas”. Aí está a diferença e por esta razão a imensa repercussão da entrevista política de candidatos no principal noticiário da TV Globo. Para o jornalismo, para os jornalistas , para os candidatos e, principalmente, para o público ouvinte e eleitor”.

No Jornal do Brasil aprendi com Juarez Bahia, editor nacional, mestre de teoria e prática da comunicação de várias gerações de profissionais brasileiros (repórter vencedor de seis “Esso de Reportagem”, prêmio maior do jornalismo nacional ): “Os maiores riscos da entrevista – seja em que contexto for – estão na dissimulação e na fabulação. Porque, diz Edgar Morin, se fundamenta na fonte mais rica e duvidosa de todas: a palavra”. Bahia deixou este ensinamento escrito em seu essencial Dicionário de Jornalismo. Recomendo e assino embaixo.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

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Posted on 01-09-2018
Filed Under (Artigos) by vitor on 01-09-2018

Por Renan Ramalho e Mariana Oliveira, G1 e TV Globo, Brasília

O plenário do TSE durante sessão extraordinária que analisou a candidatura do ex-presidente Lula (Foto: Carlos Moura/Ascom/TSE) O plenário do TSE durante sessão extraordinária que analisou a candidatura do ex-presidente Lula (Foto: Carlos Moura/Ascom/TSE)

Os ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiram por 6 votos a 1, em julgamento concluído na madrugada deste sábado (1º), pela rejeição do pedido de registro de candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Presidência da República.

Na sessão, a maioria dos ministros também proibiu Lula de fazer campanha como candidato, inclusive na propaganda de rádio e TV, que começa neste sábado (1º) para os presidenciáveis. O PT terá agora dez dias para substituir o candidato.

A maioria dos ministros entendeu que decisão entra em vigor desde já, embora ainda exista possibilidade de recurso ao próprio TSE ou ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Até a última atualização desta reportagem, cinco dos sete membros do tribunal já haviam considerado o petista inelegível com base na Lei da Ficha Limpa. Um (Edson Fachin) se posicionou a favor da autorização provisória da candidatura. O resultado será proclamado somente após concluídos os votos de todos os ministros.

COMO VOTARAM OS MINISTROS

Contra a candidatura A favor da candidatura
Luís Roberto Barroso Edson Fachin
Jorge Mussi  
Og Fernandes  
Admar Gonzaga  
Tarcísio Vieira  
Rosa Weber  

A rejeição da candidatura pelo TSE ainda poderá ser contestada em recurso da defesa ao próprio tribunal ou ao Supremo Tribunal Federal – nesta última hipótese, ele já não poderá se apresentar como candidato.

Na sessão, os ministros acolheram contestação do Ministério Público, que apontou a inelegibilidade do petista com base na Lei da Ficha Limpa. A lei proíbe candidaturas de políticos condenados em órgão colegiado da Justiça.

A candidatura de Lula foi alvo de 16 impugnações (contestações) no TSE. Além do Ministério Público, questionaram o registro de Lula o candidato à Presidência do PSL, Jair Bolsonaro;o partido Novo; e outros candidatos e cidadãos.

Lula foi condenado em abril pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, no caso do triplex em Guarujá (SP), no âmbito da Operação Lava Jato. Desde abril, ele cumpre pena de 12 anos e 1 mês de prisão em Curitiba.

Os advogados de Lula esperavam que o julgamento do registro ocorresse nas próximas semanas, em razão de prazos maiores previstos pela lei eleitoral para conclusão do processo. A expectativa era que, com isso, ele pudesse aparecer como candidato na propaganda de rádio e TV de candidatos a presidente, que começa neste sábado (1º).

O TSE, no entanto, acolheu pedido do MP para antecipar a decisão sobre o registro da candidatura, sob o argumento de que, como a campanha deve ser integralmente financiada com recursos públicos, seu uso para a campanha seria um desperdício.

Um acordo entre PT e PCdoB prevê a deputada estadual Manuela D’Avila (PCdoB-RS) como vice na chapa, seja na hipótese de Lula candidato, seja na hipótese de o atual vice de Lula, Fernando Haddad (PT), assumir a candidatura a presidente.

Voto do relator

Luís Roberto Barroso – O relator do pedido no TSE, ministro Luís Roberto Barroso, foi o primeiro a votar pela retirada de Lula da disputa, em razão de condenação por corrupção e lavagem de dinheiro em órgão colegiado – uma das causas de impedimento previstas pela Ficha Limpa.

“O Brasil é um estado democrático de direito. Não estamos sob regime de exceção. Todas as instituições estão em funcionamento regular. O Poder Judiciário é independente. Os juízes de primeira e segunda instâncias são providos em seus cargos por critério exclusivamente técnico, sem vinculação política. A defesa pode perfeitamente alegar erro judiciário, mas não se mostra plausível argumento de perseguição política”, afirmou o ministro, em resposta a argumentos da defesa em favor da candidatura.

Voto divergente

Edson Fachin – Segundo a votar no julgamento, o ministro Edson Fachin divergiu e propôs uma autorização provisória para Lula concorrer. Apesar de considerar o petista inelegível pela Ficha Limpa, o ministro levou em conta recomendação recente do Comitê de Direitos Humanos das Nações Unidas (ONU) em favor da participação de Lula no pleito.

“O cumprimento [da decisão] está relacionado com dever de boa-fé. Descumpri-la pode violar o dever de boa-fé, uma vez que, na prática, o que estamos a fazer é esvaziar a competência do comitê prevista em regras do qual o Brasil é parte”, disse o ministro.

Demais votos

Jorge Mussi – Terceiro a votar, o ministro Jorge Mussi defendeu a rejeição da candidatura de Lula. Na fala, enalteceu a Lei da Ficha Limpa, como parte do “processo de moralização” da política no país.

“A Lei da Ficha Limpa, cuja constitucionalidade foi reconhecida pelo STF, representa essencial mecanismo de iniciativa popular em favor da probidade administrativa e da moralidade para exercício de mandato, considerada a vida pregressa dos candidatos e que se aplica de modo pleno e irrestrito a todos os cidadãos”, afirmou o ministro.

Og Fernandes – Quarto a votar, Og Fernandes também votou contra a candidatura de Lula. Após elogiar a Lei da Ficha Limpa, disse que ela também deveria ser aplicada ao petista, em razão da igualdade dele em relação a outros políticos que também foram excluídos da disputa eleitoral.

“Estamos a decidir a igualdade de todos perante a lei e perante a Constituição. Isso implica resistir a um estado anticonstitucional. Noutros termos, se a lei vale para uns, há de valer para todos”, afirmou o ministro, acompanhando a posição de Barroso.

Admar Gonzaga – O ministro Admar Gonzaga foi o quinto a votar e formou maioria na Corte pela exclusão de Lula do pleito. No voto, reiterou a ideia de que não cabe ao TSE avaliar se a condenação do petista foi ou não justa, mas se sua situação se enquadra na Lei da Ficha Limpa.

Ele também rechaçou a tese de que a recomendação da ONU deve ser obedecida pelo Brasil. “O pacto internacional sobre direitos civis e os atos do comitê ostenta natureza de norma intermediária, e não pode contrariar o texto originário da Constituição, que estipula requisitos mínimos de moralidade e probidade”, disse.

Tarcísio Vieira – O ministro Tarcisio Vieira de Carvalho Neto deu o quinto voto contra Lula. Disse também que a Lei da Ficha Limpa se aplica ao petista, concordando com a proibição da propaganda eleitoral a partir da decisão.

Diante da celeridade que permeia os processos de registro, mormente por se tratar de candidato a presidente, impõe-se desde logo sua execução. Não sendo necessário aguardar os embargos de declaração [recurso], que não têm efeito suspensivo”, disse o ministro.

Rosa Weber – Presidente do TSE e última a votar, Rosa Weber acompanhou o relator para barrar Lula, dizendo “não ter dúvida quanto à concretização” de regras da Ficha Limpa que consideram inelegíveis políticos com condenação colegiada por crimes contra a administração pública.

“Embora as inelegibilidades possam ser constituídas a partir de decisões judiciais da justiça comum, a sua existência é declarada por essa justiça especializada. Quem declara é a Justiça Eleitoral, não entra no mérito do que foi decidido pela Justiça comum”, disse.

Ela também entendeu que a recomendação da ONU não tem força vinculante. A ministra, porém, divergiu da maioria, que proibiu Lula de fazer propaganda após a decisão do TSE – para ela, um candidato que ainda recorre ao STF ainda teria o direito de pedir votos em campanha.

PT protesta em nota

O PT divulgou nota no fim da noite desta sexta-feira (31) na qual afirma que a decisão do TSE de rejeitar a candidatura de Lula é uma “cassação política, baseada na mentira e no arbítrio, como se fazia no tempo da ditadura”.

Segundo a nota, diante da “violência” da decisão que barrou Lula, o PT “continuará lutando por todos os meios para garantir sua candidatura”.

“Vamos apresentar todos os recursos aos tribunais para que sejam reconhecidos os direitos políticos de Lula, previstos na lei e nos tratados internacionais ratificados pelo Brasil”, diz a nota.

Defesa de Lula

Advogada Maria Claudia Bucchianeri – Na sessão, a defesa de Lula argumentou que o TSE deve seguir recomendação do comitê dos Direitos Humanos da ONU que recomendou a participação de Lula na disputa.

A advogada Maria Claudia Bucchianeri afirmou que decisão do órgão “tem força impositiva, necessária e obrigatória”, citando casos semelhantes no México e na Espanha, em que candidaturas foram aprovadas a pedido do órgão.

Advogado Luiz Casagrande Pereira – Também em favor de Lula, o advogado Luiz Casagrande Pereira citou diversos casos em que o TSE reverteu decisões anteriores da Justiça Eleitoral que haviam rejeitado o registro de candidatura.

“São aproximadamente 1.500 candidatos no Brasil que se elegeram com registro indeferido. Todos eles estão a exercer o mandato”, afirmou o advogado. “O que o presidente Lula quer não é nada mais do que deram a 1.500 de 2010 para cá. Mas também não quer menos”, completou.

Contestações

Raquel Dodge, procuradora-geral da República – Antes dos votos dos ministros, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, argumentou que a recomendação do Comitê de Direitos Humanos não pode ser aplicada no caso. Segundo Dodge, o Brasil não promulgou acordo internacional que obrigue a obediência ao órgão.

“A defesa de direitos humanos que motivou a edição da Lei da Ficha Limpa. Foi fruto de inciativa popular, após ampla mobilização da sociedade civil, aprovada pelo Congresso e sancionada por Luiz Inácio Lula da Silva”. A Ficha Limpa, disse Dodge, favorece a “democracia e a boa governança”. “A lei neste caso, ao invés de violar direitos fundamentais, as protege”, disse.

Advogada do partido Novo – Em nome do partido Novo, um dos que impugnaram a candidatura de Lula, a advogada Marilda Silveira também disse que decisão do Comitê de Direitos Humanos da ONU não obriga o Judiciário brasileiro. “O órgão reconhece expressamente que tem competência opinativa”, afirmou.

Advogado da coligação de Bolsonaro – Pela coligação do candidato Jair Bolsonaro (PSL), que também contestou a candidatura, o advogado Tiago Ayres disse que não há possibilidade de aprovação futura do registro de Lula, em razão da condenação dele por órgão colegiado, o que o enquadra na Ficha Limpa.

“Não basta desejar algo muito, é fundamental que esse querer coincida com nossos valores e nossa higidez constitucional. Por mais que o ex-presidente deseje ser presidente da República, nossa constituição não admite essa pretensão”, disse o advogado.

Julgamento

Lula foi condenado em abril pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), órgão colegiado, por corrupção e lavagem de dinheiro, no caso do tríplex em Guarujá (SP), no âmbito da Operação Lava Jato. A candidatura de Lula foi alvo de 16 impugnações no TSE.

Os advogados de Lula esperavam que o julgamento do registro ocorresse nas próximas semanas, em razão de prazos maiores previstos pela lei eleitoral para concluir o processo. Até lá, a expectativa é que ele pudesse aparecer como candidato na propaganda de rádio e TV, que começa neste sábado (1º).

O TSE, no entanto, acolheu pedido do MP para antecipar a decisão sobre o registro da candidatura, sob o argumento de que, como a campanha deve ser integralmente financiada com recursos públicos, seu uso para a campanha seria um desperdício.

Recurso

A decisão do TSE ainda poderá ser objeto de recurso pela defesa à própria Corte ou ainda ao Supremo Tribunal Federal (STF); nesta última hipótese, o petista já não poderá mais se apresentar como candidato.

Um eventual recurso da defesa ao STF só poderá ser encaminhado, por sorteio, a 7 dos 11 ministros da Corte, para relatar do caso. Estarão impedidos como relatores três ministros que participaram do julgamento no TSE (Luís Roberto Barroso, Edson Fachin e Rosa Weber), além da presidente do STF, Cármen Lúcia.

Estarão aptos a relatar o recurso, portanto, os ministros Alexandre de Moraes, Luiz Fux, Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski, Gilmar Mendes, Marco Aurélio Mello e Celso de Mello.

No recurso, a defesa pode pedir ao relator efeito suspensivo da decisão do TSE.

A decisão definitiva sobre a candidatura em caso de um eventual recurso no STF, porém, caberá ao plenário, formado por todos os 11 ministros da Corte.

DOIS TEMPOS (Edu Lobo/Capinam)

Tenho só dois tempos No meu mundo Teu amor foi o primeiro Desespero, o segundo Por cada canto desse mundo Meu amor, perdi o rumo Não sei onde te encontrar Vi tanta coisa Vi um luar E nesse lugar, tu não estavas Não estavas Nem do luar sabias Estando aqui te achava Desse luar, não fugias E por cada canto desse mundo Meu amor, me ensine o rumo Onde devo te encontrar E por cada canto desse mundo Meu amor, me ensine o rumo Onde devo te encontrar.

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Magnífica canção dos Anos 60, do esplendor da música popular brasileira. Melodia e letra. Edu Lobo e Jose Carlos Capinan na mais completa e harmoniosa simbiose de gênios. Confira!!!

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

set
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Ciro, Bolsonaro, Alckmin e Marina: visibilidade valiosa no principal telejornal da televisão brasileira
Ciro, Bolsonaro, Alckmin e Marina: visibilidade valiosa no principal telejornal da televisão brasileira

Foto: João Cotta/TV Globo / Divulgação

Foi na última segunda, dia 27, que se registrou o melhor índice de público da série de entrevistas com presidenciáveis no Jornal Nacional.

Por sorteio, Ciro Gomes (PDT) foi o primeiro a encarar William Bonner e Renata Vasconcellos na bancada do principal telejornal da Globo.

Aquela edição registrou média de 32 pontos, de acordo com aferição da empresa Kantar/Ibope. Este número representa 6,5 milhões de telespectadores somente na Grande São Paulo.

Na terça, o JN com Jair Bolsonaro (PSL) rendeu 31.4 pontos. Na quarta, o jornalístico começou mais cedo por conta da transmissão do futebol, e marcou 29.3 pontos com a presença de Geraldo Alckmin (PSDB). Última entrevistada da série, Marina Silva participou da edição de quinta, com média de 31 pontos.

As entrevistas, de 28 minutos cada, não renderam relevante aumento de audiência ao Jornal Nacional. A repercussão na mídia e nas redes sociais foi mais significativa do que no Ibope.

A partir de segunda-feira (3), os vices dos presidenciáveis mais bem posicionados nas pesquisas de intenção de votos serão sabatinados na Central das Eleições da GloboNews.

De acordo com o sorteio, a ordem ficou assim: Kátia Abreu (vice de Ciro Gomes) na segunda, Ana Amélia (vice de Geraldo Alckmin) na terça, Eduardo Jorge (vice de Marina Silva) na quarta, Fernando Haddad (vice de Lula) na quinta, General Mourão (vice de Jair Bolsonaro) na sexta.

As entrevistas serão comandadas por Heraldo Pereira, âncora do Jornal das 10, e terão a participação de comentaristas da GloboNews.

Na semana do dia 17, os candidatos à Presidência da República com melhor desempenho nas pesquisas serão entrevistados por Renata Lo Prete no Jornal da Globo.

O tão aguardado debate na Globo, considerado decisivo para conquistar eleitores indecisos, será no dia 4 de outubro, a três dias da realização do primeiro turno. O comando será, mais uma vez, de William Bonner.

Exclusivo: Justiça espanhola desmente Tacla Durán sobre ‘mordaça da Lava Jato’

 

Por Claudio Dantas

O doleiro Rodrigo Tacla Durán, foragido na Espanha, costuma dizer que é vítima de uma “mordaça” da Lava Jato, que não teria interesse em ouvi-lo.

É fake news.

Como mostra documento da Justiça espanhola, obtido por O Antagonista, o Juízo Central de Instrução, da Audiência Nacional, tentou ouvi-lo em 4 de dezembro de 2017, cumprindo carta rogatória da Justiça brasileira.

Tacla Durán, porém, preferiu ficar em silêncio.

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Posted on 01-09-2018
Filed Under (Artigos) by vitor on 01-09-2018



 

Sponholz, no 

 

OPINIÃO
 

Elogio do pessimismo?

 Brasileiro distribui pães a refugiados venezuelanos.
Brasileiro distribui pães a refugiados venezuelanos. Douglas Magno

Esta coluna não pretende ser um elogio ao pessimismo, em um momento em que o país precisa urgentemente de uma dose de esperança. Sempre acreditei que nosso mundo, com todos os seus defeitos, é melhor que o passado. Hoje, porém, começo a entender que uma dose de pessimismo consciente e racional pode nos ajudar a entender melhor o que estamos vivendo no Brasil e fora dele, a começar pela minha Espanha.

Sempre se disse que o mundo está dividido entre aqueles que, diante de um copo de água pela metade, dizem que está “meio cheio” e outros “meio vazio”. Eu me pergunto hoje, depois de ter passado por tantas experiências na vida e conhecido pessoas de tantas visões diferentes, se o mundo é construído mais com a argamassa de puro otimismo ou também com uma dose de desconfiança e objetividade diante da realidade.

Acabei de ter uma experiência singular a esse respeito. Exatamente dez anos atrás, estava de passagem por Madri para lançar meu livro Proyecto Esperanza. Aproveitei para passar pela agência do banco BBVA na rua Santa Engracia para resolver um problema na minha conta. Tinham mudado o gerente. O novo, Francisco Javier Terciado, recebeu-me com gentileza. Quando leu o título do meu livro que tinha nas mãos, me disse: “Sou pessimista por natureza”. Nunca nos vimos de novo. Nossos contatos eram sempre por e-mail. Nunca soube nada sobre sua vida e nem ele da minha. Um dia foi transferido de agência e nos perdemos de vista. De Javier, o pessimista, me ficou a lembrança de um magnífico profissional, atencioso, delicado, sempre disponível e eficaz. Um exemplo de um funcionário.

Na semana passada, precisei resolver um pequeno problema naquele banco. A gerente da minha agência devia estar de férias e eu não conseguia me comunicar com ela. De repente, lembrei-me de Javier, o pessimista. Procurei o e-mail dele nas minhas velhas agendas. Tentei para ver se ainda era válido e se ainda trabalhava no banco, se ainda se lembrava de mim e se poderia dar-me uma mão, mesmo que minha pequena conta seja uma insignificância para um banco.

No dia seguinte, recebi um e-mail dizendo que Francisco Javier Terciado “estava de férias e só voltaria no final do mês”. Dois dias depois ele respondeu, no entanto, pessoalmente, para me dizer que, de fato estava de férias, mas que voltaria no final do mês e tentaria me ajudar. Fiquei surpreso que, durante as férias, ele teve a delicadeza de me responder. E fiquei ainda mais surpreso quando, nesta manhã bem cedo, ele me escreveu novamente para dizer que acabara de chegar ao seu escritório e que já tinha resolvido o meu problema.

Fiquei pensando o que um funcionário do banco deve encontrar de assuntos importantes acumulados em sua mesa de trabalho ao voltar de férias. Mesmo assim, ele não esqueceu o meu pequeno problema e o resolveu, como quando eu o conheci há dez anos, com rapidez e profissionalismo. Escrevi para agradecê-lo e demonstrar a minha surpresa por ele ter se interessado por um simples e distante cliente do banco. Ele respondeu: “O senhor não tem que me agradecer. Eu gosto, quando posso, de ajudar as pessoas”.

A pequena história de Francisco Javier, o pessimista por natureza, que se preocupou em resolver o meu problema sem que eu fosse seu cliente, me fez repensar quantas histórias como essa de generosidade e desinteresse estarão sendo vividas a cada momento no mundo, sem que nunca apareçam nos jornais. É essa solidariedade anônima que permite ao mundo, apesar de tudo, continuar de pé e até melhorar. Essas pessoas que trabalham no anonimato são os pilares que sustentam a sociedade, muito mais do que aqueles que aparecem todos os dias cacarejando suas promessas vazias, mas são incapazes de fazer essa receita tão simples e tão frutífera de Javier, o pessimista: “Eu gosto, quando posso, de ajudar as pessoas.”

Ontem à noite fui dormir depois de ter escutado a magnífica entrevista que Carla Jiménez fez para este jornal com Renato Meirelles, pesquisador e presidente do Instituto Locomotiva, especialista em opinião pública. Nela revelou que o que hoje une a maioria numérica dos brasileiros não é o ódio, que é minoritário, mas a solidariedade, sobretudo, explicou, porque os pobres são maioria no país e eles, que sabem o que é enfrentar dificuldades, são os mais sensíveis às necessidades dos outros.

Eu me pergunto se aqueles milhões de pobres solidários, que sempre carecem de algo que lhes seria devido, podem ser otimistas diante da vida. Certamente não. E, no entanto, seu pessimismo não os impede de ajudar, quando podem e até quando não podem, àqueles que lhes pedem ajuda.

São eles que, diante das nuvens escuras que, por exemplo, pairam sobre as eleições do Brasil, saberão intuir melhor seu compromisso para que as urnas castiguem os devotos do ódio e descubram, para governá-los, alguém capaz de unir em um abraço uma sociedade hoje dilacerada, mas em busca de concórdia.

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