ago
30

O pesquisador é presidente do instituto Locomotiva e especialista em consumo e opinião pública

  • Renato Meirelles, presidente do instituto de pesquisa Locomotiva, vê com cautela os prognósticos que apostam que o candidato do PSL, Jair Bolsonaro, hoje liderando as pesquisas sem o ex-presidente Lula no páreo, estará o segundo turno neste eleição. “Acho que os dois líderes das pesquisas num cenário sem Lula – Bolsonaro e Marina Silva – não estarão no segundo turno”, diz ele. Para Meirelles, o capitão da reserva mantém um discurso que fala para poucos (“ele prega para convertidos”) e não prega união no país, algo que vai cobrar seu preço ao longo da campanha. “Ele vai tentar blindar o eleitorado atual, e ir ou não ir ao segundo turno tem a ver com a capacidade de blindar esse eleitor. Mas não é tarefa fácil para o nome do PSL, pois a televisão joga processo fundamental na eleição”, diz o pesquisador. Meirelles conversou com a diretora do EL PAÍS Brasil, Carla Jiménez, nesta quarta-feira, parte do programa ao vivo semanal sobre política durante a campanha eleitoral, transmitido no Facebook e na página do jornal. 

A propaganda política na televisão começa nesta sexta, dia 31. É nesse momento que Bolsonaro deve perder o poder da narrativa sobre a sua candidatura, prevê Meirelles. Isso porque o presidenciável tem somente oito segundos de propaganda e os demais candidatos vão aproveitar seu tempo para avançar sobre as fragilidades do que hoje lidera as pesquisas. “Não adianta ele ir muito bem no debate, se a versão sobre ele será dado pela propaganda eleitoral, que ele não tem, e pela imprensa, que ele não gosta e que também não gosta dele”, afirma.

Já Marina Silva, presidenciável da Rede, não teria força para avançar na corrida eleitoral por não ter se livrado do rótulo de candidata frágil quando o país pede, nesta eleição, mais energia para romper “com tudo que está aí”. A eleição, entretanto, ainda reserva muitas surpresas e deve ser decidida nos 48 do segundo tempo, na sua visão. “Teremos dois candidatos dificilmente com mais de 20% para passar ao segundo”, diz.

Publicitário, Meirelles dedicou sua carreira a entender como pensa, consome e vota a classe emergente no Brasil, foi fundador dos institutos de pesquisa DataFavela e DataPopular antes de montar o Locomotiva. A entrevista fez parte do Segunda com Política, que excepcionalmente nesta semana foi ao ar na quarta-feira. Assista aos programas anteriores, nos quais Jiménez entrevistou a antropóloga Rosana Pinheiro-Machado, Ivo Herzog, do Instituto Vladimir Herzog, e a socióloga Fátima Pacheco Jordão.

Be Sociable, Share!

Comentários

Daniel on 30 agosto, 2018 at 10:03 #

A ignorância do entrevistado para a realidade para além das fronteiras do mundo da lacração esquerdista impressiona. A ida de Bolsonaro para o segundo turno (se houver) é mais do que provável, é absolutamente garantido.

Sua intenção de votos é sólida, seus eleitores são engajados e ele fala para um público muito abrangente.

Em resumo: não sei em que mundo vive o representante deste instituto.


Lucas Ribeiro on 30 agosto, 2018 at 11:22 #

Daniel on 30 agosto, 2018 at 15:37 #

Não entendi o que aumento do judiciário tem a ver com a matéria em questão aqui.


Lucas Ribeiro on 30 agosto, 2018 at 16:38 #

Oh lerdo, começe a ouvir a partir de 9min e 10 segundos!!!


Daniel on 30 agosto, 2018 at 17:30 #

Então você queria que eu ouvisse essa patetice de um colunista tendencioso e insuportavelmente aborrecido por 09 min e 09 segundos até chegar ao que você pretende?

Haja…


Lucas Ribeiro on 30 agosto, 2018 at 17:55 #

Não é´para fanáticos burro como vc. O BP é lindo por muita gente esclarecida,


Daniel on 30 agosto, 2018 at 21:21 #

Bom, vamos deixar o cidadão falar para quem lhe dá ouvidos: as paredes.

Texto de autoria anônima (sobre o assunto aqui em voga):

“Jair Bolsonaro foi entrevistado no Jornal Nacional por Bonner e Renata Vasconcelos. Mais uma vez, os entrevistadores se portaram como escoteiros que acham que o politicamente correto do Leblon vale para o Brasil e que eles, empregados da Rede Globo – embora contratados como pessoas jurídicas – seriam representantes do povo brasileiro.

Bolsonaro foi Bolsonaro. Diferentemente de Ciro Gomes, Bolsonaro se apresentou de cara limpa, sendo quem é, conservando o mesmo discurso e o defendendo sem meias palavras. Disse que policial que matasse bandido armado mereceria medalha; falou com firmeza contra a erotização de crianças nas escolas e contra o kit-gay; expôs a hipocrisia do discurso de igualdade de gêneros quando disse que os salários dos dois apresentadores do Jornal Nacional era maior para Bonner (Renata Vasconcelos se perdeu totalmente nessa hora…); citou textualmente as palavras de Roberto Marinho sobre a “revolução democrática de 1964 feita pelos militares” (os filhos de Roberto Marinho não honraram as suas palavras como Bolsonaro o fez); sobre Paulo Guedes, diante da insistência de Bonner sobre problemas eventuais na relação de ambos, Bolsonaro alfinetou o entrevistador falando sobre casamento, juramento de fidelidade eterna e separação, invocando indiretamente no imaginário feminino a figura de Fátima Bernardes; e fez um encerramento redondo com todos os valores que defende.

Com mais uma entrevista dessas, Bolsonaro ganha no primeiro turno, eleito com a ajuda da Rede Globo e de seus editoriais tolos. Como eu disse ontem, a melhor estratégia era tirar aquele ar de superioridade da dupla do JN, quebrar a falsa neutralidade, atacar a hipocrisia do discurso politicamente correto. Bolsonaro fez com sobras o dever de casa: não se combate criminosos armados com rosas…, não se sai bem de uma sabatina dessas sem tratar os entrevistadores como adversários que querem sangrar a sua imagem. Bolsonaro fez isso e saiu muito bem.

É simplista a afirmação que a criminalidade se combate na bala. Bolsonaro diz algo que a intelectualidade tenta fazer cara de horror, mas que a indignação das vítimas da violência armada pedem: em épocas brutais, pulso. Bolsonaro se porta como macho alfa em um cenário político de invertebrados, de discursos empolados ou de conversa econômica cansativa, de números estranhos à realidade das dores dos viventes em favelas, subúrbios e grotas.

Sinceramente, Bolsonaro saiu maior do que entrou no estúdio do JN. Devorou Bonner e Renata, simplesmente porque os tratou como infantes engomadinhos. E é o que a maioria pensa e acha. Deu certo!”


Deixe um comentário
Name:
Email:
Website:
Comments:

  • Arquivos