Do Jornal do Brasil

 Coisas da Política

Tereza Cruvinel

A nuvem, o jabuti

 

O STF não concluiu ontem o julgamento que ainda pode transformar o candidato Jair Bolsonaro em réu mais uma vez. Já o candidato a vice na chapa de Lula, e seu provável substituto, o ex-prefeito Fernando Haddad, foi denunciado pelo Ministério Público de São Paulo, que o acusa de enriquecimento ilícito e prática de caixa dois em 2012. Réus não são impedidos de disputar eleições mas há um jabuti por aí, rondando a árvore, desde que dois ministros do STF colocaram em dúvida se réu eleito pode assumir a Presidência da República.

O PT entendeu que o tiro dado em Haddad foi uma reação ao avanço de sua estratégia eleitoral, às suas chances crescentes de levar o ex-prefeito ao segundo turno através de um esforço de transferência dos votos de Lula, se confirmada a impugnação de sua candidatura. Petistas mais ingênuos vinham sendo advertidos de que haveria guerra, de que não lhes deixariam comer mamão com açúcar, depois de tudo que a coalizão de direita fez para apeá-lo do poder em 2016 e para tirar Lula de uma eleição em que teria vitória certa. A Executiva do partido reagiu com nota em defesa de Haddad, acusando o Ministério Público paulista de ser politicamente comprometido com o PSDB e os conservadores “sem voto” de estarem apelando para o “tapetão judicial”. Prometeu ainda uma representação ao Conselho Nacional do Ministério Público contra a suposta partidarização dos promotores paulistas.

Segundo a acusação, Haddad “tinha pleno domínio” sobre o pagamento de uma dívida de R$ 2,6 milhões de sua campanha de 2012 pela construtora UTC, através de caixa dois. Ele pode ter os bens bloqueados, ser multado e ter os direitos políticos suspensos por algo acontecido há oito anos, e que só agora, diante de sua nova condição, faz o Ministério Público se mover. Se a denúncia for aceita, ele virá réu, e isso não o impedirá de ser candidato. Mas valerá, tanto para ele como para Bolsonaro, a indagação agora levantada pelos ministros Marco Aurélio e Celso de Mello sobre a possibilidade de um candidato réu, se eleito, tomar posse. Se esta conversa evoluir em sentido positivo, podemos estar diante de um movimento capaz de alterar o curso esperado da disputa.

Semeando dúvidas

Ontem o ministro Celso de Melo liberou para publicação o acórdão do julgamento de 2016, em que o STF concluiu que o senador Renan Calheiros, então presidente do Senado, por ter se tornado réu, não poderia assumir interinamente a presidência da República, embora pudesse conservar o cargo parlamentar.

Indagado recentemente se a condição de réu impede um candidato vitorioso de assumir a Presidência, o ministro Celso de Mello disse: “Essa é uma boa pergunta, mas eu não tenho condições de responder, porque certamente é uma questão que vai ser suscitada antes na Justiça Eleitoral. Tenho a impressão de que vamos ter que debater mais”. Marco Aurélio também já lançou a dúvida ao ar: “Indaga-se: e quanto ao candidato eleito e com processos em curso? Ainda não enfrentamos essa controvérsia”. Isso não está escrito na Constituição mas o que tem valido no Brasil são as interpretações do STF.

A dúvida levantada pelos ministros induziu um advogado a pedir ao TSE a impugnação da candidatura de Bolsonaro, que já é réu em duas ações e pode tornar-se em uma terceira, a depender do voto que dará o ministro Alexandre de Morais, que ontem pediu vistas do processo, impedindo a conclusão do julgamento em que ele é acusado de racismo. Como alegou sua defesa, o fato de ser réu não o enquadra na lei da ficha limpa.

Bolsonaro e Haddad, hoje, são os nomes com maior potencial de estarem no segundo turno, se o PT tiver êxito na transferência de votos. Se a posse de um ou outro começa a ser questionada, uma grande nuvem de incerteza vai pairar sobre a eleição. Para removê-la, o STF teria que esclarecer logo isso.

DO YOUTUBE:

“O choro/maxixe “Rio Antigo”, de Altamiro Carrilho, é aqui interpretado pela “Rainha do Chorinho” Ademilde Fonseca. Com letra de Augusto Mesquita, a melodia foi lançada em sua versão cantada pela artista em 1955, em disco 78 RPM pela gravadora Todamérica.”

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Maravilha! Um Rio de Janeiro que nem muitos cariocas da gema acreditam que um dia existiu. Mas historicamente real e inspirador, como este antológico maxixe do mestre Altamiro, com letra

e do grande poeta Augusto Mesquita. E a interpretação inimitável de Ademilde.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

 

O pesquisador é presidente do instituto Locomotiva e especialista em consumo e opinião pública

  • Renato Meirelles, presidente do instituto de pesquisa Locomotiva, vê com cautela os prognósticos que apostam que o candidato do PSL, Jair Bolsonaro, hoje liderando as pesquisas sem o ex-presidente Lula no páreo, estará o segundo turno neste eleição. “Acho que os dois líderes das pesquisas num cenário sem Lula – Bolsonaro e Marina Silva – não estarão no segundo turno”, diz ele. Para Meirelles, o capitão da reserva mantém um discurso que fala para poucos (“ele prega para convertidos”) e não prega união no país, algo que vai cobrar seu preço ao longo da campanha. “Ele vai tentar blindar o eleitorado atual, e ir ou não ir ao segundo turno tem a ver com a capacidade de blindar esse eleitor. Mas não é tarefa fácil para o nome do PSL, pois a televisão joga processo fundamental na eleição”, diz o pesquisador. Meirelles conversou com a diretora do EL PAÍS Brasil, Carla Jiménez, nesta quarta-feira, parte do programa ao vivo semanal sobre política durante a campanha eleitoral, transmitido no Facebook e na página do jornal. 

A propaganda política na televisão começa nesta sexta, dia 31. É nesse momento que Bolsonaro deve perder o poder da narrativa sobre a sua candidatura, prevê Meirelles. Isso porque o presidenciável tem somente oito segundos de propaganda e os demais candidatos vão aproveitar seu tempo para avançar sobre as fragilidades do que hoje lidera as pesquisas. “Não adianta ele ir muito bem no debate, se a versão sobre ele será dado pela propaganda eleitoral, que ele não tem, e pela imprensa, que ele não gosta e que também não gosta dele”, afirma.

Já Marina Silva, presidenciável da Rede, não teria força para avançar na corrida eleitoral por não ter se livrado do rótulo de candidata frágil quando o país pede, nesta eleição, mais energia para romper “com tudo que está aí”. A eleição, entretanto, ainda reserva muitas surpresas e deve ser decidida nos 48 do segundo tempo, na sua visão. “Teremos dois candidatos dificilmente com mais de 20% para passar ao segundo”, diz.

Publicitário, Meirelles dedicou sua carreira a entender como pensa, consome e vota a classe emergente no Brasil, foi fundador dos institutos de pesquisa DataFavela e DataPopular antes de montar o Locomotiva. A entrevista fez parte do Segunda com Política, que excepcionalmente nesta semana foi ao ar na quarta-feira. Assista aos programas anteriores, nos quais Jiménez entrevistou a antropóloga Rosana Pinheiro-Machado, Ivo Herzog, do Instituto Vladimir Herzog, e a socióloga Fátima Pacheco Jordão.

O candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, que governou São Paulo por quatro vezes, negou nesta quarta-feira que a facção criminosa PCC comande o crime organizado de dentro de penitenciárias paulistas e disse, durante entrevista ao Jornal Nacional da TV Globo, que se eleito mudará a Lei de Execuções Penais.

O tucano disse ainda que a política de segurança pública do Estado de São Paulo é “um exemplo” e rejeitou a ideia de que a queda na taxa de homicídios no Estado se deve ao fato de o PCC, facção nascida em solo paulista, ter eliminado rivais e dominado o crime no Estado.

Candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin 18/06/2018 REUTERS/Paulo Whitaker
 
Candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin 18/06/2018 REUTERS/Paulo Whitaker

Foto: Reuters

“É inacreditável alguém dizer que 10 mil pessoas deixam de ser mortas por ano e que a culpa disso, ou melhor, a proposta disso é o crime que fez. Não, foi a polícia que fez”, disse o tucano durante entrevista ao telejornal.

Indagado se negava que o PCC comanda o crime organizado de dentro de presídios, apesar de investigações policiais já terem apontado ordens vindas de dentro da cadeia, Alckmin foi enfático.

“Claro, mas é óbvio. Isso aí são coisas que vão sendo repetidas e acabam virando verdade”, garantiu o tucano.

“Não tem, não tem, não tem. Nós temos scanners, nós temos controle, nós temos penitenciária de segurança máxima antes do governo federal. Tem regime disciplinar diferenciado, isolamento absoluto”, afirmou Alckmin, que deixou o comando do governo paulista no início de abril para disputar a Presidência.

O tucano também exaltou a quantidade de prisões feitas pela polícia paulista e prometeu realizar alterações na Lei de Execuções Penais caso vença a eleição de outubro.

“Você sabe quantos presos nós temos em são Paulo? Duzentos e vinte e oito mil presos. Nós temos 22 por cento da população brasileira e 35 por cento da população carcerária. São Paulo prende, cana dura. E eu sendo presidente da República vou mudar a Lei de Execuções Penais, acabar com essa saidinha toda hora e endurecer as penas”, disse.

Alckmin também foi questionado sobre aliados envolvidos em casos de corrupção, como o senador tucano por Minas Gerais Aécio Neves, e o ex-governador mineiro Eduardo Azeredo, também do PSDB e que está preso, cumprindo pena no caso do chamado mensalão tucano em Minas.

O presidenciável disse que Aécio ainda não foi julgado e, pressionado sobre se, como presidente do PSDB, cargo que também ocupa, não defenderia a expulsão de Azeredo, disse que o ex-governador está afastado da vida pública há 10 anos e que já anunciou que se desfiliará do partido.

Alckmin também voltou a defender seu ex-secretário de Logística e Transporte Laurence Casagrande, preso acusado de irregularidades em obras do Rodoanel, uma grande obra rodoviária do governo paulista nas gestões do PSDB no Estado.

“Eu acho que o Laurence está sendo injustiçado. Espero que amanhã, quando ele for inocentado, tenha o mesmo espaço, para fazer justiça a uma pessoa de vida simples, uma pessoa séria, uma pessoa correta e que pode estar havendo uma grande injustiça”, afirmou o ex-governador paulista

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Posted on 30-08-2018
Filed Under (Artigos) by vitor on 30-08-2018


 

Nani no site 

 

ago
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Do  Jornal do Brasil

O Diário Oficial da União (DOU) traz nesta quarta-feira, 29, a mais nova estimativa da população brasileira feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). De acordo com os dados, o País já conta com mais de 208 milhões de habitantes, quantidade superior aos 207,6 milhões registrados no ano passado. O número atualizado é de 208.494.900.

Três Estados do Sudeste estão no topo da lista dos mais populosos. São Paulo lidera, com 45.538.936 de habitantes – a capital do Estado tem hoje 12.176.866 de pessoas. Depois, vêm Minas Gerais, com 21.040.662 de habitantes; e Rio de Janeiro, com 17.159.960.

No Nordeste, a Bahia tem a maior população da região, com 14.812.617 de habitantes. No Sul, Paraná e Rio Grande do Sul quase empatam no número de pessoas, com 11.348.937 e 11.329.605 de habitantes, respectivamente. No Norte, o Estado do Pará é o mais populoso, com 8.513.497 de habitantes; e, no Centro-Oeste, o Estado de Goiás, com 6.921.161 de habitantes.

Entre outros objetivos, a nova estimativa será utilizada para o cálculo das cotas dos fundos de participação de Estados e municípios. Os dados têm data de referência em 1º de julho de 2018 e estão organizados por Estados, Distrito Federal e municípios.

Sem que o nome de Jair Bolsonaro fosse citado, Marina Silva foi questionada na sabatina da CNA sobre a que ela atribui “a coqueluche desta eleição ser sua antítese”.

A candidata da Rede respondeu assim:

“Só não vou desejar para ele o que aconteceu comigo porque a minha fé não me permite jogar praga.”

Em seguida, a presidenciável repetiu que “não perdeu” a eleição de 2014.

“Foi uma fraude eleitoral. Os dois que foram para o segundo turno fraudaram as eleições.”

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