Aceite de coco
Pote de óleo de coco em uma loja em Toronto (Canadá) Rick Eglinton Toronto Star via Getty Images

A atração por produtos alimentícios alternativos, especialmente se for promovida por celebridades do cinema ou do esporte, pode se tornar uma autêntica moda. Foi o que aconteceu com o óleo de coco, cada vez mais procurado por quem tem interesse em uma alimentação saudável. Na rede, circulam informações de todo tipo sobre os supostos benefícios múltiplos desse óleo para a saúde, também usado como cosmético. A epidemiologista Karin Michels, da Harvard T. H. Chan Harvard School of Public Health, sufocou o entusiasmo e inflamou o debate sobre suas características. Em uma conferência que deu em uma universidade alemã, vista até agora mais de um milhão de vezes no Youtube, a professora definiu o óleo de coco como “veneno puro” e disse que é “um dos piores alimentos que se pode usar”. Ela também criticou outros alimentos da moda, como sementes de chia ou açaí.

No site da marca espanhola La Masía, que vende óleo de coco, se afirma, entre outras coisas, que o produto favorece a perda de peso, aumenta as defesas imunológicas e acelera o metabolismo. Informações como essas são facilmente encontradas em muitas outras páginas da Internet. Além disso, diferentes meios de comunicação divulgaram dietas com óleo de coco de estrelas de cinema como Gwyneth Paltrow, Angelina Jolie e Jennifer Aniston. “Tem cada história relacionada com o óleo de coco”, disse Michels na conferência realizada em julho passado na Universidade de Freiburg. “Mas tudo isso é falso”, acrescentou. A professora incluiu o óleo de coco na categoria dos superalimentos, produtos que supostamente geram múltiplos impactos positivos para a saúde e, assim, tornam-se uma moda.

“Não existe estudo algum em humanos que mostre que tenha um efeito positivo”, explicou Michels na conferência. “É mais perigoso do que a manteiga, pois contém 92% de ácidos graxos saturados e quase não tem ácidos graxos essenciais”, acrescentou. As gorduras saturadas bloqueiam as artérias que vão para o coração e podem levar à “morte cardíaca”, afirmou, insistindo que “quanto mais óleo de coco [é consumido], mais a artérias são bloqueadas e maior é o risco de ataque cardíaco”.

Michels criticou que nos últimos anos as lojas de produtos orgânicos tenham ficado cheias de produtos com esse tipo de óleo. “Infelizmente, brincam com isso. Não sei se é por ignorância ou se é uma questão de lucro”, disse. A epidemiologista explicou que a publicidade em torno desse produto funcionou muito bem e que muitos livros foram escritos sobre o assunto, mas que “a maioria deles não tem dados confiáveis”. Michels também criticou o fato de que se gaste dinheiro para adicionar à dieta nutrientes como sementes de chia, açaí ou chá de matcha, que teriam supostas propriedades especiais.

“Deve-se notar que o óleo de coco contém fundamentalmente ácidos graxos saturados”, diz a este jornal a especialista da Universidade de Navarra Estefanía Toledo. “Embora o óleo de coco possa aumentar o colesterol HDL (o colesterol “bom”), esse aumento não compensa o aumento do colesterol LDL (o colesterol “ruim”) e óleo de coco pode ter, portanto, um efeito prejudicial na saúde cardiovascular se for consumido regularmente”, argumenta a pesquisadora. Toledo se refere a um estudo feito pela American Heart Association, também citado por Michels em sua conferência, que recomenda substituir as gorduras saturadas por gorduras mono ou poli-insaturadas, encontradas em alimentos como nozes, peixes ou abacate.

Perigos relacionados com mitos sobre os “superalimentos”

O nutricionista Julio Basulto, professor da Universidade de Vic, compartilha com Michels a ideia de que não há “evidências dos supostos benefícios para a saúde que muitos enganadores atribuem ao óleo de coco”. O alto teor de gorduras saturadas desse óleo “faz suspeitar que possa ser prejudicial à saúde”, explica, embora relativize dizendo que tampouco há certeza sobre isso “porque não há estudos suficientes”. Diante da dúvida, “por princípio de precaução”, Basulto considera que é melhor optar pelo uso de produtos que não geram impacto negativo à saúde, como azeite de oliva ou óleo de girassol.

Por outro lado, Basulto acredita que dizer que o óleo de coco é “veneno puro” é um exagero. Em sua opinião, não está cientificamente demonstrado que o produto é tóxico e, por conta dessas declarações, aqueles que o consideram benéfico podem aproveitar a oportunidade para acusar os cientistas de mentirosos e assim reforçar sua posição. “Sem perceber [Michels] está dando credibilidade aos charlatães”, diz.

O nutricionista acredita que existe uma indústria disposta a criar falsos mitos por meio do marketing em relação a determinados alimentos. Também considera que existem profissionais de saúde “pouco informados” e que, em geral, há muita gente que procura soluções rápidas para problemas complexos, como manter um bom estado de saúde. “Estamos pouco dispostos a mudar os hábitos. Queremos a receita mágica. Se alguém nos der, nós compramos”, reflete.

Outro perigo potencial da disseminação de mitos sobre produtos como o óleo de coco é que pode ser gerado o chamado “efeito halo”, ou “talismã”, diz Basulto. Esse efeito produz uma “falsa sensação de segurança” que faz com que o estilo de vida piore, explica. Também há pessoas doentes que abandonam “tratamentos de eficiência comprovada” por causa das falsas crenças que cercam os superalimentos, adverte o especialista. Em sua intervenção na Universidade de Freiburg, Michels argumentou que uma alimentação correta faz com que os superalimentos não sejam necessários. Em sua opinião, há bons alimentos “de casa” nos mercados, que são suficientes para se alimentar de maneira saudável.

“Minhas razões”, Antonio Carlos e Jocafi: Esses garotos da terrinha são demais! É sempre bom lembrar de suas canções com o sabor e o dengo da melhor cocada baiana, e tê-los sempre por perto.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

Por G1

Foto oficial do senador John McCain (Foto: Divulgação/Senado dos EUA) Foto oficial do senador John McCain (Foto: Divulgação/Senado dos EUA)

Morreu neste sábado (25) o senador republicano John McCain, vítima de um tumor no cérebro.

O escritório de McCain divulgou um comunicado sobre o falecimento do político americano. Ele tinha 81 anos e estava em sua casa, no Arizona, onde faleceu às 16h28, no horário local (20h28, no horário de Brasília).

A doença foi tornada pública no ano passado, e em 24 de agosto deste ano sua família anunciou que o veterano político havia decidido não prosseguir com o tratamento.

McCain teve um papel proeminente na política americana. Concorreu à presidência em 2008, quando perdeu para Barack Obama, e vinha ultimamente sendo um crítico de Donald Trump, mesmo fazendo parte do mesmo partido.

Trajetória

John Sidney McCain III nasceu na Zona do Canal do Panamá em 29 de agosto de 1936. Filho e neto de almirantes da Marinha norte-americana, recebeu educação militar e se formou na Academia Naval dos Estados Unidos em 1958.

No primeiro semestre de 1967, foi para a Guerra do Vietnã. Estava casado com a ex-modelo da Filadélfia Carol Shepp e já era pai.

Em outubro daquele ano, aos 31 anos, McCain estava em sua 23ª missão de bombardeios quando um míssil arrancou a asa direita de sua aeronave, derrubando seu jato A-4 Skyhawk em espiral. McCain foi ejetado e desmaiou, retomando a consciência a 5 metros de profundidade em um lago em Hanói.

Estava com os braços e um joelho quebrados. Com os dentes, puxou os pinos para inflar o colete salva-vidas. Quando conseguiu chegar à margem, foi encurralado e levado para a prisão que os prisioneiros de guerra apelidaram de Hanoi Hilton. “Nenhum americano chegou a Hoa Lo em condição física pior do que a de McCain”, disse John Hubbell, historiador especializado em prisioneiros de guerra no Vietnã.

Depois que os vietnamitas do norte perceberam que estavam com um filho de almirante nas mãos, enxergaram-no como uma ferramenta de propaganda que valia a pena explorar e lhe ofereceram o tratamento médico que antes haviam recusado. Mas McCain não colaborou com o plano deles.

Certa vez, quando os guardas lhe levavam a refeição, ele os recebeu com insultos. Seus gritos com xingamentos e afrontas chegaram a ser ouvidos por outros presos.

 

Senador John McCain deixa Senado após a votação em que proposta que derrubava o ObamaCare, a reforma de saúde de Barack Obama, foi derrubada (Foto: Zach Gibson / Getty Images North America / AFP) Senador John McCain deixa Senado após a votação em que proposta que derrubava o ObamaCare, a reforma de saúde de Barack Obama, foi derrubada (Foto: Zach Gibson / Getty Images North America / AFP)

Senador John McCain deixa Senado após a votação em que proposta que derrubava o ObamaCare, a reforma de saúde de Barack Obama, foi derrubada (Foto: Zach Gibson / Getty Images North America / AFP)

Solitária e espancamentos

Durante mais de cinco anos preso, sendo três deles na solitária, McCain tentou se suicidar duas vezes. Resistiu a uma série de espancamentos.

Nas celas compartilhadas, fazia encenações cômicas com os companheiros presos. Quando encarcerado sozinho, fazia com que histórias de filmes e livros passassem pela sua mente. “Casablanca” era um deles. “Tinha que me proteger com muito cuidado das minhas fantasias que se tornavam tão profundas que me levavam a um lugar permanente em minha mente do qual eu poderia nunca mais retornar”, relatou ele.

 

Seus prontuários médicos registram que ele xingava os guardas quando eles interrompiam seus devaneios. “Ele apreciava tanto as suas fantasias”, dizem os registros, “que ficava muito contrariado quando os guardas se aproximavam e o levavam de volta à realidade.”

Como disse McCain, não há nada de heróico em ter o azar de ser atingido por um míssil. O que fez dele um herói aos olhos dos companheiros de prisão foi a sua recusa em aceitar a libertação antecipada enquanto os que estavam em Hoa Lo por mais tempo não fossem soltos.

 

O senador republicano John McCain em foto de 30 de junho de 2015 (Foto: AP Photo/Ross D. Franklin, File) O senador republicano John McCain em foto de 30 de junho de 2015 (Foto: AP Photo/Ross D. Franklin, File)

O senador republicano John McCain em foto de 30 de junho de 2015 (Foto: AP Photo/Ross D. Franklin, File)

Os responsáveis por sua prisão finalmente acabaram com a sua determinação, fazendo-o assinar uma confissão em que concordava em fazer a seguinte declaração caricata: “Sou um criminoso violento e realizei façanhas típicas de um pirata aéreo.”

“Não conseguia controlar meu desespero”, escreveu ele mais tarde. “Tremia, como se minha desgraça fosse uma febre. Todo meu orgulho estava perdido e eu tinha dúvidas se um dia conseguiria me defender novamente. Nada poderia me salvar.”

Enfim, livre

Libertado pelos Acordos de Paz de Paris em 1973, voltou para casa de muletas, encontrando a esposa e o filho de muletas também: Carol havia sofrido um terrível acidente de carro, do qual ele só tomou conhecimento ao pisar em solo americano, e o filho havia se machucado jogando futebol.

 

McCain então aprendeu o funcionamento do sistema político em Washington trabalhando como contato da Marinha no Senado, na década de 70, ocupação que manteve até 1981. Seu casamento com Carol acabou como conseqüência de sua postura de mulherengo. Ele atribui a culpa ao “egoísmo e imaturidade.”

 

John McCain, o primeiro da direita para a esquerda, junto com companheiros da Marinha dos EUA, em 1965 (Foto: National Archives/via REUTERS) John McCain, o primeiro da direita para a esquerda, junto com companheiros da Marinha dos EUA, em 1965 (Foto: National Archives/via REUTERS)

John McCain, o primeiro da direita para a esquerda, junto com companheiros da Marinha dos EUA, em 1965 (Foto: National Archives/via REUTERS)

Ela, por sua vez, disse que o marido, prestes a completar 40 anos, aparentemente queria ter 25 anos de novo.

Um mês depois de se divorciar de Carol, McCain se casou com Cindy Hensley, filha de um magnata da indústria cervejeira de Phoenix, mudou-se para o Arizona e em pouco tempo mergulhou na política, conquistando uma cadeira na Câmara em 1982.

Chegou a ser foi acusado de ser um candidato “paraquedista” por concorrer a um cargo no Arizona, quando não era natural daquele estado. “Escuta aqui, meu amigo”, rebateu McCain, “Passei 22 anos na Marinha… O lugar onde fiquei mais tempo em minha vida foi Hanói [no Vietnã]”.

Quatro anos depois, foi eleito para o Senado dos Estados Unidos pela primeira vez. Desde então vinha sendo reeleito. Em 2004 teve quase 77% dos votos do seu estado.

No mesmo ano, contudo, ele foi derrotado por George W Bush nas primárias presidenciais do Partido Republicano. Na eleição seguinte, consegue ser escolhido o candidato republicano para a sucessão de George W Bush na Casa Branca, e acaba derrotado por Barack Obama.

 

Controle rígido

No senado, McCain nutriu a fama de manter um controle rígido do dinheiro dos contribuintes. Empresas do setor de defesa não gostavam de sua intensa vigilância, legisladores viram procedimentos estabelecidos há tanto tempo para ganhar o pão de cada dia serem desafiados ou eliminados, e muitos viram um temperamento desmoralizador que, segundo McCain, mostra o que há de melhor nele.

McCain foi além da questão do desperdício e atacou o sistema de financiamento de campanhas, questão que o aproximou de democratas que compartilhavam sua opinião e o afastou de líderes republicanos.

A trajetória do senhor “Limpeza Total” ingressou por vias obscuras quando McCain e outros quatro senadores foram acusados de tentar influenciar reguladores do setor bancário em nome de Charles Keating, agente financeiro de empréstimos e investimentos posteriormente condenado por fraude de títulos de crédito. McCain era amigo de Keating e chegou a usar sua casa de veraneio no Caribe algumas vezes.

O Comitê de Ética do Senado foi ameno com McCain, intimando-o por “falta de discernimento” mas não recomendando nenhuma outra ação. McCain posteriormente devolveu US$ 112 mil em empréstimos de campanha que havia recebido de Keating. O episódio “provavelmente estará gravado em minha lápide”, declarou posteriormente.

 

Relação com Trump

Apesar de ser republicano, John McCain retirou seu apoio a Donald Trump ainda durante a campanha presidencial em 2016, quando declarou publicamente que não votaria nele depois que veio à tona uma gravação em que o então candidato fala sobre a tentativa de conquistar uma mulher casada não identificada e diz que, quando se é famoso, mulheres deixam que você faça “qualquer coisa”.

“Não há desculpas para os comentários ofensivos e humilhantes no vídeo divulgado; nenhuma mulher deveria ser vitimada por este tipo de comportamento inapropriado “, afirmou McCain na época. “O comportamento de Trump, (…) com a revelação de seus comentários humilhantes sobre as mulheres e sua gaba sobre agressões sexuais, torna impossível continuar oferecendo apoio, mesmo condicional, a sua candidatura”.

McCain prosseguiu crítico de Trump depois que ele assumiu a presidência, pedindo, por exemplo que ele encerrasse a política de separar imigrantes ilegais de seus filhos. O senador do Arizona também votou contra um projeto apoiado por Trump para revogar a lei de saúde criada pelo ex-presidente Barack Obama, conhecida como Obamacare. Acabar com o Obamacare é uma promessa de campanha de Trump à qual ele se dedicou sem sucesso desde que assumiu a presidência.

O incômodo de McCain com a presença de Trump na Casa Branca ficou tão escancarado que, já ciente do fim próximo devido ao câncer, McCain deu instruções para que o presidente não fosse ao seu funeral, conforme revelou o “New York Times”. 

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 Ciro diz que evita confronto com Bolsonaro

 

Ciro Gomes afirmou neste sábado que evita confronto com Jair Bolsonaro para não parecer arrogante.

“Se um cara como eu partir para cima de uma pessoa com aquele despreparo parece arrogância.”

O candidato do PDT disse também que os eleitores de Bolsonaro na internet costumam pregar o fanatismo.

“Às vezes a gente acha que o Bolsonaro é alcançável porque é misógino, machista, porque segrega gays e porque segrega negros. Ele está com essa força relativa porque ele é isto. Infelizmente é uma fração do povo brasileiro que é isso. Que se sente representado por isso.”

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Posted on 26-08-2018
Filed Under (Artigos) by vitor on 26-08-2018



 

 Aroeira, no jornal (RJ)

 

Do Jornal do Brasil

 

Grevistas da fome encerraram ato político após 26 dias

Ao 26° dia da greve de fome, e a uma da tarde de hoje, em assembleia com membros dos movimentos sociais participantes e os grevistas da fome, a greve foi declarada encerrada, com a divulgação de uma nota e de um manifesto, em que declaram ter alcançado seus objetivos.

Os militantes faziam greve de fome pela liberdade do ex-presidente Lula e contra o aumento das desigualdades no país. Os ativistas Jaime Amorim, Zonália Santos, Rafaela Alves, Frei Sérgio Görgen, Gegê Gonzaga, Vilmar Pacífico e Leonardo Soares estavam em Brasília sem receber nenhum tipo de alimentação, em uma tentativa de chamar a atenção da população e pelo debate com o poder judiciário, pelo respeito ao Estado Democrático e à vontade do povo. Ao decidir pela interrupção da greve, os sete atenderam ao chamado de suas organizações para retornar às bases e seguir em suas atividades.

Macaque in the trees
Grevistas da fome encerraram ato político após 26 dias

Para Jairo Amorim, que se pronunciou em nome do grupo, o ato que encerra a greve de fome não representa um final da jornada, mas uma nova etapa. “Ao longo dos 26 dias nós conseguimos fazer um grande debate com a sociedade brasileira, denunciar a volta da fome, mostrar para o mundo as consequências do golpe, o aumento da violência, o abandono dos mais pobres por parte do estado e o papel que o poder judiciário exerceu para que isso acontecesse”, declarou. “O judiciário cumpriu um papel decisivo a favor do golpe e contra o povo, mostramos para todos esses cenários em que se conduziu a judicialização da política e a politização do poder judiciário, o que é incompatível com uma sociedade democrática.”

Para os sete ativistas, tão importante quanto dialogar com os Ministros do Supremo foi conquistar a solidariedade da população que manifestou apoio. “Ao sair da greve temos consciência de que cumprimos um papel importante, ajudamos a mobilizar e organizar o povo, colocamos em pauta novas perspectivas para esse país, evocamos a ideia de um Brasil-Nação para todos os brasileiros”, acrescentou Amorim. “Nós saímos da greve para um outro patamar da luta, seguiremos lutando pela liberdade de Lula, mas olhamos para a frente vislumbrando o Congresso do Povo e a consolidação da Frente Brasil Popular como um instrumento de desenvolvimento político e social para toda nossa gente, abrigando a nova militância que surgiu da resistência ao golpe e vem crescendo cada vez mais, uma militância sem vícios, que está disposta a ajudar a construir uma nova história possível e necessária.”

Confira o manifesto publicado, na íntegra: 

MANIFESTO DA GREVE DE FOME POR JUSTIÇA NO STF

À MILITÂNCIA POPULAR E AO POVO BRASILEIRO

No dia 31 de julho, iniciamos a Greve de Fome por Justiça no STF – Supremo Tribunal Federal, com um manifesto à sociedade que foi protocolado no próprio STF, num ato político que resultou em repressão absurda e descabida aos militantes grevistas. Mas não conseguiram calar as nossas vozes: resistimos e ainda mais fortes e indignados, deflagramos o processo da greve de fome.

Nosso objetivo com a greve é contribuir na luta pelo enfrentamento ao golpe que sob o contexto de crise profunda do capital, amplia os processos de exploração do trabalho e dos nossos bens naturais, causando aumento da desigualdade, da fome, da miséria, do desemprego e da violência social. A greve de fome luta por soberania popular, pelo controle de nossos bens estratégicos do petróleo e da energia, pelo direito do povo de participar do poder e decidir os rumos do país. Por isso lutamos pela libertação do presidente Lula, que está encarcerado desde o dia 7 de abril, sem crime e sem prova. Portanto Lula é inocente e sua prisão tem caráter político.

Denunciamos com a greve de fome a ditadura do judiciário, principalmente do STF que de forma arbitrária tomou o lugar do povo, rasgando a Constituição brasileira e fragilizando ainda mais a democracia, construída na dura disputa da luta de classes.

Sabemos que a greve de fome é um ato extremo, mas o praticamos de forma consciente, inspirados na revolucionária resistência ativa, historicamente forjada pelos povos que não baixaram a cabeça diante das elites dominantes.

E após 26 dias de Greve de Fome, decidimos por sua suspensão, por entender que ela cumpriu com seu sentido provocador dos objetivos que propusemos desde o início desta ação politica. Nos sentimos vitoriosos, pois assim se sentem os povos que lutam e tivemos acúmulos importantes para o conjunto da luta popular.

Conhecemos melhor quem são os chamados operadores do direito, ministros e asseclas do poder judiciário. Vimos como se movem por um teatro fantasioso, guiados pela mídia burguesa, com pouca sensibilidade pelo povo, e nenhum respeito pela constituição. Como opera o governo dos golpistas, seus interesses explícitos de estar a serviço do capital estrangeiro, das empresas transnacionais, dos bancos e do seu próprio bolso. Conhecemos melhor como funciona a mídia burguesa, mentirosa, que se pauta apenas pelos interesses de seus patrões e da manutenção do poder aos privilegiados. Como age o poder legislativo, peça fundamental do golpe e seu total distanciamento dos problemas reais do povo.

Nestes 26 dias de greve, ocupamos o STF com nossos atos políticos e inter-religiosos, através de audiências com diversos ministros, pautando a necessidade de votar as ADCs – Ações Declaratórias de Constitucionalidade, assegurando a presunção de inocência.

Denunciamos o não cumprimento da Resolução da Comissão de Direitos Humanos da ONU pelo Brasil, que determina o direito de Lula ser candidato nas eleições de 2018.

Seguimos firmes na luta e dispostos a contribuir com as tarefas históricas e os desafios que estão colocados para os movimentos e organizações do campo popular. Lutaremos de forma incansável pelo respeito à justiça, garantindo Lula Livre e pelo seu direito de disputar as eleições. Pela construção soberana de um Projeto Popular para o Brasil.

Nossas principais tarefas políticas são trabalho de base, formação política e retomada das lutas da massa. Precisamos ouvir o povo, estar inserido na sua luta cotidiana de resistência e provocar processos de lutas contundentes. As formas de trabalho de base são variadas, e devem envolver as visitas nas casas, as reuniões de pequenos grupos, assembleias populares, a construção dos Congressos do Povo e da Frente Brasil Popular. Devemos travar a batalha das ideias na disputa da comunicação popular, enfrentando o poder ideológico da grande mídia.

Teremos ainda muitas batalhas coletivas pela frente, mas temos a certeza que “se calarmos, as pedras gritarão!” Nosso desafio é que a luta atual, se transforme em força social capaz de virar o mundo e destruir privilégios. Não pagaremos a conta do fracasso desse modelo de sociedade. Por isso a luta vale a pena e a vida vale a luta! Essa luta é nossa! Essa luta é do povo!!

Brasília, 25 de agosto de 2018.

Jaime Amorim, Zonalia Santos, Rafaela Alves, Frei Sergio Gorgen, Luiz Gonzaga Silva – Gegê, Vilmar Pacífico e Leonardo Nunes Soares.

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