OPINIÃO

O Brasil é hoje um laboratório político

Eleições 2018 Lula
O ex-presidente Lula é carregado por uma multidão no Sindicato dos Metalúrgicos, em São Bernardo do Campo, em 7 de abril de 2018. Stringer . REUTERS

Lula na prisão, impossibilitado de disputar as eleições e com quase 40% das intenções de voto nas pesquisas? Nenhum outro candidato sem chegar aos seus pés? E estamos a poucas semanas de ir às urnas. Nem os mercados, nem os analistas políticos, ninguém é capaz de apostar nem os sapatos em adivinhar o resultado das eleições mais incrivelmente complexas da história brasileira.

Os políticos que disputam a eleição presidencial —certamente sem Lula, que ganharia no primeiro turno— devem estar desconcertados com os resultados insignificantes que apresentam. Não eram eles que apostavam num novo Brasil uma vez libertos de Lula e do PT? Devem estar perguntando às pitonisas que demônios se apoderaram deste país, onde parece que tudo pode acontecer.

A história deverá um dia analisar este incrível momento histórico do Brasil, que do altar da glória parece estar escorregando para um abismo que atemoriza. Não sou, entretanto, da tribo dos derrotistas. Continuo acreditando que o Brasil, mais que uma crise irreversível, está vivendo é sua condição de laboratório político, onde tudo está em discussão e em análise, sem saber o que acabará saindo dessa proveta.

Os políticos logo poderão perceber que a crise que todos eles atravessam deve-se ao fato de terem ignorado ou desprezado que, enquanto se sentiam seguros de si mesmos, acreditando poder governar para gente que aceitava tudo como antes, esse Brasil da rua já é outro, para bem ou para o mal. Acordou. Perdeu a fé neles e lhes nega o voto.

Não o nega, entretanto, a Lula, apesar de estar condenado e na prisão. Tampouco saiu à rua contra sua detenção, nem gritou em massa que é inocente, mas é que não acredita na inocência de quem se esforça em ficar com seus despojos. Considera-os tão ou mais responsáveis pela corrupção. O que então esse Brasil vê em Lula para querer continuar votando nele com maior afinco que em todos os outros candidatos? Talvez uma miragem, mas quem conhece o deserto sabe a força até mesmo espiritual que traz a esperança de poder encontrar um poço de água fresca.

Lula, com todos os seus defeitos e pecados, conhece talvez como nenhum outro político o vazio de esperança neste país melhor que pulsa no coração dos brasileiros, sobretudo dos mais pobres, dos que não conseguem nem sonhar. A eles, da prisão, Lula continua prometendo, como Moisés no deserto aos judeus, um Brasil de abundância para todos, de desejos que parecem perdidos, de momentos de festa. Os faz voltar a sonhar.

Moisés não chegou à Terra Prometida e sofreu a dor de ver que os resgatados por ele chegaram a se apaixonar pelos ídolos. Lula é possível que tampouco consiga ver esse Brasil dos seus sonhos. Uma lei que ele mesmo sancionou o impedirá até de ser candidato. Não importa. Há algo que os outros candidatos não devem, entretanto, esquecer: os sonhos que Lula, da prisão, continua oferecendo como um chamariz aos milhões de brasileiros que quereriam ainda votar nele se a lei permitisse continuarão vivos no coração desse Brasil laboratório, que abriu os olhos, que reflete mais do que ontem, que é mais livre para processar os políticos, que já não os perdoa por tudo como antes. Esse outro Brasil, que os velhos partidos, inclusive muitas vezes o PT, resistem a reconhecer, é um Brasil possivelmente sem volta. E é esse Brasil que, como ocorre às vezes com os filhos que se libertam do peso conservador de seus pais, devemos nos esforçar por entender. É o Brasil que, em sua relutância em se livrar de um passado que o asfixiava politicamente, pode parecer contraditório e inesperado. Mas é um Brasil política e socialmente vivo. E são os vivos, não os mortos, quem engendram ao mesmo tempo pesadelos e esperanças.

“Brasil”, João Gilberto (co Bethânia Caetano e Gil).

O Toque de Deus !!!

BOM DIA!!!

(Gilson Nogueira)

Mulheres eleições 2018
Mulheres participam de ato contra Temer em maio. PAULO PINTO AGPT
  

A maior reviravolta política na vida da estudante Isabella Miranda, de 19 anos, ocorreu na semana passada, enquanto comia arroz com feijão na cozinha de sua casa, em Ribeirão Pires, no cinturão operário da Grande São Paulo. Sentada na cadeira de sempre, à mesa de sempre, com as notícias passando na TV, ouviu seu pai, de 52 anos e que vive de bicos de construção e pintura, proclamar algo inesperado: que na próxima eleição pretende votar no agitador ultradireitista Jair Bolsonaro.

O que a abalou não foi o nome do candidato, que está há meses subindo nas pesquisas: “Vale lembrar que meu pai é homofóbico, ele é preconceituoso, então ele apoia o Bolsonaro porque acha que o Brasil precisa de ordem. Ele estava bem feliz com a decisão dele”, resigna-se Isabella. O que a desconcertou foi como se sentiu ao ouvir que alguém tão próximo já escolheu seu candidato, quando ela mal pensou nas eleições, exceto por ouvir há meses o burburinho de que serão históricas. De repente, se viu sozinha. “Agora penso constantemente em política”, confessa. “Estou me sentindo irresponsável por não saber em que votar, por não estar me identificando com ninguém… Não sei a origem desse problema.”

Essa origem não está numa cozinha de Ribeirão Pires, e o problema tampouco é só de Isabella. As mulheres, que representam 52,5% do eleitorado brasileiro (77,3 milhões dos 147 milhões com direito a voto), chegam à campanha eleitoral mais afastadas dos candidatos que nunca: 34% não encontram um aspirante que as convença em um cenário com o ex-presidente Lula fora da disputa, segundo a última pesquisa Datafolha. Deste total, 25% pretendem apertar o botão “em branco” da urna, anular ou não votar em ninguém, e 9% ainda não sabem em quem votar —entre os homens, cogitam o voto em branco ou nulo 18%, e 3% estão indecisos—. São números inéditos nos 30 anos de democracia brasileira: superam o recorde do pleito presidencial anterior, em 2014, quando 16% das mulheres não tinham decidido o voto e outras 18% não estavam convencidas por nenhuma candidatura a esta altura. E deixam o país ainda mais distante do ponto de saída de 2006, quando no começo da campanha estimava-se em 12% o número de indecisas e 9% o das mulheres que pretendiam votar em branco.

Nenhum dos 13 candidatos nesta imprevisível eleição conseguiu impressionar o grupo demográfico mais poderoso. Este fracasso revela a contraditória relação que a política brasileira mantém há décadas com as mulheres. Num país onde elas constituem a maioria do eleitorado, são também as menos representadas nos postos de poder. Em escala nacional, somam pouco mais de 10% da Câmara dos Deputados, e na política municipal há apenas uma vereadora para cada sete homens. A única mulher a ter presidido o Brasil, Dilma Rousseff, foi destituída do cargo num processo político em agosto de 2016.

O Brasil ocupa a 154ª. posição entre os 193 países do ranking de presença feminina na política, organizado pela União Interparlamentar: só está à frente de países árabes e de ilhas da Polinésia. “Estudos sobre representação simbólica indicam que, ao não se enxergarem na política, mulheres se sentem à parte do sistema”, observa Malu Gatto, pesquisadora de gênero e política brasileira na Universidade do Zurique (Suíça).

Some-se a isto a caótica natureza de uma eleição em que o candidato favorito, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, está encarcerado, e seu Partido dos Trabalhadores se recusa a indicar um substituto. Isto deixou um panorama incerto, liderado por Bolsonaro, um machista irredutível (disse a uma deputada feminista que “não merecia ser estuprada” porque “era feia”), e vários personagens que ainda estão sendo conhecidos pelo público. “Mulheres tendem a assumir menos riscos, preferindo avaliar todas as informações disponíveis antes de tomar uma decisão. E o período pré-eleitoral neste ano está sendo particularmente complexo, conturbado pela quantidade de notícias, acontecimentos políticos e um maior número de candidatos visíveis de partidos que vão além do PT e PSDB”, diz Gatto.

Vice-presidentas no país dos feminicídios

Muitos candidatos se lançaram a uma corrida desesperada pelo voto feminino. Cinco dos 13 aspirantes —todos homens, exceto a evangélica Marina Silva e Vera Lúcia, mais vinculada à causa negra— anunciaram mulheres como candidatas a vice em suas chapas (Bolsonaro tentou, mas foi rejeitado por sua escolhida Janaína Paschoal e acabou indicando um homem). Conforme observaram vários cientistas políticos, a cifra é um recorde, mas ainda resta ver se trará o feminismo para o debate político. Numa recente entrevista, a senadora Marta Suplicy (sem partido) lamentou: “É um oportunismo ruim”.

Dessas candidatas a vice, só Ana Amélia, companheira de chapa de Geraldo Alckmin, trouxe para o debate público assuntos que afetam diretamente as mulheres. Mas não as cifras de feminicídios, que não param de crescer: 1.133 de um total de 4.539 mulheres assassinadas em 2017, segundo os últimos dados da ONG Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Em seu lugar, Ana Amélia voltou ao velho tema do aborto (para postular-se a favor da Constituição), que mobiliza mais os homens do que as mulheres (eles fazem 61% dos comentários sobre o assunto nas redes sociais, segundo o jornal O Globo).

No primeiro debate entre os candidatos, há duas semanas, as mulheres ocuparam um papel igualmente minoritário. Bolsonaro as usou para soltar uma das boutades que o caracterizam: “As mulheres estão se dando melhor do que nós agora, daqui a pouco vamos querer o salário delas”. Ninguém se deteve mais tempo neste ponto. Pouco depois, Guilherme Boulos (PSOL) fez uma tímida tentativa de falar em igualdade e feminismo: “O machismo estrutural é um problema neste país”, disse. Mas nenhum outro candidato o acompanhou.

No segundo debate, foi Marina Silva quem tentou falar sobre as mulheres. Dirigindo-se a Bolsonaro, o recriminou: “Você acha que poder resolver tudo no grito, na violência. Nós somos mães. Nós educamos nossos filhos. A coisa que uma mãe mais quer é ver um filho ser educado para ser um cidadão de bem, e você fica ensinando para o nosso jovem que tem que resolver as coisas na base do grito, Bolsonaro”. Três dias depois, a pesquisa do Ibope mostrou que Bolsonaro havia perdido a intenção de voto de várias mulheres (13%, contra 28% dos homens) e a Datafolha, que saiu dias depois, apontava que entre elas a rejeição a seu nome tem crescido —desde junho, foram nove pontos percentuais a mais. Marina Silva, no entanto, aumentou seu apoio pela metade (de 10% para 15%, no Ibope).

Conseguir uma representação maior significa um avanço, mas não uma solução. Além do mais, esta vitória corre o risco de se tornar uma distração se não conduzir a mais mudanças. “Você não se reconhece na política”, lamenta a cientista política Ilona Szabó, fundadora do Agora, uma plataforma pela renovação política. “Eles têm buscado respostas fáceis. Continuam insistindo nas soluções mágicas, no herói, na força, e as mulheres já perceberam que não é isso que vai deixá-las mais seguras sem medidas de políticas em curto prazo. Então não nos reconhecemos no sistema, o que explica a apatia de muitas delas a esta altura da campanha.”

A mudança é urgente, mas é possível que já tenha começado. Isabella Miranda se inscreveu como mesária voluntária nas eleições. “Nunca votei. Aliás, tirei meu título no ano passado, quando completei 18: esperei até o limite porque não queria me envolver”, admite. “Mas é a minha primeira eleição. É uma responsabilidade muito grande.”

ago
24

O ministro Félix Fischer, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), negou pedido do candidato do PDT à Presidência, Ciro Gomes, que pretendia conseguir uma autorização para visitar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que está preso desde abril em Curitiba cumprindo pena por condenação no processo do tríplex do Guarujá.

O recurso tinha sido apresentado por Ciro, pelo presidente do PDT, Carlos Lupi, e pelo líder do partido na Câmara dos Deputados, André Figueiredo (CE), que dizem ser amigos de Lula, mas tiveram o direito a visitá-lo negado anteriormente.

No recurso ao STJ, o trio do PDT argumentava que a visitação é um direito líquido e certo do preso e que a medida contribui para sua ressocialização.

Candidato do PDT à Presidência, Ciro Gomes 06/08/2018 REUTERS/Adriano Machado
 
Candidato do PDT à Presidência, Ciro Gomes 06/08/2018 REUTERS/Adriano Machado

Foto: Reuters

Na decisão, Félix Fischer afirmou que os autores do recurso não apresentaram “razões justificantes da pretensão de caráter urgente”.

“Ademais, o caso em exame não se amolda ao disposto na Lei 12.016/2009, em nenhuma das hipóteses que autorizam a concessão de medida liminar, a exemplo do que dispõe o art. 7º, inciso III do referido diploma legal. Ao contrário, denota-se que o pedido liminar se confunde com o próprio mérito do recurso, devendo, pois, nessa seara, ser apreciado”, disse o ministro, em decisão tornada pública nesta quinta-feira.

Lula, que é líder nas pesquisas de intenção de voto, foi registrado como candidato presidencial pelo PT, mas sua candidatura deve ser barrada com base na Lei da Ficha Limpa, uma vez que o petista foi condenado em segunda instância por corrupção e lavagem de dinheiro no caso do tríplex

Do Jornal do Brasil

 

A pesquisa divulgada pelo Datafolha anteontem confirma uma tendência de transferência de voto do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a candidata da Rede, Marina Silva. A presidenciável consegue dobrar, de 8% para 16%, suas intenções de voto em cenário sem o ex-presidente. Na pesquisa do Ibope/Estadão/TV Globo divulgada na terça-feira, Marina também dobrou seu desempenho, de 6% para 12%, na disputa sem Lula. Já a pesquisa do Instituto MDA/CNT revela ainda que há uma migração de 11,9% dos votos no ex-presidente, que está preso em Curitiba desde abril, para a candidata da Rede.

A explicação para isso pode estar no fato de que 10% dos ouvidos pelo Datafolha acreditam que Lula apoiaria Marina como candidata ao cargo. Ex-ministra do Meio Ambiente no governo Lula, ex-senadora e candidata à Presidência da República pela terceira vez, ela deixou o PT em 2009, após divergências com Dilma Rousseff no segundo mandato do ex-presidente. Passados oito anos, ela continua a colher o ônus e o bônus de ter sido petista.

De outro lado, apenas 17% dos eleitores respondem que o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad, possível substituto de Lula na chapa petista – caso ele seja impugnado pelo Tribunal Superior Eleitoral –, será apadrinhado pelo ex-presidente. Haddad tem um ponto a seu favor: é conhecido por apenas 59% dos eleitores. Em comparação, Lula é conhecido de 99% dos ouvidos, Marina, por 93%, e o ex-governador Geraldo Alckmin, por 88%. Além disso, Haddad registra baixa rejeição (21%), e fica atrás da ex-ministra (25%), de Alckmin (26%) e do próprio Lula (34%).

Cenários eleitorais

Mas a dúvida quanto à transferência de votos para o ex-prefeito é justificada pelo alto índice de eleitores que não votaria em candidato indicado por Lula: 48%. Neste cenário, Marina tem vantagem por ser reconhecida na mesma região do ex-presidente e apresentar um recall de duas eleições.

Mulher negra, nordestina, e de origem humilde, Marina Silva sonhava em ser freira, e se alfabetizou apenas aos 16 anos em Mobral, capital acriana. Mais tarde, se formou em História e, na política, integrou o Partido Revolucionário Comunista, ao lado do sindicalista Chico Mendes, de quem seria vice na CUT-AC. Foi vereadora, deputada estadual e, em 1995, tornou-se a mais jovem senadora eleita no País, aos 36 anos.

Como ela, outro nome beneficiado pela ausência de Lula na é o candidato do PDT, Ciro Gomes. O presidenciável concorre pela terceira vez ao cargo, e dobra as intenções de voto na pesquisa do Datafolha, de 5% para 10%. Ciro foi governador no Ceará, ministro da Fazenda de Itamar Franco e ministro da Integração Nacional de Lula.

Marina e Ciro se dão melhor no Nordeste. Boa parte do eleitorado da dupla, no entanto, permanece na zona de influência do ex-presidente. Entre aqueles que declaram voto em Marina, 38% dizem que escolheriam o nome apoiado por Lula. No caso de Ciro, esse índice é de 42%. O percentual indica que a dupla travará uma disputa acirrada com Fernando Haddad, caso este substitua o ex-presidente na corrida.

ago
24
Posted on 24-08-2018
Filed Under (Artigos) by vitor on 24-08-2018



 

Jorge Braga, no jornal (GO)

 

Aécio fará 1º evento de campanha em fazenda isolada

 

Em seu primeiro evento de campanha na disputa por uma vaga na Câmara, Aécio Neves participará de um encontro com apoiadores em uma fazenda próxima a Teófilo Otoni (MG), registra o Estadão.

A cidade é terra natal do pai de Aécio, Aécio Cunha, e fica a cerca de 446 km de Belo Horizonte. O evento será só para convidados.

Até agora, o senador tucano não esteve em nenhum ato político em Belo Horizonte e também não subiu nos palanques de Antonio Anastasia e Geraldo Alckmin.

Aécio é acusado pela PGR de receber ilicitamente R$ 2 milhões de Joesley Batista e de atrapalhar as investigações em torno da Lava Jato, o que ele nega.

  • Arquivos