Resultado de imagem para Edivaldo Boaventura morre em Salvador

Texto e poema publicado nesta quarta-feira, 22, deste dolorido agosto, pelo jornalista e poeta Florisvaldo Mattos, em seu espaço da rede social Facebook, em justo e correto tributo, através de “interlocução pelo Gmail diante da informação sobre a morte do amigo e confrade, Edvaldo Boaventura…escritor de vasta obra literária, biográfica e ensaística e um dos espíritos mais marcantes no campo das realizações culturais em instituições tantas por onde passou ou a que pertenceu”…

Bahia em Pauta reproduz a homenagem de Florisvaldo ao mestre e figura humana referencial que a Bahia acaba de perder. É também (o autor nos permita generosamente) o comovido tributo deste site blog a um de seus grandes inspiradores e amigos do peito. Saudades!!!

(Vitor Hugo Soares, editor do BP)

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FLORISVALDO MATTOS:

Sentida interlocução que acabo de cometer pelo Gmail diante da informação sobre a morte de um amigo e confrade, que repasso aos amigos do Facebook. Segue abaixo.

Amigos, confrades e confreiras:

Fui hoje cedo surpreendido e logo impactado com a notícia do passamento do amigo e confrade Edivaldo Boaventura, escritor de vasta obra literária, biográfica e ensaística e um dos espíritos mais marcantes no campo das realizações culturais em instituições tantas por onde passou ou a que pertenceu, exemplo de dignidade, sinceridade e fraternidade, em tudo um educador. Conhecemos-nos desde a Faculdade de Direito onde, depois que publiquei poemas na saudosa revista “Ângulos”, me cravou o cordial apelido de Poeta Agrário, com que sempre me saudava, na ALB (Academia de Letras da Bahia), no jornal “A Tarde”, em lugares muitos. Sou-lhe grato por muitas e indefiníveis provas de amizade e afeto. Em 2011, dediquei-lhe um poema inspirado numa vertente menos pública, a de cultor dos prazeres gustativos, destacando-se na corrente de um refinado enólogo. Ei-lo, como foi publicado em meu “Poesia Reunida e Inéditos”, p. 296.

 

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ENOGASTRONOMIA

A Edivaldo M. Boaventura

Nunca vi arrozais. Vinhedos?
Só de passagem. Sorvi
de olivais lúbricos sabores
(foi possível, degustando,
rearrumar amores, sonhos,
perseguir rastros no silêncio).

Trigais em Van Gogh,
ávidos amarelos vi;
cacauais plenos de luas
douradas, feridos caules
latejando dor e podas,
voraz tumor em ramo e fruto
arde em sangue e memória,
nada num marulho de pés
em chão ocre e oco,
em mãos de tez esquálida.

Deixa em nós todos profunda lacuna afetiva e cultural. Que o grande Edivaldo Boaventura descanse em paz.

Florisvaldo Mattos

 

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