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Posted on 20-08-2018
Filed Under (Artigos) by vitor on 20-08-2018


 

Tacho, no (RS)

 

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OPINIÃO
Carla Jiménez recebe o troféu Mulher Imprensa na categoria diretora de redação
Carla Jiménez recebe o troféu Mulher Imprensa na categoria diretora de redação Elisa de Paula IMPRENSA Editorial

 

Carla Jiménez, diretora de Redação da edição brasileira do EL PAÍS, tinha preparado para receber o prêmio jornalístico Troféu Mulher de Imprensa um discurso que acabou não lendo, dada a informalidade do ato. Nele, a jornalista, que confessa ter dois corações, um de seu país de origem, o Chile, e outro, brasileiro, e “que consegue ver somente a beleza presente na alma deste país”, dava uma pincelada sobre o que tem sido e é para ela o jornalismo e sua tarefa neste jornal.

Acredito que seus milhões de leitores gostarão de conhecer o que ela havia escrito para ler em público. Em um momento crítico para a atividade jornalística, o das fake news e da pós-verdade, Carla lança um desafio a todos os que seguem apostando na função social de informar a sociedade com credibilidade: “Não me rendo às verdades distorcidas de que este país é incapaz de sair de seu lugar”. E ela se pergunta: “Como romper os bloqueios?”. Resume com uma frase que define a função básica do jornalismo sério: “Procurar revelar as sombras do Brasil, mas também mostrar as luzes da sociedade brasileira”. Uma sociedade, diz, que está necessitada de “empatia, de compaixão e de coletividade”. Três componentes básicos que ajudariam este país a sair da crise em que vive. A empatia como capacidade de saber escutar e compartilhar, com o coração aberto, os lamentos de dor e de esperança dos que caminham a nosso lado, seja qual for sua crença. A compaixão para não fechar os olhos ao sofrimento dos outros, que costuma ser o nosso, embora às vezes o chamemos por outro nome. E a necessidade de coletividade, o esforço de juntar as mãos para construir a sociedade em que gostaríamos de viver. Sem essa consciência de comunidade, enredados no individualismo ou adormecidos nos sofás dos privilégios, dificilmente conseguiremos um país menos desigual.

Carla confessa que encontrou neste jornal, que ajudou a construir com paixão e profissionalismo desde o primeiro dia da Edição Brasil, o que sempre guiou seus passos como jornalista livre e comprometida com a profissão: a defesa dos valores democráticos sem rótulos, que, lembra, guiou o nascimento do EL PAÍS espanhol, que foi criado meses depois da morte do ditador Franco e apostou, desde o primeiro número, na democracia que tinha sido mortificada durante os 40 anos da ditadura.

Carla resume quais são os pilares que neste momento de um mundo em transformação este jornal defende: os valores da mulher, uma das maiores revoluções de nosso tempo, a inclusão das minorias, em um momento em que a intolerância e os novos racismos tentam relegá-las ao esquecimento, e a defesa dos valores democráticos, um capítulo crucial neste país e que começa a ser ameaçado pelos demônios do totalitarismo e o esquecimento dos marginalizados.

Em seu discurso Carla revela também uma curiosidade que muitos leitores certamente ignoram: como nasceu a ideia de criar a edição do EL PAÍS Brasil, em português. Surgiu, é verdade, e eu fui testemunha disso, do primeiro grande protesto da população em junho de 2013, quando os brasileiros saíram à rua para exigir um Brasil melhor e com maior participação da sociedade nas decisões do Governo. Os responsáveis pelo EL PAÍS global em espanhol descobriram que naqueles dias milhares de brasileiros estavam lendo este jornal em espanhol para saber como um jornal importante internacional estava informando sobre os protestos e, assim, decidiram abrir a seção brasileira em português.

Isso deveria levar à reflexão alguns leitores que às vezes nos perguntam por que não vamos escrever na Espanha. Precisamente porque, como durante aquelas manifestações, também hoje milhões de brasileiros leem este jornal para enriquecerem sua visão da realidade brasileira comparando-a com o prisma estrangeiro. Hoje tudo é global e todos ganhamos somando em vez de subtraindo possibilidades de mais e melhores informações. Curiosamente, também hoje muitos espanhóis e latino-americanos leem esta edição brasileira para se informarem sobre os rumos do Brasil, este país continente que, apesar de todas as suas crises, continua fascinando fora de suas fronteiras.

Dá-lhe Varela, morocha portenha que sabe interpretar tango “como ninguna”, já dizia antes de partir o incrível Roberto Goyeneche (herdeiro de Gardel) ao escutá-la em Buenos Aires. E a letra de Cambalache segue cada vez mais atual. Na Argentina e no Brasil .  Confira!!!

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

A ex-presidenta argentina Cristina Fernández de Kirchner.
A ex-presidenta argentina Cristina Fernández de Kirchner. Amilcar Orfali Getty

“Minha memória, senhor, é como uma lixeira”, disse, da escuridão de seu quarto, o protagonista de “Funes, o memorioso”. A Argentina encontrou esses dias seu próprio Funes, mais vivo do que o da invenção literária de Jorge Luis Borges, mas igualmente necessitado da escrita para não esquecer. Oscar Centeno: esse é o nome do novo memorioso, que foi motorista de um alto funcionário dos governos de Néstor e Cristina Kirchner. Durante 10 anos, anotou em oito cadernos escolares centenas de viagens com bolsas cheias de dinheiro, produto de supostos subornos que empresas construtoras pagavam em troca de contratos com o Estado. “Os cadernos da corrupção”, como a imprensa argentina os chama, revelaram uma rede monumental que envolve ex-funcionários, empresários poderosos e até juízes, um escândalo sem precedentes que, como a Lava Jato brasileira, ameaça arrastar tudo.

Na Argentina há uma expressão que diz: “fulano ligou o ventilador”. Aplica-se a quem guarda segredos sujos e um dia, pelos motivos que sejam, decide espalhá-los a torto e a direito, besuntando de lama seus colegas de escândalo. Centeno foi o primeiro a ligar o ventilador, mas é a peça menos importante do quebra-cabeças. Seus cadernos chegaram em janeiro à redação do jornal La Nación e em abril às mãos do juiz Claudio Bonadio. Depois de quatro meses de análise, o magistrado ordenou a prisão de cerca de vinte pessoas, entre ex-funcionários kirchneristas e empresários. O nome que se destacou nessas primeiras levas foi o de Roberto Baratta, o número dois do ministro Julio De Vido no ministério do Planejamento.

Pelas mãos de De Vido passaram todas as obras públicas realizadas durante os 12 anos de kirchnerismo. Baratta, segundo se conclui dos escritos de Centeno, era o arrecadador do dinheiro sujo, fornecido por empresários dispostos a pagar para fechar contratos milionários. Na lista dos pagadores figuram nomes conhecidos na Argentina, como Roggio, uma das maiores construtoras do país, a Techint, a espanhola Isolux e a empresa Iecsa, do grupo Macri. Até 2016, Iecsa foi propriedade de Angelo Calcaterra, primo do presidente Mauricio Macri e hoje colaborador arrependido.

Nos cadernos de Centeno há detalhes obsessivos das viagens com dinheiro: horários, rotas, nomes e até o peso das bolsas quando foi impossível para ele calcular quantos milhões de dólares havia lá dentro. Mas todo esse monumental acúmulo de provas logo ficou pequeno diante da avalanche de delações. Os empresários envolvidos caíram um a um, e como em um clube cujo lema era “salve-se quem puder” ligaram seus próprios ventiladores em troca de benefícios judiciais. Todos se declararam vítimas de extorsão para justificar as contribuições por baixo dos panos.

O conteúdo de cada declaração judicial chegou e chega ainda quase de imediato a toda a mídia, que cansou de divulgar manchetes. O primeiro arrependido de peso foi Carlos Wagner, ex-presidente da Câmara de Construção durante o kirchnerismo. Wagner não hesitou em envolver dezenas de colegas, e o desfile pelos tribunais tornou-se interminável. Do lado dos cobradores a figura é Claudio Uberti, homem chave na rede de subornos, sobretudo porque em 2007 caiu em desgraça e hoje tem motivos para se vingar. Uberti falou de quartos cheios de dinheiro na casa de Néstor Kirchner, voos à Patagônia com malas transbordantes de dólares e até abóbadas ocultas.

Em todos os casos, as revelações passam por uma curva ascendente que leva até Cristina Fernández de Kirchner, considerada pelo juiz Bonadio como “a chefa” de uma associação ilícita para arrecadar fundos públicos. Uberti aponta diretamente contra ela em seu depoimento e disse que estava por dentro de tudo. Em uma carta aberta publicada na sexta-feira, a ex-presidenta acusou o Governo de Macri de fazer uma “evidente manipulação extorsiva da figura do arrependido” com o único objetivo de prejudica-la. “Os problemas judiciais que tenho”, escreveu, “são por ter afetado interesses econômicos muito poderosos que sempre tentaram obstruir as medidas que conduzi em benefício das grandes maiorias populares”.

Em duas semanas, o caso dos cadernos acumulou 14 presos, 13 testemunhas arrependidas e 43 indiciados. Mas haverá mais, e as consequências políticas são ainda tema de especulação. A rede colocou em evidência um sistema que está podre, com políticos enriquecidos com dinheiro público, empresários que levam vantagem à custa de subornos, juízes protetores e um eficiente sistema de lavagem de dinheiro. Há também outra má notícia. O escândalo coincide com uma grave crise econômica e o desânimo de uma sociedade que vive agoniada com as más notícias. “A dupla corrupção e inflação é fatal, a opinião pública não a tolera e o resultado é mau humor e desânimo”, afirma Mariel Fornoni, diretor da Management&Fit. “A questão dos cadernos e a economia que não decola formam um coquetel explosivo que complica o cenário de recessão”, acrescenta Juan Germano, da consultoria Isonomia.

O mau humor social joga contra Macri, que não conseguiu capitalizar o escândalo como esperava. E não só porque a trama envolve seu primo, herdeiro do conglomerado de empresas da família. A falta de confiança afeta toda a classe política, independentemente da tonalidade política. Cerca de 44,4% dos argentinos consultados pela Management&Fit disseram que os responsáveis pela rede não serão julgados e só 31% opinaram que sim. Outro dado revelador: 41% disse que a causa é uma estratégia para desviar a atenção dos problemas econômicos.

Macri está então diante de um cenário que o obriga a reescrever o relato que na campanha de 2015 o erigiu como um líder anticorrupção e exitoso estrategista econômico. “O desafio do Governo é vincular aquela corrupção com estes problemas econômicos. Os cadernos podem ajudá-lo, mas só se conseguir mostrar a corrupção como algo do passado”, diz Germano. Macri tem a seu favor o fato de que, segundo as pesquisas, não há político de oposição que neste momento capitalize o desânimo popular. Tem contra ele a evidência de que a Lava Jato argentina tem início, mas não se vislumbra um fim.

São especialistas respeitados, que não podem ser acusados de “preconceituosos” ou “reacionários”. Pelo contrário. Marco Antonio é psiquiatra, psicanalista, professor associado do Instituto de Psicologia da UERJ, membro da Sociedade Internacional de História da Psiquiatria e da Psicanálise, diretor do Corpo Freudiano Rio de Janeiro. E Natália é psicóloga, psicanalista, mestre em Clínica e Pesquisa em Psicanálise pelo Instituto de Psicologia da UERJ e integrante do Corpo Freudiano Rio de Janeiro. Ela também trabalha numa ONG dedicada à população LGBT.

Os autores alertam para o perigo da banalização da troca de sexo — uma escolha irreversível com profundas consequências físicas e emocionais. E mais: que definir uma criança como transgênero parece fruto da homofobia dos pais.

Leia a entrevista feita por Betty Milan:

Antes de falarmos da transexualidade, seria bom estabelecer claramente a diferença entre transexual, travesti e transgênero.

Os limites mostram-se imprecisos e fluidos. A ciência pressupõe a verdade sobre o que é ‘ser homem’ ou ‘ ser mulher’, fazendo crer que há o “verdadeiro transexual”. Segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Desordens Mentais (DSM-V), transgênero refere-se a um espectro de indivíduos que, de forma transitória ou persistente, não se identificam ao gênero atribuído ao nascimento; transexual é aquele que, além disso, busca a transição social e, na maioria dos casos, demanda tratamento hormônio-cirúrgico. Ainda segundo o DSM, travesti não se relaciona ao gênero, mas ao desejo de vestir-se com roupas do sexo oposto. Já no campo da cultura, trangênero é um termo guarda-chuva, surgido recentemente, que abarca transexual e travesti.

O Brasil lidera o ranking do crime contra transexuais, travestis, transgêneros e homossexuais.Como vocês explicam isso?

É difícil dizer por que o Brasil está em primeiro lugar nesse ranking. Ainda que haja um amplo consenso sobre a precariedade da formação e da educação de crianças e jovens brasileiros, resta algo enigmático na violência manifestada hoje no país de uma forma geral. O mínimo que se pode dizer é que o excesso de violência e criminalidade na população brasileira reflete o caráter endêmico dos crimes de corrupção e a falta de escrúpulos dos governantes. No que diz respeito aos crimes exercidos sobre a população LGBT, o conceito freudiano de «  repúdio ao feminino » é o principal fator responsável. São crimes bárbaros! Estupro corretivo de lésbicas, assassinatos cruéis de gays e mulheres transexuais. Somente em 2012 foi elaborado no Brasil o primeiro relatório sobre violência homofóbica – vejam aqui que a transfobia não está contemplada -, o que mostra um descaso no discurso dominante em relação a atos de extrema gravidade no que diz respeito aos Direitos Humanos.

O número de casos de transexualidade cresceu em pouco tempo. Segundo vocês, houve « uma banalização surpreendente ». Ao que atribuir isso ?

O papel da mídia nessa banalização é crucial. O advento da world wide web torna as informações velozes e imediatamente substituíveis. Fake news, informações pseudo-científicas, tudo é veiculado com ares de verdade. As mídias eletrônicas podem produzir uma difusão incomparável com a de outras épocas. Os efeitos de adesão, sugestão e contágio psíquico podem atingir proporções gigantescas. Para tornar-se um “profundo” conhecedor sobre a transexualidade, basta buscar no Google e ali encontrar descrições minuciosas dos procedimentos cirúrgicos de redesignação sexual, assim como se estivéssemos acompanhando o preparo de uma receita de bolo no programa de culinária.

O que deve ser criticado na resposta da medicina ao problema da transexualidade ?

As respostas da medicina são atravessadas pelo imperativo da eficácia e da excessiva rapidez do mundo contemporâneo. Não é concedido espaço à elaboração subjetiva das questões relacionadas ao corpo, aliás universais. O protocolo referente ao processo transexualizador estabelecido pelo Ministério da Saúde dá a impressão que pretende verificar apenas a consonância entre o discurso e o comportamento do paciente, produzindo a objetificação do transexual.

Por que a cirurgia para adequação do sexo ao gênero não pode ser confundida com a cirurgia estética ?Uma penectomia é uma coisa e um lifting é outra.

Pois é. Por que um paciente que se dirigiu ao cirurgião ortopédico solicitando uma diminuição dos membros inferiores, por acreditar que sua altura atrapalhava sua vida social, recebeu uma resposta negativa e foi encaminhado ao psiquiatra? Por que as pessoas que buscam cirurgia bariátrica – que leva a uma mudança radical da imagem corporal – devem ser acompanhadas cuidadosamente por equipe multidisciplinar ? São perguntas que não estão sendo feitas. Reconhecer a legitimidade do discurso de um sujeito e respeitá-lo, seja ele transexual ou não, não implica diretamente o fato de que a demanda de intervenção médica deva ser atendida prontamente, ainda mais ao se tratar de intervenções irreversíveis que modificam completamente a imagem corporal.

Quais as consequências negativas possíveis da cirurgia para adequação ao gênero e do tratamento hormonal ?

Dentre as consequências, destacamos o caráter irreversível dessas intervenções cirúrgicas que, ao alterar radicalmente uma parte do corpo, impossibilitando a reconstrução ao estado anterior em caso de arrependimento, podem configurar-se como tratamentos iatrogênicos. Embora hoje ainda se fale pouco sobre destransição, ela existe, assim como os casos de tentativa de suicidio.

Falou-se no passado de um gene homossexual e agora se fala de um gene transexual. Por que esta necessidade de provar a origem biológica da homossexualidade e da transexualidade ?

Provar a origem biológica coloca tanto o transexual quanto o homossexual no lugar de objeto da ciência, portanto exclusivamente submetidos a uma ordem natural. A própria definição da Organização Mundial de Saúde sobre o conceito de saúde engloba três aspectos: biológico, psíquico e social. Sendo assim, explicar pela via biológica algo do universo humano é deixar de reconhecer que ali há um sujeito e que, enquanto tal, constrói seu próprio enredo. Se fosse assim, não haveria gêmeos univitelinos com orientações sexuais divergentes entre eles. O certo é que nunca houve qualquer descoberta contundente da genética ligada à orientação sexual nem à transexualidade. As mídias contudo abrem enorme espaço para notícias duvidosas desse tipo.

Há crianças de seis, sete anos definidas como transgênero. O que dizer sobre isso?

Nenhuma criança se define como transgênero, ela recebe essa nomenclatura de um adulto que, na maioria das vezes, são os próprios pais e, posteriormente, especialistas. A homofobia parental parece desempenhar um papel fundamental nesses casos: em especial, ao menor sinal de feminilidade nos meninos, a transexualidade acena como uma solução que pode facilmente desviar a discussão de uma possível homossexualidade. Fato é que as crianças estão amplamente imersas em suas fantasias e podem ter identificações lábeis e é preciso respeitar os movimentos identificatórios delas para poder obter uma saída saudável. Retomando o conceito de repúdio ao feminino, isso parece atingir de forma mais contundente os meninos, pois às meninas é permitido circular sem maiores repreensões pelo universo masculino.

Qual é a resposta da Psicanálise ao problema da transexualidade ?

A questão da transexualidade parece, em muitos casos, estar relacionada à homossexualidade. Foi a demonstração da universalidade da bissexualidade dos seres humanos que permitiu a Freud elucidar a questão enigmática intrínseca à escolha de objeto, seja ela homo ou heterossexual. Ele mostrou também algo sumamente importante e bastante incompreendido pela população em geral, que a identificação não implica necessariamente em algum tipo de escolha de objeto. A psicanálise, advertida de que a sexualidade nada tem de natural, reconhece que o problema não está no fato de um homem sentir-se mulher ou uma mulher sentir-se um homem, mas na forma como isso é visto pela ciência que, não somente dá um nome para isso, como oferece prontamente uma solução para a “inadequação”.

Qual a influência da mídia e do mercado no crescimento da transexualidade?

A influência midiática é uma faca de dois gumes. Reconhecemos que a propagação da informação é fundamental no combate ao preconceito, mas, ao jogar um foco excessivo sobre a transexualidade, a mídia estimula a avidez de um mercado – médico e farmacêutico – que é altamente promissor, pois fideliza os “pacientes” para o resto de suas vidas. Por exemplo, a manutenção dos caracteres sexuais secundários relaciona-se ao uso constante e periódico de hormônios. Para se ter uma ideia das cifras envolvidas na adequação de um “corpo transexual”, uma dose de testosterona biocompatível usada por homens transexuais pode chegar a custar em torno de mil reais e o valor das cirurgias de redesignação sexual variam de acordo com a técnica utilizada, mas costumam girar em torno de cinquenta mil reais.

DO PORTAL DE NOTÍCIAS TERRA BRASIL
Daniel Bramatti
 

Os principais candidatos à Presidência nas eleições 2018 começam oficialmente a campanha eleitoral desaprovados pela maioria absoluta da população, segundo a pesquisa Barômetro Político Estadão-Ipsos, que analisa a opinião dos brasileiros sobre personalidades do mundo político e jurídico.

Entre os concorrentes ao Planalto, os ocupantes do topo do ranking da desaprovação são Geraldo Alckmin, do PSDB, e Ciro Gomes, do PDT. O desempenho do tucano é desaprovado por 70%, e do pedetista, por 65%.

Como a margem de erro da pesquisa é de três pontos porcentuais para mais ou para menos, há probabilidade de que ambos estejam empatados. Mas desde abril, as opiniões negativas sobre Alckmin têm ficado numericamente acima das de Ciro.

No bloco seguinte aparecem, empatados tecnicamente, Jair Bolsonaro, (PSL, com 61% de desaprovação), Marina Silva (Rede, 61%), Henrique Meirelles (MDB, 60%) e Fernando Haddad (PT, 59%).

Apesar de o Ipsos incluir o nome de possíveis concorrentes ao Planalto em sua pesquisa, o instituto não procura medir intenção de voto.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso e condenado a 12 anos e 1 mês de prisão, que se lançou candidato pelo PT, mas pode ter a iniciativa barrada pela Justiça, teve leve melhora em seus números. Ele é aprovado por 47% da população, uma oscilação positiva de dois pontos porcentuais em relação à pesquisa anterior. Já a desaprovação oscilou para baixo, de 53% para 51%. Isso significa que o País está praticamente rachado ao meio em relação ao ex-presidente.

 A aprovação a Lula é a maior entre as 17 personalidades apresentadas pelo Ipsos aos eleitores. Em segundo lugar aparece o juiz Sérgio Moro, responsável pela condenação do ex-presidente em primeira instância, com 41%. A seguir estão Marina Silva, com 30%, e o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa, com 28%.

A situação de Fernando Haddad, provável substituto de Lula quando a candidatura for barrada pela Justiça, é bem mais desconfortável. Ele é aprovado por apenas 8%, e desaprovado por quase seis em cada dez eleitores. A desaprovação do presidente Michel Temer (MDB) segue em patamar elevado: 94%.

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