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O ex-presidente do Uruguai, José Mujica, de 83 anos,
sem pressão nem escândalo em sua volta, renunciou,
dia 14, ao cargo de senador…
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Mujica, Cristina e Lula:hora do ocaso

ARTIGO DA SEMANA

Lula, Cristina, Mujica: o ocaso dos “deuses” da América do Sul

Vitor Hugo Soares

O ocaso bate à porta: Lula da Silva, no Brasil; Pepe Mujica, no Uruguai e Cristina Kirchner, na Argentina marcaram, (cada um a seu modo, estilo e condições atuais), a semana melancólica e ao mesmo tempo, simbólica de agosto, no desenrolar dos dilemas, dramas e tragicomédias (éticos e pessoais), de três dos principais personagens da política e do poder na América do Sul, nas últimas duas décadas.

Em Curitiba, o ex-presidente Lula vive, talvez, a situação mais emblemática: preso “de favor” numa cela da Polícia Federal, para cumprir 12 anos e um mês de cadeia por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, arrisca lances extremos de jogador de pocker para se livrar da enrascada em que se meteu. Conduziu da cela – franqueada a visitas de hotel de alta rotatividade -, os  arranjos que resultaram no registro, dia 16, do pedido de sua candidatura à presidente. Com direito a carta aberta aos eleitores, lida em Brasília por Fernando Haddad, (ex-prefeito de São Paulo, “o poste” escolhido para vice).

Ficha Suja, pela Lei Eleitoral em vigor, Lula aguarda resultados das novas chicanas de seus advogados e de seu partido (PT)  nos tribunais superiores. O resto a conferir.

Em Buenos Aires, imagens nervosas na TV, em frente à Praça do Congresso, mostram a ex-presidente e atual senadora peronista, Cristina Kirchner, à beira de um ataque de nervos. Foram descobertos oito cadernos com anotações minuciosas e manuscritas, feitas por um “chofer do poder”, Óscar Centeno, motorista do número dois do Ministério do Planejamento, durante 10 anos de mando e desmandos do kirchnerismo. O achado desnuda o que é considerado o fato mais explosivo sobre a maior rede de propina e corrupção na república vizinha, há décadas. O nervosismo de Cristina – mostrado pela TV – deve-a fato recentes: o aparecimento de outro polêmico protagonista do escândalo. O empresário Juan Carlos Goycochea, que aceitou fazer d elação premiada na já chamada “Lava Jato argentina”.

Caixa preta aberta pela pressão judicial e política local, até recentemente um império peronista dominado pelos Kirchner. O empresário confirmou das anotações do chofer, e disse que pagou subornos em pacotes de dinheiro vivo em troca de contratos milionários com o Estado, na era dos Kirchner, em nome da multinacional espanhola Isolux Corsán. Já há quem não aposte mais um mísero peso no futuro de Cristina.

De Montevideo chegam os únicos sinais de compostura ética e bom senso político, neste caótico painel do ocaso dos “deuses” recentes “das esquerdas” do Continente. O ex-presidente do Uruguai, José Mujica, de 83 anos, sem pressão nem escândalo em sua volta, renunciou, dia 14, ao cargo de senador. Alegou razões íntimas para sua decisão. “Os motivos são pessoais, diria que é pelo cansaço de uma longa viagem”, pontuou na carta enviada à própria mulher, Luzia Topolansky, vice-presidente da República e presidente do Senado.

Eleito senador, após governar seu país de 2010 a 2015, Mujica afirmou que viverá de sua aposentadoria, sem acumular qualquer benefício por ter sido senador. E despediu-se: “Vejo que tenho 83 anos e vou me aproximando da morte. Quero tirar licença antes de morrer, simplesmente porque estou velho. Há um tempo para vir e outro para ir e assim como a folha das árvores também caímos nós. A vida continua, não é tão importante”, escreveu Pepe Mujica. Enfim, palavras e ação de um estadista. Cumpram-se!

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

A mais que perfeita combinação da música brasileira para começar o sábado no Bahia em Pauta.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

  Debate da Rede TVCiro Gomes e Alckmin no debate da RedeTV!. PAULO WHITAKER REUTERS

A promessa de criar milhões e milhões de empregos foi a que mais se ouviu no segundo debate entre os candidatos à presidência da República nesta sexta-feira. “Estamos com 27 milhões de pessoas sem emprego e é preciso recuperar a economia rapidamente”, disse o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), em referência aos desempregados e subempregados no país, logo em sua primeira intervenção no evento da RedeTV!, cuja dinâmica favoreceu a interação entre os pleiteantes ao Palácio do Planalto. Mais uma vez, a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso desde abril em Curitiba, sofreu com as circunstâncias de sua situação: nem sequer um púlpito vazio que evidenciaria sua ausência foi permitido por seus concorrentes — segundo a emissora, os debatedores deliberaram contra o espaço, com exceção de Guilherme Boulos (PSOL).

No encontro que registrou elevação na audiência de 0,9 ponto no Ibope nessa faixa horária para 3,9 em São Paulo, os candidatos circularam pelo estúdio e se olharam frente a frente para trocar questionamentos, ao contrário do que ocorreu no debate da Band. O maior enfrentamento nesses moldes ocorreu entre Marina Silva (Rede) e Jair Bolsonaro (PSL), quando o deputado questionou a ex-ministra sobre se ela é favorável ao porte de armas. Depois de responder que não, Marina criticou a postura agressiva do concorrente. “Você acha que pode resolver tudo no grito, na violência. Nós somos mães, educamos nossos filhos a ser cidadãos de bem e você ensina para nossos jovens a violência. Outro dia, você ensinou uma criancinha a segurar uma arma com a mãozinha”, disse. “Você sabe o que a Bíblia diz? A Bíblia diz para ensinar a criança no caminho do bem e nesse caminho ela irá andar pelo resto da vida”, comentou, para ouvir aplausos da plateia na sequência.

Para além do embate Marina-Bolsonaro, o ex-governador Ciro Gomes (PDT) buscou o confronto com Alckmin mais de uma vez, enquanto o tucano evitou Bolsonaro, ao contrário do que se previa — Alckmin disputa votos no mesmo eleitorado do líder das pesquisas de intenção de voto. Cabo Daciolo (Patriota) repetiu a estridência e os louvores religiosos que lhe haviam rendido destaque no debate da Band, mas não conseguiu repetir um desempenho tão marcante. O ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles (MDB) foi provocado novamente por Boulos, mas pouco se destacou, assim como o senador Alvaro Dias (Podemos-PR), que seguiu priorizando sua campanha contra a corrupção.

Para o cientista político Eduardo José Grin, professor do Departamento de Gestão Pública da FGV que comentou o debate para o EL PAÍS em tempo real, no geral Boulos se saiu muito bem “à luz de sua estratégia de diálogo os eleitores de esquerda”. O candidato do PSOL apresentou várias propostas, o que o distinguiu dos demais, e emplacou o bordão dos “50 tons de Temer”. Ciro Gomes também se saiu bem na avaliação de Grin, pois teve mais oportunidades de falar do que no primeiro debate. “Ciro paz e amor foi mais didático que Alckmin e obrigou-o a responder duas vezes. Ganhou em relação a Alckmin”, diz o professor, para quem o ex-governador tucano foi menos hábil do que no primeiro embate e não conseguiu encaixar sua narrativa de reformas. “Não somou para quem postula o segundo turno”. Segundo Grin, Bolsonaro, que lidera as pesquisas de intenção de voto sem Lula, também não se machucou muito, apesar do embate com Marina.

Mais investimento na construção civil

Se permitiu mais embates, o formato não proporcionou respostas mais aprofundadas. Em quase todas as perguntas permeadas pela crise econômica, a resposta foi para promessas de criar postos de trabalho. “Vamos refundar a República, substituir esse sistema corrupto e gerar 10 milhões de empregos e fazer o país crescer”, prometeu Álvaro Dias, repetindo o número exato da promessa que Meirelles já havia apresentado no último debate. Ciro Gomes foi mais modesto e prometeu apenas dois milhões de empregos, voltando a destacar sua proposta de renegociar dívidas do SPC (Serviço de Proteção ao Crédito) — ele também mencionou por três vezes que o Brasil é o país que mais deixa empresas morrerem.

Questionada por um eleitor sobre o que faria para combater o desemprego, Marina Silva disse que pretende recuperar o investimento para aplicar na construção civil, “que é o que gera emprego mais rápido” — Meirelles fez a mesma promessa. Segundo ela, o turismo é outra forma de gerar postos de trabalho. “Vamos construir 1,5 milhão de casas com placas solares”, prometeu. Em outro momento, a ex-ministra prometeu gerar “milhões e milhões de empregos” por meio da “energia limpa, renovável e segura”. Já Bolsonaro disse que pretende escolher um time de ministros independente “para buscar o bem comum”. Por mais de uma vez, titubeou e gaguejou ao ser questionado sobre temas econômicos.

Lula e comitê da ONU

Desta vez, o PT não organizou uma transmissão paralela na Internet, como fez no primeiro debate, para compensar a ausência de Lula e seu vice e plano B, Fernando Haddad. O dia havia sido de vitória ao menos tática para os petistas: uma decisão do Comitê de Direitos Humanos da ONU instou o Estado brasileiro a garantir os direitos políticos de Lula e animou suas redes de apoiadores e engrossou o coro dos críticos, nacionais e internacionais, do processo legal contra o ex-presidente. O Itamaraty disse em nota que a recomendação não era vinculante, mas a discussão legal sobre o alcance da medida cautelar do órgão formado por peritos independentes da ONU deve seguir nos próximos dias.

Seja como for, não houve qualquer efeito sobre o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Minutos antes do início do debate, a corte negou pela segunda vez participação do ex-presidente Lula no confronto. A nova decisão provocou uma rediscussão do tema pelos debatedores, que deliberaram pela retirada do púlpito reservado para o petista. “Lula é um político preso. Essa encenação de candidatura é um desrespeito ao país. Não há com admitir essa vergonha nacional”, disse Álvaro Dias ao abordar o assunto com Marina.

DO PORTAL DE NOTÍCIAS TERRA bRASIL

O Comitê de Direitos Humanos (CDH) das Nações Unidos informou nesta sexta-feira (17) que pediu ao Estado brasileiro que “tome todas as medidas necessárias” para que o ex-presidente Lula possa exercer seus direitos políticos enquanto estiver preso e não tenha sua candidatura à Presidência barrada até que todos os recursos tenham sido esgotados.

Entre os direitos políticos citados pelo comitê está o “acesso apropriado à imprensa e a integrantes de seu partido político”.

Logo após a divulgação desse comunicado, a defesa do ex-presidente afirmou em nota que o comitê acolheu um “pedido liminar” e apontou que como o Brasil “reconhece a jurisdição do Comitê”, “nenhum órgão do Estado Brasileiro poderá apresentar qualquer obstáculo para que Lula possa concorrer” e ter “acesso irrestrito à imprensa” e membros da sua coligação durante a campanha. Dessa forma, a defesa apontou que o Brasil é obrigado a acatar a decisão do comitê.

Mas, apesar do tom da nota da defesa, a decisão do comitê não tem efeito vinculante ou obrigatório. Segundo especialistas, seu efeito prático é reduzido e não garante que Lula possa ter acesso à imprensa ou não tenha sua candidatura barrada até o fim dos recursos judiciais.

Justiça vem impedindo que Lula, preso desde abril, participe de debates e fale com a imprensa. Procuradores acusam petista de transformar cela em "comitê de campanha”.
 
Justiça vem impedindo que Lula, preso desde abril, participe de debates e fale com a imprensa. Procuradores acusam petista de transformar cela em “comitê de campanha”.

Foto: DW / Deutsche Welle

“Essa decisão não quer dizer muita coisa. Está mais para uma comunicação ou recomendação. Não tem um efeito obrigatório”, avalia Oliver Stuenkel, professor de relações internacionais da Fundação Getúlio Vargas (FGV). “A decisão também não representa a posição da ONU ou é um retrato do que pensam os países que fazem parte do Conselho de Direitos Humanos.”

O comitê que fez o pedido é composto por 18 especialistas independentes, que não são funcionários da ONU. O grupo não deve ser confundido com outros órgãos de maior influência da organização. Seus membros se reúnem três vezes ao ano para analisar relatórios enviados pelos Estados-membros da ONU e analisar petições individuais, como foi o caso de Lula.

O próprio comitê salienta ainda não ter constatado violações contra os direitos de Lula e destaca que sua opinião não representa o Escritório de Direitos Humanos da ONU, mas apenas os especialistas, sinalizando a intenção de evitar algum tipo de confusão sobre sua autoridade. É comum que ONGs, partidos ou parlamentares façam lobby junto a esses comitês para obter alguma recomendação ou pedido.

“Mas o efeito é apenas político. Ele gera entre apoiadores ou simpatizantes de uma causa ou pessoa que existe algum apoio internacional. O público vai ouvir a sigla ONU, mesmo que a decisão do comitê não crie nenhuma obrigação”, comenta.

O especialista em direito eleitoral Antônio Augusto Mayer dos Santos também aponta que o comitê não tem nenhuma força para influenciar em decisões eleitorais.

“Não há jurisdição eleitoral fora do território nacional. A ONU não detém competência alguma em torno de candidaturas nacionais. É mais uma aventura jurídica. Mais uma chicana”, afirma.

Francisco Rezek, ex-ministro do STF e ex-integrante da Corte Internacional de Justiça, também aponta que recomendações de comitês da ONU não têm qualquer poder de lei sobre o Brasil.

“Essa recomendação é vaga e não tem destinatário, pode ser o presidente Temer ou a ministra Carmem Lúcia. Quem responde?”, questiona. “O máximo que pode acontecer é os advogados do ex-presidente tentarem apresentar isso à Justiça Eleitoral, que não tem qualquer obrigação de aceitar.”

Lula é o candidato do PT à Presidência, mesmo preso em Curitiba desde abril

 
Lula é o candidato do PT à Presidência, mesmo preso em Curitiba desde abril

Foto: Victor Moriyama / Getty Images

O ex-ministro também lembra que o Brasil já ignorou até mesmo decisões com mais peso, como condenações pela Corte Interamericana de Direitos Humanos por violações durante a ditadura. “Em alguns, como as decisões para pagar indenização a parentes de pessoas desaparecidas ou assassinadas, o Brasil atendeu. Mas, por exemplo, não derrubou a Lei da Anistia. E, na prática, não foi punido por isso”, afirma Rezek.

Em nota, o Itamaraty disse que tomou conhecimento da deliberação do comitê e afirmou que as conclusões do grupo “têm caráter de recomendação e não possuem efeito juridicamente vinculante”.

Desde à época do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff há manifestações de grupos e entidades internacionais sobre a situação política do Brasil que geram confusão sobre seu poder e influência.

Em maio de 2016, um grupo de deputados do Parlamento Europeu pediu que União Europeia suspendesse negociações com Mercosul sob a alegação de que Dilma havia sofrido “um golpe branco”. Mas apesar do caso ter ganhado destaque no noticiário, o pedido teve apenas importância simbólica, já que os autores do pedido não tinham força política – eram 34 entre 751 membros do Parlamento.

Lula está preso desde 7 de abril na sede da Superintendência da Polícia Federal em Curitiba. No período, Lula foi escolhido como candidato do PT à Presidência. Seu pedido de registro ainda aguarda análise pela Justiça Eleitoral. O Ministério Público já pediu a impugnação da candidatura com base na Ficha Limpa, já que o ex-presidente foi condenado em 2° instância. Na condição de preso, tem sido impedido pela Justiça de participar de sabatinas e debates.

Para contornar as restrições às visitas – limitadas a membros da defesa, amigos e familiares, entre outros – o ex-presidente nomeou seu candidato a vice, Fernando Haddad, e a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, como advogados. O Ministério Público questionou a estratégia e acusou o petista de ludibriar as regras e de ter transformado sua cela em “comitê de campanha”. Os procuradores pediram ainda que Gleisi tenha sua atuação como advogada indeferida, já que ela está impedida de exercer advocacia por ocupar cargo de senadora.

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Posted on 18-08-2018
Filed Under (Artigos) by vitor on 18-08-2018


 

Jorge Braga  em (GO)

 

O pedido da ONU: “Brasil, mande às favas as decisões judiciais contra Lula”

 

Josias de Souza resumiu a palhaçada protagonizada pelos petistas da ONU:

“Na prática, o comitê da ONU pediu, com outras palavras, o seguinte: ‘Brasil, mande às favas as decisões judiciais adotadas contra Lula —da primeira à quarta instância. Em seguida, rasgue a legislação para permitir que um preso inelegível dispute a honorável posição de presidente da República.’ Tais providências transformariam o Brasil numa republiqueta. Mas o órgão da ONU está pouco se lixando.”

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Posted on 18-08-2018
Filed Under (Artigos) by vitor on 18-08-2018

Muitos achavam que Aretha Franklin já não estava entre nós. Talvez porque não gostasse de voar e raras vezes tenha posto pés na Europa (nunca atuou no mítico Olympia de Paris, por exemplo) ou em qualquer lugar da América que não fosse suficientemente perto para o poder percorrer de trem. Talvez porque marcasse concertos com a mesma facilidade com que os cancelava. Talvez porque a tendência depressiva (que se dissipava apenas quando estava em estúdio) a fizesse ficar longas temporadas desligada do mundo. Ou talvez apenas porque a sua carreira é tão longa, que parecendo fazer parte da nossa vida desde sempre já não poderia estar viva senão no nosso imaginário dedicado às divas afro-americanas.

 Aretha do baton vermelho e dos longuíssimos casacos de pele, que começou a cantar aos 14 anos numa Igreja Batista (era já mãe de dois filhos e tinha o primeiro disco “Songs of Faith” a caminho), que ultrapassou “a voz de um milhão de dólares” do próprio pai – o pregador itinerante e fundacional influência na sua vida, Clarence Franklin -, que trocou a escola pela estrada e acabou coroada e nunca destronada Rainha da Soul em 1967, morreu ontem, perto das dez horas, em sua casa, no mesmo lugar onde nasceu a 25 de março de 1942, em Detroit, no estado do Michigan. Tinha 76 anos e um cancro terminal no pâncreas. E pelo menos desde segunda-feira, quando a família fez soar o alarme sobre o seu grave estado de saúde, que sabíamos que iria ser assim. Mas “vai ser difícil imaginar a vida sem ela”, escreveu ontem a atriz e cantora Barbra Streisand.

Respeito e superação

A história de Aretha Louise Franklin, alicerçada na música, na religião e na política, confunde-se com a da América. Não será, por isso, de estranhar que tenha sido eleita para coroar três momentos inapagáveis da História: as tomadas de posse dos presidentes Bill Clinton e Barack Obama e, muito antes, o funeral de Martin Luther King, visita de casa.

Em 1968, quando o homem que tinha um sonho foi assassinado, a cantora, compositora e pianista consagrava-se a cantar o tema de Otis Redding que ela transformaria num hino mundial de superação e de luta pelos direitos civis dos negros e das mulheres, “Respect”. E por isso, em 2016, Obama escreveu um email a um jornalista da New Yorker a afirmar que “a história americana cresce quando Aretha canta”. E por isso Obama chorou, um ano antes, quando a ouviu cantar “A Natural Woman”. E por isso ontem Obama escreveu a mais comovente declaração de amor que um presidente americano pode escrever a uma mulher que transformou, como nenhuma outra, as dificuldades e a tristeza (dela e do país) em beleza e em esperança. Com um piano e uma voz únicas no soul, no gospel e no r&b.

“De cada vez que Aretha cantava, éramos abençoados com um vislumbre do divino. Na sua voz, podíamos sentir a nossa história, toda a história e em cada uma das suas matizes – a nossa força e a nossa dor, a nossa escuridão e a nossa luz, a nossa busca de redenção e o nosso respeito tão arduamente conquistado. Ajudou-nos a estar mais ligados uns aos outros, mais esperançosos, mais humanos. E por vezes ajudou-nos simplesmente a esquecer tudo o resto e a dançar.”

Se Obama fosse para uma ilha deserta, levaria um disco de Aretha. Porque ela o faz lembrar “o que é essencial em cada um de nós”. E se é para dançar, a sugestão é dele: “Rock Steady”.

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