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Posted on 15-08-2018
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Texto escrito pelo professor da UFBA, Romélio Aquino, em novembro de 2o15, encaminhado ao homenageado Duarte Lago Pacheco, permaneceu inédito. Recuperado pelo autor, se mantém ainda, relato relevante e precioso (histórica, política e culturalmente, para a Bahia e para o País)). Bahia em Pauta, honrosamente, o publica nesta quarta-feira, 14 de agosto. Boa leitura.

Com saudação a Duarte e agradecimentos a Romélio.

(Vitor Hugo Soares, editor do BP) 

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ARTIGO

PEQUENA HOMENAGEM A UM GRANDE HOMEM

 

Romélio Aquino

 

Houvesse uma história contrafactual do indivíduo, como refazer os passos do jovem ex-seminarista que início dos anos 60 assombrou nossa reputada Direito federal da Bahia, quando professores rastreavam parentesco distante com Duarte Pacheco (subproduto indisputado: maior aluno de todos os tempos)?

Como retraçar o curso do noviço e já respeitado docente da PUC, do membro singular da equipe que imprimiu um Antes e um Depois à imprensa brasileira?

Contrafactual, porque a luta contra a Besta de quepe e coturno leva à decisão da AP remetendo à ascese obreirista de eletricitário em Osasco o orientador de alunos, interlocutor de bispos e potencial favorito à presidência do estratégico Sindicato dos Jornalistas de São Paulo.

The rest is silence, literalmente: é a mordaça da clandestinidade banindo do debate público o mais bem equipado persuasor de minha geração – impossível esquecer o cristal das teses, e o crescendo da argumentação a um só tempo poderosa e honesta a ponto até de subsidiar divergência exercível quase a contragosto.

Doze tristes anos se passam, e a anistia devolve-nos Duarte adentrando os 40, frente a mercado de trabalho amesquinhado. Retomar o magistério é inviável numa Universidade que agora sotopõe talento a título; as querelas do jornalismo diplomado limitarão Duarte à condição de frila.

Tempos já difíceis, e se abate sobre o amigo o desfavor dos deuses: primeiro, a grave cardiopatia que num episódio quase o leva à morte; depois, o câncer que progressivamente apanha o tempo de Duarte. Que enfrenta o sofrimento com a soma de coragem, determinação, serenidade: a técnica de si estóica, por certo, mas algo mais sustenta-lhe o ânimo – um modo de ser, uma potência.

Escaldado por tanto aggiornamento (para dizer pouco), provoco amigos com aparente paradoxo: “Mudar é fácil, difícil é permanecer o mesmo”. E acontece me dar conta que Duarte é, simultaneamente, o revolucionário mais verdadeiro e a pessoa mais idêntica a si mesma que jamais conheci.

Eis que deparo, em renomada obra coletiva, trabalho pioneiro sobre A Identidade Moral e a Pessoa, questão de “interesse espantosamente difundido numa diversidade de teóricos políticos e sociais e de públicos leigos”. Essa noção de identidade traz necessariamente à cena a de integridade moral, em conclusão:

“Uma pessoa íntegra é uma pessoa coesa, que é responsável no duplo sentido de que podemos confiar nela e de que está pronta a responder pelo que faz ou fez, uma pessoa que não trapaceia com aquilo que ela defende fundamentalmente”.

Duarte, dos pés à cabeça. Vasculho significações de “íntegro”, de inteiro a incorruptível, escolho uma: nosso amigo é inquebrantável – integridade moral é o nome de sua fortaleza na adversidade.*

Participamos ou temos notícia da trajetória de Duarte nos últimos anos. Resumidamente, e em respeito à sua discrição: estudioso infatigável; tradutor bissexto; jornalista acatado entre os pares; autor de concorridas análises da nossa realidade; divulgador solidário de produção alheia; ministrante de cursos de iniciação política… Invariavelmente, um lutador: em sua autodefinição, “um quadro sem partido”.

E contudo, mais que hipocrisia esconder, é omissão não protestar que algo lhe faltou. Da documentação que progressivamente se avoluma, do depoimento de companheiros da Resistência, dos estudos que despontam sobre aquela saga, resulta óbvia a ilação de uma ingrata desproporção entre o tamanho de Duarte e o lugar que ele ocupa na vida pública do país.

Preservada a capacidade pessoal (malgrado perdas da clandestinidade e a doença), o que faltou a Duarte está na ordem dos fatos: oportunidade. Não no sentido comum, mas oportunidade histórica, ou antes, faltou-lhe a história como oportunidade. Tivesse-a, daria conta da tarefa como até aqui deu conta das tarefas todas que a vida lhe incumbiu. E escaparíamos ilesos de uma falta em segundo grau: esta que ele, involuntariamente, nos faz.*

Companheiros amigos de Duarte, demo-nos as mãos: proponho um malrauxiano Memorial Imaginário, a preencher-se com as peças do nosso testemunho. Conhecida é a fugacidade da memória dos homens. E sabemos como a história é escrita: a dos vencedores, mas também a dos vencidos, a “deles”, mas também a “nossa”, verdade é que o relato histórico é sensível às luzes – ­e ribalta é tudo o que nosso amigo nunca procurou. Já tarda, mas é tempo de narrar Duarte, com os recursos ao nosso alcance. Afinal de contas, coube-nos a sorte e a alegria de partilhar esta vida intensa, de conviver com este grande homem.

(Ocorre-me o Petrarca epigrafado por um então resgatado Schopenhauer, e que juntos traduzimos: “Siquis toto die currens, pervenit ad vesperam, satis est”, “Se quem vem para ficar, chega mais tarde, basta”.)

*

Tardará mucho tiempo en nacer, si es que nace, um baiano tão íntegro, tão rico de sabedoria.  Colega, companheiro, amigo, mil vezes amigo Duarte Brasil Lago Pacheco Pereira,

Sei que está difícil, mas insisto:

VIDA LONGA E BOA, DUARTE! FEZ E FAZ POR MERECER.

 

Romelio, nov/2015

 

 

  1. S. – Abraço-a, brava Rejane, com estima e admiração. E gratidão.

“No dejes que te olvide”:Monumental e imorredouro Bola de Nieve. Tão grandioso quanto a própria música cubana. Confira!!!

B OM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

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jose mujica Ampliar foto
O ex-presidente uruguaio José Mujica, em 10 de agosto de 2018 em Buenos Aires. EFE

O ex-presidente do Uruguai José Mujica, de 83 anos, renunciou nesta terça-feira a seu cargo de senador por motivos pessoais. “Os motivos são pessoais, diria que é pelo cansaço de uma longa viagem”, explica o ex-mandátario em uma carta enviada à própria mulher, Luzia Topolansky, que é vice-presidenta do Uruguai e presidente do Senado.

Mujica, que foi eleito senador após ser presidente do país entre 2010 e 2015, anunciou que terá sua aposentadoria e não a acumulará com qualquer benefício por ter sido senador. “O caráter de renúncia voluntária e a legislação vigente assinalam que não corresponde o benefício do subsídio estabelecido”, sustenta no texto.

Apesar de abandonar seu cargo de senador, Mujica ressaltou que, enquanto sua mente funcionar, não renunciará “à solidariedade e à luta de ideias”. Além disso, aproveitou a carta para pedir “desculpas muito sinceras” se em alguma ocasião, “no calor dos debates”, feriu “no pessoal” algum de seus colegas.

Em 6 de agosto, o ex-presidente já havia explicado que pensava em deixar sua cadeira no Parlamento. “Vejo que tenho 83 anos e vou me aproximando da morte. Quero tirar licença antes de morrer, simplesmente, porque estou velho. Há um tempo para vir e outro para ir e assim como caem as folhas das árvores também caímos nós. A vida continua, não é tão importante”, afirmou.

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Gilmar com a corda toda

 

Hoje, durante discussão na Segunda Turma do STF, Gilmar Mendes soltou os cachorros contra Rodrigo Janot e os responsáveis pela Operação Carne Fraca, informa o site jurídico Jota.

O tema da discussão era o habeas corpus concedido por Dias Toffoli a Juarez José de Santana, auditor fiscal do Ministério da Agricultura investigado na operação, que com isso teve sua prisão preventiva revogada.

“Uma falha setorial, em um dado setor da economia, se magnificou de uma forma absolutamente irresponsável! Constrangedora! Fala mal das instituições, aponta para um delírio coletivo”, afirmou Gilmar sobre a Carne Fraca.

“Todos querem virar um [Sergio] Moro, ganhar um minuto de celebridade. Não precisamos de corregedores, mas de psiquiatras. Porque é um problema sério. Quer dizer, os estrupícios se juntam e produzem uma tragédia!”, prosseguiu o ministro do Supremo.

Gilmar aproveitou para atacar, mais uma vez, o ex-PGR, seu notório desafeto. Disse que as “mãos bêbadas” de Janot nas colaborações premiadas induziram o STF a erro e o chamou de “inimputável”.

O Antagonista lembra aos leitores que o filho de Gilmar já ofereceu à BRF “aperfeiçoamentos legislativos” –o que está nos autos da Carne Fraca.

E que a BRF, um dos alvos da operação, também contratou o escritório do qual a mulher de Gilmar é sócia.

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Posted on 15-08-2018
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Miguel Paiva, no Jornal do Brasil (RJ)

 

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 DO EL PAIS
 
Acidente em Gênova
Um caminhão prestes a cair no abismo. ANDREA LEONI AFP
Roma

Pelo menos 26 pessoas (entre elas um bebê) morreram e cinco ficaram gravemente feridas nesta terça-feira, quando um trecho de um viaduto na cidade italiana de Gênova desmoronou, segundo fontes oficiais. O vice-ministro de Infraestrutura da Itália, Edoardo Rixi, disse que “infelizmente aumentará” o número de vítimas com o passar das horas. No momento do desmoronamento, por volta do meio-dia (às 8h no horário de Brasília), havia cerca de 30 carros naquele trecho da rodovia A-10.

Trata-se da ponte Morandi, que atravessa o rio Polcevera e passa por uma área densamente habitada e por uma ferrovia. Nas primeiras imagens divulgadas pela imprensa local é possível ver veículos caídos no abismo e que a ponte perdeu dezenas de metros. As imagens mostram como parte do entulho também atinge pelo menos duas estradas que passam sob a ponte.

Desde a primeira hora da manhã, toda a região da Ligúria está em alerta laranja devido às fortes chuvas que caem hoje em toda a Itália. As precipitações e o intenso trânsito destes dias, às véspera do feriado nacional de 15 de agosto, complicam as tarefas de resgate. O ministro italiano dos Transportes, Danilo Toninelli, afirmou no Twitter que está acompanhando o caso “com a maior preocupação” diante do que poderia ser “uma imensa tragédia”.

Piero Fraterrigo, de 56 anos, trabalhador da fábrica da Ansaldo Energia, localizada a poucos metros de distância do local, conta por telefone que ouviu um grande ruído de ferro caindo, informa Francesco Rodella. “No começo, eu pensei que era material da fábrica que havia caído de algum lugar”, diz ele. Quando olhou para o pátio do prédio industrial, percebeu que um trecho inteiro do viaduto havia desmoronado. “Foi incrível. Você poderia ver a ponte no meio do nevoeiro sem um pedaço. Parecia uma ilusão de ótica”, conta. “Por poucos metros os escombros não atingiram nossa fábrica”, acrescenta. A testemunha conta ainda que viu algum relâmpago perto do ponto em que a infraestrutura caiu, embora ele não saiba se o local foi diretamente atingido por um raio.

A operadora de rodovias Autostrade assegurou, por meio de comunicado, que vinha realizando obras para reforçar a estrutura da rodovia no trecho do viaduto. “As causas do colapso serão investigadas minuciosamente assim que for seguro chegar ao local”.

O vice-presidente e ministro do Interior italiano, Matteo Salvini, disse que exigirá responsabilidade. “Como italiano, farei tudo o que estiver ao meu alcance para ter os nomes e sobrenomes dos responsáveis, porque é inaceitável que a Itália morra assim”, declarou o ultra-conservador.

O ministro dos Transportes, Danilo Toninelli, escreveu no Twitter que está acompanhando de perto o que aconteceu e que o desmoronamento está transformando-se em uma “grande tragédia”. O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, transmitiu hoje as suas condolências ao povo italiano numa declaração: “Estou profundamente triste com a queda de uma viaduto em Génova, que ceifou muitas vidas. Em nome da Comissão Europeia, expresso minhas mais profundas e sinceras condolências às famílias e amigos das vítimas e a todo o povo italiano”.

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