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… e Juarez Bahia: lições
sobre jornalismo de verdade

ARTIGO DA SEMANA

Mourão no Sul, Wagner no Nordeste: bastidores em chamas

Vitor Hugo Soares

 

Recordo, enquanto acompanho pela TV as tentativas do capitão Bolsonaro para apagar o incêndio causado por seu vice, na chapa presidencial, general Mourão, na aula explícita de racismo e preconceito que ministrou entre quatro paredes, em Caxias do Sul: Aprendi com Juarez Bahia, – ex- Editor Nacional do Jornal do Brasil, ganhador de seis prêmios Esso, mestre de história, teoria e prática da comunicação, de várias gerações de jornalistas no Brasil, – uma das lições mais verdadeiras em minha profissão. Que o relevante no dia a dia da imprensa, em geral, reside no que não está exposto aos holofotes no formato da retórica enganadora dos discursos de palanque ou entrevistas de candidatos ou donos do poder da vez . É preciso trazer à luz o fato oculto, ensinava o autor de “Jornal História e Técnica”, destacado professor da USP e da Universidade Católica de Santos.  

Dois casos, desta semana, logo nos primeiros movimentos da campanha presidencial, demonstram o alcance e a atualidade dos ensinamentos do autor do “Dicionário de Jornalismo” entre  outros escritos do legado de Bahia – jornalista e professor nascido em Feira de Santana, quando ainda distrito de Cachoeira, reduto libertário das lutas de resistência da cultura negra local e nacional.

Destaco primeiro o caso, ocorrido em Salvador, da participação de Jaques Wagner, ex-governador, postulante a senador pelo PT, no encontro de empresários com o candidato ao governo estadual (Rui Costa), promovido pela Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB) e outras entidades representativas do Comércio e do Agronegócio, no Hotel Mercury. Ao falar sobre o seu partido e o quadro da sucessão presidencial, o “galego” disse como quem não quer nada:

 “Acho (Haddad) um ótimo nome. Acho que é um candidato preparado (…) O fato de ele não ter sido reeleito em 2016 (perdeu a prefeitura de São Paulo para o tucano João Dória), não tem importância, porque a gente (O PT) vivia uma situação muito ruim, no olho do furacão, naquele momento”. Mais não digo, a não ser o que imagino teria comentado um irônico francês, hospedado por acaso no hotel, durante o encontro: “Amaldiçoado seja aquele que pensar mal destas coisas”.

O outro caso é a conversa que se pretendia “sigilosa”, na cidade gaúcha, onde o general Mourão meteu-se, desgraçadamente, a gato mestre da história e da formação cultural da sociedade brasileira, e desandou em considerações rasteiras e ofensivas à índios e negros, citados como símbolo de duas mazelas nacionais, “a indolência” e a “malandragem”, responsáveis, segundo ele, pelo atraso do País. “Este é o nosso contexto cultural”, disse o oficial aos seus escolhidos ouvintes, a pretexto de explicar as “condições do subdesenvolvimento no Brasil e na América Latina”.

Bolsonaro bancou um Pilatos dos novos tempos. Lavou as mãos e fez o sempre: livrou a cara do parceiro de chapa e culpou a imprensa, “pelo sensacionalismo” de divulgar um fato que, segundo sua avaliação, deveria ficar submerso nos bastidores. Mourão fez pior ainda, em sua tentativa precária de consertar o malfeito. “Eu sou indígena. Meu pai é amazonense. E a malandragem. Nada contra, mas a malandragem é oriunda do africano”. Com a palavra, o poeta abolicionista  Castro Alves: “Senhor Deus dos desgraçados! Dizei-me vós. Senhor Deus! Se é loucura…se é verdade/ Tanto horror perante os céus”.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog  Bahia em Pauta. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

 

Fato Consumado: Quarteto em Cy e MBP4, bom demais e acima de qualquer divergência (pelo menos para este editor do BP), em qualquer tempo e em qualquer situação.

BOM DIA

(Vitor Hugo Soares)

 
São Paulo
Daciolo lê a Bíblia em sua mensagem final no debate da Band.
Daciolo lê a Bíblia em sua mensagem final no debate da Band. PAULO WHITAKER REUTERS
O Partido Novo reuniu 236.000 assinaturas para pressionar a Band a incluir seu candidato à presidência da República no debate de quinta-feira. A pressão de nada adiantou, porque João Amoêdo precisava ter alcançado outro número, muito menor, mas bem mais difícil de conseguir: cinco deputados federais. O Patriota atingiu o número mínimo para participar dos debates de tevê em abril, com a adesão de Pastor Eurico, o segundo deputado mais votado em Pernambuco em 2014. Cinco dias antes, Cabo Daciolo tinha se unido ao partido pelo qual hoje se apresenta como candidato à presidência da República — e do qual esteve longe de ser a primeira escolha. Ao empurrar uma candidatura nanica, o deputado tem uma missão bem maior do que se tornar a estrela histriônica dos debates, como aconteceu na embate entre candidatos: ele têm de ajudar o Patriota a não desaparecer.

“Se o povo compreender o projeto do Cabo Daciolo e perceber sua honestidade, ele pode ser bem sucedido. Se for muito bem sucedido, vai dar muitos votos de legenda. De repente, ele pode até ganhar a eleição! Aí a gente estourava a boca do balão”, torce Adilson Barroso, fundador e presidente do Patriota, explicitando que a candidatura é parte da luta pela sobrevivência partidária deflagrada pelas novas regras eleitorais, criadas com a intenção de reduzir a quantidade de legendas no país.

“Sem habilidade, se a gente não se cuidar, não passa nem a cláusula de barreira e acaba com o partido”, diz Barroso, um ex-cortador de cana que tem 8,3 milhões de seguidores no Facebook. A barreira a ser ultrapassada por Daciolo e seu Patriota não é trivial: quem não eleger ao menos 9 deputados em 9 unidades diferentes da federação ou tiver menos de 1,5% do total de votos na Câmara com pelo menos 1% dos votos em cada unidade da federação estará fora. Daí a insistência do partido em ter um candidato ao Planalto para ajudar na estratégia.

Criado como Partido Ecológico Nacional (PEN) em 2013, o Patriota mudou de nome formalmente neste ano na expectativa da adesão do deputado Jair Bolsonaro (PSL-RJ). Sem conseguir entendimento com o capitão reformado, a legenda ainda cogitou lançar o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa antes de optar por Daciolo. “Ele é militar do Corpo de Bombeiros, enquanto o outro, que era possível pré-candidato nosso, é do Exército. Eu prefiro militar do Corpo de Bombeiros, que é a instituição de que o povo mais gosta no país”, justifica Adilson Barroso.

Patriota homologa a candidatura de Daciolo

O presidente do Patriota, que é um dos 241 candidatos a deputado federal pelo partido em São Paulo, descreve o projeto de Daciolo como uma mistura entre investimento no consumo e na produção, além da redução de impostos. “O pessoal fala: ‘quando se investe no consumo, gera inflação’. Na verdade, inflação se gera se você não investe no consumo”, diz Barroso. No último sábado, quando o partido homologou a candidatura de Daciolo, Barroso citou o ex-presidente Juscelino Kubitschek para prometer “50 anos em quatro” e garantir que o partido tem projeto. “Cabo Daciolo, quando você entrar presidente da República, tira 10% dos impostos da gasolina. A inflação vai lá embaixo”, discursou.

Linha de corte para o debate

Para participar do debate da Band, Daciolo se beneficiou de uma nova linha de corte para participar dos embates na TV. Se a atual norma exclui Amoêdo, ela era ainda maior até a minirreforma política de 2017, que reduziu de nove para cinco a quantidade de deputados necessários para justificar a presença na televisão. A medida que tenta inibir a participação de candidatos menos expressivos expôs logo no primeiro debate seus efeitos colaterais: além da candidatura do Novo, que, apesar de pequena, tem conseguido mobilizar uma militância razoável, a medida poderia ter deixado a segunda colocada nas pesquisas de fora do debate da Band. Marina Silva só foi incluída por conta de seus expressivos índices de intenção de voto, já que a Rede tem apenas dois deputados e um senador.

Garantido seu direito de estar em cena, Daciolo chamou a atenção do país ao atacar a classe política de forma ainda mais agressiva que Bolsonaro e sair distribuindo acusações a adversários e louvores a Deus. “O grande problema que a nação está enfrentando hoje é a falta de amor”, decretou, em meio a críticas à ausência de voto impresso e à negação de que existe crise fiscal no país. A insinuação de que o ex-governador Ciro Gomes (PDT) faria parte da “Ursal” (União das Repúblicas Socialistas da América Latina) viralizou nas redes sociais. Foi o ápice de notoriedade de um ex-bombeiro que chamou a atenção do noticiário pela primeira vez em 2011, quando liderou uma greve de sua categoria no Rio de Janeiro. Por comandar a ocupação do Quartel Central, ele acabou preso disciplinarmente e expulso da corporação com outros 13 colegas — todos foram anistiados posteriormente.

A bravura do cabo chamou a atenção do PSOL, que ofereceu a legenda para a candidatura de Daciolo à Câmara em 2014. Ele foi eleito com 48.831 votos graças à defesa da PEC 300, uma proposta de emenda à Constituição que pretendia vincular os salários dos bombeiros e policiais militares do país ao rendimento da Polícia Militar do Distrito Federal, o mais alto do país. Mas a relação entre o deputado e o PSOL foi breve. Já em sua diplomação, ele tietou Jair e Flávio Bolsonaro, com quem tirou uma foto, causando desconforto no partido. Os constantes louvores a Deus na tribuna da Câmara incomodaram os psolistas, que decidiram pela expulsão já em 2015 após o deputado apresentar uma PEC com o objetivo de alterar na Constituição a expressão “todo o poder emana do povo” para “todo o poder emana de Deus” — o estatuto do PSOL não permite protocolar projetos de cunho religioso.

Daciolo ainda se envolveu em outra polêmica com o partido antes da expulsão ao defender os policiais que estariam envolvidos na morte do pedreiro Amarildo de Souza em 2013. Mais recentemente, Daciolo anunciou da tribuna da Câmara a cura da deputada Mara Gabrilli (PSDB), tetraplégica desde 1994. “O que eu vou falar aqui vai parecer loucura para muitos. Mas eu prefiro a loucura de Deus do que a sabedoria dos homens”, anunciou, destacando que não estava ali para “pregar religião”. Na ocasião, ele contou que a deputada o parou num dos corredores do Congresso Nacional e ele finalmente teve coragem de dizer algo que Deus havia lhe pedido dois anos atrás. Após ler um trecho da Bíblia, como fez no debate da Band, Daciolo profere: “Eu quero aqui, diante de todos, profetizar a cura da deputada Mara. Eu quero que aquela mulher vai levantar da cadeira e vai começar andar”. “Eu saio daqui e vou me direcionar a ela. Vou a um lugar em particular. Creio que em alguns minutos ela voltará a andar”, finalizou.

DO G1

Por G1 PR, Curitiba

Mônica Moura disse ter negociado valores diretamente com Dilma Rousseff (Foto: Marcelo Chello/CJPress/Estadão Conteúdo) Mônica Moura disse ter negociado valores diretamente com Dilma Rousseff (Foto: Marcelo Chello/CJPress/Estadão Conteúdo)

Mônica Moura disse ter negociado valores diretamente com Dilma Rousseff (Foto: Marcelo Chello/CJPress/Estadão Conteúdo)

A marqueteira Mônica Moura voltou a afirmar em depoimento ao juiz Sérgio Moro, nesta sexta-feira (10), que negociou valores para campanha de 2014 diretamente com a ex-presidente Dilma Rousseff.

“Pela primeira vez na vida eu negociei diretamente com uma presidente e com candidato, valores. E depois ela me encaminhou a Guido [Mantega, ministro da Fazenda à época] para que eu resolvesse a parte por fora. A parte por dentro, não, foi toda negociada com ela o valor, mas o partido pagou, nota fiscal, o tesoureiro da campanha”, disse a marqueteira.

O G1 tenta contato com a ex-presidente Dilma Rousseff.

A empresária relatou que encontrou-se três ou quatro vezes com Guido Mantega, na casa dele, em Brasília, para acertar os pagamentos “por fora” negociados com Dilma. Em um dos encontros, disse ter questionado sobre a origem dos valores.

“Cheguei lá [no Guido] com a negociação fechada e disse: ‘Acertei isso com a presidente e ela me disse que o senhor vai dizer como é que vamos fazer’. Aí, mais uma vez: ‘Vai ser a Odebrecht'”, disse a empresária.

A ação em que Mônica foi ouvida é sobre pagamentos não contabilizados da Odebrecht para o casal de marqueteiros, feitos no Brasil e no exterior.

Mônica Moura e o marido, João Santana, foram responsáveis pelas últimas três campanhas do PT à Presidência da República e são acusados pelos procuradores da Lava Jato de receber dinheiro ilegal do setor de propinas da Odebrecht.

O Ministério Público diz ter identificado nas planilhas da Odebrecht repasses que somam R$ 23,5 milhões, entre 2014 e 2014, quando a Operação Lava Jato já estava em andamento. Mônica e João alegam que receberam apenas parte do valor.

ago
11
Marcelo Osakabe
 
 O candidato à Presidência pelo PSDB nas eleições 2018, Geraldo Alckmin, avaliou que “ser alvo é bom, perigo é ser esquecido”, ao considerar positiva sua participação no debate da noite de quinta-feira, 9, na TV Bandeirantes. Ele disse ser um bom sinal ter sido questionado por muitos dos seus adversários.

“Ser alvo é bom, o perigo é ser esquecido”, disse o ex-governador a jornalistas após participar de uma sabatina na Abimaq, na zona sul da capital paulista. “Uma vez fui candidato a prefeito e estive com Fabio Feldmann, que havia sido candidato na eleição anterior. Perguntei a ele como foi a campanha e ele disse que foi muito bem tratado, só elogios. Mas isso porque não tinha nenhuma chance de ganhar”, brincou. “Então ser alvo é bom sinal.”

 No programa de quinta-feira, Alckmin foi um dos principais alvos dos demais candidatos, contrariando a expectativa de que Jair Bolsonaro (PSL) ficasse na linha de fogo. Marina Silva (Rede), Henrique Meirelles (MDB) e Ciro Gomes (PDT) foram alguns dos que mais escolheram o tucano para dirigir suas perguntas.

Alckmin sinaliza ‘condições diferenciadas’ de financiamento para indústria

Em um aceno à indústria de bens de capital, Geraldo Alckmin afirmou nesta sexta-feira ser possível conceder formas mais baratas de financiamento para o setor.

“O nosso objetivo é baixar juros para todos. Mas é claro que setores estratégicos podem ser tratados de forma diferenciada”, avaliou o tucano, que participou de um encontro promovido pela Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), na zona sul da capital paulista.

À plateia, o ex-governador procurou mostrar sintonia com as propostas que a Abimaq entrega a todos os presidenciáveis que convidou para melhorar a economia. Disse que é preciso trazer confiança de volta à economia para que o empresário possa voltar a investir, prometeu medidas para ajudar os exportadores e também avaliou que outras medidas são necessárias para reduzir o patamar brasileiro de juros, como um melhor ambiente fiscal e maior competitividade no setor bancário.

O ex-governador, por outro lado, se esquivou de prometer rever a política para o setor de petróleo e gás, que deixou de exigir conteúdo nacional, uma demanda também levantada no evento. “Sempre que pudermos fortalecer emprego e renda no Brasil, vamos fazê-lo. Agora, o que temos que fazer é dar mais competitividade à indústria”, disse. “Se mexermos nas origens do problema, vamos ter presença maior de conteúdo nacional.”

O ex-governador reiterou que vai aprovar quatro reformas – a tributária, política, previdenciária e do Estado – e criticou novamente a forma como o governo do presidente Michel Temer aprovou o teto dos gastos. “Do jeito que foi feito, sem reformas, é só uma mera intenção. Fez-se o mais fácil, mas as reformas da Previdência e tributária não aprovaram”, criticou.

Alckmin lembrou ainda que, sem as reformas, o teto significa que os investimentos acabam sacrificados para que os gastos com pessoal e custeio continuem aumentando.

ago
11
Posted on 11-08-2018
Filed Under (Artigos) by vitor on 11-08-2018



 

Sinovaldo, no (RS)

 

ago
11

Moro diz ser “inviável” se manifestar sobre Alvaro Dias

 

Sergio Moro acaba de divulgar uma nota sobre as declarações de Alvaro Dias no debate de ontem:

“Fui contatado por diversos jornalistas para comentar a respeito das afirmações públicas do senador Alvaro Dias, candidato a Presidente da República, de que me convidará para ocupar o cargo de Ministro da Justiça caso seja eleito.

Informo aos jornalistas e publicamente que reputo inviável no momento manifestar-me, de qualquer forma e em um sentido ou no outro, sobre essa questão, uma vez que a recusa ou a aceitação poderiam ser interpretadas como indicação de preferências políticas partidárias, o que é vedado para juízes.”

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