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Posted on 07-08-2018
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Eleições 2018Fernando Haddad discursa durante a convenção do PT no último sábado, 4 NELSON ALMEIDA AFP

Quando Fernando Haddad era ministro da Educação me disseram numa visita a Brasília que era um bom ministro, mas não um “petista-raiz”, já que era mais um intelectual que um ativista. Agora que Lula parece tê-lo escolhido como seu sucessor, o PT poderia passar da política do grito à da reflexão. De uma esquerda tropical a uma esquerda europeia. Poderia tornar-se aquela que já foi a formação mais importante da velha esquerda no continente, um partido capaz de conviver com a verdade líquida da modernidade.

Haddad não poderia ser mais diferente de Lula, seja em seu caráter e peculiaridades quanto na sua biografia. Enquanto Lula se forjou no sindicalismo, que condicionaria fortemente o partido dele nascido, virando um líder carismático e popular sem outra formação senão a da vida, Haddad é um acadêmico, com vários diplomas, doutor em Filosofia, especialista em marxismo e com uma visão mais europeia que tropical da política.

Haddad não é um novo Lula mais jovem, como alguns do PT preferiam que fosse, para seguir a trajetória particular de seu líder que nunca foi posto em discussão desde sua fundação. Lula talvez tenha preferido, entretanto, que o selo que ele infundiu ao PT se acabe, e que agora se abra um novo ciclo em um partido em crise, porém ainda o mais estruturado de todos.

Haddad daria outra cara a um partido refundado, para escutar o que uma parte da sociedade exige da esquerda. Uma esquerda que seja capaz de dar expressão às exigências e necessidades de um mundo mais urbano que rural, e que impõe novos desafios trabalhistas criados para enfrentar as modernas tecnologias que estão revolucionando a organização do trabalho.

Para um mundo em ebulição, no qual entraram em crise todas as ideologias de esquerda e de direita, e no qual surge com força uma sociedade nova que rechaça as velhas tutelas, são necessários também novos líderes capazes de absorver e analisar essas novas pulsões. Capazes de apostar mais no hoje e no manhã do que num passado que só existe agora como nostalgia.

Não sabemos como acabará a crise do PT e de seu carismático líder Lula, um filme de incerteza que ainda pode oferecer todas as surpresas. O que é certo é que este primeiro passo de aceitar a possibilidade de um novo governo sem Lula, presidido por um político mais intelectual que eleitoreiro, significa uma revolução numa agremiação que, se voltar ao poder, não poderá mais usar os velhos modelos fisiológicos de governar.

Um partido que deverá abraçar o desafio de tentar ser de novo, embora desta vez de uma forma diferente, uma referência moderna e progressista de analisar e governar uma sociedade cada vez mais plural e mais alheia aos velhos dogmas, sejam religiosos ou políticos.

Conforme escreveu na Folha de S.Paulo Celso Rocha de Barros, doutor em Sociologia pela Universidade de Oxford, já se notou a mão do intelectual Haddad na preparação do atual programa de governo do PT: “Justiça seja feita, pela primeira vez desde 2015 o PT está se movendo intelectualmente. Ainda se move lentamente… Entretanto é admirável o esforço de Haddad para tirar o partido da ressaca”. Barros compara os novos documentos do PT de hoje, sob a responsabilidade de Haddad, com os anteriores, e comenta: “Quem viveu a miséria profunda de ler os documentos oficiais desde 2015 sabe como estavam cheios de populismo fiscal e revanchismo contra o Judiciário e a imprensa”.

É nos momentos mais obscuros de um país, nos que todos os horizontes parecem se fechar, que podem se abrir espaços de luz para que novos líderes tentem o que até ontem parecia impossível. Que o PT acerte com Haddad só pode beneficiar um país que exige, e com urgência, transformar uma política e uns partidos que ficaram rançosos e envelhecidos. Todos, sem exceção.

Leio no espaço da jornalista Olívia Soares, no Facebook: “Um samba genial (Diplomacia, postado domingo, 5) de seu Oscar da Penha, nosso eterno Batatinha, que nesta data celebraria 94 primaveras. Tive a honra de ser sua vizinha no bairro da Saúde (Salvador) por muitos anos. Saravá! #Batatinha.”

Saravá! Esta também é uma das boas recordações que guardo  da minha juventude, no bairro da Saúde, Rua do Jenipapeiro,  42. Batatinha , sempre elegante e cordial, passando na frente de minha casa, para chegar à Baixa dos Sapateiros, a caminho do Terreiro de Jesus, no centro histórico, geralmente a Cantina da Lua, de Clarindo Silva, parada quase obrigatória de sambistas e de boêmios.

Recordo também  das noites de boêmia e música que atravessamos, na Cidade da Bahia, principalmente ao lado do cineasta, amigo irmão também saudoso,  Tuna Espinheira ( e sua Yarinha, de voz incrível nos saraus), quando fazia o documentário sobre Oscar da Penha.

Mas o samba genial que escolho para começar esta terça-feira de saudades no Bahia em Pauta, é “Arrogância”, da notável parceria de Batata com o poeta e letrista Jairo Simões , de tantos sambas e marchas de grandes carnavais em Salvador. Jairo Simões, intelectual e acadêmico da maior grandeza e ser humano excepcional. Meu professor de Economia Política, na Faculdade de Direito da UFBA, depois querido e admirado amigo do peito e companheiro de grandes lutas democráticas contra a ditadura  – e os arrogantes de então – e pela qualificação e valorização profissional, quando ele, ao lado de Joacy Góes, dirigia a Tribuna da Bahia. E eu, sob o comando de Florisvaldo Mattos, atuava na redação da sucursal do Jornal do Brasil. 

O resto é com a música.”Som na caixa, maestro”, como diz Olívia. Viva Batatinha! Viva Jairo Simões!!!

(Vitor Hugo Soares)

 

 

Veneza para ver sem tocar

Turistas dançam em um barco, em Veneza, no dia 14 de julho de 2018.
Turistas dançam em um barco, em Veneza, no dia 14 de julho de 2018. Awakening Getty Images
 

Cem euros (430 reais) de multa por estirar-se em um banco. O dobro por comer em áreas proibidas e até 450 (1.950 reais) por tomar banho em canais e rios abertos ao público. A cidade de Veneza, que recebe 25 milhões de visitantes por ano, tem uma longa lista de proibições. Dada a ousadia de alguns turistas, o objetivo da administração local é salvaguardar a ordem e o decoro. Há poucos dias, depois de dois meninos mergulharam no Grande Canal, fato que acontece pela enésima vez na cidade, o vereador que atua na área de Segurança Giorgio d’Este botou a boca no mundo: “Noite na cadeia para os grosseiros!”.

Veneza está em perigo e as autoridades estão tentando salvá-la antes que seja tarde demais. A Prefeitura instalou em abril algumas catracas (a Administração ressalva que se trata de “passagens”) para regular o fluxo de visitantes e tentar salvaguardar a essência desta cidade declarada Patrimônio da Humanidade pela Unesco. Embora ainda não tenham sido usadas, a colocação delas representou uma declaração de intenção dos políticos locais: há gente demais nos visitando.Turistas invadem constantemente as pequenas ruas e impedem que as pessoas contemplem as paisagens características sem se arriscarem a ser atingidas por paus de selfie. As proibições parecem não ter intimidado os rebeldes, e o prefeito, o político independente de centro-direita Luigi Brugnaro, insiste que aqueles que perturbarem a tranquilidade têm de dormir na cadeia.No entanto, a Câmara Municipal baixou a tensão. Dizem os vereadores que os prefeitos não podem mandar prender um turista por esse tipo de incidente. Pelo menos, por enquanto. Brugnaro já apresentou no Parlamento italiano um projeto de lei para criar uma “cela de segurança” onde seriam colocados por um tempo os visitantes considerados perigosos, até que os ânimos se acalmem. Os que andam bêbados, por exemplo. “Não é uma medida de detenção”, tranquiliza a administração municipal, “mas de prevenção”, que seria acrescentada àquelas já em vigor.A Prefeitura acaba de adotar uma portaria sobre circulação aquática e medidas urgentes aplicáveis nos fins de semana de maior afluência neste mês, ambas em vigor desde 1º de agosto. Entre as normas, a polícia local está autorizada a “impedir temporariamente o tráfego de não residentes”, “instituir sentido único nas vias” e “inibir o acesso a determinadas áreas”, sob pena de multas de entre 25 e 500 euros. Está proibido o uso de embarcações tipo caiaque e também canoas, patins e similares no Grande Canal e outras áreas identificadas pelo Consistório. Em outros locais de circulação o uso foi restringido de segunda a sexta-feira, das 7 às 17 horas, e aos sábados, das 7 às 15 horas, excluindo-se os feriados.

Um dos guardiães da praça de San Marcos.
Um dos guardiães da praça de San Marcos. @LuigiBrugnaro
 O próximo passo é aprovar o chamado Daspo urbano, uma medida inicialmente projetada para evitar a violência no mundo esportivo e agora também aplicável nas cidades, com base em um decreto do ex-ministro do Interior, Marco Minniti. Em Veneza, esta ferramenta permitiria expulsar por 48 horas (um desterro moderno) aqueles que cometam atos grosseiros ou incomodem visitantes e cidadãos, além de prever as infalíveis multas. O texto final será votado em setembro. Entre as infracções enumeradas: urinar na rua, consumir alimentos ou bebidas estorvando o tráfego de pedestres, tomar bebidas alcoólicas das 19 horas às 8 fora do perímetro dos locais ou esticar-se nos bancos.

“Nós trabalhamos para resolver um problema para o qual há décadas não se encontra uma solução”, explica o governo local, que pôs no topo de sua lista de prioridades “tornar visível para os residentes” uma cidade de pouco mais de 50.000 habitantes que não para de perder população.

Zeno Stringa, um enólogo veneziano de 34 anos, considera, no entanto, que as proibições não serão suficientes para os moradores permanecerem na cidade e que o texto de Daspo é um exagero. “Fiquei impressionado um dia quando uma família com filhos trouxe uma pequena mesa para uma pracinha e a polícia os multou por invasão de terras públicas”, explica ele. Eles eram venezianos. “Os turistas são um grande recurso porque dão trabalho a todos, o problema é que não conseguimos administrá-los, mas com essas medidas os venezianos não retornarão”, acrescenta.

As autoridades municipais estão otimistas e se orgulham de que o número de turistas que chega agora à cidade é um pouco menor do que no ano passado. Essas medidas desencorajaram a entrada de estrangeiros? “Não. Mas passaram a mensagem de que as pessoas não devem vir se acharem que podem ir de qualquer jeito”, afirma a Prefeitura. Claro. Olhar e não tocar.

Os ‘guardiões’ da Praça São Marcos

Se um turista vir um grupo de pessoas com camisetas ou macacões chamativos na Praça de São Marcos, não precisa preocupar-se: não estão promovendo nenhum produto nem querem vender nada. São os “Guardiões”, guardiões do decoro, encarregados por anos de salvaguardar a área e repreender os turistas que não respeitam as regras, além de sinalizar às autoridades eventuais comportamentos que violem a lei e de afastar os mendigos. Entre outras restrições, é estritamente proibido sentar-se e comer na mais famosa esplanada da cidade. “A praça é maravilhosa e os venezianos gostam muito dela, mas na cidade deve haver mais lugares para os turistas descansarem e não há necessidade de multas excessivas; com 30 euros é o suficiente para dar um alerta”, diz o veneziano Zeno Stringa.

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Posted on 07-08-2018
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DO PORTAL DE NOTÍCIAS TERRA BRASIL
Lu Aiko Otta, Mariana Haubert e Renan Truffi
 

BRASÍLIA – O candidato à Presidência da República pelo PDT nas eleições 2018, Ciro Gomes, voltou a criticar nesta segunda, 6, o PT e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele disse que os petistas ficaram com “medo” e, por isso, fizeram aliança de neutralidade com o PSB na disputa presidencial. “(Foi) Medo. Não é política social compensatória que faz alguém progressista, vou mostrar isso”, disse, em evento da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).

O ex-ministro estava em negociação avançada para compor com o pessebistas. No entanto, a executiva nacional do partido acertou com o PT a neutralidade na corrida ao Planalto. Em troca, foram retiradas as candidaturas do ex-prefeito de Belo Horizonte Marcio Lacerda (PSB) ao governo de Minas e da vereadora Marília Arraes (PT), em Pernambuco.

A manobra do PSB teria sido acertada com o consentimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), condenado e preso no âmbito da Operação Lava Jato, que deseja isolar Ciro no campo da centro-esquerda. No sábado, 4, o pedetista fechou a primeira e única composição partidária da chapa, com o nanico Avante.

Ciro também acusou Lula de trabalhar para que o PR, de Valdemar Costa Neto, decidisse apoiar Geraldo Alckmin (PSDB), em vez optar pela candidatura dele ou de Jair Bolsonaro (PSL). “Eu não estou me queixando. O Lula trabalhou para o Valdemar Costa Neto, o PR, ir para o (candidato do PSDB, Geraldo) Alckmin. E eu me recusei a conversar com o Valdemar por razões antigas. Tá tudo certo. Eu só acho que é um erro grave. E não é nobre, mas ninguém precisa ser nobre. E pegou muito mal. O que é, afinal de contas? Tirar o meu direito de falar uns segundinhos a mais”, complementou.

Ciro também se defendeu de uma suposta contradição de sua campanha, pela escolha da senadora Kátia Abreu (PDT-TO) como vice na chapa presidencial. Antes de se tornar ministra da Agricultura, no governo Dilma Rousseff (PT), Kátia Abreu era ligada a pautas conservadoras e foi filiada ao DEM. “Duvido que tem um petista que tenha sido mais heroico e mais sacrificado do que a senadora Kátia Abreu. Ela foi expulsa pelos quadrilheiros golpistas porque foi fiel. Foi contra a reforma trabalhista”, disse.

Coincidentemente, Kátia Abreu já teve um entrevero com Sônia Guajajara, hoje candidata a vice-presidente na chapa encabeçada por Guilherme Boulos (PSOL). Em 2010, Guajajara ficou famosa na COP-16 (conferência da ONU sobre mudanças climáticas), no México, ao entregar o troféu “motosserra de ouro” à senadora, “prêmio” dado aos que supostamente aumentam o desmatamento na Amazônia.

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Posted on 07-08-2018
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J. Boscono O Liberal (PA)

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Aliado de Collor, Alvaro Dias não o quer no palanque

Alvaro Dias disse hoje que Fernando Collor não subirá em seu palanque –o PTC de Collor está na coligação de Dias, candidato do Podemos à Presidência.

“O partido é uma coisa. Ele [Collor], não. Ele está fora. Não vamos misturar as coisas. Ele não pediu, nem será convidado [para o palanque]. Não há hipótese”, declarou o senador durante evento em Brasília, segundo relato de O Globo.

“Eu sei que muita gente queria que eu ficasse com zero no tempo de televisão, mas alguns segundinhos nós ainda conseguimos”, acrescentou.

Depois de conseguir os segundinhos, a ordem é esconder os aliados embaraçosos.

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