O presente de Lula para a direita

Eleições 2018 LulaO ex-presidente Lula. Andre Penner AP

Lula, considerado um dos maiores estrategistas políticos da América Latina, poderia estar dando um grande presente à direita com sua estratégia de impedir, num momento tão crítico para as forças progressistas deste país, a união dos partidos de esquerda. Entrincheirado em sua cela e em seu castelo de onipotência, está desorientando não só o seu partido, o PT, ao qual está desidratando, mas também o resto das forças de esquerda, que pela primeira vez poderiam concorrer unidas nas eleições para frear o ímpeto não só da direita, mas também da extrema direita valentona dos Bolsonaros.

É possível que, perante a impossibilidade de disputar as eleições, impedido pela lei da Ficha Limpa, Lula queira jogar todas as suas fichas em manter a qualquer custo a liderança da esquerda, mesmo que ao preço de condená-la à oposição, deixando o campo livre para as forças conservadoras que já mostraram suas garras e sua vontade de governar. Não que não tenham direito a isso, mas, num país onde a maioria ainda vive na pobreza, onde quase 40 milhões não concluíram o ensino básico e 25 milhões os estudos secundários, num país devorado pela violência, pela desigualdade social, pelos preconceitos raciais e pela corrupção política, é um pecado deixar a nação nas mãos dos conservadores.

A responsabilidade de Lula nesta hora é grande e grave. Ninguém lhe pede que deixe de defender sua inocência, se acreditar nela, mas ao mesmo tempo tampouco pode expor o país a uma crise política com táticas puramente defensivas, que possam envenenar uma eleição já muito convulsionada. Não parece respeitoso com o país agarrar-se a qualquer estratégia, inclusive conúbios pouco republicanos com setores da direita, sacrificando as outras forças de esquerdas para se manter sob os holofotes.

Vivemos submersos numa modernidade, inclusive política, que não tem mais nada a ver com os arroubos de grandeza dos Reis-Sóis, que proclamavam “O Estado sou eu” ou “depois de mim, o dilúvio”. Toda identificação de qualquer força política com o Estado é não só um atraso tresloucado como também um perigo para a própria democracia, que se nutre da seiva de toda a sociedade que é o sujeito e não o objeto da política e da civilização.

É possível que Lula, com sua estratégia do Sansão bíblico de “morra eu com todos os filisteus”, consiga manter vivo o mito de que ele é não só a esquerda, toda a esquerda, mas também todo o país, mesmo que isso signifique colocá-lo à beira do precipício. O popular e carismático ex-sindicalista já deu provas em outros momentos históricos de entrega aos melhores valores deste país, merecendo a estima internacional. Talvez tenha chegado o momento de ele demonstrar grandeza de espírito colocando-se não como única e exclusiva salvaguarda do país, e sim se somando à caravana de todas as forças do progresso, que mais do que nunca precisam estar abraçadas e em uníssono para impedir que continue levantando-se o muro não só das desigualdades sociais, mas também do atraso cultural, da sangria da corrupção e das tentações autoritárias.

É nos momentos cruciais da história que os verdadeiros estadistas se diferenciaram dos charlatães. A receita sempre foi a do próprio sacrifício pessoal em nome do bem comum, como demonstraram os grandes e autênticos guias das sociedades em perigo, de Moisés ao profeta Jesus, de Gandhi a Luther King e Mandela. Lula já se equiparou a todos eles. Tomara que a história possa um dia inscrevê-lo naquele livro de ouro, e não no dos condenados ao esquecimento.

“The September of My Years”, Frank Sinatra: “A vida tem voz”. Confira!!!

BOM DIA!!!

(Gilson Nogueira)

 

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  Mourão, o controverso general que sela a chapa puramente militar de BolsonaroDivulgação

O deputado federal Jair Bolsonaro (PSL) anunciou que o general da reserva do Exército Hamilton Mourão será seu candidato a vice-presidente nas eleições de 2018. Bolsonaro falou na manhã deste domingo durante a convenção estadual do PSL em São Paulo. O nome de Mourão foi referendado pela convenção nacional do PRTB horas depois. “Eles podem ter muita coisa, mas só nós temos o povo ao nosso lado. No momento, eu deixo de ser capitão. O general Mourão deixa de ser general.  Nós somos agora soldados do nosso Brasil”, discursou Bolsonaro.

A estimativa é que chapa Bolsonaro-Mourão tenha 14 segundos diários do tempo de propaganda de rádio e TV, sendo 8 do PSL e 6 do PRTB. Ao todo, são 25 minutos na programação que envolve todas as legendas. O fundo eleitoral dos dois juntos — que será dividido com os concorrentes ao parlamentos federal e estadual, assim como para os Governos — chega aos 13 milhões de reais. Todo o fundo eleitoral distribuído entre os partidos é de 1,7 bilhão de reais. É bem pouco para o líder das pesquisas em cenários que não consideram a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, virtualmente impedido de concorrer pela Lei da Ficha Limpa. Por isso, a estratégia é seguir apostando pela bem-sucedida estratégia nas redes sociais.

Defesa da “intervenção federal”

Antes de ouvir o sim de Mourão, Bolsonaro já havia sido rejeitado por três possíveis candidatos, inclusive o próprio general. A advogada Janaína Paschoal (PSL) e o também general da reserva Augusto Heleno (PRP) haviam sido sondados para concorrer na chapa, mas as negociações não avançaram. Para convencer Mourão, Bolsonaro contou com a ajuda de Levy Fidelix, o presidente do PRTB que já disputou outras eleições presidenciais.

Com uma chapa puro sangue militar, Bolsonaro é ex-capitão do Exército, o PSL reforça o caráter de extrema-direita da candidatura. Os companheiros de chapa tem em comum a defesa da ditadura militar brasileira (1964-1985). Durante o Governo Dilma Rousseff (PT), Mourão era o comandante do Exército no Rio Grande do Sul e chegou a defender uma intervenção militar para debelar a crise política e econômica do governo petista. Ambos, Bolsonaro e Mourão, tem em comum a admiração pública pelo coronel Carlos Brilhante Ustra (1932-2015), chefe de um importante centro da repressão durante a ditadura militar e reconhecido como torturador pela Justiça brasileira e pelo relatório oficial da Comissão Nacional da Verdade, de 2014. Na cerimônia em que se despediu da carreira, o agora general reformado elogiou Ustra em em uma concorrida cerimônia no Salão de Honras do Comando Militar do Exército, em Brasília.

Desde que entrou para a reserva, Mourão passou a dirigir o Clube Militar e defender abertamente a candidatura de seu colega de farda. Em princípio, ele deveria concorrer a um cargo no Congresso Nacional. Mas mudou de ideia após insistentes pedidos de seus aliados.

Até o momento, entre os principais concorrentes ao Planalto, apenas Ciro Gomes (PDT), Manuela D’ávila (PCdoB) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ainda não anunciaram seus candidatos a vice-presidente. As outras chapas ficaram assim formadas: Marina Silva (REDE) e Eduardo Jorge (PV); Geraldo Alckmin (PSDB) e Ana Amélia (PP); Álvaro Dias (PODEMOS) e Paulo Rabello (PSC); Henrique Meirelles e Germano Rigotto (ambos PMDB); Guilherme Boulos e Sonia Guajajara (ambos PSOL) e; João Amoêdo e Christian Lohbauer (ambos NOVO).

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06
Posted on 06-08-2018
Filed Under (Artigos) by vitor on 06-08-2018


 

Sinovaldo, no (RS)

 

ago
06
Posted on 06-08-2018
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 Lula manda cartinha para Dilma e Pimentel

 

Na convenção do PT que confirmou as candidaturas de Fernando Pimentel à reeleição e Dilma Rousseff ao Senado, foi lida outra cartinha de Lula.

Diz um trecho:

“Não é por outra razão que o candidato deles, aquele que não aceitou a derrota em 2014 e acendeu o pavio desse golpe que trouxe de volta a miséria, a fome e a mortalidade infantil, achou mais prudente tirar o time de campo para não enfrentar nossa presidenta outra vez nas urnas.

Aécio Neves, que chegou a pedir recontagem de votos após perder em 2014, está lançando um prato novo, meio diferente, que não tem muito a ver com a cozinha mineira nem é muito ecológico: o escondidinho de tucano.”

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