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ARTIGO DA SEMANA

Marina: de Camaleoa a Jaguatirica na sabatina da Globo News

Vitor Hugo Soares

 

A aparentemente frágil e isolada Marina Silva foi sabatinada terça-feira, último dia de julho, por jornalistas do canal privado de televisão Globo News, na série de entrevistas promovida com os principais presidenciáveis às eleições deste ano. No páreo dos mais bem avaliados nas pesquisas até aqui – pela terceira disputa seguida – a candidata (ex-PT, ex-Verde e atual Rede Sustentabilidade) – não se esborrachou em negativas e contradições, como alguns esperavam e, não poucos, até torciam. Vestida de branco e despojada de adereços, foi às vezes arisca como Jaguatirica amazônica, outras tantas foi camaleoa (ou camaleão fêmea como preferem os puristas da língua e acadêmicos), a depender das questões e dos modos dos questionadores.     

 A cara e a voz da chamada terceira via no Brasil se apresentou, na maior parte do tempo, como força conciliadora progressista e cristã. Protestante, quando tudo ao seu redor é barril, pau puro, vale tudo de ataques com palavras ferinas, fake news, ameaças de puxar o revólver ou os cabelos e até chamar “baionetas caladas e falantes” (no dizer de Ulysses Guimarães) dos círculos militares, para o baile político e civil da campanha e do governo. Vacilou e derrapou em alguns momentos, mas não pediu arrego, nem perdeu o rumo.

A começar pelas escolhas de defesa que fez –uma delas a continuidade do combate sem trégua a corruptos e corruptores na política, no governo e nas poderosas corporações públicas e privadas, através do incentivo e apoio político e institucional explícito à Lava Jato; e contra a tentativa de fazer do servidor público (na proposta de Reforma da Previdência)  o bode expiatório da crise nacional, à guisa de combater privilégios.

Priorizou, também, suas opções de ataques: destacou o fracasso rotundo do governo Temer (MDB), decorrente segundo a sabatinada, do conluio da incompetência com a cumplicidade de “corruptos dentro dos palácios” . Atacou, além disso, o que qualificou de dubiedades e perigo, dos discursos do medo ou o deixa ficar de candidatos como o deputado-militarista Bolsonaro (PSL) e do tucano Alckmin, neste caso para agradar o chamado Centrão.  Bateu, também, no que definiu como “manobras mal disfarçadas,  das chicanas judiciais ou propostas de indulto político que favorecem a impunidade”, a exemlo dos que postulam a soltura do ex-presidente Lula, condenado a 12 anos e um mês de cadeia por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Ainda sobraram flechas para Dilma Rousseff, desavença antiga, desde as batalhas ambientalistas, quando ambas pertenciam ao PT, mas não se bicavam. Confrontada pelos entrevistadores, com assuntos particular e pessoalmente espinhosos, a candidata da REDE fez volteios e jogo de corpo. Advogou um plebiscito para a questão do aborto, caso se pretenda promover alterações na lei em vigor. À pergunta se sua religião evangélica poderia interferir em suas decisões de governo, reagiu: “Me mostre um projeto meu que foi na contramão do estado laico e da liberdade das pessoas”. E subiu o tom: “Não vejo as pessoas questionarem a fé de candidatos católicos como Geraldo Alckmin”, protestou na sabatina. 

Terceira colocada nas presidenciais de 2010 e 2014, Marina Silva segue na mesma trilha em 2018. Sem abrir mão de princípios e projetos de governo e de País. É provável que não cheque ao Palácio do Planalto , mas ficou patente, que ela está pronta para o embate político, e decidida a fazer bonito na campanha eleitoral, com Eduardo Jorge (PV) como vice. Se possível, surpreender. Inesperadamente.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

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Comentários

Daniel on 4 agosto, 2018 at 2:53 #

Não há mais espaço na política para pessoas que se esforçam para ficar em cima do muro, sempre fogem de declarações sinceras e vivem sob uma eterna carapaça hipócrita.

Marina é a cara do tal “extremo centro” (que, no Brasil, pra variar, está à esquerda).

O caos brasileiro implora por personalidade, pulso firme. Não de quem só aparece de 4 em 4 anos, faça parte do establishment ou esteja envolvido em esquemas de corrupção.


luiz alfredo motta fontana on 4 agosto, 2018 at 8:24 #

Caro VHS!

Por ser sábado
Por ser BP
Por ser a terra de Caymmi
Por ser de roda o samba

Por esses credos
Minha alma de poeta
Resiste

Ainda perdemos tempo com
Marina outra que não
A que se pintou?

A esta senhora que ainda destila
O fel amargo de
Apesar de toda a veneração
Não ter sido a “Dilma” de Lula

VHS
O circo se horrores
Com seus bizarros personagens
Está montado

Resta ao cidadão
Compulsóriamente
A escolha inútil
Seja lá quem for sufragado
Só uma certeza
Será péssima escolha

Tim Tim!!!
(“…mas se tiver chovendo, não vou. ..”)
Viva Caymmi!!!


vitor on 4 agosto, 2018 at 14:06 #

Luiz Fontana
Chega mais, poeta de Marília! Venha, que é tempo de inverno no terreiro da Marina de Caymmi, mas nem parece. Não está chovendo e tem uma luminosidade no céu da terra do Segundo Sol , de encher os olhos, indiferente às nuvens carregadas da geleia geral nacional que nos cercam a todos: poetas antenados ou jornalistas distraídos. TimTim!!!


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