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CRÔNICA/DESPEDIDA

O Parceiro

Gilson Nogueira

 

Os blocos de nuvens avermelhadas parecem refletir   o fogo do maçarico do maior artista plástico do Brasil e um dos maiores do mundo, no seu atelier, lá no Alto de Ondina, onde fui, com o seu amigo Alfredinho, também artista, mostrar alguns guaches que havia produzido para um salão de arte moderna em Brasília, no início dos anos 70. As nuvens de fim de tarde dão-lhe adeus em meu nome e preparam a passagem dele para a Eternidade. Anunciam, penso, sob os olhares de admiração dos anjos, sua chegada no Infinito, silenciosamente. Logo mais, vai haver a Primeira Vernissage do Firmamento, sob o Patrocínio de Deus. Mário Cravo Júnior, assim, por extenso, como pede o cronista que teve o privilégio de conhece-lo pelas ruas da Cidade da Bahia, vendo, nele, mais que um escultor, pintor, professor, intelectual… uma estrela em carne e osso, estará nos olhando lá do alto e agradecendo as homenagens à sua partida e inspirando os que ficaram a valorizar, cada vez mais, os homens e mulheres que, através da arte, escreveram e escrevem a síntese da paz. Arte é a paz, sob qualquer ângulo, forma, perspectiva e material que dê-lhe sentido, vida.

Perco, como a Humanidade, uma referência artística de toda a vida e fico, assim, sem entender como poderá ser a Cidade da Bahia sem ele, a pensar, a ensinar, a produzir, a inspirar, ao vivo, a arte em seu estado divinal! E, aqui, vendo o crepúsculo dar lugar ao breu, invade-me uma vontade enorme de sentar com ele em volta daquela piscina, de novo, no transcorrer dos anos de boemia, para sorrir com arte. E que saudade daquele encontro próximo ao Shopping Barra, não lembro o ano, quando o cumprimentei, emocionado, dizendo-lhe que havia visto e tocado, com o coração, uma escultura em ferro, com um palmo de altura, denominada  O Capoeirista, no Museu da Chácara do Céu, no alto do bairro de Santa Thereza, na cidade do Rio de Janeiro. Pois é, nada acontece por acaso. Aquele sujeito dando um rabo de arraia, em cima daquela mesa, deve, agora, ter saído de lá para saudar a Chegada do Parceiro.”Saravá, Marão!!!”
 
Gilson Nogueira é jornalista, colaborador da primeira hora do BP

“Vá”, Charles Aznavour: Soberba canção de um fabuloso poeta, compositor e intérprete.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

Ciro Gomes na convenção do PDT, em 20 de junho.
Ciro Gomes na convenção do PDT, em 20 de junho. UESLEI MARCELINO

Derrotado em sua tarefa de atrair o PSB para sua candidatura, Ciro Gomes partiu para um discurso mais fortemente ideológico para tentar conquistar um eleitor de esquerda, especialmente aquele que ele julga estar decepcionado com o PT. Na quarta-feira em Brasília, o partido do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou que sacrificaria candidaturas próprias em quatro Estados – Pernambuco, Paraíba, Amazonas e Amapá – em troca da neutralidade do PSB, anulando assim, uma possível aliança dos socialistas com o pedetista. Naquela noite, Ciro Gomes afirmou, sereno, em entrevista à GloboNews, que ainda não havia sido comunicado da decisão do PSB, numa sinalização de que restava alguma esperança de reverter a derrota. Mas, nesta quinta-feira, em São Paulo, ele parecia mais conformado e com disposição para o ataque. Chamou o acordo de “golpismo” e de “facada nas costas”.

Em um hotel na região da avenida Paulista, falou com a imprensa por breves dez minutos antes de participar de um debate sobre os desafios para o próximo governo promovido pela Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Unafisco). Armado, anunciou que “nunca quis” o apoio do PT, que a possibilidade de ser vice em uma chapa com petistas era uma “aberração” e disse que pretende atrair eleitores do partido de Lula que estão decepcionados depois do que aconteceu. “Quero falar com o eleitorado simpatizante do PT”, afirmou. “Que não é de cabresto. Eles pensam que é, mas é o melhor eleitorado brasileiro e que deve estar hoje muito constrangido com o que a sua burocracia tem feito”.

O discurso talvez seja a única munição do PDT para atrair esse eleitor. Figurando em terceiro lugar nas pesquisas, a campanha de Ciro vive a escassez: tem pouco tempo na TV, pouco dinheiro e pouca representatividade nas redes sociais, principal ferramenta de mobilização de Jair Bolsonaro (PSL), que também contará com pouca participação na televisão.

Por isso, tentando capitalizar a frustração petista, principalmente no Nordeste, o pedetista falou três vezes da situação de Marília Arraes (PT) em Pernambuco. A neta de Miguel Arraes deverá ter sua candidatura ao governo do Estado anulada em troca do apoio do PT à reeleição do governador Paulo Câmara (PSB). O caso de Marília é o mais simbólico, já que ela teria chances de vencer a eleição e promete não desistir tão fácil. Sabendo de seu capital político, Ciro foi enfático. “O que essa moça tem a ver com isso? Ela merecia pagar esse preço? Será que o povo politizado de Pernambuco vai engolir essa providência golpista? Ninguém pode falar em golpe e praticar o golpe”, disse. Depois, chamou o acordo de “uma violência contra uma jovem”. “Tirar alguns segundos de mim cortando o pescoço de uma jovem mulher pernambucana politizada, neta do Miguel Arraes, eu acho de uma violência que, na minha longa estrada, nunca vi coisa igual”, disse.

Enquanto Ciro tentava demonstrar sua preocupação com Marília à imprensa, em Pernambuco a petista discursava durante o encontro estadual do PT. “A nossa candidatura é uma necessidade de resgatar a esquerda para um protagonismo político de Pernambuco”, disse. “E não uma falsa esquerda, uma falsa esquerda que vira para o lado da direita quando é oportuno e quando é melhor volta para a esquerda como se nada tivesse acontecido”, afirmou sob aplausos. Opositora ferrenha do governador, Marília alfinetou: “Não adianta tentar unir a esquerda por meio de chantagem, que é o que o PSB está fazendo. O PSB chantageia o PT pedindo para tirar uma candidatura que hoje faz parte da realidade da política de Pernambuco”.

Silêncio no PSB

A grande preocupação de Ciro ou de Marília parece não ter atingido o PSB. Em silêncio desde ontem, o partido não só não confirmou nada a Ciro Gomes, como também o diretório nacional não se pronunciou até o momento sobre ter aceitado – ou não – a oferta do PT. “Pior que uma decisão errada é não ter decisão”, criticou o presidente do PDT, Carlos Lupi.

O único diretório que se pronunciou até o momento foi o de Minas Gerais. Por meio de nota, os mineiros afirmaram que “a Direção Estadual do PSB tem entendimento contrário a essa decisão” de apoiar a candidatura à reeleição de Fernando Pimentel (PT) ao governo do Estado, abrindo mão de Márcio Lacerda (PSB).

Há cerca de um mês, Ciro Gomes disse ao EL PAÍS durante breve passagem por Pernambuco que o apoio do PSB à sua candidatura era “praticamente a garantia da eleição”. Naquele dia, ele havia se reunido com o governador Paulo Câmara e o prefeito do Recife Geraldo Júlio, ambos do PSB, para pedir apoio. Agora, na iminência de um possível isolamento, o PDT reage afirmando que ainda espera pelos socialistas. “Depende só deles”, afirmou nesta quinta-feira, por telefone, Lupi.

Mas, a jornalistas, Ciro reagiu naturalmente sem essa diplomacia do presidente de seu partido. “Esse negócio de barganhas subalternas me enoja”, respondeu, ao ser questionado o que o PDT teria para oferecer em troca de um apoio do PSB. “Esse comportamento está na base moral da corrupção”. Com os dedos das duas mãos, ostentou que já teria o apoio de ao menos oito diretórios estaduais do PSB. Mas não deixou de criticar os socialistas. “Esse jogo é chocante não porque o PSB está apoiando o PT, mas porque o PSB saiu da eleição, aceitou o constrangimento de se omitir do debate nacional”.

Em pouco mais de dez minutos de desabafo, Ciro Gomes, que tinha como possível vice o ex-prefeito de Belo Horizonte Marcio Lacerda (PSB) – que agora pode ser candidato ao Senado em uma chapa com o PT em Minas gerais – tentou se mostrar tranquilo, afirmando ter um plano B. “Eu tenho um backup”, afirmou, sem revelar quem seria.

Ao final do evento, disse a uma plateia quase cheia: “Não vamos desistir do Brasil”. A frase foi a última declaração feita publicamente pelo candidato Eduardo Campos (PSB), em 2014, um dia antes de sofrer um acidente aéreo fatal. Virou o lema da campanha do PSB depois.

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Posted on 03-08-2018
Filed Under (Artigos) by vitor on 03-08-2018


 

Miguel, no (PE)

 

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DO PORTAL DE NOTÍCIAS TERRA BRASIL
Camila Turtelli e Renan Truffi
 
 

A senadora Ana Amélia (PP-RS) disse nesta quinta-feira (2), em rápida entrevista concedida no Senado, que está disposta a ser vice na chapa de Geraldo Alckmin (PSDB-SP), mas condicionou a decisão ao acerto entre os dois partidos em âmbito nacional e no seu estado natal, o Rio Grande do Sul. Embora tenha mostrado disponibilidade, a senadora disse que a parceria não está sacramentada.

Cuidadosa nas declarações, Ana Amélia evitou declarar que aceita o convite do tucano. “A decisão caberá a Alckmin e ao presidente do partido (PP)”, desconversou, dizendo que “entre hoje e amanhã” deve ser feito o anúncio oficial. Tudo ainda depende de decisões sobre coligações para disputas de governos estaduais, segundo ela. A decisão da senadora foi antecipada pela Coluna do Estadão nesta quinta-feira (2).

Uma das questões é a situação no Rio Grande do Sul. Com os novos arranjos, estaria em jogo o candidato Luis Carlos Heinze (PP) deixar de concorrer ao governo do Rio Grande do Sul para apoiar o candidato tucano ao cargo, Eduardo Leite. Neste cenário, Heinze sairia para o senador. Há outras questões também para serem resolvidas entre os dois partidos.

“Se for definido em todos os seus detalhes, então vou me posicionar em relação ao convite que Geraldo Alckmin fez a mim”, disse Ana Amélia. “Vou aguardar para que eu possa tomar uma decisão com segurança”, disse.

Senadora Ana Amélia deve ser anunciada como vice de Alckmin

 
 
Senadora Ana Amélia deve ser anunciada como vice de Alckmin

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil

Segundo a senadora, Alckmin esteve em sua casa na quarta-feira, 1º, às 18h, e eles conversaram por cerca de 40 minutos. “Ele fez várias ponderações a mim e tivemos uma conversa muito franca”, disse. Ela admitiu que também houve um apelo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para que ela aceitasse ser vice, e também do senador Tasso Jereissati (PSDB).

“Tive problema com a minha pressão arterial, mas a política foi muito maior para que eu aceitasse”, disse a senadora. Mais cedo ela disse que falaria com seu médico para tomar a decisão já que teve um problema de hipertensão em viagem ao Rio Grande do Sul na semana passada e chegou ficar internada por uma noite.

Sobre as divergências internas do PP, Ana Amélia disse que o presidente do partido, Ciro Nogueira, deu a liberdade a Geraldo Alckmin para ele tomasse sua decisão.

Ana Amélia destacou-se como opositora de Dilma Rousseff e por defender a Operação Lava Jato

Ana Amélia Lemos tem 73 anos e é gaúcha de Lagoa Vermelha. Jornalista, trabalhou por mais de 30 anos para o Grupo RBS, afiliado da Globo no Rio Grande do Sul. Na maior parte da carreira, ela atuou diretamente de Brasília, tratando principalmente sobre política.

Em 2010, se afastou do jornalismo para concorrer ao Senado pelo Partido Progressista. No mesmo ano, foi eleita com 29,54% dos votos, ficando com a segunda vaga.

Ana Amélia foi uma das maiores opositoras da ex-presidente Dilma Rousseff

 
 
Ana Amélia foi uma das maiores opositoras da ex-presidente Dilma Rousseff

Foto: José Cruz / Agência Brasil

No Senado, votou a favor da PEC do Teto de Gastos e pela reforma trabalhista. Se diz contra “regalias” a políticos e magistrados e defende mudanças na forma de indicação de ministros do STF e redução do mandato na Corte para dez anos. Ela também é co-autora de PEC que propõe o voto facultativo. Sobre o aborto, Ana Amélia diz ser a favor nos atuais termos da Constituição.

Ana Amélia ganhou visibilidade nacional por ter sido uma das vozes mais ativas de oposição ao governo Dilma Rousseff (PT) e por defender o impeachment da ex-presidente. Atualmente, ela se mantém como uma das principais críticas ao PT e ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva -condenado e preso na Operação Lava Jato – no Senado.

Em abril, trocou acusações com a senadora Gleisi Hoffmann (PT) após a petista gravar um vídeo para a emissora de TV do Catar Al-Jazeera pedindo uma campanha pela liberdade de Lula. Na ocasião, Ana Amélia disse que “esperava que essa convocação não fosse um pedido para o Exército islâmico atuar no Brasil”. A declaração gerou críticas do PT e de organizações de cultura árabe. Ainda este ano, Ana Amélia elogiou cidades gaúchas “que botaram para correr” a caravana de Lula promovida pelo petista. A senadora também é conhecida por defender a Operação Lava Jato e a prisão após condenação em segunda instância.

Em 2014, se candidatou ao governo gaúcho despontando como favorita nas pesquisas. No entanto, acusações de que, na década de 1980, a senadora teria exercido cargo de comissão sem efetivamente

trabalhar no gabinete do seu marido, o senador biônico Octávio Cardoso (que morreu em 2011), e de ter omitido uma fazenda em Goiás de sua declaração de bens minaram sua campanha na reta final. Terminou em terceiro.

Apesar de ter sido uma das principais apoiadoras do presidenciável Aécio Neves (PSDB), em 2014, Ana Amélia votou pelo afastamento do senador.

Em quase oito anos no Senado, apresentou 91 projetos de lei e 14 Propostas de Emenda Constitucional. Ela também presidiu a Comissão de Agricultura e Reforma Agrária e foi relatora de 509 matérias. Para as eleições 2018, Ana Amélia Lemos é favorita à reeleição.

Eleições 2018 Lula
Manifestante com máscara do ex-presidente. Leo Correa AP

De dentro de uma cela na sede da Polícia Federal em Curitiba foi costurada uma das negociações mais controversas destas eleições até o momento, com a anuência e participação direta do ex-presidente Lula. Em troca do apoio do PSB à candidatura do governador de Minas Gerais, o petista Fernando Pimentel – o principal palanque do partido no Sudeste -, a sigla se dispôs a abrir mão de lançar Marília Arraes na disputa para o Governo de Pernambuco. Ela era a petista mais competitiva no Estado em anos. Por um lado, além do ganho eleitoral em Minas, o compromisso dos socialistas – não de forma pública e oficial ainda – de manterem uma neutralidade no âmbito nacional deixa o pré-candidato Ciro Gomes (PDT) isolado e fortalece a posição do PT como o grande polo da esquerda na corrida para o Planalto. Por outro, no entanto, ao rifar Arraes, 34, a legenda reforça sua lulodependência e irrita apoiadores, especialmente em Pernambuco, e quadros ilustres, tanto históricos como neófitos.

O ex-governador do Rio Grande do Sul Tarso Genro, por exemplo, um crítico contumaz de um certo pragmatismo do PT e considerado à esquerda no partido, lamentou a manobra, e chamou a jovem Arraes de “o grande quadro renovador da esquerda do Nordeste”. “Peço a Deus e às forças do além que eu não esteja entendendo bem que foi feito um acordo PT-PSB”,  Um dos parlamentares mais próximos de Lula, o deputado federal Wadih Damous (RJ), que visita o ex-presidente com frequência em Curitiba, usou o Twitter para lamentar. “A decisão pró-PSB em Pernambuco dói na minha alma e na alma da militância. Em nome de um acordo regional, afasta-se uma liderança promissora como Marilia Arraes. Um grave erro político”, escreveu. Procurado pela reportagem, Damous afirmou que não iria mais se manifestar sobre o assunto. A petista pernambucana recebeu também o apoio de Marcia Tiburi, a filósofa candidata ao governo do Rio. “Declaro total apoio à . Acabei de falar com ela e estaremos juntas a partir do que ela decidir”, escreveu no Twitter.

A movimentação do PT não foi, no entanto, uma surpresa. Há meses o PT negociava com o PSB. O pacto se soma a outros semelhantes feitas pelo partido este ano em Estados do Nordeste e Norte do país. Em Alagoas, por exemplo, o PT abriu mão de candidatura própria ao Senado e formalizou apoio à reeleição do senador Renan Calheiros (MDB), que votou de forma favorável ao impeachment da então presidenta Dilma Rousseff – o que lhe valeu o rótulo de “golpista” por parte dos petistas. No Ceará, Amazonas, Amapá e Piauí a legenda fez acordos similares em detrimento de seus próprios quadros.

“A decisão envolvendo Minas e Pernambuco é estrategicamente correta tendo em vista a disputa nacional”, afirma o cientista político da Unicamp Oswaldo Amaral, autor de um livro sobre o partido. “Nas eleições em que o PT se coligou com o PSB, a legenda do ex-presidente Lula já havia aberto mão de várias disputas nos Estados nordestinos em troca deste apoio nacional”. De acordo com Amaral, a aposta da legenda é, tendo em vista a articulação de Geraldo Alckmin com o Centrão, forçar a polarização entre esquerda e direita que tem se repetido nos últimos pleitos. “Neste cenário é preciso reduzir o número de oponentes, para isso servem as coligações, além do tempo de TV, claro. Se você tira estrutura de alguém que pode disputar seu eleitorado fica mais fácil”, completa, referindo-se à manobra petista para isolar Ciro. Assim, Arraes se tornou uma espécie de dano colateral do plano petista. “Felizmente ela é nova, terá outra oportunidade no próximo pleito”, diz.

Do ponto de vista pragmático, Minas é um Estado-chave que representa o segundo maior colégio eleitoral do Brasil, com mais de 10% do total de eleitores, atrás apenas de São Paulo. Já Pernambuco concentra pouco menos que 5% dos votantes. “Com o acordo o PT reforça um Estado importante do ponto de vista nacional, mas também se fortalece regionalmente: Minas é um dos poucos do Sul e Sudeste onde a legenda tem chances de se manter no poder, tendo em vista que nestas regiões a crise de popularidade pela qual o partido passa é mais forte”, afirma o cientista político Rafael Cortez, da Tendências Consultoria.

“Não adianta mais tentar unir a esquerda por meio de chantagem”Seja como for, a decisão deve demorar para decantar. Preterida em Pernambuco, Marilia Arraes, que ocupa a segunda colocação nas pesquisas mais recentes e é herdeira do legado político do ex-governador Miguel Arraes, afirmou que irá recorrer. “Respeito a decisão da Executiva Nacional, mas vou recorrer (…) Somos os únicos capazes de defender o projeto do presidente Lula e vamos recorrer até a última instância”, disse a petista. Nesta quinta, o senador petista Humberto Costa foi recebido aos gritos de “golpista” no encontro estadual do PT, registrou em vídeo o jornal Diário de Pernambuco. Marília também discursou e falou duro: “Não adianta mais tentar unir a esquerda por meio de chantagem. É o que o PSB Está fazendo. O PSB chantageia o PT”, disse.

Minas Gerais Márcio Lacerda (PSB) também não viu com bons olhos ser rifado na negociação. Em nota o ex-prefeito disse que tomou conhecimento da decisão do PSB de apoiar o atual governador Pimentel com “indignação, perplexidade, revolta e desprezo”. Ele também afirmou que não pretende disputar o Senado pela legenda, opção sugerida pelo presidente nacional do partido Carlos Siqueira, e também sinalizou que deve recorrer.Esta não foi a primeira vez que a cúpula do PT tomou decisão polêmica em Pernambuco. Nas eleições de 2012 a legenda desconsiderou a vitória nas prévias do então prefeito do Recife e candidato à reeleição, João da Costa, para impor a candidatura de Humberto Costa. A decisão, ungida por Lula, que participou ativamente da campanha de Costa, dividiu o partido e levou a uma vitória de Geraldo Júlio (PSB).

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