Constança Rezende
 

RIO – A hoje aliada do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL), a advogada do impeachment JanaÍna Paschoal já fez críticas ao candidato no Twitter. Em um post datado de 24 de novembro do ano passado, Janaína chegou a dizer que não gostava “do tom” do deputado e que ele “haveria de cuidar mais de sua fala”. Os dois devem se encontrar nesta segunda-feira, 30, em São Paulo para discutir a possibilidade dela ser vice na chapa do deputado á Presidência da República.

“Eu sei que os filhos de Bolsonaro, às vezes, escrevem aqui. Isso muito me honra. Tenho grande respeito por toda a família, mas não gosto do tom do Deputado. Ele é idolatrado pelos meninos. Na condição de líder, haveria de cuidar mais de sua fala. Ando preocupada com isso”, afirmou na postagem de 24 de novembro de 2017.

Janaína recebeu diversas respostas de eleitores de Bolsonaro criticando sua manifestação. “Não se preocupe dra, os filhos de Bolsonaro falam exatamente a linguagem do povo brasileiro!”, disse uma. Já outro afirmou que Janaína “tinha acordado com o pé esquerdo” naquele dia. “Com todo o respeito, Bolsonaro não é idolatrado pelos meninos, ele é respeitado e admirado por muitos pais de família, que já cansaram da velha forma de fazer política!”, afirmou.

Em 12 de novembro do ano passado, Janaína voltou a mencionar Bolsonaro. Nessa publicação, ela afirmou que Bolsonaro precisava ponderar seu discurso e ouvir pessoas que pensam diferente. Foi o mesmo tom usado pela advogada no lançamento da candidatura do deputado.

“Se eu puder dar um conselho a Bolsonaro, digo que ele não deve contratar marqueteiro para sua campanha. Não queremos candidatos fake! Ele precisa ouvir pessoas que pensam diferente dele, para ponderar o discurso, não por votos, mas para o bem do país!”, afirmou no dia 12 de novembro.

Ao Estado, Janaína afirmou que não vê estes tweets como críticas, “mas como conselhos” ao deputado. “Estão em consonância com o que eu falei na convenção. E, pelo que tenho observado, ele está cuidando dessas questões”, afirmou.

PSL

O presidente do partido, Gustavo Bebianno, disse que as opiniões de Janaína são de uma “mulher forte”, que pode “agregar” à chapa. “Não sei em que contexto ela disse isso, mas antes a impressão que ela tinha do Bolsonaro era formada pela mídia. Hoje, ela o conhece em um contexto melhor”, afirmou.

Nesta segunda-feira, 30, Bolsonaro se encontrará com Janaína em São Paulo , em ma tentativa de acertar a sua candidatura como vice na chapa. A aliança ficou abalada após Janaína dizer, no lançamento da campanha, que parte de seus aliados tinha “pensamento único” e advertiu que havia a possibilidade de o PSL se transformar em um “PT ao contrário”.

Ela também pensa diferente do deputado em aspectos como cotas raciais, redução da maioridade penal e sobre a ONU, à qual Bolsonaro faz duras críticas. Bebianno admitiu que as declarações de Janaína na convenção podem ter sido feitas “em um momento não muito adequado”, mas provam que Janaína é uma mulher de opinião forte.

“Não precisamos concordar em 100%, mas Janaína é uma pessoa aberta ao diálogo, que debate”, disse. Já a advogada disse ao Estado que irá ao encontro “mais para ouvir do que para falar”. “Quero entender exatamente qual a expectativa dele relativamente ao seu vice”, disse.

Janaína já afirmou que discorda da frase de Josué Gomes, filho do ex-vice-presidente José de Alencar e cotado como vice do presidenciável Geraldo Alckmin (PSDB), de que um vice “não manda nada”.

Possível aliança com João Amoêdo

Janaína disse nesta segunda-feira, 30, em entrevista à Rádio Jornal, no Recife, que Bolsonaro e o pré-candidatoJoão Amoêdo, do Novo, têm pensamentos em comum que podem levar a uma chapa capaz de “reconstruir o Brasil”. “Os dois buscam fazer as coisas diferentes, querem discutir ideias e não valores, veem a necessidade de enxugar a máquina estatal. (Amoêdo) é contrário à descriminalização das drogas e nós também. Acho importante Bolsonaro unir várias forças neste momento”, afirmou.

De acordo com a advogada, o esforço para ter Amoêdo como vice na chapa de Bolsonaro não tem a ver com o tempo de televisão, mas com a “governabilidade” a partir de 2019. “Não vou dizer que ele seja melhor ou pior do que eu (para ocupar a vice), mas ele é líder de um partido e muitos parlamentares serão eleitos pelo partido dele. Eu não penso no tempo de TV. Penso no momento de governar, por isso, acho interessante (essa aliança)”, disse. (Colaborou Kleber Nunes)

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Comentários

Daniel on 31 julho, 2018 at 1:11 #

Mais uma reportagem de teor tão nonsense que chega a ser hilariante…


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