Por G1 SP, São Paulo

Jurista Hélio Bicudo, autor de requerimento de impeachment de Dilma (Foto: J. F. Diorio/Estadão Conteúdo) Jurista Hélio Bicudo, autor de requerimento de impeachment de Dilma (Foto: J. F. Diorio/Estadão Conteúdo)

O jurista e político Hélio Bicudo, de 96 anos, morreu na manhã desta terça-feira (31) em sua casa, nos Jardins, em São Paulo. Os locais do velório e do enterro ainda não foram divulgados.

Professor de direito do Largo São Francisco e ex-integrante do Partido dos Trabalhadores (PT), Bicudo foi um dos autores do pedido de impeachment contra a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) na Câmara dos Deputados em 2015.

 
 

“Fico feliz, mas devo externar a minha preocupação”, diz jurista Hélio Bicudo

Ativista dos Direitos Humanos, ficou conhecido por condenar integrantes do Esquadrão da Morte, uma organização paramilitar que agia em São Paulo nos anos 70, época em que era promotor.

Posteriormente, o jurista atuou como procurador de Justiça do Estado de São Paulo. Em 86, Bicudo filiou-se ao PT e foi candidato ao Senado. Foi secretário dos Negócios Jurídicos do município de São Paulo na gestão da ex-prefeita Luiza Erundina entre 1989 a 1990, ano em que se elegeu deputado federal.

 
 
Hélio Bicudo fala sobre impeachment

Hélio Bicudo fala sobre impeachment

 

Em 2000, foi empossado presidente da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, com sede em Washington, nos Estados Unidos. Entre 2001 e 2004, foi vice-prefeito de São Paulo durante a gestão da petista Marta Suplicy. Em 2005, Bicudo deixou o PT.

Ele deixa sete filhos, netos e bisnetos. Ele estava viúvo desde março, data em que sua mulher Déa faleceu.

São Paulo
Jornalista Vladimir Herzog, assassinado pela ditadura militar.
Jornalista Vladimir Herzog, assassinado pela ditadura militar. Reprodução

 

O Ministério Público Federal de São Paulo (MPF-SP) irá retomar as investigações sobre a morte do jornalista Vladimir Herzog, torturado e assassinado em 1975, durante a ditadura militar, aos 38 anos. O inquérito será reaberto após o Estado brasileiro ter sido condenado pela Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) em 4 de julho pela falta de investigação, julgamento e possíveis punições aos responsáveis. O tribunal, ligado à Organização dos Estados Americanos (OEA), também determinou que o assassinato de Herzog deve ser considerados como um crime de lesa-humanidade e instou a reabertura do caso. O cumprimento por parte do Estado brasileiro, que é signatário da corte, é obrigatório, ainda que decisões anteriores no mesmo sentido sigam, em última instância, bloqueadas pela interpretação que o Supremo Tribunal Federal faz da Lei de Anistia, de 1979.

O anúncio da reabertura do caso foi feito nesta segunda-feira por procuradores da República e integrantes da ONG Centro de Justiça e Direito Internacional (Cejil), além de Ivo e Clarice Herzog (filho e viúva do jornalista, respectivamente), na sede da TV Cultura — órgão de imprensa no qual o jornalista trabalhava quando foi morto, durante o Governo de Ernesto Geisel. Em 24 de outubro de 1975, Herzog, então com 38 anos, apresentou-se voluntariamente para depor às autoridades militares no DOI/CODI, em São Paulo. Ele acabou preso, interrogado, torturado e finalmente assassinado. A versão de que ele havia se suicidado, e a divulgação de fotos montadas para sustentar essa versão, causou indignação e provocou um massivo protesto em São Paulo, onde uma celebração ecumênica foi realizada, na catedral da Sé.

Desde o início dos anos 90 foram ao menos quatro tentativas de reabrir o caso na Justiça, mas a Lei da Anistia, de 1979, sempre foi evocada para impedir que as investigações avançassem. Até agora, os documentos relativos à investigação estavam em Brasília, na 2ª Câmara de Coordenação e Revisão (CCR) e o inquérito estava suspenso a pedido do MPF-SP, que aguardava decisão da CIDH. O processo já voltou a São Paulo e está no gabinete de Ana Letícia Absy, procuradora responsável pelo caso, que deverá nos próximos dias abrir uma Procedimento Investigatório Criminal, o ponta pé inicial para retomar o caso.

A última tentativa de levar a cabo uma condenação correu em 2008, quando o caso foi arquivado por prescrição. A diferença é que agora a CIDH considerou que o assassinato de Herzog foi um crime contra a humanidade, que não é passível de prescrição e nem da aplicação da Lei da Anistia, que previu o perdão tanto para os crimes cometidos pela ditadura como por seus opositores, segundo afirmou na entrevista coletiva Sérgio Suiama, procurador da República e perito na CIDH. Suiama ainda disse que o caso é “atípico” porque “houve um inquérito militar”, que resultou na falsa versão de que houve um suicídio. “Houve um inquérito para justificar o que houve, ou seja, deixaram rastros que facilitam o trabalho do Ministério Público”.

Para Beatriz Affonso, diretora do Cejil, que levou o caso a CIDH junto com a família Herzog, a condenação no tribunal e a reabertura do caso pode fazer com que outros sejam investigados, uma vez que “os administradores de Justiça no Brasil vão ter que enfrentar que é não poder usar prescrição e a Lei de Anistia como obstáculo para investigação”, explicou. “As outras investigações também não vão poder ser barradas por isso ou, com certeza, vai criar um mal estar de outro patamar. Com certeza, vamos parar no STF para decidir sobre o crime contra a humanidade”.

A CIDH também responsabilizou o Brasil pela violação ao direito à verdade e à integridade pessoal em prejuízo dos familiares de do jornalista. No mês passado, o Ministério dos Direitos Humanos soltou uma nota afirmando que ela “representa uma oportunidade para reforçar e aprimorar a política nacional de enfrentamento à tortura e outros tratamentos cruéis, desumanos e degradantes, assim como em relação à investigação, processamento e punição dos responsáveis pelo delito”. A sentença de julho foi a segunda condenação do Brasil na matéria, que em 2010 foi responsabilizado pela CIDH pelo desaparecimento de 62 pessoas na Guerrilha do Araguaia, em 1974.

Ainda que o Ministério Público Federal já tenha aberto mais de trinta investigações relativas à crimes na ditadura, a maior parte acaba barrado na Justiça, que faz do Brasil o mais atrasado na matéria entre seus vizinhos vítimas de regimes autoritários. O principal entrave é o Supremo, que reafirmou a validade da Lei da Anistia em 2010. Agora, a decisão do CIDH é uma nova pressão para que a corte retome o tema. Como parte da ofensiva, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, fez um movimento em fevereiro. Ao pedir ao STF que reabra o caso do ex-deputado Rubens Paiva, morto pelo regime em 1971, insistiu que o Supremo trate o tema como “prioridade” e rediscuta o alcance da anistia.

F

Fabulosa canção!!! Magnífica intérprete.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares).  

Por Karina Trevizan, G1

Diretores da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) decidiram suspender as novas regras de cobrança de coparticipação e franquia nos planos de saúde. Com a decisão, continuam valendo as regras atuais, que não estabeleciam limite de cobrança de coparticipação e franquia.

A revogação foi proposta pelo diretor Rodrigo Aguiar durante reunião realizada por integrantes da agência nesta segunda-feira (30). A diretora Simone Freire concordou com a proposta. Após a reunião, a ANS divulgou uma nota à imprensa informando que irá “reabrir a discussão sobre coparticipação e franquia”.

As normas que foram suspensas integram a resolução normativa nº 433, anunciada em junho pela ANS. A resolução permitia que as operadoras cobrassem dos clientes de planos com coparticipação até 40% do valor das consultas e outros procedimentos.

Ao ler sua proposta de suspensão, Aguiar frisou que o objetivo da norma era ampliar os mecanismos de “proteção” ao consumidor, mas emendou que “a ANS deve reconhecer” que, ao ser publicada, a nova norma “causou grande apreensão à sociedade, que não a recepcionou da forma positiva como se esperava”.

“É de fato uma medida salutar que a gente dê um passo atrás para dar passos à frente. No momento em que as normas não são compreendidas, o que a gente fala não é devidamente compreendido, a gente talvez tenha que adotar outros caminhos”, disse Freire em seguida.

Os diretores discutiram ainda a possibilidade de serem feitas consultas populares para a elaboração de novas normas sobre o assunto. “Faz diferença a gente sentar e ouvir diretamente a sociedade”, afirmou Freire. Na nota divulgada após a reunião, a ANS informou que irá promover uma nova audiência pública para discutir o tema, mas ainda não há data definida.

“A ANS informa, ainda, que se reunirá com as principais instituições públicas que se manifestaram sobre a matéria, com o objetivo de ouvir suas sugestões para a construção de um entendimento uniforme sobre o assunto”, disse a agência.

 

Equipamento de tomografia, na área oncológica do Hospital Luzia de Pinho Melo, em Mogi das Cruzes (Foto: Maiara Barbosa/G1) Equipamento de tomografia, na área oncológica do Hospital Luzia de Pinho Melo, em Mogi das Cruzes (Foto: Maiara Barbosa/G1)

Equipamento de tomografia, na área oncológica do Hospital Luzia de Pinho Melo, em Mogi das Cruzes (Foto: Maiara Barbosa/G1)

Desde o dia 16 de julho, as novas regras já estavam suspensas provisoriamente, após decisão da presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), a ministra Carmen Lúcia.

A suspensão atendeu pedido da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que alegou que o pagamento de até 40% do valor de consultas e exames seria um reajuste “abusivo” em relação à média atual de 30% cobrada pelos planos de saúde.

Após a decisão da ANS nesta segunda, opresidente nacional da OAB, Claudio Lamachia, comemorou a suspensão em nota divulgada pela entidade. “É uma vitória da sociedade que demonstrou sua inconformidade com a postura da ANS”, afirmou. “Os usuários, fim maior da prestação dos serviços públicos, têm sido prejudicados cotidianamente por algumas agências que agem como verdadeiros sindicatos das empresas, defendendo apenas seus interesses comerciais.”

Pierre Verger e Dorival Caymmi (sem data) Arlete Soares

Quase certeza que você já viu alguma fotografia de Pierre Verger. Imaginar o Brasil sem suas imagens é tentar imaginar outro país, porque foram elas que, em boa parte, consolidaram a ideia de identidade afro-brasileira: as religiões, os meios de vida, o trabalho, a Cultura com C maiúsculo. O trabalho do francês Verger, etnologista, antropólogo, viajante, fotógrafo, é, sem dúvidas, um dos materiais mais icônicos da história do país. Por isso, hoje é praticamente impossível conceber que algum dia sua produção precisou do trabalho de guerrilha de uma pequena editora, a Corrupio – fundada em 1979 especialmente para publicação de Verger – para chegar ao público brasileiro.

 

Como forma de reconhecimento pelo trabalho de difusão da obra do fotógrafo, a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), que terminou neste domingo, 29, escolheu homenagear a editora Corrupio. “A Joselia [Aguiar] teve a sensibilidade de perceber a importância do nosso trabalho, que faz 40 anos no ano que vem e sugeriu essa história”, diz uma das fundadoras da Corrupio, Arlete Soares. A homenagem acontece em uma parceria com a editora Sesi-SP, que montou uma exposição dedicada a Verger em um dos muitos espaços de programação paralela da 16ª edição da Flip – a editora de São Paulo também acabou de fechar uma parceria para publicar parte de obras fora do catálogo da baiana, como alguns livros de texto de Verger.

Durante o movimentado ano de 1968, Soares estava na França fazendo um doutorado em psicologia social sobre uma comunidade de pescadores baiana quando seu orientador lhe recomendou a leitura de Flux et Reflux, um tratado de cerca de 800 páginas que estabelecia uma conexão entre os fluxos migratórios de Brasil e África resultantes da escravidão. O autor? Pierre Verger. Mas ela não conseguiu encontrar o livro, que estava esgotado, então fez melhor. Comentou com o escritor Jorge Amado que estava procurando a publicação. Ele, de pronto, a apresentou ao próprio Verger, que morando na Nigéria, estava de passagem pela França.

O fotógrafo enviou um exemplar para Soares. De uma só vez, a pesquisadora ficou impressionada com o material e prometeu a ele que aquilo seria publicado também no Brasil. “Por que o livro tinha que ser em francês se tudo aquilo tão rico e tão detalhado era sobre nós?”, perguntou-se. “Paris fervilhava e o interesse pela minha tese desvanecia em meio a sonhos, barricadas e a minha nova paixão: a fotografia”. Entre 1968 e 1979, até a editora Corrupio se lançar junto do livro Retratos da Bahia, com 256 fotos de Verger, muita coisa aconteceu.

Nesses cerca de dez anos, Soares conheceu o trabalho de Verger de perto. Na França, ele guardava cerca de 130 quilos de negativos fotográficos em uma cave. Eram, em grande parte, registros feitos por ele desde 1942, quando estabeleceu sua conexão com o Brasil. Conheceu a casa espartana em que Verger vivia na rua Corrupio – daí o nome da editora –, em Salvador, e ouviu o “não” de muitos editores para quem ela propunha a publicação das fotos. “Ouvi até coisas do tipo: ‘quem vai querer comprar um livro desse tamanho com foto de preto?”, conta. “Como eu podia dizer para o Verger que ninguém queria publicar suas fotos no Brasil? Foi aí que tivemos a ideia da editora”.

“O Verger era conhecido de uma certa intelectualidade brasileira, ele tinha trabalhado na revista Cruzeiro, era amigo de Caribé, de Jorge Amado, de Dorival Caymmi, mas não tinha nada publicado aqui no Brasil, só em outros países”, relembra Soares. Assim, quando saiu o primeiro livro Retratos da Bahia, mais barato e fácil de ser editado que a ideia inicial de publicação de Flux et Reflux, causou sensação. O poeta Carlos Drummond de Andrade escreveu em sua coluna no Jornal do Brasil: “Saravá Mestre! Recebi Retratos da Bahia e agora não posso dizer mais que ‘nunca fui lá’. Se o professor Freud desembarcasse lá, sei não, mas a psicanálise seria outra ciência, talvez uma arte. Obrigado pelo presente, meu venerável oju obá, que tens o sagrado direito de agitar o xerê de Xangô”.

Rina Angulo e Arlete Soares, da Corrupio
Rina Angulo e Arlete Soares, da Corrupio André de Oliveira
 

Assim, de uma hora para outra, a Corrupio virou mais do que uma editora, mas também uma produtora de audiovisual, galeria, laboratório, livraria e centro cultural. Primeiro, tudo girando ao redor de Verger. Depois, também das outras publicações, sempre voltadas para a afro-brasilidade, como o primeiro livro do antropólogo Antonio Risério. “Eu cheguei fugida da ditadura em El Salvador na data do lançamento de Retratos da Bahia e fiquei na editora desde então”, conta Rina Angulo, que tem tocado a Corrupio ao lado de Soares nesses últimos quase quarenta anos. A enorme importância da editora nunca se reverteu em fama nacional. “É impressionante, mas na França e em outros países saíam matérias sobre nosso trabalho e aqui nada”, diz Angulo.

“Por aqui, quem mais se interessava pelos livros era o povo de santo, muitas vezes pobre, para quem nós vendíamos as edições mais baratas. Eles chegavam a mandar cartas escritas ‘querida, editora’. Já viu editora ser chamada de ‘querida?”, se diverte Soares. Na lembrança delas, Verger vivia, em Salvador, como um monge, em uma rua sem esgoto ou asfalto. Era o filho de uma família de ricos gráficos que decidiu vender tudo para viajar o mundo e acabou se apaixonado pelo Brasil. Uma vez, contam, Caetano Veloso lhe perguntou: “Você gosta mesmo é de tirar fotos em preto e branco, não?” ao que Verger respondeu que “gostava mesmo de preto”. O fotógrafo explicava que o racismo do mundo era tal que os filmes eram todos desenvolvidos para fotografar a pele branca

Caso de racismo da Flip

A. O.

As falas de um racismo escancarado que Soares ouviu ao tentar publicar as fotos de Verger podem até parecer algo do passado para alguns, mas estão presentes estes dias mesmo na Flip. O ex-curador do prêmio Jabuti e representante da editora PUC-SP, José Luiz Goldfarb, presente na programação paralela do evento, está sendo acusado de racismo por, segundo Sara Cristina Trajano, da editora Patuá, ter dito que “é por causa de pessoas como você, da cor morena, que o mundo está assim”. Trajano fez um boletim de ocorrência em Paraty e a organização da Flip disse, por meio da assessoria de imprensa, que repudia atos de violência e racismo e pediu o afastamento de Goldfarb do evento. Ele nega ter dito a frase. As informações são do jornal O Globo.

Constança Rezende
 

RIO – A hoje aliada do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL), a advogada do impeachment JanaÍna Paschoal já fez críticas ao candidato no Twitter. Em um post datado de 24 de novembro do ano passado, Janaína chegou a dizer que não gostava “do tom” do deputado e que ele “haveria de cuidar mais de sua fala”. Os dois devem se encontrar nesta segunda-feira, 30, em São Paulo para discutir a possibilidade dela ser vice na chapa do deputado á Presidência da República.

“Eu sei que os filhos de Bolsonaro, às vezes, escrevem aqui. Isso muito me honra. Tenho grande respeito por toda a família, mas não gosto do tom do Deputado. Ele é idolatrado pelos meninos. Na condição de líder, haveria de cuidar mais de sua fala. Ando preocupada com isso”, afirmou na postagem de 24 de novembro de 2017.

Janaína recebeu diversas respostas de eleitores de Bolsonaro criticando sua manifestação. “Não se preocupe dra, os filhos de Bolsonaro falam exatamente a linguagem do povo brasileiro!”, disse uma. Já outro afirmou que Janaína “tinha acordado com o pé esquerdo” naquele dia. “Com todo o respeito, Bolsonaro não é idolatrado pelos meninos, ele é respeitado e admirado por muitos pais de família, que já cansaram da velha forma de fazer política!”, afirmou.

Em 12 de novembro do ano passado, Janaína voltou a mencionar Bolsonaro. Nessa publicação, ela afirmou que Bolsonaro precisava ponderar seu discurso e ouvir pessoas que pensam diferente. Foi o mesmo tom usado pela advogada no lançamento da candidatura do deputado.

“Se eu puder dar um conselho a Bolsonaro, digo que ele não deve contratar marqueteiro para sua campanha. Não queremos candidatos fake! Ele precisa ouvir pessoas que pensam diferente dele, para ponderar o discurso, não por votos, mas para o bem do país!”, afirmou no dia 12 de novembro.

Ao Estado, Janaína afirmou que não vê estes tweets como críticas, “mas como conselhos” ao deputado. “Estão em consonância com o que eu falei na convenção. E, pelo que tenho observado, ele está cuidando dessas questões”, afirmou.

PSL

O presidente do partido, Gustavo Bebianno, disse que as opiniões de Janaína são de uma “mulher forte”, que pode “agregar” à chapa. “Não sei em que contexto ela disse isso, mas antes a impressão que ela tinha do Bolsonaro era formada pela mídia. Hoje, ela o conhece em um contexto melhor”, afirmou.

Nesta segunda-feira, 30, Bolsonaro se encontrará com Janaína em São Paulo , em ma tentativa de acertar a sua candidatura como vice na chapa. A aliança ficou abalada após Janaína dizer, no lançamento da campanha, que parte de seus aliados tinha “pensamento único” e advertiu que havia a possibilidade de o PSL se transformar em um “PT ao contrário”.

Ela também pensa diferente do deputado em aspectos como cotas raciais, redução da maioridade penal e sobre a ONU, à qual Bolsonaro faz duras críticas. Bebianno admitiu que as declarações de Janaína na convenção podem ter sido feitas “em um momento não muito adequado”, mas provam que Janaína é uma mulher de opinião forte.

“Não precisamos concordar em 100%, mas Janaína é uma pessoa aberta ao diálogo, que debate”, disse. Já a advogada disse ao Estado que irá ao encontro “mais para ouvir do que para falar”. “Quero entender exatamente qual a expectativa dele relativamente ao seu vice”, disse.

Janaína já afirmou que discorda da frase de Josué Gomes, filho do ex-vice-presidente José de Alencar e cotado como vice do presidenciável Geraldo Alckmin (PSDB), de que um vice “não manda nada”.

Possível aliança com João Amoêdo

Janaína disse nesta segunda-feira, 30, em entrevista à Rádio Jornal, no Recife, que Bolsonaro e o pré-candidatoJoão Amoêdo, do Novo, têm pensamentos em comum que podem levar a uma chapa capaz de “reconstruir o Brasil”. “Os dois buscam fazer as coisas diferentes, querem discutir ideias e não valores, veem a necessidade de enxugar a máquina estatal. (Amoêdo) é contrário à descriminalização das drogas e nós também. Acho importante Bolsonaro unir várias forças neste momento”, afirmou.

De acordo com a advogada, o esforço para ter Amoêdo como vice na chapa de Bolsonaro não tem a ver com o tempo de televisão, mas com a “governabilidade” a partir de 2019. “Não vou dizer que ele seja melhor ou pior do que eu (para ocupar a vice), mas ele é líder de um partido e muitos parlamentares serão eleitos pelo partido dele. Eu não penso no tempo de TV. Penso no momento de governar, por isso, acho interessante (essa aliança)”, disse. (Colaborou Kleber Nunes)

jul
31
Posted on 31-07-2018
Filed Under (Artigos) by vitor on 31-07-2018



 

Sinovaldo, no

 

jul
31
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  Neymar comercial Gillette marketingEm anúncio publicitário, Neymar reconhece exageros dentro de campo. Reprodução
São Paulo

Finalmente, Neymar reconhece que exagera nas simulações e, sobretudo, que é um ser humano passível de erros. O depoimento em primeira pessoa, apesar de calculado, parecia um indício de que o craque da seleção brasileira e do PSG está disposto a rever comportamentos que depreciaram sua imagem na Copa do Mundo. Até surgir no fim do vídeo divulgado neste domingo o logotipo e o slogan de uma campanha publicitária da Gillette. Ao tentar se reerguer, o atacante caiu no embuste de uma ação comercial disfarçada de exercício de humildade. Em um período delicado da carreira, se presta ao papel de garoto-propaganda de empresa que não se preocupa com as críticas que ele sofre, mas sim em seguir lucrando com sua imagem a todo custo.

Por meio das redes sociais, a Gillette defendeu a campanha: “Nossa ideia é mostrar que a cada manhã, quando se olharem no espelho durante o barbear, todos os homens possam refletir sobre o dia anterior. Independentemente da batalha, todo dia é uma nova chance de fazer algo novo e ser melhor e mais forte”. Pela régua das métricas de audiência, a marca provavelmente se sentirá fortalecida com a jogada de marketing, já que a peça foi veiculada no horário nobre da televisão e acumula mais de um milhão de visualizações na Internet. No entanto, para Neymar, a repercussão negativa do vídeo só aumenta seu desgaste. É improvável que ele se olhe no espelho como uma pessoa melhor depois de emprestar voz e supostos sentimentos a um merchan que reforça estereótipos inconvenientes.

Neymar saiu da Copa com a pecha de menino mimado, explorada à exaustão em críticas muitas vezes desmedidas e até mesmo preconceituosas. O texto publicitário, recheado de contornos épicos, mas pouco assertivo no conteúdo, atesta que o atacante é caçado dentro de campo e manda um solene “você não imagina o que eu passo fora dele”. Para incrementar o ar poético do roteiro, Neymar justifica atitudes infantis de maneira emotiva: “Ainda não aprendi a me frustrar”. O futebol não é o único reduto de adultos que se comportam como adolescentes. Condutas semelhantes às de Neymar são comuns em outras áreas, ainda que não recebam o mesmo escrutínio. Entretanto, como rebater o rótulo de mimado atribuído a um homem de 26 anos, milionário bem-sucedido, que hiperdimensiona o sofrimento e se omite diante de frustrações?

Novamente, como já aconteceu em outras ocasiões em que se manifestou após rompantes de imaturidade, Neymar promete uma mudança de postura que até hoje não colocou em prática: “Demorei a me transformar em um novo homem”, recita o jogador antes de se dirigir ao torcedor para explicar por que deixou o jogo da eliminação para a Bélgica sem dar entrevista: “Não aprendi a te decepcionar”. Por fim, o comercial alimenta nas entrelinhas a tese da Neymardependência, ao atrelar a empolgação dos brasileiros com a seleção aos lampejos de inspiração do craque: “Porque quando eu fico de pé, parça, o Brasil inteiro levanta comigo”. Mais do que nunca, Neymar precisa se despir do excesso de individualismo em nome de um coletivo forte que alivie de suas costas o peso da responsabilidade, mas o discurso publicitário sugere o contrário. Que ele continue sendo o centro das atenções, algo que contribui para que, no calor das derrotas, as maiores pedras sejam arremessadas em sua direção.

O tom do comercial soa mais como um pedido de desculpa do que autocrítica, como se o jogador tivesse de se desculpar por qualquer coisa. Misturando mea culpa com propaganda, Neymar retrocedeu as casas que havia avançado depois da Copa ao falar com a imprensa durante um evento de sua fundação e rir de si mesmo ao brincar com crianças sobre a fama de cai-cai. Não há como reconhecer erros, assimilar reprimendas ou levantar bandeiras quando a tomada de posição é forjada por compromissos publicitários.

“O principal craque brasileiro está reduzido apenas a um produto, disposto a capitalizar até autocrítica, por quem deveria se esforçar para humanizá-lo”

Deveria ter aprendido a lição com a campanha “Somos Todos Macacos”, que ele emplacou em 2014 sob a influência de uma agência de publicidade, sugerindo não levar tão a sério ofensas e deboches racistas. Passado o burburinho embalado por celebridades que compõem seu círculo de amizades, Neymar, alvo constante de insultos discriminatórios em estádios pela Europa, nunca mais se portou como um militante combativo contra o racismo. Em que pese seu talento e apelo midiático, prefere recorrer ao conforto dos pronunciamentos via rede social ou à sacada de marketing oportunista, que só corrobora o estigma de uma personalidade sem voz própria.

Neymar pai se orgulha de tratar o filho como “cliente”. Se julga merecedor de um prêmio por capitanear sua “gestão de carreira”. O principal craque brasileiro está reduzido apenas a um produto, disposto a capitalizar até autocrítica, por quem deveria se esforçar para humanizá-lo. O pai-gestor vende o conceito do atleta-produto como se fosse possível separar o filho do jogador. Pela condução acidentada dos momentos de crise, em que não raro o genitor toma para si o papel de protagonista no intuito de resguardar seu “produto”, já passou da hora de Neymar copiar o amigo Lewis Hamilton. Em 2010, o piloto tomou a decisão de afastar o pai, que também administrava sua carreira, dos negócios. “Queria que ele fosse somente meu pai”, explicou na época. Anthony Hamilton demorou a aceitar a limitação do laço paternal: “Desejava tanto que ele fosse bem-sucedido que isso me levou a ser mais empresário que pai”. Desde então, o piloto trilhou sozinho seu caminho e ganhou mais três títulos mundiais na Fórmula 1.

Inegavelmente, tanto o pai de Hamilton como o de Neymar tiveram sua parcela de contribuição no sucesso dos filhos. Porém, expor pessoas como meros produtos, tendência num tempo em que a publicidade se sobrepõe ao bom senso, pode implicar em consequências cruéis na relação entre pai e filho. Uma delas é achar, sem margem para contestação, que um bom acordo comercial vale mais que a autocrítica desprovida de cifras e filtros. Um “novo homem” não nasce de afagos, paternalismo e parcimônia. A gestão profissional baseada em valores familiares impede distinguir questionamentos injustos de críticas construtivas. Em sua bolha, Neymar é visto como um eterno perseguido, que, para combater inimigos, carece de superproteção. Isso diz muito sobre a assumida incapacidade de lidar com desapontamentos.

Frustrações digeridas em público deixam marcas definitivas de caráter. Julio Cesar foi um grande goleiro, mas o destino lhe impôs dois retumbantes fracassos em Copas do Mundo. Saiu de ambos com a cabeça erguida, de cara limpa, peito aberto e olhos marejados, exposto a todo julgamento que suas emoções pudessem despertar pelas expectativas que frustrou. Pendurou as chuteiras como um ser humano respeitado, maior que a figura do ídolo. O futebol precisa de mais autenticidade, sentimentos genuínos e reações espontâneas, não de discursos prontos em forma de desabafo patrocinado.

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