G1/O GLOBO

Por Cauê Muraro, G1, Paraty

O cantor e compositor Zeca Baleiro na sessão de encerramento da Flip 2018 (Foto: Walter Craveiro/Divulgação) O cantor e compositor Zeca Baleiro na sessão de encerramento da Flip 2018 (Foto: Walter Craveiro/Divulgação)

 

A escritora Hilda Hilst (1930-2004), homenageada da 16ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), “era rock’n’roll”, “boca suja”, “um personagem” e “tinha o germe provocativo”.

A avaliação é cantor e compositor Zeca Baleiro, que neste domingo (29), último dia do evento, participou da sessão de encerramento da festa, ao lado da atriz Iara Jamra e do fotógrafo Eder Chiodetto.

Os três fizeram trabalhos inspirados na obra de Hilda. No caso do músico, ele lançou em 2006 o álbum “Ode descontínua e remota para flauta e oboé: De Ariana para Dionísio”, criado a partir da escritora e com participação de cantoras como Maria Bethânia, Zélia Duncan, Angela Ro Ro e Angela Maria.

No fim da mesa, chamada “O escritor seus múltiplos”, Zeca cantou uma faixa do disco, esquema voz e violão. Foi aplaudido e ouviu gritos de “mais um!”. Teve de fazer um bis.

Antes, tinha contado que Hilda uma vez telefonou para contar que era fã de um hit dele, “Heavy Metal do Senhor”. Na ocasião, aproveitou para perguntar: “Música dá dinheiro, né?”. O cantor explicou que não era bem por aí.

Outro momento aprovado foi um comentário de Iara Jamra sobre o livro “O caderno rosa de Lori Lamby”, adaptado aos palcos pela atriz.

 

A obra, uma das mais conhecidas de Hilda Hilst, tem forma de diário e é narrada por uma garota de oito anos que se prostitui obrigada pelos pais. As páginas trazem seu relato da atividade e de encontros com adultos.

Na estreia do que já havia dito nesta Flip 2018 nesta sexta-feira (27) a professora Eliane Robert Moraes, a que citou e elogiou, saiu em defesa da obra.

Iara afirmou “é literatura, é arte, e não é pedofilia” o que faz Hilda Hilst em “O caderno rosa de Lori Lamby”. Para a atriz, o público de hoje em dia talvez esteja “menos arejado, mais tenso”. “Tem que entender o lado da artista, é arte, é brincadeirinha.” A plateia riu.

Mais tarde, a pedido de seus colegas de debate, a atriz declamou um trecho do livro. Na passagem escolhida, interpretou, com sua conhecida voz de criança, um encontro da protagonista-narradora com um adulto.

Apesar do tema árduo do texto, houve novas risadas no público, inclusive quando Iara, do nada, interropeu. “Ai, eu esqueci!”. Ganhou aplausos.

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