Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. NELSON ALMEIDA AFP

 

O caso Lula e os últimos acontecimentos em torno da tentativa de libertá-lo da prisão a qualquer preço estão revelando algo mais profundo e grave: que, no Brasil, o espúrio conúbio entre política e justiça está jogando por terra o sentido sagrado da ética, que em suas origens supõe o reconhecimento entre “o bem e o mal”, como já advertia o filósofo Aristóteles. E quando um povo confunde os limites entre o bem comum e o pessoal, quando zomba da ética, coloca-se às portas da ditadura.

Se instituições como a política e a Justiça são concebidas por seus responsáveis como uma confraria de interesses pessoais, à custa das pessoas, é inevitável que surja a tentação de soluções autoritárias para impor e decidir o que é bom e o que é mau, à margem do que a sociedade possa pensar.

E esse é um perigo real hoje no Brasil, onde o emblemático caso de Lula, com tudo o que arrasta de paixões e interesses e que pode condicionar o presente e o futuro do país, está revelando que o conceito de ética está desmoronando a ponto de não se saber mais onde começa a verdade e a mentira, a liberdade e a tirania.

Quando uma sociedade percebe que os principais responsáveis nacionais por lutar pelo princípio da ética – vista como o sal que impede que a democracia apodreça – são os primeiros a pisoteá-la e ajoelhá-la perante seus interesses, não há nada de estranho que ela acabe envenenada, dividida, incrédula e tentada a tomar a justiça nas suas próprias mãos. Nesse ponto, a explosão de violência é inevitável.

Quando magistrados, juízes e políticos (preciso dar nomes?) usam seu poder a favor ou contra os que consideram ser “deles”, em detrimento do princípio de que ela deve ser igual para todos; quando os que nomeiam os cargos consideram normal que os nomeados sejam gratos a esses padrinhos ou ao seu partido, mesmo que à custa de usar dois pesos e duas medidas; quando observamos esse conluio político judicial à custa da sociedade e até da Constituição, não é de estranhar que as pessoas nas ruas vejam isso como um grotesco espetáculo que não corresponde ao peso e à importância de uma sociedade como a brasileira.

Que Lula seja julgado como qualquer outro cidadão, nem com maior nem com menor rigor, já que a lei é igual para todos. Mas que a sociedade sinta de forma palpável que esse rigor da lei serve também com os outros personagens da política. Do contrário, não é de estranhar que acabe convencida de que existem réus de estimação e réus para serem perseguidos.

E quando uma sociedade se sente traída e burlada, não é difícil que caia na tentação de jogar a ética na sarjeta para fazer justiça com as próprias mãos. Pudemos ver isso nos últimos dias, depois da loucura judicial da ordem de domingo do juiz Rogério Favreto de tirar Lula da prisão, e tudo o que isso desencadeou no mundo político e judicial. Um episódio que serve para pôr sobre a mesa a irritação nacional contra as diversas instituições. O eco que isso produziu entre cidadãos de ambos os lados do espectro político foi significativo e aterrador. Por parte da esquerda, os tuítes violentos lançados à sombra do anonimato das redes, como os que diziam: “Eu queria libertar Lula com as minhas mãos, e com as mesmas matar Moro”, ou “Gente, é preciso mandar matar o Moro”. E pela direita, a divulgação do celular do juiz Favreto, que também culminaram em ameaças de morte a ele e à sua família, e até o tuíte do general Paulo Chagas, que, com a cara descoberta, incita à violência contra o juiz que mandou soltar a Lula: “Gauchada!!! O nome dele é Rogerio Favreto. É um desembargador petralha, está de plantão no TRF.4. Será fácil encontrá-lo para manifestar-lhe, com a veemência cabível, a nossa opinião sobre ele e a sua irresponsabilidade. Ele é mais um apaixonado pelo ladrão maior. Conversem com ele”.

Alguém poderá estranhar que a sociedade se sinta em guerra? Dividida em lados, como quem a governa, quando vê que aqueles em quem deveria confiar para que a deusa da justiça não seja estuprada a colocam aos pés de seus piores interesses?

Até nas guerras, nos campos de batalha, existem entre inimigos certas regras e pausas em que os soldados enfrentados param para conversar e até se confraternizar. Na guerra do Brasil, não parece haver nem momentos de pausa para refletir. Existirá alguém com autoridade e moralidade capaz de erguer a bandeira branca da paz, ou os políticos continuarão aproveitando o descontrole que criaram para continuar pescando nas águas revoltas?

Quando na Espanha, há mais de 40 anos, faleceu o ditador militar Franco, o país, ferido com mais de um milhão de mortos vítimas da guerra civil, estava partido em dois. O então futuro rei Juan Carlos, perante o cadáver do ditador, prometeu: “Serei o rei de todos os espanhóis”. Ali começou a difícil e ainda inacabada reconciliação nacional.

Quando em um país perde-se a medida para distinguir o bem do mal, onde a Justiça pode ter muitas caras e a ética aparece doente e desprezada, a democracia corre perigo de morte e abrem-se as portas dos fantasmas autoritários.

Dá-lhe, Paulinho!

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

PGR diz haver indícios de que Lindbergh Farias recebeu dinheiro para favorecer a OAS

PGR diz haver indícios de que Lindbergh Farias recebeu dinheiro para favorecer a OAS

 

A Procuradoria Geral da República (PGR) enviou uma manifestação ao Supremo Tribunal Federal (STF) na qual disse haver indícios de que o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) atuou para favorecer a construtora OAS.

A manifestação foi revelada pelo jornal “O Globo”. A TV Globo também teve acesso ao documento, enviado no âmbito do inquérito que apura se Lindbergh recebeu propina para beneficiar a OAS numa medida provisória (MP) editada no governo Dilma Rousseff – saiba detalhes mais abaixo.

Em resposta, publicada no Facebook nesta segunda-feira (16), Lindbergh Farias afirmou que não foi responsável pela elaboração da MP, não participou da comissão do Senado que discutiu o tema nem participou da votação da medida provisória no plenário.

“Eles não se deram nem ao trabalho de apurar esses fatos antes de tentarem manchar o meu nome mais uma vez com essa insinuação mentirosa e absurda”, completou o senador.

Em nota divulgada nesta terça-feira (17), Lindbergh acrescentou: “Aviso a todos que esse tipo de insinuação é fake news e não vão me intimidar. Não vão me fazer parar de lutar contra a prisão de Lula, contra as reformas trabalhista e da previdência e contra esse sistema político e jurídico podre que só serve para aumentar o lucro de banqueiros e grandes empresários por meio da exploração do povo trabalhador.”

 

O senador Lindbergh Farias (PT-RJ), durante discurso na tribuna do Senado (Foto: Jefferson Rudy-Agência Senado) O senador Lindbergh Farias (PT-RJ), durante discurso na tribuna do Senado (Foto: Jefferson Rudy-Agência Senado)

O senador Lindbergh Farias (PT-RJ), durante discurso na tribuna do Senado (Foto: Jefferson Rudy-Agência Senado)

A manifestação da PGR foi enviada no mês passado ao ministro Celso de Mello, relator do caso no STF. No documento, o Ministério Público Federal pede a continuidade das investigações.

“Há indícios que o investigado [Lindbergh], enquanto ocupante do cargo de senador da República da base governista , teria influenciado a então presidente da República na propositura de vetos parciais, com vistas a favorecer os interesses do grupo OAS”, afirma a procuradora-geral, Raquel Dodge.

O inquérito foi aberto em setembro do ano passado para investigar a suspeita de que o senador recebeu R$ 320 mil da OAS “a título de propina” por suposta atuação no “processo legislativo da Medida Provisória 600/2012, convertida na Lei 12.833/2013”.

Raquel Dodge afirma que, segundo a Polícia Federal, os fatos apurados são de 2010, quando Lindbergh era prefeito de Nova Iguaçu (RJ), o que configuraria perda de foro privilegiado – o STF já decidiu que o foro só vale para casos relacionados ao mandato e em função da atividade parlamentar.

A procuradora-geral, contudo, discorda da PF e diz que “os fatos investigados ocorreram entre 2013 e 2014”, quando Lindbergh Farias já tinha mandato de senador.

O que diz a PGR

Segundo as investigações, mensagens extraídas do celular do ex-presidente da OAS José Aldemário Pinheiro Filho, o Léo Pinheiro, indicam um jantar em São Paulo, em junho de 2013, para acertar a suposta propina a Lindbergh.

O documento da PGR diz que estavam presentes ao jantar Marcos Queiroz Galvão, Ricardo Pessoa (UTC), Fustavo Rocha (Invepar) e Valdemir Flávio Pereira Garreta, então marqueteiro de Lindbergh. No encontro, diz o Ministério Público, teriam acertado o pagamento de R$ 320 mil ao senador.

A PGR também cita um relatório da Polícia Federal segundo o qual a aprovação da lei 12.833 (referente à MP) possibilitou o uso do Regime Diferenciado de Contratações Públicas, o qual permitiu a empresas serem contratadas sem obedecer a todos os ritos de segurança e transparência previstos pela Lei de Licitação.

 Raquel Dodge descreve, ainda, um trecho do relatório policial segundo o qual a lei permitiu “outros mecanismos que trouxeram facilidades para que empresas vinculadas a atividades de engenharia e infraestrutura fossem contratadas sem necessariamente serem submetidas aos critérios há adotados nas contratações públicas”.

Ao fim do documento, Raquel Dodge reforça que os fatos aconteceram durante o mandato do senador, ressaltando ao ministro Celso de Mello a “existência de diligências pendentes e necessárias ao deslinde das investigações”.

 (Foto: Editoria de Arte / G1)  (Foto: Editoria de Arte / G1)

(Foto: Editoria de Arte / G1)

jul
18
Posted on 18-07-2018
Filed Under (Artigos) by vitor on 18-07-2018

Chance de DEM apoiar Ciro ou Alckmin é a mesma, diz ACM Neto

ACM Neto disse a Andréia Sadi, no G1, que ainda são as mesmas as chances de o DEM –partido que preside– apoiar Ciro Gomes ou Geraldo Alckmin na eleição presidencial.

“Até quinta-feira, espero que estejamos em um processo mais maduro. A decisão não vai passar do dia 27”, afirmou o prefeito de Salvador.

Amanhã, ACM Neto vai se reunir com partidos do Centrão, incluindo PP e PRB. Segundo ele, o objetivo do bloco é definir conjuntamente o candidato a apoiar para o Planalto.

jul
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Posted on 18-07-2018
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Jornal de charges – O melhor do humor gráfico brasileiro na Internet – ano XXII – 3ª- feira 17/07/2018

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Quinho, no Diário da Tarde (MG)

DO PORTAL TERRA BRASIL

A modelo Annabelle Neilson, musa do falecido estilista Alexander McQueen e amiga da supermodelo Kate Moss, foi achada morta em sua casa, em Londres, aos 49 anos, informou a Polícia Metropolitana nesta terça-feira.

 
 Foto: Anthony Harvey / Getty Images

 

Membro de uma rica família britânica, o corpo foi encontrado na quinta-feira passada, 13 de julho, apesar da notícia só ter sido divulgada agora. A polícia investiga o caso, mas a morte não é considera suspeita.

Famosa por um reality show na TV britânica exibido há quatro anos, Annabelle se tornou musa de Alexander McQueen nos anos 90, quando tinha 22 anos, e foi ela quem viu o estilista pela última vez, antes de ele se suicidar, em 2010. Através da relação com ele, ela entrou em contato com muitos profissionais do mundo da moda, como as supermodelos Kate Moss, sua melhor amiga, e Naomi Campbell.

Annabelle foi casada com o banqueiro multimilionário Nat Rothschild entre 1994 e 1997 e, nos últimos anos publicou uma série de livros para o público infantil.

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