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CRÔNICA

Agora é Gilmar no lugar de Neymar

 

Janio Ferreira Soares

Manhã de segunda-feira, 2 de julho, Independência da Bahia. Enquanto a tevê mostra o Caboclo e a Cabocla partindo em direção ao Campo Grande numa velocidade digna de um Mbappé, Jane e Herondy, um garboso casal de sabiás aqui da roça, manda ver seus costumeiros trinados, nem aí para os políticos que ora acompanham o cortejo com um olho no voto e outro no Rolex, logicamente para não perder o começo de Brasil e México.

Do Pelourinho, o Olodum entra ao vivo nos programas da Globo, para deleite do insuportável Galvão Bueno, que mais uma vez conta a história de quando a Seleção empatava com a Turquia na Copa de 2002 e aí os tambores soaram pela primeira vez na telinha, mandando a energia que faltava para que “este aqui do meu lado fizesse o gol que nos levou ao penta”.

Ele fala, claro, de Ronaldo Fenômeno, que se nos gramados tinha o toque certeiro de um João Cabral de Melo Neto, como comentarista é uma espécie de Sophia, esposa de Nazareno (personagem do genial Chico Anísio), tanto no físico quanto na fala (“calado!!!”). Complementando o trio, Roberval Taylor, ou melhor, Casagrande, que de tão incompreensível deveria ter ao fundo a música de Caetano, dizendo: “você não está entendendo quase nada do que eu digo”.

A vitória sobre o México foi até tranquila e poderia ter sido maior, não fosse a atuação do goleiro Ochoa, fisicamente parecido com o saudoso Boi Bubônica, goleiro da Seleção de Paulo Afonso e protagonista de uma história que desconfio já ter contado aqui, mas, pela ocasião, vale um repeteco.

Conta Nego Ivan, ágil ponta-esquerda da época, que a F-4000 que levava o escrete paulo-afonsino, quebrou duas vezes e o time só chegou em Salgueiro(PE) quase na hora do jogo, previsto para as 3 da tarde. Mortos de fome e sob um calor infernal, o técnico recomendou apenas uma saladinha, mas Boi foi logo dizendo que só jogava de buxo cheio e caiu matando numa feijoada e num osso-corredor, que passava quase um palmo dos limites do prato. De sobremesa, metade de uma lata de goiabada.

Jogo perto do fim e o juiz marca pênalti contra Paulo Afonso. Mata Jegue toma a mesma distância do famoso chute que trucidou a queixada de um jumento localizado atrás da trave – dai o apelido – e acerta a bola bem na boca do estômago de Boi, que caiu com ela encaixada. A torcida, temendo o pior, faz “ohhh!”, enquanto nossos jogadores correm para abraçá-lo, recuando assim que viram Bubônica, ainda deitado, botando pra fora toda a goiabada, escoltada por uns bons pedaços de charque e paio. Mas pegou.

Acho que se Alisson tivesse comido uma feijoada a coisa seria diferente. Infelizmente não deu e agora sai Neymar e entram Bolsonaro, Lula e Gilmar Mendes. A única vantagem é não ouvir mais Galvão, Sophia e Roberval. Mas, pelo menos, eles divertiam.

 

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura de Paulo Afonso, no lado baiano do Rio São Francisco

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