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Paolo Rossi, Zidane e Toni Kroos: carrascos do Brasil em Copas. Getty Images

Eliminar o Brasil é um título à parte para qualquer equipe, sobretudo para quem empurra a bola para as redes e fica eternamente marcado por derrubar o país mais vitorioso do futebol. Porém, uma espécie de zica costuma acompanhar os carrascos da seleção depois de saborearem seu momento de glória na Copa do Mundo. Fica o alerta para De Bruyne, Lukaku, Hazard e companhia.

Zúñiga

Não é exatamente um carrasco, mas chamou a atenção na última Copa pela joelhada que tirou Neymar de combate nas quartas de final contra a Colômbia. Sem seu principal craque, o Brasil se tornaria presa fácil para a Alemanha no jogo seguinte. No entanto, o destino também não foi generoso com Zúñiga. Exatamente quatro anos depois de atrair o ódio de muitos brasileiros, o lateral anunciou o fim da carreira por causa de uma lesão crônica no joelho direito, o mesmo que fraturou a vértebra de Neymar. Em seu último jogo, pelo Atlético Nacional, virou vilão ao entrar no segundo tempo, ficar apenas dois minutos em campo e levar cartão vermelho por um carrinho violento. A expulsão foi determinante para tirar o título colombiano das mãos do clube verdolaga.

Alemanha

Um massacre com sete gols em 2014 teve vários carrascos, premiando a força do conjunto alemão. Após impor ao Brasil a maior humilhação da história das Copas, os atuais campeões também protagonizaram um vexame ao cair na fase de grupos na Rússia. A Alemanha amargou o último lugar de sua chave após perder para México e Coreia do Sul, jogo em que Toni Kroos, eleito o melhor em campo no 7 a 1, entregou um gol de bandeja aos adversários.

Sneijder

O meia marcou os dois gols – o primeiro com a ajuda de Julio César e Felipe Melo – na vitória da Holanda sobre o Brasil pelas quartas de final em 2010. Apesar do vice para a Espanha, conseguiu chegar às semifinais quatro anos depois, mas perdeu uma das cobranças que decretou a derrota para a Argentina nos pênaltis. Para completar, ainda fracassou na tentativa de classificar a Holanda para o Mundial da Rússia.

Henry

Aproveitando cruzamento de Zidane, o atacante despachou a seleção brasileira da Copa de 2006. Três anos depois, acabou chamuscado pelo toque de mão no lance do polêmico gol que classificou os franceses contra a Irlanda nas Eliminatórias europeias. Já na África do Sul, foi destituído do posto de capitão pelo técnico Reymond Domenech e mandado para a reserva. Jogou poucos minutos e não marcou nenhum gol na fraca campanha da França, que, com apenas um ponto, voltou mais cedo para casa.

Zidane

Autor de dois gols na decisão de 98, o craque não teve a mesma sorte nos outros Mundiais que disputou. Viu a França cair na fase de grupos em 2002 e, na Copa seguinte, apesar de ter eliminado o Brasil nas quartas e marcado um gol de pênalti na final, foi expulso por dar uma cabeçada no zagueiro Materazzi. A França perdeu o título nos pênaltis para a Itália.

Caniggia

No clássico sul-americano, anotou o tento que tirou o Brasil nas oitavas de 1990. A Argentina avançou até a final, mas El Pájaro não pode atuar na derrota para a Alemanha por ter levado um cartão na semifinal. Em 94, depois de cumprir suspensão por uso de cocaína, fazia grande Copa até sofrer uma lesão. Sem Caniggia e Maradona, suspenso por doping, os argentinos foram eliminados pela Romênia. Após o suicídio da mãe, o atacante passou quase um ano sem jogar e ainda teve problemas com o técnico Daniel Passarella, que exigia que ele cortasse o cabelo para convocá-lo. Ficou fora de 98, mas recebeu nova chance de disputar um Mundial em 2002. Lesionado, não jogou as duas primeiras partidas. Quando estava finalmente em condição de atuar, alcançou a proeza de ser expulso no banco de reservas por reclamação. De forma melancólica, a Argentina empatou com a Suécia e foi eliminada na primeira fase.

Caniggia marca contra o Brasil na Copa de 1990.
Caniggia marca contra o Brasil na Copa de 1990. AFP
 Paolo Rossi

Mentor de uma das derrotas mais doloridas do futebol brasileiro, em 1982, chegou a escrever um livro que revela o tamanho do estrago que causou ao marcar os três gols da vitória italiana no Sarriá: “Fiz o Brasil chorar”. Depois do título na Copa, a Itália passou mais de um ano sem vencer – período em que Rossi viveu um jejum de gols pela seleção – e ainda ficou fora da Euro de 84. Dois anos depois, no Mundial do México, o atacante foi convocado, mas debilitado fisicamente, não entrou em nenhum jogo, e os italianos caíram para a França nas oitavas. Por problemas recorrentes nos joelhos, Rossi encerraria a carreira de forma precoce em 1987, aos 30 anos.

Peru

É considerado o algoz do Brasil na Copa de 78 devido a suspeita de ter entregado o jogo para a Argentina, que, com a vitória por 6 a 0, abocanhou a vaga na final pelo saldo de gols. Anos mais tarde, o goleiro Ramón Quiroga, que era argentino naturalizado peruano, admitiria que “coisas estranhas” teriam acontecido naquela partida. O Peru voltou a disputar o Mundial em 82, mesmo após uma crise que resultou até em agressão de jogadores pela torcida. Sob o comando do técnico brasileiro Tim, a equipe naufragou na primeira fase depois de sofrer uma goleada de 5 a 1 para a Polônia. Desde então, só voltaria a disputar a Copa este ano, na Rússia, onde foi novamente eliminada na fase de grupos.

Cruyff

Fez um gol e deu uma assistência na vitória da Laranja Mecânica sobre a seleção brasileira, em 74. Porém, abalado por um desentendimento com a esposa na véspera da final, sucumbiu à marcação dos alemães e ficou com o vice. Às vésperas da Copa de 78, sua família sofreu uma tentativa de sequestro que o traumatizou, fazendo com que desistisse de seguir com a delegação holandesa para o Mundial na Argentina.

Eusébio

Em seu duelo particular com Pelé, marcou duas vezes para Portugal no jogo que eliminou precocemente o Brasil na Copa de 66. Apesar da queda para a Inglaterra na semifinal, sagrou-se artilheiro da competição, com 9 gols, mas não conseguiria classificar os portugueses para o Mundial seguinte, no México, onde Pelé conduziu a seleção ao tricampeonato e mostrou quem era o verdadeiro rei do futebol.

Ghiggia

Entrou para a história com o gol que calou o Maracanã em 1950 e deu o segundo título mundial ao Uruguai. Depois disso, só jogou pela Celeste em mais cinco oportunidades. Foi comprado pela Roma, que se recusou a liberá-lo para disputar a Copa de 54. Com dupla cidadania, tentou ir ao Mundial de 58 com a Itália, mas, no jogo decisivo da Eliminatória europeia, acabou expulso. Os italianos perderam a vaga para a Irlanda do Norte.

Mau agouro dos brabos

Com exceção de Uruguai, semifinalista em 1954, e Holanda, vice em 1978 e terceiro lugar em 2014, nenhuma das seleções que eliminaram ou tiraram o título do Brasil conseguiu ir além das oitavas de final na Copa seguinte – Portugal (1970) e França (1990) nem se classificaram depois de derrubar a canarinho.

  • Maior carrasco da seleção brasileira, a França, consequentemente, é a maior vítima da maldição. Não conseguiu se classificar para a Copa de 1990 e foi eliminada na primeira fase tanto em 2002 quanto em 2010, sempre com a pior campanha de seu grupo.
  • Fora Uruguai (1950) e França (1998), que venceram na final, apenas a Itália (1938 e 1982) faturou o título mundial depois de eliminar o Brasil.

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