A literatura e as estrelas

A literatura e as estrelasFERNANDO VICENTE

O ponto mais alto em La Palma (Ilhas Canárias) fica a cerca de 2.400 metros, no Roque de los Muchachos, rochedos que à distância e com um pouco de imaginação parecem figuras humanas. Aqui se respira um ar tão puro quanto o de Arequipa, a terra em que nasci, e é muito bonito contemplar, lá embaixo, a nossos pés, um colchão de nuvens que se estende como um mar em todas as direções até o remoto horizonte. Mas o mais pitoresco do lugar talvez sejam alguns corvos sociáveis que posam faceiros para as fotografias dos turistas em troca de um punhado de comida.

Aparentemente este pedaço de terra tem o clima mais diáfano da Europa e talvez do mundo, e isso explica a existência do Observatório, composto de enormes telescópios noturnos e solares construídos neste pico por diversos países e que, desde meados dos anos oitenta do século passado, atraem para cá astrônomos de todo o planeta. São seres estranhos, que dormem de dia e trabalham à noite e que, como vampiros, operam nas sombras, e a luz que os guia não é deste mundo, mas lá de cima, muito lá em cima, emitida agora ou há milhões de anos pelos astros que navegam (ou navegaram antes de desaparecer) pelo universo infinito. 

Se a beleza desta ilha, uma das menores das Canárias, com seus bosques, praias, morros e parques naturais é grande durante o dia, o verdadeiro milagre acontece com a chegada da escuridão, quando o céu vai se povoando de uma miríade infinita de estrelas, constelações, planetas, luzes que relampejam, apagando e acendendo e, como no Aleph borgiano, tomamos a tremenda consciência de que ali, em cima de nossa cabeça, está o universo infinito. A coisa é ainda mais espetacular quando, com a ajuda das lentes dos telescópios, se começa a navegar pelos espaços siderais e se aproxima daqueles bólidos e, por exemplo, se tem a sensação de ser um astronauta que passeia pelo céu rugoso da Lua, entre crateras gigantescas, obra dos meteoros que a bombardearam ao longo dos milhões de anos de existência que tem essa aglomeração de planetas.

Não é avassalador e paralisante trabalhar em um campo que abrange o infinito desmedido?

Creio que nos dois dias que passei por ali aprendi mais do que em todas as outras viagens que já fiz em minha vida. Por exemplo, que nada se parece tanto à literatura quanto a astronomia, porque em ambas a imaginação é tão importante quanto o conhecimento e que, sem aquela, este não evoluiria em absoluto. Os astrônomos do Observatório e, em especial, seu diretor, o professor Rafael Rebolo López, armados de paciência e sabedoria, dão respostas eloquentes a todas as minhas perguntas, que sempre suscitam novas perguntas e, assim, a conversa ultrapassa a frágil fronteira que nessa disciplina separa (e com frequência confunde) a física da metafísica.

Não é avassalador e paralisante trabalhar em um campo que abrange o infinito desmedido, o tempo sem tempo que é a eternidade? Sim, talvez. Mas, para evitar a paralisia, surgiu a teoria do Big Bang, que estabelece um ponto de partida —uma explosão da matéria ocorrida há mais de treze bilhões de anos e que prossegue sua eterna expansão pelo espaço sem fim— para essa eternidade e, que apesar de ambos os conceitos serem incompatíveis, permite aos cientistas trabalhar com menos incerteza. E se a teoria do Big Bang for popperianamente “desmentida” em um dado momento? Surgirá outra que retificará o que foi alcançado até o momento e permitirá progredir por uma via diferente. Não é essa a história de todas as ciências, sem exceção?

Alguns astrônomos chegaram a encontrar vida, ou sintomas de vida, em algum outro astro do universo? Não, em nenhum. Mas isso não permite afirmar de forma definitiva que só a Terra tem semelhante privilégio, entre outros motivos porque os cientistas realmente encontraram em astros disseminados por vários pontos do espaço quase todos os elementos constituintes necessários para a vida. De modo que tal descoberta —ter parentes em algum canto perdido do universo— pode ocorrer em algum momento do futuro. E vamos ver se esses humanoides venusianos ou marcianos se parecem aos da ficção científica ou são mais originais do que os inventados pela fantasia literária!

Que possibilidades existem de que o pequeno planeta Terra desapareça pelo impacto de um gigantesco meteoro que seria milhares de vezes maior do que o que caiu na Sibéria há mais ou menos um século, devastando um enorme território? Muitas, se levarmos em conta que com muita frequência se registram no espaço sideral acidentes, ou seja, hecatombes gigantescas resultantes de desvios das órbitas, ou falta de órbitas, nas trajetórias de certas formações rebeldes; e poucas se considerarmos que não aconteceu ainda na longuíssima história registrada do astro terráqueo. Mas, sem dúvida que, como hipótese, poderia acontecer amanhã e devolver tudo que existe à nossa volta ao nada do qual saiu há alguns milhõezinhos de anos. Vistas do ponto de vista das estrelas, que estúpidas e mínimas parecem as guerras e todas as violências de que está impregnada a história da humanidade.

Que estúpidas parecem as guerras e as violências que impregnam a história da humanidade

Pergunto ao grupo que me rodeia que porcentagem de astrônomos tem uma crença religiosa e, depois de trocar pareceres, me dizem que provavelmente vinte por cento; os demais são agnósticos ou ateus. Um desses amigos se apressa em marcar a diferença: “Eu acredito”. E acrescenta: “E me sinto perfeitamente à vontade compatibilizando minha religião com tudo que a ciência descobre ou descarta”.

É verdade o que diz, sem dúvida, e deve ser também para essa quinta parte de astrônomos cuja fé resiste a esse cotejo cotidiano ao qual estão submetidas suas crenças religiosas com as revelações —não sei se as chamo de estupendas ou terríveis— que as estrelas lhes fazem. Mas entendo melhor as outras quatro quintas partes de cientistas cujo trabalho diário submerge em dúvidas e hesitações em relação às ideias propagadas pelas religiões sobre o ser supremo que teria criado todas aquelas constelações e tudo que existe. Porque se tornam pequeninos os deuses que os seres humanos adoram ou adoraram diante desse espetáculo avassalador digno das Mil e Uma Noites de trilhões de trilhões de estrelas semeadas ao longo de um espaço sem fronteiras, gravitando e sustentando-se mutuamente, emitindo luz ou recebendo-a, e que pobres as explicações das religiões inventadas para essas perguntas inexplicáveis: como tudo isso foi possível? Pode ser puro acaso, conjunções e constituições misteriosas como casualidades, as que, de imediato, neste universo gelado, fizeram brotar a vida, aqui, neste planetinha sem luz própria que é o nosso? É mais ou menos convincente que fosse não o acaso mas um ser superior, dotado de infinita sabedoria, quem tenha, talvez entediado por sua eterna solidão, criado essa maravilha tenebrosa que é a história humana? As melhores respostas —as mais belas e criativas— a essas perguntas possivelmente não estão nem nas estrelas nem na religião, mas na literatura.

 

Os antigos rapazes revolucionários de Liverpool certamente estaria orgulhosa de sua seleção e de seu artilheiro na Copa da Rússia!!! Viva!!! Valeu, Colômbia!!!

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

jul
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roberto firmino brasil mexico gol
Roberto Firmino, autor do segundo gol brasileiro. MANAN VATSYAYANA AFP

Dida em 2006, Rivaldo em 2002, Mazinho em 1994, Júnior e Sócrates em 1982 e Clodoaldo em 1970. Nos últimos cinquenta anos de Copa do Mundo, em todas as memoráveis seleções brasileiras, havia pelo menos um representante do Nordeste, segunda região mais populosa do país. O Brasil de Tite não tem um nordestino entre os 11 titulares. No elenco todo, apenas um nome nascido lá: Roberto Firmino, o atacante reserva natural de Maceió que começou no Figueirense, foi se aventurar antes dos 20 anos na Alemanha e, mesmo após grande temporada pelo Liverpool, ainda precisa lidar com certa rejeição do torcedor que não viu o jogador se desenvolver dentro do cenário brasileiro. Contra o México, ele mostrou porque é o mais cotado para assumir a vaga de Gabriel Jesus, que mais uma vez passou em branco. No segundo tempo, entrou no lugar de Philippe Coutinho e anotou o segundo gol do Brasil para selar a passagem da seleção de Tite para as quartas. Foi a primeira vez que um jogador brasileiro saiu do banco e marcou um gol em mata-matas de Copas.

Firmino deu os primeiros passos no futebol dentro do CRB, clube da capital alagoana, ainda em categorias inferiores. De lá saiu para jogar pelo sub-20 no Figueirense, no oposto geográfico do país, onde encontrou o treinador Hemerson Maria, que hoje comanda o Vila Nova de Goiás. “Fui eu quem aprovei o Roberto Firmino na base do Figueirense, em 2009. Era um talento nato”, conta Hemerson. “O que tínhamos que trabalhar com ele era a parte tática: posicionamento e entendimento de jogo, que foi também o que ele mais aprendeu na Europa”. Desde a juventude, Firmino fez tratamento para clarear os dentes ? como fica claro cada vez que ele sorri para as câmeras ?, mas conserva uma timidez exemplificada nas respostas curtas que dá em suas entrevistas. “Ele sempre foi um pouco introvertido, mas isso acabava quando entrava em campo. Ele era muito determinado e admirado pelos garotos. Se tornou um líder técnico em campo”, afirma o treinador.

O jogador disputou uma temporada como profissional no time de Santa Catarina, marcando 12 vezes em 51 jogos e ajudando a equipe a subir da série B para a série A nacional. No entanto, antes de disputar a elite, foi negociado em 2011 com o Hoffenheim, da Alemanha. Chegou como garoto, mas assumiu a camisa 10 e a posição de destaque do time, que renderam a ele as primeiras convocações à seleção brasileira. Saiu apenas em 2015, por 140 milhões de reais, para o Liverpool.

Chegou vestindo a 11, mas pegou a camisa 9 depois da saída de Benteke, centroavante belga. A troca de camisas simboliza a versatilidade de Firmino, que atua em mais de uma posição no ataque. “Eu prefiro ele como meia, atrás do atacante, como jogava no Hoffenheim e no Figueirense. Acho que ele tem mais espaço em campo e se destaca mais”, comenta Hemerson Maria. Mas foi como atacante que ele brilhou na temporada 2017/18, marcando 27 gols em 54 jogos no Liverpool (onde formou o trio vice-campeão da Champions League com Mané e Salah) e chegando à Copa do Mundo, ainda que na reserva de Gabriel Jesus. “Firmino é um jogador universal, pode se adaptar a qualquer sistema tático. Penso que pode jogar junto com Jesus na seleção, e que não é apenas o seu substituto”.

Hemerson Maria ainda comenta sobre a influência de Jürgen Klopp, treinador do clube inglês, que comandou Firmino na melhor temporada da carreira. “À distância, o Klopp me parece um treinador que trabalha muito bem a questão mental dos atletas. E isso é importante para jogadores com o temperamento do Roberto; eles precisam se sentir protegidos pelo treinador”. Apesar de não ter sido contratado pelo alemão, foi com ele que o brasileiro teve sua maior ascensão, se tornando um dos grandes jogadores da Europa. “Faltava alguém que o ajudasse a deslanchar de uma maneira definitiva em sua carreira, e o Klopp fez isso”, opina Hemerson.

Por ter crescido como profissional longe do futebol brasileiro, Firmino enfrenta um questionamento do público nacional sempre que compete com Gabriel Jesus, e outros atacantes consagrados dentro do Brasil por uma vaga na seleção. “Esse preconceito existe porque ele não jogou na primeira divisão e nem em um grande centro do país”, defende Hemerson. A crítica começou a mudar na recém-encerrada temporada, quando o país de Firmino acompanhou o atacante ajudando o Liverpool a chegar na final da Champions. “Mas basta um ou dois jogos em que ele não faça gol ou que não tenha um destaque elevado para que voltem a cobrá-lo de maneira exagerada. É um erro porque não se julga a qualidade do atleta, e sim de onde ele veio. Acho que é um defeito cultural do nosso país”. A ver se a performance na Rússia vai ter força para debelar esses

 

Em manifesto divulgado nesta terça-feira (3) pela presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva diz que “já não razões para acreditar” que terá “Justiça”. Lula cita o Supremo Tribunal Federal (STF), afirmando que o “comportamento público de alguns ministros é a mera reprodução do que se passou na primeira e na segunda instâncias”.   

O manifesto cita o ministro Edson Fachin e as recentes derrotas na Justiça: “O Ministro Fachin retirou da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal o julgamento do habeas corpus que poderia impedir minha prisão e o remeteu para o Plenário. Tal manobra evitou que a Segunda Turma, cujo posicionamento majoritário contra a prisão antes do trânsito em julgado já era de todos conhecido, concedesse o habeas corpus. Isso ficou demonstrado no julgamento do Plenário, em que quatro do cinco ministros da Segunda Turma votaram pela concessão da ordem”. 

Na semana passada, os advogados de Lula fizeram uma ofensiva no Supremo para tentar tirar Lula da prisão. A defesa apresentou dois pedidos pela liberdade do ex-presidente: uma reclamação, negada pelo ministro Alexandre de Moraes na sexta-feira, e um recurso em habeas corpus que já foi negado pelo plenário do Supremo em abril.

Uma petição apresentada no início de junho para que o STF suspenda os efeitos de sua condenação ainda será julgada em plenário por determinação do ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato na Corte – que tirou a análise da Segunda Turma.

‘Se não querem que eu seja Presidente, a forma mais simples de o conseguir é ter a coragem de praticar a democracia e me derrotar nas urnas’, diz Lula em manifesto

Confira o manifesto:

CARTA EM DEFESA DA DEMOCRACIA

Meus amigos e minhas amigas,

Chegou a hora de todos os democratas comprometidos com a defesa do Estado Democrático de Direito repudiarem as manobras de que estou sendo vítima, de modo que prevaleça a Constituição e não os artifícios daqueles que a desrespeitam por medo das notícias da Televisão.

A única coisa que quero é que a Força Tarefa da Lava Jato, integrada pela Polícia Federal, pelo Ministério Público, pelo Moro e pelo TRF-4, mostrem à sociedade uma única prova material de que cometi algum crime. Não basta palavra de delator nem convicção de power point. Se houvesse imparcialidade e seriedade no meu julgamento, o processo não precisaria ter milhares de páginas, pois era só mostrar um documento que provasse que sou o proprietário do tal imóvel no Guarujá.

Com base em uma mentira publicada pelo jornal O Globo, atribuindo-me a propriedade de um apartamento em Guarujá, a Polícia Federal, reproduzindo a mentira, deu início a um inquérito; o Ministério Público, acolhendo a mesma mentira, fez a acusação e, finalmente, sempre com fundamento na mentira nunca provada, o Juiz Moro me condenou. O TRF-4, seguindo o mesmo enredo iniciado com a mentira, confirmou a condenação.

Tudo isso me leva a crer que já não há razões para acreditar que terei Justiça, pois o que vejo agora, no comportamento público de alguns ministros da Suprema Corte, é a mera reprodução do que se passou na primeira e na segunda instâncias.         

Primeiro, o Ministro Fachin retirou da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal o julgamento do habeas corpus que poderia impedir minha prisão e o remeteu para o Plenário. Tal manobra evitou que a Segunda Turma, cujo posicionamento majoritário contra a prisão antes do trânsito em julgado já era de todos conhecido, concedesse o habeas corpus. Isso ficou demonstrado no julgamento do Plenário, em que quatro do cinco ministros da Segunda Turma votaram pela concessão da ordem.

Em seguida, na medida cautelar em que minha defesa postulou o efeito suspensivo ao recurso extraordinário, para me colocar em liberdade, o mesmo Ministro resolveu levar o processo diretamente para a Segunda Turma, tendo o julgamento sido pautado para o dia 26 de junho. A questão posta nesta cautelar nunca foi apreciada pelo Plenário ou pela Turma, pois o que nela se discute é se as razões do meu recurso são capazes de justificar a suspensão dos efeitos do acordão do TRF-4, para que eu responda ao processo em liberdade.

No entanto, no apagar das luzes da sexta-feira, 22 de junho, poucos minutos depois de ter sido publicada a decisão do TRF-4 que negou seguimento ao meu recurso (o que ocorreu às 19h05m), como se estivesse armada uma tocaia, a medida cautelar foi dada por prejudicada e o processo extinto, artifício que, mais uma vez, evitou que o meu caso fosse julgado pelo órgão judicial competente (decisão divulgada às 19h40m). 

Minha defesa recorreu da decisão do TRF-4 e também da decisão que extinguiu o processo da cautelar. Contudo, surpreendentemente, mais uma vez o relator remeteu o julgamento deste recurso diretamente ao Plenário. Com mais esta manobra, foi subtraída, outra vez, a competência natural do órgão a que cabia o julgamento do meu caso. Como ficou demonstrado na sessão do dia 26 de junho, em que minha cautelar seria julgada, a Segunda Turma tem o firme entendimento de que é possível a concessão de efeito suspensivo a recurso extraordinário interposto em situação semelhante à do meu. As manobras atingiram seu objetivo: meu pedido de liberdade não foi julgado.

Cabe perguntar: por que o relator, num primeiro momento, remeteu o julgamento da cautelar diretamente para a Segunda Turma e, logo a seguir, enviou para o Plenário o julgamento do agravo regimental, que pela lei deve ser apreciado pelo mesmo colegiado competente para julgar o recurso?

As decisões monocráticas têm sido usadas para a escolha do colegiado que momentaneamente parece ser mais conveniente, como se houvesse algum compromisso com o resultado do julgamento. São concebidas como estratégia processual e não como instrumento de Justiça. Tal comportamento, além de me privar da garantia do Juiz natural, é concebível somente para acusadores e defensores, mas totalmente inapropriado para um magistrado, cuja função exige imparcialidade e distanciamento da arena política.

Não estou pedindo favor; estou exigindo respeito.

Ao longo da minha vida, e já conto 72 anos, acreditei e preguei que mais cedo ou mais tarde sempre prevalece a Justiça para pessoas vítimas da irresponsabilidade de falsas acusações. Com maior razão no meu caso, em que as falsas acusações são corroboradas apenas por delatores que confessaram ter roubado, que estão condenados a dezenas de anos de prisão e em desesperada busca do beneplácito das delações, por meio das quais obtêm a liberdade, a posse e conservação de parte do dinheiro roubado. Pessoas que seriam capazes de acusar a própria mãe para obter benefícios.

É dramática e cruel a dúvida entre continuar acreditando que possa haver Justiça e a recusa de participar de uma farsa. 

Se não querem que eu seja Presidente, a forma mais simples de o conseguir é ter a coragem de praticar a democracia e me derrotar nas urnas.

Não cometi nenhum crime. Repito: não cometi nenhum crime. Por isso, até que apresentem pelo menos uma prova material que macule minha inocência, sou candidato a Presidente da República. Desafio meus acusadores a apresentar esta prova até o dia 15 de agosto deste ano, quando minha candidatura será registrada na Justiça Eleitoral.

Curitiba, 3 de julho de 2018

Luiz Inácio Lula da Silva

jul
04
Posted on 04-07-2018
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Sponholz, no

 

jul
04
Posted on 04-07-2018
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 Por Claudio Dantas

Na última sessão da Segunda Turma antes do recesso, Ricardo Lewandowski demonstrou nível de irritação acima do normal.

O Antagonista apurou que o ministro estava particularmente incomodado, não com a libertação de José Dirceu, mas a prisão do empresário Bruno Basso, ex-marido e ex-sócio de Maria Cristina Boner.

Para quem não sabe, Cristina Boner é conhecida nos bastidores de Brasília por seu sucesso empresarial como representante da Microsoft. No governo FHC, a empresária faturou bilhões em contratos sem licitação. Na gestão petista, teve como sócio Waldomiro Diniz, ex-assessor de José Dirceu. Em 2011, voltou ao noticiário policial no mensalão do DEM.

Em 2008, Basso e Boner se separaram. O divórcio litigioso levou ao bloqueio de um montante de R$ 11 milhões – depositados numa conta judicial vinculada à 5a Vara Cível de Barueri (SP).

Ocorre que, em 14 de junho do ano passado, Cristina Boner peticionou ao gabinete de Lewandowski pela liberação do dinheiro. O ministro inicialmente alegou “não cabimento” do pedido — afinal, não se trata de matéria do STF.

Meses depois, porém, Lewandowski reformou sua decisão após pedido do advogado Alexandre Falaschi e determinou a liberação do dinheiro. Diante da demora da 5a Vara, o ministro reforçou o pedido em 30 de outubro – período em que se recuperava de um acidente em São Paulo.

Ao saber do desbloqueio dos valores, Bruno Basso, o ex-marido, recorreu, pois não fora ouvido no caso. Mais uma vez, Lewandowski mudou de ideia e mandou “suspender os efeitos da liminar originalmente concedida”. Ou seja, mandou cancelar a liberação do dinheiro. Mas Cristina Boner já havia limpado a conta.

Para complicar a situação, Bruno Basso teve a prisão decretada em processo que a ex-mulher moveu por extorsão e agressão.

Em março passado, o empresário protocolou um habeas corpus, distribuído para o gabinete de Lewandowski, o mesmo que lhe deu o “prejuízo” dos R$ 11 milhões. O primeiro pedido de liminar foi negado pelo ministro — que, um mês depois, mudou de opinião (de novo) e decidiu libertá-lo.

Dias mais tarde, o MPF recorreu e Lewandowski acabou levando o caso para a Segunda Turma, já no final de junho.

Nessa última sessão, porém, foi aconselhado a deixar o caso esfriar. Cristina Boner contratou José Eduardo Cardozo e José de Oliveira Lima (Juca), enquanto Admar Gonzaga, ministro do TSE, passou a dar assistência a Bruno Basso.

Pelo visto, estão todos muito preocupados.

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