jun
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DO PORTAL TERRA BRASILd
Mariana Schreiber – Da BBC News Brasil em Brasília
 

Oitenta dias após entrar na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba para começar a cumprir a pena de 12 anos e um mês de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do tríplex do Guarujá, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva terá novo pedido de liberdade julgado pela Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) na próxima terça-feira.

Ex-presidente tenta sair da prisão para fazer campanha eleitoral
Ex-presidente tenta sair da prisão para fazer campanha eleitoral

Foto: AFP / BBC News Brasil

Mas, após o plenário da Corte ter negado em votação de 6 a 5, em abril, um pedido de habeas corpus do ex-presidente, quais as chances dele agora? Juristas ouvidos pela BBC Brasil se dividem sobre o que esperar do julgamento.

Para alguns, o placar está em aberto, já que o novo recurso tem natureza diferente do pedido de habeas corpus. Outros, porém, entendem que parte dos argumentos levantados agora pela defesa já foram rejeitados pela Corte no julgamento de abril, reduzindo as chances de vitória.

Entenda a seguir as diferenças entre os dois julgamentos e quais podem ser as consequências desse novo recurso.

O ex-presidente Lula foi preso em abril após condenação no caso do tríplex do Guarujá

 
 
O ex-presidente Lula foi preso em abril após condenação no caso do tríplex do Guarujá

Foto: Reuters / BBC News Brasil

Quais as chances do ex-presidente?

Lula foi condenado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) por ter recebido uma apartamento da empreiteira OAS em troca de favorecimentos à empresa em contratos da Petrobras, o que o petista nega.

Sua defesa tem direito a tentar anular a condenação tanto no STF (recurso extraordinário) quanto no Superior Tribunal de Justiça (recurso especial).

Os advogados pedem ao STF um efeito suspensivo a esses recursos, ou seja, que permita a Lula aguardar em liberdade o julgamento do caso em si nas cortes superiores, que tende a demorar meses.

O histórico recente de votações no STF mostra que a Segunda Turma – formada por Ricardo Lewandowski, Edson Fachin, Dias Toffoli, Gilmar Mendes e Celso de Mello – tem hoje viés mais garantista que a primeira, ou seja, tende a dar mais peso em suas decisões aos direitos do réu no processo.

Dos cinco, apenas Fachin é hoje favorável ao cumprimento da pena após condenação em segunda instância, por exemplo. Ele também foi o único integrante da Segunda Turma que, na semana passada, votou pela legalidade da condução coercitiva – o mecanismo que obriga uma pessoa a comparecer para depor acabou proibido por apertada maioria no plenário.

No entanto, esse viés não garante uma vitória para Lula no pedido de suspensão da prisão. A Segunda Turma tem precedentes tanto de decisões favoráveis quanto contrárias ao ex-presidente.

No dia dez de abril, por exemplo, pouco depois da rejeição do habeas corpus no plenário, os cinco ministros da Segunda Turma rejeitaram por unanimidade, em julgamento virtual, outro recurso da defesa de Lula solicitando que sua prisão após condenação em segunda instância não fosse automática. Na ocasião, Mendes e Celso de Mello destacaram que seguiriam a decisão que prevaleceu no plenário, em respeito ao colegiado.

Em 2016, o STF decidiu que é constitucional a prisão após a segunda instância, o que permitiu a prisão de Lula

 
 
Em 2016, o STF decidiu que é constitucional a prisão após a segunda instância, o que permitiu a prisão de Lula

Foto: Rosinei Coutinho/SCO/STF / BBC News Brasil

Já no dia 24 do mesmo mês, o petista obteve uma vitória quando, por 3 a 2, a turma decidiu transferir para a Justiça Federal de São Paulo trechos da delação de ex-executivos da construtora Odebrecht que o envolviam. Na ocasião, Toffoli, Lewandowski e Mendes entenderam que as informações dadas pelos delatores sobre o sítio de Atibaia e sobre o Instituto Lula – objetos de outro processo contra o ex-presidente na vara de Sérgio Moro – não têm relação com a Petrobras e, portanto, com a Operação Lava Jato.

Nesta terça, a Segunda Turma também absolveu a presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann, e o ex-ministro Paulo Bernardo, marido dela, da acusação de corrupção e lavagem de dinheiro. Os ministros entenderam que não havia provas materiais para corroborar a acusação de delatores que acusaram o casal de ter recebido R$ 1 milhão desviado da Petrobras para a campanha dela ao Senado, em 2010.

Novos questionamentos

Segundo a advogada Flavia Rahal, professora de direito penal econômico da Fundação Getúlio Vargas, é difícil prever o resultado do novo julgamento.

Ela ressalta que na avaliação do habeas corpus estava em discussão se condenados em segunda instância já poderiam ser presos antes do esgotamento dos recursos, tese que prevaleceu, ou se isso feria a presunção de inocência.

No novo recurso, há outras questões jurídicas em discussão. Os advogados questionam, por exemplo, se Moro poderia ter julgado um caso relacionado a um apartamento no Estado de São Paulo. Os advogados de Lula argumentam que isso fere o “princípio do juiz natural”, que serve para evitar direcionamento de processos para determinadas varas.

Já há, no entanto, decisões do STF permitindo que Moro julgue crimes cometidos em outras partes do país quando houver conexão clara entre esses atos e os desvios na Petrobras investigados pela Operação Lava Jato. A defesa de Lula afirma que o próprio Moro reconhece na sentença que não é possível provar materialmente que o apartamento no Guarujá teria sido adquirido e reformado com dinheiro desviado da estatal.

Lula está preso em uma sala especialmente adaptada para recebê-lo na PF, afastado da carceragem onde estão os demais condenados

 
 
Lula está preso em uma sala especialmente adaptada para recebê-lo na PF, afastado da carceragem onde estão os demais condenados

Foto: AFP / BBC News Brasil

No recurso, os advogados sustentam também que Moro não agiu com imparcialidade no processo, entre outros pontos.

“Aquela decisão (de rejeição ao habeas corpus) não automaticamente levará o Supremo a deixar de acolher o pedido aqui. Pode haver uma ou outra sobreposição (de argumentos jurídicos), mas a essência não é a mesma. Assim como o julgamento da Gleisi Hoffmann era a análise de um caso concreto, enquanto esse recurso do Lula discute princípios constitucionais. Uma coisa não terá influência na outra”, acredita Rahal.

Já o advogado Gustavo Badaró, professor de direito processual penal da USP, considera mais provável que o STF recuse o pedido. Na sua leitura, os argumentos trazidos pela defesa de Lula – como contestar a imparcialidade de Moro – não são novos e já foram rejeitados pelo Supremo.

Além disso, observa ele, o efeito suspensivo solicitado pela defesa de Lula só é concedido quando os ministros estão convencidos de que a condenação tem grandes chances de ser revertida. Nesse caso, os ministros teriam de fazer um “pré-julgamento” do recurso extraordinário contra a condenação do TRF-4.

“O Supremo já estaria avançando bastante na matéria que ele teria condição de apreciar melhor no julgamento (de fato) do recurso extraordinário”, acredita o professor da USP.

Defesa diz que processo tem ‘ilegalidades flagrantes’

Os advogados de Lula argumentam que o processo contra ele tem “ilegalidades flagrantes” que tornam “muito provável sua absolvição”. Dessa forma, sustentam, seria uma injustiça privá-lo no momento de sua liberdade e direitos políticos.

“Quando a decisão condenatória claramente afronta a Constituição e a lei, você não pode submeter uma pessoa ao cumprimento da pena, se existe uma perspectiva real e concreta de que o recurso extraordinário será acolhido (mais à frente) pelo Supremo Tribunal Federal”, argumenta Cristiano Zanin, um dos advogados de Lula, em entrevista à BBC News Brasil.

Um ministro do STF ouvido pela BBC News Brasil disse que o fato Lula ter perdido em plenário o habeas corpus não interfere no julgamento do novo recurso porque são questões diferentes. Outro integrante da Corte, porém, ponderou que parte dos argumentos levantados no novo pedido já teriam sido avaliados naquele julgamento.

O PT diz que ainda pretende registrar Lula como candidato em agosto

 
 
O PT diz que ainda pretende registrar Lula como candidato em agosto

Foto: EPA / BBC News Brasil

O que acontece se o recurso for aceito?

Caso a maioria da Segunda Turma decida suspender a condenação de Lula, ele ficaria solto provisoriamente até o julgamento do recurso extraordinário no STF contra a condenação no TRF-4.

O petista poderia voltar depois à prisão em três hipóteses: se o STF rejeitar o recurso extraordinário, se for condenado em segunda instância em outro processo (Lula é réu em mais seis ações penais) ou ainda se tiver sua prisão preventiva decretada por algum juiz – no caso de estar agindo para atrapalhar o andamento de algum dos processos, por exemplo.

Como isso afetaria a candidatura à Presidência?

A intenção do PT, hoje, é registrar Lula como candidato a presidente no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no dia 15 de agosto, mas a expectativa é de que ele seja impedido de concorrer devido à Lei da Ficha Limpa. O pedido que a Segunda Turma do STF vai analisar para suspender a condenação de Lula se restringe ao campo penal – tirá-lo da prisão – e não entra na discussão eleitoral.

Se o STF acatar o pedido, no entanto, isso poderá ter reflexos na avaliação do registro de Lula no TSE, acredita Roberta Maia Gresta, professora de direito eleitoral da PUC-MG.

A própria Lei da Ficha Limpa prevê, no seu Artigo 26, a possibilidade de um condenado em segunda instância obter liminar suspendendo a inelegibilidade caso haja sinais de irregularidade no processo que o condenou. Ou seja, se o STF entender que houve ilegalidade no processo do triplex do Guarujá ao analisar a suspensão da prisão, isso poderia influenciar a análise na Justiça Eleitoral.

“Vai depender da fundamentação de uma eventual decisão do Supremo. Se tiver algum argumento que demonstre a fragilidade da própria condenação, isso tudo pode ser levado a exame como um reforço em favor do deferimento (aprovação) da candidatura (no TSE)”, acredita Gresta.

E se o recurso for recusado?

Caso o STF não aceite suspender a condenação do TRF-4, Lula continuará preso. Em tese, não há limites para a defesa apresentar novos pedidos de habeas corpus para tentar soltá-lo. No entanto, esses recursos precisariam trazer argumentos novos. “Vai ficando cada vez mais difícil reverter a prisão antes da eleição”, acredita Gustavo Badaró, da USP.

Outro caminho para Lula ser solto seria o plenário do Supremo mudar seu entendimento sobre a permissão do cumprimento antecipado da pena. Isso dependeria, no entanto, do próximo presidente do STF, Dias Toffoli, pautar as duas ações que discutem a prisão após condenação em segunda instância. Ele assume o comando da Corte em setembro, no lugar de Cármen Lúcia, que tem recusado levar a questão ao plenário

jun
21
Posted on 21-06-2018
Filed Under (Artigos) by vitor on 21-06-2018
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J. Bosco, no jornal O Liberal (PA)

jun
21

‘Quem não quer ser satirizado fica em casa’

 

Alexandre de Moraes, relator do caso no STF, votou pela inconstitucionalidade do trecho da Lei Eleitoral que veta sátiras nas eleições.

“Quem não quer ser criticado, satirizado, fica em casa. Não seja candidato, não se ofereça para exercer cargo político. É uma regra desde que o mundo é mundo”, disse o ministro, de acordo com o relato do Jota.

Edson Fachin acompanhou o voto de Moraes.

Resultado de imagem para França Teixeira radialista esportivo da Bahia 

 
 
 

O maior e melhor radialista esportivo da Bahia

 

Lício Santos Ferreira

 

Conheci de perto o radialista e comentarista França Teixeira a serviço do Jornal ATARDE.
Fui entrevistá-lo a pedido do meu chefe Genésio Pina Ramos, levando na bagagem uma forte admiração pelo maior profissional do rádio baiano de todos os tempos.
Este carinho por França Teixeira vinha de minha família. Em especial do meu irmão Leônidas Ferreira, colega de turma na Faculdade de Direito da Ufba e no Duque de Caxias no bairro da Liberdade em Salvador.
Também passei por este colégio estadual, assim como a maioria dos jovens da região.
França Teixeira, com sua careca enfeitada por cabelos presos em rabo de cavalo, era a imagem da irreverência para aqueles tempos. Final da década de 60.
Sua audiência na Rádio Cultura da Bahia, situada no bairro da Graça, – era incontestável.
Começava, diariamente, às 12 horas ao som do Hino ao Senhor do Bomfim. E logo aos primeiros acordes ele disparava a sua metralhadora verbal: ” Boa tarde, família baiana!”

E pelos quatro cantos da capital baiana o que se ouvia a partir daí era um linguajar chulo e deliciosamente popular.
“É ferro na boneca, neném”.
Interpretando um personagem fictício, “Zé Veneno”, e rodando com toda sua equipe esportiva na cobertura dos principais clubes de Salvador e também da FBF- Federação Bahiana de Futebol, o mago da radiofonia baiana informava e comentava o mundo esportivo à exaustão.
Para ele não havia notícia pela metade. Era investigada até o fim. Se preciso fazia ligações nacionais e internacionais – coisa muito cara para a época – apenas para satisfazer o seu público cativo mostrando profissionalismo e seriedade.
Algumas figuras “carimbadas” do mundo esportivo passavam pelos microfones da Rádio Cultura na hora da resenha esportiva.
De Manu, o querido empregado da FBF Manuel Francisco do Nascimento, até Dona Tidinha e Gaguinho respectivamente cozinheira e massagista do Vitoria. Tipos carismáticos e muito estimados pelos ouvintes.
Os jovens talentos da imprensa – componentes da sua famosa equipe – eram valorizados no ar com muita reverência e apreço.
No comando da resenha ao lado de Álvaro Martins formaram por longos anos uma dupla imbatível no rádio. Mas também se destacavam Renato Lavigne, Sergio Boto, Bola de Gude, Paulo Roberto Sampaio, Claudio Falcão entre outros jovens de talento e raça.
França Teixeira com sua sábia irreverência chamava alguns dos seus parceiros de “esbugueladores”, ou seja, botava para quebrar. Os baianos se apropriavam da sua fala para o linguajar do dia-a-dia.
Aqueles que conquistavam fama dentre ou fora do Estado se rendiam à resenha esportiva de França Teixeira. Gilberto Gil, por exemplo, lançou a musica “Aquele Abraço”, na emissora. Depois é que foi realizada a gravação em disco,
Jogadores como Baiaco, além de receberem sempre os melhores elogios, também eram “zoados”.
E com apoio de fortes anunciantes e outros não menos conhecidos como Mesbla Veiculos, Tonsom Modas Masculinas e Motorádio, a cidade de Salvador viveu uma época da mais alta criatividade no radio esportivo baiano. Fato que chamava atenção de outras praças esportivas como Rio de Janeiro e São Paulo
O rádio baiano era considerado o mais efervescente do pais. Já no final dos tempos, a sua resenha disputava ponto a ponto de audiência com a de Marco Aurélio, da Rádio Excelsior. A disputa entre os dois radialistas chegou a dividir os torcedores.
Mas França Teixeira, sem dúvida alguma, saiu vitorioso neste embate.
Eu até hoje não concebo como a Associação Bahiana dos Cronistas Desportivos – ABCD ainda não criou um troféu para laurear os melhores profissionais do rádio baiano. Seria fazer justiça, ainda que tarde, a este bom profissional da Comunicação Brasileira. Outros menos votados já foram lembrados. Fica a minha sugestão.

Lício Ferreira é jornalista, ex-reporter de Esporte de A Tarde. Texto publicado no espaço do jornalista no Facebook, reproduzido pelo Bahia em Pauta.

Olha aí, garotada de Tite, a lição russa de como se faz para passar sem nenhum estresse à próxima etapa da Copa: duas vitórias seguidas, oito gols feitos nos adversários e só um tomado, no jogo contra o Egito.Bravíssimo!!!  

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

Por Renan Ramalho, G1, Brasília

A senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) e o ex-ministro Paulo Bernardo, marido dela (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil) A senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) e o ex-ministro Paulo Bernardo, marido dela (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil)

A senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) e o ex-ministro Paulo Bernardo, marido dela (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil)

Supremo Tribunal Federal (STF) absolveu nesta terça-feira (19) a presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), e o ex-ministro Paulo Bernardo, marido dela, da acusação de corrupção e lavagem de dinheiro em um dos processos da Operação Lava Jato.

Também foi absolvido o empresário Ernesto Kugler Rodrigues, apontado como emissário do casal no recebimento do dinheiro.

Ao apresentar a denúncia, a Procuradoria Geral da República afirmou que Gleisi e Paulo Bernardo pediram e receberam R$ 1 milhão desviado da Petrobras para a campanha dela ao Senado, em 2010.

Mas, ao julgar o caso, os ministros da Segunda Turma do STF consideraram não haver provas de que o casal recebeu propina em troca da manutenção de Paulo Roberto Costa como diretor de Abastecimento da Petrobras à época.

Votaram pela absolvição total:

  • Dias Toffoli;
  • Gilmar Mendes;
  • Ricardo Lewandowski.

O relator da ação, Edson Fachin, e o revisor, Celso de Mello, também votaram pela absolvição dos crimes de corrupção e lavagem, mas se manifestaram a favor da condenação de Gleisi pelo crime de caixa dois eleitoral (não declaração de dinheiro recebido em campanha).

A Procuradoria Geral da República pode recorrer da decisão ao próprio STF.

Apesar de terem sido absolvidos neste caso, Gleisi Hoffmann e Paulo Bernardo ainda respondem a mais duas denúncias e um inquérito no STF derivados das investigações da Lava Jato.

Votos

No julgamento, prevaleceu a posição do ministro Dias Toffoli, para quem os elementos contra a senadora eram “apenas indiciais”, sem comprovação efetiva.

“Suprimidos os depoimentos dos colaboradores, restam apenas elementos indiciais […] Não foi possível verificar elementos suficientes para juízo condenatório”. – Dias Toffoli

Relator da ação, Edson Fachin também descartou os crimes de corrupção e lavagem no caso, mas concluiu pela ocorrência de falsidade ideológica na prestação de contas de campanha da senadora em 2010.

O crime de caixa 2 tem pena de até 5 anos de prisão. A punição é menor que as dos crimes de corrupção (até 12 anos) e lavagem (até 10 anos).

Em seu voto, o revisor da ação penal, Celso de Mello, também não considerou haver provas de corrupção, porque não foi demonstrado, segundo o ministro, que Gleisi Hoffmann recebeu dinheiro em 2010 em troca de futuros favores a Paulo Roberto, após assumir o mandato.

“Também acolhendo a manifestação do relator, entendo que não estão presentes todos os elementos necessários à configuração típica do crime de corrupção passiva”, disse Celso de Mello.

O ministro também votou pela condenação da senadora somente pelo crime de caixa 2 eleitoral, e pela absolvição total de Paulo Bernardo e Ernesto Kugler Rodrigues.

Gilmar Mendes votou pela absolvição total, inclusive pelo crime de caixa 2. Durante sua participação, fez duras críticas à condução da Lava Jato e à acusação que, segundo ele, se basearam somente na palavra de delatores, sem provas.

Na mesma linha, Lewandowski disse que Gleisi e Paulo Bernardo deveriam ser absolvidos integralmente no processo. “As provas são insuficientes para sustentar qualquer condenação”.

 
 
Segunda Turma do STF começa a julgar a presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann

Segunda Turma do STF começa a julgar a presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann

Acusação e defesa

A acusação e a defesa se manifestaram antes dos votos dos ministros.

O subprocurador Carlos Vilhena destacou trecho da delação de Paulo Roberto Costa segundo o qual, para progredir na Petrobras, era necessário apadrinhamento político em troca de favorecimento a um partido para sustentá-lo no cargo.

Segundo a acusação, embora Paulo Roberto Costa tivesse sido indicado pelo PP, e assumido o cargo em 2004, passou em 2010 a recolher propinas junto às empreiteiras contratadas pela Petrobras em favor de políticos do PT e do MDB, com o objetivo de permanecer na diretoria.

“Enquanto parlamentar, líder do Partido dos Trabalhadores, do qual hoje é presidente, a senadora Gleisi Hoffmann podia, devia, ter estancado a sangria que ocorria na Petrobras”. – Acusação

Pela defesa de Gleisi, o advogado Rodrigo Mudrovitsch apontou falta de provas no processo.

“Estamos diante de ação penal única e exclusivamente lastreada nas palavras confusas e contraditórias de colaboradores”. – Defesa

O advogado afirmou, ainda, que não faria sentido que Paulo Roberto Costa, indicado pelo PP, ajudasse a campanha de Gleisi ao Senado, já que o partido tinha candidato próprio ao Senado, que concorreu e perdeu a disputa para a petista em 2010.

Repercussão

Leia abaixo a repercussão sobre a decisão do Supremo:

Rodrigo Mudrovitsch, advogado de Gleisi Hoffmann: “Desde o início da ação penal, a defesa da senadora apontava a fragilidade da acusação. O Supremo Tribunal Federal hoje reconheceu que não havia qualquer prova contra a Senadora e estabeleceu um marco importante acerca da impossibilidade de condenação de indivíduos apenas com base na palavra de colaboradores premiados”.

 

Juliano Breda e Verônica Sterman, advogados de Paulo Bernardo: “O STF fez justiça a Paulo Bernardo, absolvendo-lhe por unanimidade de uma acusação injusta. A decisão tem importância histórica porque comprova o abuso das denúncias construídas a partir de delações sem prova”.

Paulo Teixeira, deputado e vice-presidente do PT: “É muito importante que ela tenha sido absolvida depois do que considero uma grande estratégia de perseguição, estratégia de queimação. […] Agora, ela passa a ser absolvida pelo Supremo Tribunal Federal, que passou a fazer o seu papel de Corte contra majoritária”.

Lindbergh Farias, líder do PT no Senado: “Chega ao fim um dos processo mais aberrantes que eu já vi. Felizmente, a justiça prevaleceu”.

 

A atitude dos brasileiros que achavam que faziam uma brincadeira com uma mulher na Rússia, falando, em português, sobre a genitália dela sem que ela entendesse, causou reações para além do tribunal da internet. Em um vídeo, ao menos quatro brasileiros uniformizados cercam uma mulher – que seria uma repórter – e gritam repetidamente uma frase em alusão ao órgão sexual feminino. A mulher, que não entende português, apenas sorri um pouco constrangida e tenta repetir o que eles dizem (“boceta rosa”).

Reprodução do vídeo dos brasileiros fazendo a 'brincadeira'.
Reprodução do vídeo dos brasileiros fazendo a ‘brincadeira’. Reprodução

Rapidamente o vídeo viralizou. E não demorou para que parte de seus protagonistas fossem identificados. O primeiro foi Diego Valença Jatobá, advogado e ex-secretário de Turismo, Esporte e Cultura de Ipojuca, cidade pernambucana, a 50 quilômetros da capital, onde fica a praia de Porto de Galinhas, uma das mais famosas do Estado. Hoje, trabalha com a organização de eventos e shows no Recife e região. O segundo, é o tenente Eduardo Nunes, da Polícia Militar de Santa Catarina. O engenheiro civil Luciano Gil Mendes Coelho é o terceiro. De acordo com O Globo, Coelho foi preso em 2015 em uma operação da Polícia Federal que investigava o desvio de dinheiro público na Prefeitura de Araripina (PE), onde ele trabalhou na gestão de Alexandre Arraes (PSB).

Após o reconhecimento de parte dos envolvidos, a Polícia Militar de Santa Catarina confirmou que Nunes serve à corporação, afirmou que a atitude é “incompatível com a profissão”, e disse que abriria um processo administrativo disciplinar sobre o militar. Já em Pernambuco, a Assembleia Legislativa do Estado fez um ato de repúdio ao vídeo na segunda-feira. A OAB em Pernambuco, por sua vez, entrou com um pedido de análise de conduta no tribunal de ética e disciplina da Ordem contra Jatobá e afirmou estar tentando apurar a identidade dos demais. Além disso, publicou uma nota repudiando o fato.

A exposição desses brasileiros nas redes levou a uma investigação por parte da imprensa sobre a história deles. De acordo com o jornal O Globo, Jatobá foi condenado pelo Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE) por irregularidades na prestação de contas de 2012 do município, quando ele atuava na gestão do então prefeito Pedro Serafim (PDT). Ele também foi condenado por dever, segundo a Justiça, cerca de 37.500 reais de pensão alimentícia à ex-mulher, em um processo iniciado em 2014, segundo O Globo.

Diego Jatobá, ostentando dólares em uma foto de 2013.
Diego Jatobá, ostentando dólares em uma foto de 2013. Reprodução
 

Os torcedores não imaginavam que a brincadeira poderia ir tão longe. Mas não por desconhecer o poder das redes. Jatobá, inclusive, já tinha um antecedente com a internet depois que uma foto em que ele aparece ostentando um maço de notas de dólares na mão se espalhou em 2013. Na época, como figura pública, teve que se explicar. Disse que estava em uma casa de câmbio, que o dinheiro não era dele, e que estava fazendo uma brincadeira com um amigo.

Por outro lado, a experiência dos torcedores mostrou, uma vez mais, que a reação feminina no Brasil é rápida e imediata no melhor estilo “mexeu com uma, mexeu com todas”, lema que marcou a primavera feminista em 2015. Milhares de brasileiras se identificaram com a moça que, ingenuamente, repetia a grosseria, e tomaram as redes com o repúdio à atitude.Ver graça em cercar uma mulher e gritar “boceta rosa” sem que ela entenda do que se trata – e mesmo que ela entendesse – parece hoje uma atitude que se descolou da nova realidade brasileira e mundial. Empresas ou pessoas físicas que teimam em duvidar dessa resistência têm entrado numa longa fila de pedidos de desculpas públicas. “Não é engraçado. É machismo. Misoginia. E vergonha. Muita vergonha”, escreveu a atriz Leandra Leal em seu Instagram, ao reproduzir trecho do vídeo, para seus milhares de seguidores. “Parece que os rapazes do vídeo estão com medo de perder o emprego. É pra gente se solidarizar com o sofrimento deles? Ah, vão à merda”, escreveu a jornalista esportiva Milly Lacombe em sua conta no Twitter. Não à toa, o repúdio foi além do tribunal das redes sociais e não se limitou somente às mulheres. exatamente essa reação que aumentou a curiosidade sobre quem eram os torcedores e chegou-se à identificação, até agora, de três deles. Por ora, Jatobá e Nunes podem ser punidos como profissionais. E os demais torcedores só não correm o mesmo risco ainda porque, por enquanto, não foram identificados.

jun
20
Posted on 20-06-2018
Filed Under (Artigos) by vitor on 20-06-2018


 

Clayton, no jornal

 

jun
19
São Paulo / Brasília
Ciro Gomes, em debate em Brasília.
Ciro Gomes, em debate em Brasília. EVARISTO SA AFP

 

O ex-governador do Ceará, Ciro Gomes (PDT) aproveita-se do bom momento que o rodeia e está na batalha para se consolidar como o nome mais viável da centro-esquerda para as próximas eleições presidenciais. Nas últimas semanas, sua candidatura começou conversas discretas com PP, DEM e PR, partidos do espectro da direita que buscam uma saída para evitar ficar na oposição durante o próximo Governo e começam a ver o nome de Ciro como promissor. Ao mesmo tempo, tenta atrair mais à esquerda o PSB, competindo com o PT pelo apoio da sigla.

Ciro ganhou um impulso nas últimas semanas, especialmente depois de sua participação no programa Roda Viva, na TV Cultura, no final de maio, quando seu nome chegou aos trending topics do Twitter. Um levantamento feito pela Diretoria de Análise de Políticas Públicas (DAPP) da Fundação Getúlio Vargas há duas semanas aponta que sua presença no debate sobre os pré-candidatos tem aumentado de forma consistente nas redes sociais. O ex-governador do Ceará se apresenta atualmente como o terceiro com maior volume de referências. Está ainda muito atrás de Luiz Inácio Lula da Silva e de Jair Bolsonaro, mas à frente de Manuela D’Ávila (PCdoB) e de Guilherme Boulos (PSOL), que haviam expandido suas presenças no Twitter pelo apoio associado a Lula. “Pela primeira vez Ciro Gomes surge como foco de críticas no grupo azul [ligado a perfis de direita]. Isso demonstra uma preocupação com o pré-candidato, que passou a ser visto como um competidor mais forte na corrida eleitoral após sua aparição no programa”, afirma o texto do DAPP.

“A gente está no jogo”, comemora o presidente do PDT, Carlos Lupi, responsável pelas articulações políticas da campanha de Ciro, em conversa com o EL PAÍS. “Estamos na fase de solidificação da candidatura e é natural que se comece a ter uma consciência de que ele é o mais viável das forças populares de centro-esquerda”, afirma ele, que ressalta que as conversas com o PSB estão avançadas e “têm tudo para dar certo.” As pesquisas apontam que Ciro é, neste momento, o único nome da esquerda com viabilidade além de Lula, líder das pesquisas, que pode ter sua candidatura impugnada pela Lei da Ficha Limpa após ter sido condenado em segunda instância a 12 anos de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro pela Operação Lava Jato.

O levantamento Datafolha mais recente, divulgado no domingo, dia 10, apontava que, na ausência de Lula, Ciro aparecia com 10% das intenções de voto, bem à frente de Fernando Haddad, uma das opções petistas para substituir Lula (1%), Manuela D’Ávila (2%) e Guilherme Boulos (1%). Com o ex-presidente na disputa, seu desempenho cai para 6%. O impacto é maior especialmente no Nordeste, onde sem Lula ele alcança 13% das intenções de voto e cai para 7% quando o nome do petista é testado. Lula, entretanto, se mostra como um forte transferidor de voto. Por isso, o ideal para que a estratégia de Ciro decole é que o PT, diante de uma eventual impugnação da candidatura Lula, desista de ter um nome próprio na disputa de outubro e o apoie, algo defendido por uma parte do partido, mas que, neste momento, se mostra pouco viável.

Os desafios

Ciro enfrenta obstáculos importantes em sua campanha. O primeiro deles são as falas polêmicas. Em entrevista à Rádio Jovem Pan nesta segunda-feira, ele chamou o vereador de São Paulo Fernando Holiday, do DEM, partido que pode apoiá-lo, de “capitãozinho do mato”. Nesta terça-feira, discordou de forma nervosa do formato de um painel feito com pré-candidatos pela Associação Mineira de Municípios, que limitava a três minutos o tempo de duas respostas a que teria direito. Segundo relato do jornal Correio Braziliense, ele se irritou ao ser interrompido durante a primeira resposta e, depois, de o segundo questionamento ser sobre o mesmo tema do anterior. Deixou o debate antes das considerações finais e acabou vaiado.

Depois, a falta de força no Sudeste, o maior colégio do país, com 43,6% do eleitorado —na região, ele chega a 9% das intenções de voto, em um cenário sem Lula, e a 6%, com Lula. E, por último, a resistência do mercado a seu nome: segundo a avaliação de 97% dos investidores ouvidos pela XP Investimentos há duas semanas, Ciro é apontado como alguém que contribuiria paras “desfechos negativos” para o Ibovespa por atacar as reformas propostas pelo governo Michel Temer e o teto de gastos públicos.

O ex-governador se defende ao afirmar que revogaria a PEC do teto de gastos porque ela impacta, segundo ele, a expansão de serviços públicos. “Não vamos mais atualizar os carros da polícia? Não temos como expandir o serviço!”, destacou em uma sabatina do jornal Correio Braziliense. “Fui ministro da Fazenda, comandei a economia do Brasil, governei o oitavo Estado brasileiro em população, a quinta maior cidade do Brasil e não tenho um dia de déficit na minha longa história. Pelo contrário, como governador do Ceará fui ao mercado e comprei com 15, 20 anos de antecedência 100% das dívidas do tesouro cearense. Por que esse mercado vai tirar de mim a suspeição de que não sou austero?”, ressaltou ele.

Apesar de Lupi negar que já tenha havido qualquer conversa oficial com os partidos de centro-direita até agora, o fato é que uma aliança com o DEM, o PP e o PR poderiam ajudar Ciro em relação a seus dois últimos problemas. Estes partidos são mais amigáveis ao mercado, o que poderia acalmar mais os analistas da área econômica. E eles poderiam oferecer como vice um nome do eixo Rio-São Paulo e da área empresarial, como o de Benjamin Steinbruch, filiado ao PP-SP, que deixou seu cargo na Federação da Indústria do Estado de São Paulo (Fiesp) para se colocar à disposição do pedetista.

Depois de um mal-entendido na semana passada, em que Ciro defendeu a aliança com PSB e PCdoB para garantir a “hegemonia moral e intelectual” de sua chapa à presidência, o presidenciável precisou se desculpar com os partidos de centro que sinalizaram uma aproximação com vias à disputa presidencial. A retratação foi aceita e, entre terça e quarta-feira desta semana, ele deve se reunir com lideranças do PP, SD, DEM e PSC em Brasília para dar mais um passo nessa aproximação.

Conforme o presidente do Solidariedade, o deputado Paulo Pereira da Silva, o objetivo inicial desse grupo ligado ao Centrão, um grupo que se organizou em torno do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha e foi um dos patrocinadores do impeachment, era tentar viabilizar uma das candidaturas que já estão postas. Mas nenhum dos nomes chegou aos 2% de intenções de votos. “Como nenhum dos nossos está decolando, temos de abrir a negociação com outras candidaturas viáveis. É nesse cenário que apareceram os nomes do Ciro e do Geraldo Alckmin [PSDB]”.

Apesar de também haver uma sinalização ao nome de Alckmin, Silva acredita que ele estaria mais distante de receber o apoio do Centrão. “De zero a dez, o Ciro tem sete, o Alckmin os outros três”. A data-limite para a declaração desse apoio é 10 de julho, dias antes das convenções que oficializam as candidaturas.

O Centrão não quer ser oposição ao próximo presidente e “vende” como moeda de troca 23% do tempo de propaganda em rádio e TV e apoio direto de 120 deputados federais da atual legislatura. A única maneira de esse grupo estar de fora de um eventual segundo turno, em um primeiro momento, seria se os concorrentes fossem Jair Bolsonaro (PSL) e Marina Silva (REDE). “Ele é de extrema direita, e não queremos isso para o país. E ela não tem nada a ver com nosso grupo político”, diz Silva.

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  Assedio sexual mulheres Copa do MundoRepórter é agarrada por torcedor na praça Manege, em Moscou. Reprodução

Festa popular, promovendo o encontro e a congregação de etnias diversas, regada a cerveja, vodka, empolgação e gritos de gol. Ao mesmo tempo em que comprova sua dimensão festiva e multicultural a cada quatro anos, a Copa do Mundo masculina de futebol também expõe o caráter universal do machismo. Mal começou e o evento já registra casos de homens, de diferentes nacionalidades, assediando mulheres que circulam pelas cidades-sede na Rússia, sobretudo profissionais de imprensa

Antes mesmo do início da Copa, Julieth González Therán, enviada especial da Deutsche Welle a Moscou, foi agarrada à força e beijada no rosto por um homem de boné, na praça Manege, enquanto fazia uma transmissão sobre a contagem regressiva para a cerimônia de abertura. No estúdio, diante do constrangimento da repórter colombiana, a apresentadora Ana Plasencia desabafou, questionando as medidas de segurança tomadas pela Rússia para receber o Mundial: “Percebo que os torcedores tomam a liberdade de distribuir beijos sem pedir permissão”. Para poder terminar a transmissão, Therán teve de ser cercada por pessoas que presenciaram o assédio e a protegiam de novas investidas. Em seu perfil no Instagram, ela se pronunciou exigindo respeito. “Não merecemos esse tratamento. Somos igualmente competentes e profissionais. Compartilho a alegria do futebol, mas devemos identificar os limites entre afeto e assédio.”

No jogo entre Argentina e Islândia, fora do estádio de Nizhny Novgorod, um torcedor islandês fantasiado ameaçou interromper com gracejos a entrada ao vivo da repórter Agos Larocca, da ESPN, mas foi impedido por um produtor. Em frente a um dos portões de saída, a reportagem do jornal Superesportes registrou o momento em que dois torcedores argentinos assediaram e tentaram roubar um beijo de uma compatriota jornalista, que precisou se defender com o braço e o microfone para brecar a aproximação dos agressores.

Brasileiros também protagonizaram outro episódio de assédio em solo russo. Em vídeos que viralizaram no último sábado, um grupo de torcedores com camisas do Brasil debocha de uma mulher  que, de acordo com informações compartilhadas nas redes sociais, seria uma repórter local e não entendia o português  cantando palavras obscenas e depreciativas. Entre os integrantes da trupe está o advogado Diego Valença Jatobá, ex-secretário de Turismo de Ipojuca, cidade da região metropolitana de Recife.assedio torcedores brasileiros machismoÀ esquerda, torcedor islandês constrange repórter. Ao lado, brasileiros ridicularizam mulher na Rússia. Reprodução

 No começo de junho, o Itamaraty e o Ministério do Esporte lançaram um guia recomendando a torcedores gays que evitassem demonstrações públicas de afeto na Rússia, por causa da intolerância a LGBT’s no país-sede da Copa. Porém, não havia instruções para os homens brasileiros sobre como se comportar diante de uma mulher ao longo do evento. Em maio, a Associação do Futebol Argentino (AFA) resolveu agir nesse sentido. Mas, em vez de prevenir, reforçava o machismo com uma cartilha distribuída a jornalistas em que indicava as melhores práticas para conquistar mulheres russas. “Trate a mulher como alguém de valor, com ideias e desejos próprios”, pregava uma das orientações.

O campo fértil do assédio no futebol

Quando a Copa foi disputada no Brasil, em 2014, mulheres da imprensa também sofreram com abordagens machistas. A repórter Sabina Simonato, da Rede Globo, por exemplo, acabou assediada em duas oportunidades. Na primeira delas, ela foi beijada no rosto por um torcedor croata enquanto transmitia informações da Avenida Paulista, em São Paulo. Depois, às vésperas do jogo entre Alemanha e Portugal, o beijo veio de um funcionário da Casa de Portugal, no bairro da Liberdade, onde torcedores portugueses se reuniriam para assistir à partida. Colega de Simonato na Globo de Porto Alegre, a repórter Luciane Kohlmann, rodeada por torcedores holandeses, viu dois deles tomarem a liberdade de beijar sua bochecha.

Embora encarados por muitos como brincadeira, os ataques de fãs de futebol a jornalistas já não são mais tolerados por mulheres que, a duras penas, tentam conquistar seu espaço em um meio tradicionalmente machista. Em março, na cobertura ao vivo do jogo entre Vasco e Universidad de Chile, pela Copa Libertadores, no Rio de Janeiro, a repórter Bruna Dealtry, do canal Esporte Interativo, foi beijada à força por um torcedor vascaíno. Constrangida, ela se limitou a dizer no ar que a atitude “não foi legal”, mas continuou a transmissão. O episódio, somado a outras agressões sofridas por mulheres da crônica esportiva nos estádios, ajudou a desencadear a campanha #DeixaElaTrabalhar, encabeçada por um grupo de 50 jornalistas brasileiras.

Antes da Copa do Mundo, no fim de abril, um caso de assédio chamou a atenção no México. Maria Fernanda Mora, repórter da Fox Sports local, informava sobre a festa do título do Chivas Guadalajara na Concachampions 2018 até ser apalpada nas nádegas por um torcedor. Ela reagiu ao abuso golpeando com o microfone o agressor, que passou a insultá-la. Assustada com a repercussão na mídia, que descrevia sua reação como exagerada, Mora divulgou uma carta cobrando que o caso não fosse tratado como um simples arrimón  expressão utilizada no México quando um homem encosta o pênis em uma mulher na rua ou no transporte público, de tão comum que se tornou esse tipo de assédio no país.

Nas redes sociais, outros torcedores passaram a atacá-la afirmando que ela havia “forçado a barra” ou que merecia ser estuprada. “Não me arrependo da forma como me defendi porque nós, mulheres, não vamos deixar e não vamos nos calar. É preciso deixar muito claro: o problema sempre é o agressor, e não nosotras”, escreveu. Assim como no Brasil, a violência sofrida por Mora motivou uma campanha de jornalistas contra o assédio sexual. Elas usaram as hashtags #NoMeToques e #UnaSomosTodas para denunciar ofensas machistas nos estádios mexicanos.

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