DO PORTAL DE NOTÍCIAS TSF (PORTUGAL)
 
Foto: REUTERS

O governador do Estado norte-americano da Califórnia declarou esta segunda-feira o estado de emergência em Lake, onde está a lavrar um fogo fora de controlo, que consumiu 3.520 hectares e obrigou a retirar mais de 3.000 pessoas.

Jerry Brown declarou o estado de emergência em Lake para facilitar as tarefas de extinção das chamas para os 237 bombeiros, com apoio de 32 veículos, dois helicópteros e seis aviões de combate a fogos.

O incêndio, a norte da conhecida região vitivinícola de Napa, assolado no ano passado por fogos que destruíram mais de 150 edifícios, eclodiu no sábado, destruiu já outros 22 e ameaça 600 estruturas.

Realçando que as causas não estão apuradas, o comandante do batalhão do Departamento Florestal e de Proteção Contra Incêndios da Califórnia, Jonathan Cox, lamentou que tenha chegado “novamente a temporada de fogos”.

No ano passado, os incêndios na Califórnia provocaram 46 mortos, consumiram cerca de 559.000 hectares e destruíram 10.800 estruturas.

É tempo de Copa: Bossa neles, Brasil !!!

BOA NOITE!!!

(Gilson Nogueira)

Regina: sem mais palavras, que seriam desnecessárias, além dos versos da belíssima canção sobre cidade onde você – ao lado de Cloe, a neta amada-  festeja hoje (ou será em Paris?) o feliz 25 de junho de seu aniversário. Parabéns e os votos de toda felicidade que você merece. Música na caixa, maestro, como diz Olívia. Beijo fraterno e de grande afeto. Em Roma ou Paris. Viva!!!

(Hugo e Margarida)

 

 

 

 

jun
25
Posted on 25-06-2018
Filed Under (Artigos) by vitor on 25-06-2018
 
Geraldo Alckmin, durante o Única Foro, no dia 18 de junho de 2018. rn
Geraldo Alckmin, durante o Única Foro, no dia 18 de junho de 2018. Marcelo Chello EFE

Nem tudo vale em política nem na vida. Não é possível afirmar, como fez Geraldo Alckmin, pré-candidato do PSDB à Presidência, que “Bolsonaro é como o PT”, já que ambas as realidades políticas refletiriam “o atraso” e o “extremismo”.

É possível que Alckmin, diante de sua dificuldade em levantar voo nas pesquisas, esteja tentando abrir espaço para recolher votos de quem rejeita tanto o ex-capitão Bolsonaro como o Partido dos Trabalhadores (PT), ou seja, os anti-Bolsonaro e os anti-PT ou anti-Lula. Pode ser uma estratégia, mas nesse caso parte de uma premissa falsa.

O PT pode ser criticado por muitas coisas, entre as quais ter às vezes esquecido, no afã de querer perpetuar-se no poder, de algumas de suas metas fundacionais como partido nascido para regenerar a política. Os Governos do PT de Lula e Dilma podem ser criticados, mas querer comparar a força histórica do PT com a trajetória sem história de Bolsonaro, ao considerar ambos como o espelho do atraso, é uma afirmação falsa, além de arriscada..

Os governos petistas tiveram muitos defeitos, mas nunca representaram o atraso. Eles continuaram as aberturas democráticas iniciadas pelos governos de FHC e ampliaram-nas. Abriram espaços novos de liberdades na defesa dos direitos humanos, das minorias, dos segregados. Querer comparar as aberturas sociais realizadas pelo PT com as propostas obscurantistas e contra os direitos humanos de Bolsonaro soa a ofensa democrática e histórica.

Nem Bolsonaro e o PT são iguais como representação do atraso do país nem tampouco podem ambos ser tachados de serem igualmente extremistas. Bolsonaro é extremista e acho que nem se ofende de ser assim tachado. O PT, sobretudo com Lula, foi tudo menos extremista. Talvez pudesse ser tachado de ter sido às vezes excessivamente conformista com as práticas e políticas dos partidos de direita com os quais fez alianças de que hoje pode ser que se arrependa.

Se Bolsonaro aparece sempre na extrema direita, o PT se moveu mais no campo da social-democracia e da centro-esquerda, nunca nos extremos. Tanto é assim que o PSOL é um partido que nasceu da saída do PT de alguns militantes que consideraram o primeiro Governo Lula excessivamente conservador.

Se Alckmin, um governante experiente que leva uma vida navegando na política, precisa, por sua colocação no centro, arrebatar os votos dos dois extremos, que busque os de Bolsonaro, mas não os do PT, que hoje são, talvez, votos moderados no campo do socialismo, não extremistas. Como diria o veterano petista José Genoino, “uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa”.

Em meus mais de 40 anos de jornalismo sempre defendi que não existe a objetividade absoluta ao relatar um fato, já que cada um o vê sob o prisma de seus olhos. O que não se pode é esconder ou forçar a verdade. Daí também a dificuldade às vezes em distinguir uma notícia verdadeira de uma falsa. No caso da análise de Alckmin sobre Bolsonaro e o PT, suas afirmações não poderiam ser qualificadas como notícia falsa? Afinal, uma simples análise histórica dos fatos pode demonstrar que Bolsonaro e o PT ou Bolsonaro e Lula, além de não serem iguais, posicionam-se como antípodas um do outro.

Com a palavra, os leitores.

jun
25

O ex-atacante francês Eric Cantona, definitivamente, não está entre os admiradores de Neymar. Neste domingo, por meio de seu perfil no Instagram, o antigo jogador publicou uma foto de Sócrates e criticou o atual camisa 10 da Seleção Brasileira no Mundial da Rússia.

 

Foto: Reprodução

Um dos principais jogadores do Brasil nas Copas de 1982 e 1986, Sócrates aparece com a camisa da Seleção e a mão no peito. “Sem mais trapaças. Sem mais lágrimas de crocodilo. Sem mais narcisismo. Deixem-nos amar o Brasil como costumávamos”, escreveu Cantona.

Publicidade

Com passagens por clubes como Manchester United e Olympique de Marseille, além da seleção francesa, Eric Cantona fez alusão a Neymar. Na recente vitória brasileira sobre a Costa Rica, o atacante tentou simular um pênalti, anulado pelo VAR, e chorou ao final da partida.

Recentemente, por meio de outra postagem no Instagram, Cantona ridicularizou o visual exibido por Neymar na estreia pela Copa do Mundo da Rússia. O ex-jogador do Manchester United também criticou asperamente a decisão do atacante de deixar o Barcelona para defender o Paris Saint-Germain.

Na tentativa de confirmar a classificação às oitavas de final, com Neymar em campo, a Seleção Brasileira enfrenta a Sérvia às 15 horas (de Brasília) desta quarta-feira, no Estádio do Spartak. A França, país de Eric Cantona, garantiu presença na próxima fase de maneira antecipada.

jun
25
Posted on 25-06-2018
Filed Under (Artigos) by vitor on 25-06-2018
 

FHC diz que não houve mensalão mineiro

 


Fernando Henrique Cardoso, em entrevista ao Estadão, disse que não houve um mensalão do PSDB mineiro:

Assim como houve um mensalão do PT, fala-se de um mensalão do PSDB mineiro, que não houve. O que houve, sim, foi caixa 2, que também está capitulado no Código. E o Eduardo [Azeredo] teria sido beneficiário eleitoral, mas provavelmente não ator do delito. Mas para a opinião pública, é tudo “farinha do mesmo saco” e o partido paga o preço, além dele próprio, que foi condenado a 20 anos. Junto com Justiça, há também algo de vindita (vingança). Tempos bicudos”.

jun
25
Posted on 25-06-2018
Filed Under (Artigos) by vitor on 25-06-2018
random image
Duke, no jornal O Tempo (MG)

Cisse tecnico Senegal unico negro
Aliou Cissé dirige o Senegal durante o jogo contra a Polônia em Moscou. FRANCISCO LEONG AFP
 
Bruno Metsu era chamado de “leão branco”. Jogador de discreta trajetória na França, se aposentou nos anos 80 também sem muito alvoroço, até que no início do milênio atendeu a um telefonema da seleção da Guiné. Nada estranho, mais um treinador francês à frente da equipe de um país subsaariano francófono. Naquela altura Camarões já tinha causado impacto no mundo em quatro participações em Copas; a Nigéria já não era um pária depois de superar a fase de grupos em suas duas participações e conquistar até mesmo uma medalha de ouro nos Jogos Olímpicos, e também a África do Sul tinha ido além daquela estreia infeliz do Zaire no campo alemão em 1974. Em todas essas experiências jamais uma seleção subsaariana tinha sido comandada por um cidadão do próprio país. Todos os seus técnicos eram europeus. Como Metsu, que esteve apenas seis meses na Guiné, antes de atender ao chamado do Senegal.

Menos de dois anos lhe bastaram para edificar um mito. Em uma praça central de Dacar, a capital senegalesa, um mural com o rosto de Metsu ladeia o de africanos ilustres. O treinador que pilotou a classificação e a estreia do Senegal em uma Copa morreu em 2013. Aquelas conquistas tinham acontecido 11 anos antes, quando deixaram para trás a França, que chegava campeã, e o Uruguai, para ir às oitavas de final. Ali superaram a Suécia com um gol de ouro na prorrogação até que a Turquia lhe bloqueou o caminho à semifinal com idêntica sorte. O meio-campista, líder e capitão daquela equipe, o homem de máxima confiança de Metsu, é agora, na segunda vez que o Senegal ingressa na grande vitrine do futebol, o treinador da seleção. Aliou Cissé, de 42 anos, é o treinador mais jovem da Copa, também o único negro e o que tem o pior salário, são 200.000 euros anuais (cerca de 870.000 reais).

Em 24 participações de seleções subsaarianas, somente em cinco oportunidades os técnicos nasceram no país que representavam. Os demais eram europeus. Neste mesmo campeonato a Nigéria se apresenta com o alemão Gernot Rohr à frente. Ele encarna um repetido estereótipo, o do técnico que transita por vários destinos do continente negro: antes de chegar à sua atual equipe, tinha passado pelas de Burkina Fasso, Níger e Gabão. “Sou o único treinador negro da Copa, mas a verdade é que estes debates me incomodam”, explicou Cissé logo depois de chegar à Rússia. E completou: “O futebol é um esporte universal e a cor da pele pouco importa. Só espero que se somem mais companheiros no futuro e possam dar o passo que dei porque já vemos muitos jogadores africanos nos melhores campeonatos.” Ele está há três anos à frente do Senegal, depois de substituir o mítico ex-meio-campista francês Alain Giresse. Na Rússia é acompanhado por três ex-companheiros daquela epopeia de 2002, Tony Silva, Lamine Diatta e Omar Daf.

“Há menos treinadores negros porque acham que somos estúpidos”, clamou em sua época alguém que foi campeão do mundo como zagueiro, Lilian Thuram. “Quando era jovem havia gente que pensava que os negros não podiam atuar na defesa ou no gol porque somos fortes e ágeis, mas não tínhamos capacidade para nos concentrar”, denunciou. Quando se observa os cinco grandes campeonatos europeus, somente três equipes de um total de 98 acabaram com treinadores negros no comando: o holandês Clarence Seedorf no Deportivo, o inglês nacionalizado irlandês Chris Hughton no Brighton e o caledônio de passaporte francês Antoine Kombouaré no Guingamp.

Bruno Metsu dá instruções a seus jogadores durante a Copa do Mundo de 2002.
Bruno Metsu dá instruções a seus jogadores durante a Copa do Mundo de 2002. REUTERS
 

Cissé chegou com apenas 16 anos à França. Logo se integrou nas categorias de base do Lille e ali conheceu Metsu. Mais tarde estiveram juntos já como técnico e jogador no Sedán antes de se voltarem a ver na seleção. Diz que com ele aprendeu o rigor e ao mesmo tempo a proximidade com os jogadores. “Acho que estou muito preparado taticamente e procuro entender que por trás de um jogador há sempre uma pessoa”, se define. E também explica qual é a mentalidade de sua equipe. “Somos africanos, queremos viver bem juntos, sentir o prazer de desfrutar de tudo o que fazemos. Essa é nossa história e nossa cultura.”

Neste domingo, contra o Japão (12 horas, Grupo H), Cissé pode conduzir sua equipe às oitavas de final e se transformar no segundo treinador africano a chegar às oitavas de final de uma Copa –– o primeiro foi o nigeriano Stephen Keshi. “Mas poucas coisas serão como em 2002”, sugeriu, com um toque de nostalgia depois de vencer a Polônia na terça-feira. Metsu estaria satisfeito. Morreu vítima de um câncer sem ter completado 60 anos em Coudekerque, sua cidade natal, uma vila limítrofe com a Bélgica, terra de gente austera. Mas antes pediu que seu corpo fosse levado para Dacar. Havia se casado com uma senegalesa e se convertido ao islamismo. “Quando o conheci soube que algum dia eu seria treinador”, conclui Cissé. Na África uma lenda faz sucesso: “Os leões não morrem, dormem”.

jun
24
Posted on 24-06-2018
Filed Under (Artigos) by vitor on 24-06-2018

Resultado de imagem para wALDIR pIRES MORRE EM sALVADOR

 

Resultado de imagem para Paulo Fábio Dantas cientista político da UFBA

 

ARTIGO/OPINIÃO POLÍTICA

 

De luta e de labuta: em memória do político Waldir Pires

Paulo Fábio Dantas Neto

 

O desaparecimento do ex-governador Waldir Pires enseja um sentimento de consternação que, ultrapassando o campo de seus familiares, amigos, correligionários e aliados atinge, inclusive, adversários. Ao lado disso, também é geral o sentimento de perda compartilhado por todos os baianos e brasileiros minimamente informados sobre quem ele foi e sobre o fecundo e exemplar papel que cumpriu em momentos cruciais de nossa história contemporânea.
Em linha com esses sentimentos difusos afloram merecidas menções à integridade moral do seu caráter e ao sentido ético de sua conduta política, seja pela coerência ideológica, seja pelo respeito ao interesse e patrimônio públicos. A todas essas manifestações junto-me apenas como mais um.

Peço, contudo, licença para externar uma interpretação sobre dois traços de natureza política que me parecem relevantes na sua longa vida pública e que, a meu juízo, não têm merecido tanto destaque nas homenagens que se tem feito à sua memória. Ao lado do lutador nunca deixou de estar o homem de diálogo e, ao lado das convicções, sempre esteve nele a responsabilidade para com as consequências de suas decisões, inclusive quando as primeiras mostraram equívocos nas segundas.

Entre suas campanhas ao governo da Bahia (a derrotada de 1962 e a vitoriosa de 1986) Waldir aprendeu a não refugar alianças que viabilizassem a vitória da causa democrática. Em 62 chegou perto dela. A distância talvez fosse vencida com alianças mais diversificadas e afirmativas na capital (Virgildásio Sena a prefeito, não só Osório Vilas Boas) e um pouco mais de concessões veniais à política tradicional no interior, tendo Luís Viana Filho como opção mais realista ao Senado. O equilíbrio dos dois temperos baianos ajudou a eleger a dupla de candidatos de sua chapa ao Senado (Balbino e Josaphat Martinho) mas a escassez de alianças ao governo ajudou seu adversário populista, aliás apoiado pelo Presidente Jango. O hiato entre o bom, mas não bastante, desempenho eleitoral de Waldir e seu relativo isolamento na sociedade política antecipava, no cenário baiano, o impasse da estratégia nacional popular, cujo avanço nas eleições de 62 e no plebiscito de 63 em vez de inibir atiçou ânimos golpistas até a crise terminal do regime da Carta de 46.

Em 1986 deu-se o oposto. Curtido pelo revés, Waldir dobrou com firmeza resistências “à esquerda” e fez o que precisava ser feito: alianças com ex-aliados do carlismo (Luís Viana Filho, inclusive) para derrotar o arranjo de poder estadual firmado, há duas décadas, à sombra da autocracia nacional. Seu governo, embora democrático e honrado, não consolidou a brilhante vitória eleitoral. Em torno desse fato, em vez de autocríticas sérias, por parte das forças que apoiaram a campanha e integraram o governo, criou-se a lenda de que isso não ocorrera por dois erros pessoais de Waldir. O de ter sido pouco agressivo no “desmonte” do carlismo no interior e o de ter deixado o governo em 1989 para se candidatar à Vice–presidência da República ao lado de Ulisses Guimarães.

Trata-se de uma dupla lenda, primeiro porque o tal desmonte era impossível a não ser que Waldir optasse pelo mesmo chicote contra o qual vencera as eleições. Se erro houve ele esteve, sim, na tentativa inicial de montar um governo “de esquerda” numa Bahia conservadora. Tentou corrigi-lo a tempo após a eleições municipais de 88, conferindo mais espaço a aliados fora da esquerda, ao preço de sofrer, na AL e fora dela, críticas abertas ou veladas por estar sendo “condescendente” com forças conservadoras, quando estava, antes de tudo, respeitando o resultados das urnas nos municípios.

Sua saída do governo, em 1989, viu-se, depois, que foi mesmo um erro grave. Mas longe de ter sido individual, como disseram engenheiros de obras prontas, foi cometido com a torcida a favor de setores mais conservadores do seu governo (que queriam a ascensão do vice Nilo Coelho) e o silêncio de boa parte da esquerda, incomodada com a condição de vidraça e ávida por voltar, com a candidatura de Lula, a ser estilingue. Na época eu integrava a direção do PCB e era seu único deputado estadual, suplente em exercício. Lembro do que dissemos a Waldir, quando consultados sobre a decisão a tomar. Liderados pelo deputado federal Fernando Sant’anna dissemos que ele deveria ir à eleição junto com Ulisses, embora o nosso partido tivesse Roberto Freire como candidato a presidente e se arriscasse, com a saída de Waldir do governo, a perder, como perdeu, seu único mandato na AL, em virtude do retorno de titulares que compunham o secretariado. Por isso jamais seus aliados do PCB nos sentimos à vontade para responsabilizar Waldir, individualmente, por aquele equívoco coletivo e pelo detalhe lateral que foi o haraquiri partidário ao qual nos resignamos.
Transferir a responsabilidade foi, contudo, atitude difusa no campo da esquerda, a ponto de na pré-campanha de 1990, mesmo diante do risco de retorno do carlismo pelas urnas, passar meses a fio discutindo se devia “aceitar” Waldir, então filiado ao PDT, na “frente popular” que planejava fazer, como terceira via, contra a oposição carlista e contra o governo do PMDB. Deu no que deu, como se sabe. Mas é vívida em mim a lembrança da chegada imprevista de Waldir, então no vigor dos seus 63 anos de idade, a uma dessas reuniões em que estavam presentes todos os principais dirigentes e parlamentares daqueles partidos. Olhando no olho de um(a) por um(a), assumiu que deixar o governo fora um erro sim – o que mostrava a distância entre a lucidez retrospectiva que naquele instante o ator político já podia ter e a visão equivocada que tivera ao precisar agir, um ano antes, no calor da hora. Mas não deixou de, ainda com os olhos firmemente postos em seus interlocutores, lembrar de que não recebera, à época, de nenhum daqueles partidos, nem do seu, crítica à decisão que iria tomar.

A roupa lavada entre aliados não impediu Waldir de publicamente assumir, como líder que se respeita, a responsabilidade pessoal pelo erro. Iniciou, em meio a muitos percalços, a persistente tentativa de corrigi-lo, jamais se afastando da cena política e da frente democrática, enquanto teve saúde. É esse o agradecimento mais sincero que minha memória política pode desejar que a Bahia faça a esse seu líder venerado na morte mas nem sempre devidamente valorizado em vida.

Outros episódios houve, mais adiante, em que essa valorização, mais uma vez, não compareceu. Mas se Waldir não fez disso cavalo de batalha nem pretexto para fugir da raia, não me cabe levantar mais exemplos aqui, como fiz com aquele de 1990, que testemunhei e do qual diretamente participei.

De todo modo penso que a Bahia e o Brasil devem a Waldir Pires não só a homenagem a um homem público ético, coerente e lutador, mas a um político que aprendeu, com a ditadura que resolutamente enfrentou e com a transição democrática que ajudou a conduzir, uma lição definitiva: a de que a política democrática não é a de uma personalidade ou a de um partido, mas obra coletiva de uma sociedade e de políticos responsáveis, que saibam dialogar por um presente melhor e, em nome do futuro, perdoar, embora sem nada esquecer.
Dialogar sem tergiversar e perdoar sem esquecer são atitudes que fazem uma vida pública valer a pena. Valeu a luta, Waldir – mais ainda a labuta – lado a lado com você. Descanse em paz. Liderados seus permanecerão – ainda que não mais consigo, mas ao lado de jovens que já chegaram, que chegam e chegarão – na busca contínua, persistente, de um tempo novo de crescer e construir.

 

Paulo Fabio Dantas Neto é Cientista político e professor da UFBa. Artigo político especial para o Bahia em Pauta

                  

Resultado de imagem para Janio Ferreira Soares jornal A Tarde

O Brasil subindo a ladeira de Finelon

Janio Ferreira Soares

Manhã de 12 de junho, dia dos namorados e da penúltima noite da trezena de Santo Antônio da Glória. Fogos e sinos convocam para a missa das sete, onde logo mais as tias que me restam comungarão por elas e por mim, fato que me dá um certo alívio de que, se Céu existir, este velho herege que prefere malte à hóstia poderá ser acolhido nas escadarias do paraíso por algum arcanjo torto tocando Stairway To Heaven numa harpa envenenada.

Às vésperas da estreia do Brasil na Copa, poucos são os carros com bandeirinhas tremulando nas janelas que, pela anemia das cores, desconfio sobejos dos 7×1 ou de 2010, quando a coitada da jabulani andou sendo maltratada como nunca nos verdes campos da África do Sul. Ruas enfeitadas? Uma aqui, outra ali. Asfalto pintado? Só nas faixas de pedestres e nos absurdos quebra-molas atestando um atraso que remete à corrente pra frente de 70.

Validando o marasmo, o Datafolha informa que o desinteresse pela Copa bate recorde e que 53% dos brasileiros não estão nem aí pra Neymar e companhia. Macaco velho, me lembro do cordel A Briga na Procissão, do poeta Chico Pedrosa, onde ele conta que numa encenação acontecida na Semana Santa, um centurião completamente bêbado chicoteava de verdade o lombo de Jesus, interpretado por Quincas Beija-Flor. Todo encalombado e sem aguentar mais, Quincas pegou ar e disse que se ele não parasse de bater o pau ia cantar, recebendo de volta um: “que Cristo frouxo é você que chora na procissão? Tu vai ver o que é bom na subida da ladeira da venda de Finelon. O couro vai ser dobrado e daqui até o mercado a cuíca muda o som!”.

Tarde de domingo, 17 de junho. Uma chuva fina em nada atrapalha as mais de quatro mil pessoas no Ginásio de Esportes de Paulo Afonso. Como na ameaça do centurião, vejo que a cuíca já mudou o tom e agora o que vale é cerveja na mão e selfies com a imagem do super telão de led ao fundo. Diante de tanta tecnologia, impossível não lembrar da presepada feita por meu pai nas quartas de final da Copa de 1954.

Dono do único aparelho potente de ondas curtas de Glória, ele foi até o sítio de Zé Ferreira para captar melhor o sinal da Radio Nacional e, ao contrário do combinado com a turma que ficara tomando umas no bar de seu Miguel, soltava foguetes a cada gol da Hungria, para vibração dos bebinhos em festa.

Meio-dia de sexta-feira, 22 de junho. Com a dramática vitória de 2 x 0 sobre a irritante Costa Rica, a cuíca sobe mais um tom e a ladeira de Finelon se descortina. Abro uma Heineken, derramo um pouco pro velho e ergo um brinde a Detinho, Alaor, Lindemar, Delcik e toda uma geração que viveu num tempo onde o humor goleava rancores e as fake news eram apenas brincadeiras propagadas através de sons de foguetes estourando no ar.

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura de Paulo Afonso, na beira baiana do Rio São Francisco

 

 

 

 

Pages: 1 2 3 4 5 6 7 ... 18 19

  • Arquivos