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Posted on 29-06-2018
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Fachin decide homologar delação de Duda Mendonça

Edson Fachin decidiu homologar o acordo de colaboração premiada firmado pela PF com Duda Mendonça, informa o Estadão.

A decisão do ministro do STF é sigilosa, mas foi informada ao jornal por fontes com acesso à investigação.

A homologação permitirá que o ex-marqueteiro do PT preste depoimento no inquérito que apura o repasse de R$ 10 milhões para o grupo político de Michel Temer, acusação que surgiu na delação de executivos da Odebrecht.

Na semana passada, o STF decidiu que delegados de polícia podem fechar acordos de delação premiada. Por maioria, os ministros também firmaram o entendimento de que não é obrigatório que o MP dê seu aval à colaboração.

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 DO PORTAL DE NOTÍCIAS TERRA BRASIL

 

Um tiroteio em Annapolis, capital de Maryland, no leste dos Estados Unidos, deixou pelo menos cinco mortos e “diversos feridos” nesta quinta-feira (28). Os tiros ocorreram na redação do jornal “Capital Gazette”.

Policiais conversam com sobrevivente do ataque à redação do jornal.
 
Policiais conversam com sobrevivente do ataque à redação do jornal.

Foto: Greg Savoy / Reuters

A Polícia do Condado de Anne Arundel confirmou o número de vítimas e disse que o autor dos disparos foi detido e está sendo interrogado. “Atirador ativo. Por favor, nos ajudem”, escreveu um estagiário da publicação, Anthony Messenger, no Twitter.

Já um repórter do “Capital Gazette”, Phil Davis, citado pelo próprio jornal, disse que muitas pessoas se esconderam debaixo de suas mesas para fugir dos tiros. “O atirador disparou através da porta de vidro do escritório e abriu fogo contra muitos funcionários”, escreveu o jornalista no Twitter.

“Não há nada mais aterrorizante do que ouvir diversas pessoas sendo baleadas enquanto você está debaixo da mesa e ouve o atirador recarregar”, acrescentou Davis, que é repórter policial. “Estou absolutamente devastado em saber dessa tragédia em Annapolis”, disse, também no Twitter, no governador de Maryland, Larry Hogan.

Repórter Phil Davis relatou os momentos de horror
Repórter Phil Davis relatou os momentos de horror

Foto: Reprodução / Twitter

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Posted on 28-06-2018
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Caixas para colocar corpos em Feira de Santana, no final de semana de 16 e 17 de junho.
Caixas para colocar corpos em Feira de Santana, no final de semana de 16 e 17 de junho.

Uma chacina, três duplos homicídios, duas mortes em supostos confrontos com a polícia, um total de 26 pessoas mortas e medo. O cenário é Salvador, capital da Bahia, os dias são 9 e 10 de junho, logo após o policial militar Gustavo Gonzada da Silva ser morto e ter o corpo mutilado. Na região metropolitana, foram mais cinco assassinatos. No final de semana seguinte, o soldado da PM Wagner Silva Araújo, 28 anos, foi morto em Feira de Santana, também na Bahia, e o mesmo roteiro se repetiu: 19 assassinatos em dois dias.

Ouvido pela Ponte, o investigador da Polícia Civil baiana Kleber Rosa, integrante do movimento Policiais Antifascismo, levanta a possibilidade de que várias dessas mortes tenham sido praticadas por policiais como uma retaliação aos moradores das periferias pelas mortes dos colegas. Para ele, a narrativa não deixa dúvida: os homicídios são uma resposta do Estado, a partir da polícia – para ele, “instituição moldada no racismo” – e baseada na vingança e na demonstração de poder.

“É o Estado dizendo assim: ‘tenho que mostrar que sou mais forte’. É uma disputa ilógica. Um comportamento medonho do Estado de tentar medir forças sem usar a Justiça, os meios legais. Não existe legítima defesa aí. O Estado não pode arrogar pra si o direito de matar, sobretudo de uma forma sumária, em nome de uma vingança”, critica.

Todas as execuções seguidas da morte do policial na capital baiana foram praticadas com armas de fogo contra homens jovens e sua maioria em bairros periféricos – apenas 4 na região central da capital baiana, segundo levantamento recebido pela Ponte.

Das mortes na capital baiana, 18 aconteceram ainda em 8 de junho, dia em que a ocorrência da execução do cabo Gonzada foi registrada. O policial estava bebendo com amigos em um bar entre Santa Cruz e Nordeste de Amaralina, onde vivia, quando foi abordado. Após tentar reagir, foi morto. Os assassinos cortaram partes do corpo do PM. A brutalidade gerou revolta em outros policiais.

Kleber Rosa conhecia Gustavo e não soube de qualquer tipo de ameaça que pudesse estar sofrendo. “Eu sou do mesmo bairro, minhas relações estão localizadas lá, ele estudou comigo na mesma escola. Era bem conhecido na região, uma pessoa querida e, antes de ser policial, era morador do bairro, então isso é um elemento problematizador. Tanto é que isso indignou todo mundo, inclusive moradores do bairro que sofrem com a violência policial, porque ele era um morador, foi assassinado próximo da casa dele, num lugar que ele frequentava”, explica.

Soldado Araújo, morto após tentativa de evitar um assalto.
Soldado Araújo, morto após tentativa de evitar um assalto.

Um áudio atribuído ao deputado soldado Prisco (PSDB) demonstra a reação da tropa. “A morte do nosso colega Gonzada nos causou muita dor, muita revolta e muita indignação. A resposta tem que ser dada e tem que ser dada à altura. O bandido não pode dominar o nosso Estado”, diz a suposta mensagem do parlamentar. “O colega foi assassinado, humilhado, esbagaçado por esses marginais. E essa resposta tem que ser dada à altura. Estou aqui à disposição para ajudar vocês a caçar esses marginais e dar essa resposta”, segue.

A Ponte questionou o soldado Prisco sobre se, de fato, é ele quem gravou o áudio propagado pelo WhatsApp, mas o político não respondeu ao e-mail da reportagem.

O investigador Rosa conta que a polícia fez “literalmente um cerco” no Nordeste de Amaralina depois do assassinado do PM Gonzaga. “O bairro foi sitiado. Eu recebi uma série de ligações de pessoas preocupadas, sem saber como agir, sem saber o que fazer com familiares, que podiam ou não ter antecedentes [criminais]. Pessoas, por exemplo, não tinham nem como sair do bairro, porque se fossem parados por uma blitz poderiam acabar em um fim trágico [por terem passagem]. Foi o final de semana mais violento do ano, com certeza”, afirma Rosa.

Medo coletivo

O resultado é uma sensação coletiva de medo nas regiões pobres da capital baiana. Há duas semanas, a Ponte busca familiares de vítimas dos homicídios nestes dois dias. Nenhuma pessoa aceita falar. Até mesmo movimentos e associações que denunciam violência de Estado têm preferido se preservar. Nos registros das ocorrências, há casos de números de telefone incorretos dados pelos parentes de pessoas mortas, outro indicativo do medo. A reação de uma familiar a um telefonema da reportagem deixa claro o alcance desse temor. “Como você conseguiu o meu contato?”, questiona. “Só falei o que precisava para a polícia e os movimentos, não autorizei mais nada. Não quero falar sobre esta história”, encerra.

Para Kleber Rosa, que tem experiência de quase duas décadas na Polícia Civil, o episódio desnuda uma política de segurança que passa pela dita “guerra às drogas”, mas que, no final das contas, “é um salvo conduto para matar”. “A política de segurança de Estado sempre esteve voltada para controlar, exterminar, combater a população negra, isso tudo com o objetivo de viabilizar a sociedade branca pós-escravista. O modelo que permanece se estendendo até hoje faz com que a estrutura da polícia esteja montada para um determinado tipo de crime, que acontece em determinada região e que coloca, portanto, todo o morador daquela região como inimigo”, avalia.

O problema não é só da Bahia, mas no Brasil como um todo, explica Rosa. “É uma política racista que encarcera em massa, que mata em massa a população e que controla mesmo em condição de liberdade, porque o que acontece nos bairros onde se concentra população negra é o que podemos considerar encarceramento ao ar livre. Ou seja, as pessoas estão vivendo em uma condição de permanente de vigilância e violência mesmo a céu aberto. O que aconteceu há duas semanas? As pessoas ficaram presas, sitiadas, não tiveram coragem de sair de casa, de sair do bairro. O clima ainda é tenso, as pessoas não estão falando”, diz.

A ouvidora da Defensoria Pública da Bahia, Vilma Reis, critica o banho de sangue e a rotina de pavor desde os crimes. “No bairro Nordeste, está todo mundo apavorado. Foram cinco assassinatos lá motivados pela morte desse policial. Não se pode admitir uma sociedade de vingança, é uma barbárie”, conta.

Um pesquisador sobre a violência na Bahia comparou a reação à execução do cabo Gonzada como “a versão baiana dos crimes de maio” de 2006 em São Paulo, quando houve uma resposta do Estado aos ataques do PCC (Primeiro Comando da Capital) com uma matança indiscriminada nas periferias. Nos números oficiais, 493 pessoas morreram na reação aos ataques da facção criminosa. “Cobraram geral pela morte do cabo, a periferia está com muito medo. Nessa onda de mortes, muitos não tinham passagem pela polícia. São fortes indícios de que ocorreu a pratica de extermínio”, explica o profissional, sob a condição de anonimato, temendo represálias.

Os mortos em Salvador

A chacina registrada no dia 9 ocorreu no bairro Ceasa. Já os bairros I.A.P.I., Cosme de Farias e Saboeiro tiveram, cada um deles, um duplo homicídio registrado. O cabo Gustavo foi a primeira vítima do fim de semana, seguido por Mario Souza Santos, Lucas Puig Maia Mesquita, Rafael Lucas Franco Matos, Caique Leonardo Santana de Souza, Flavio Reis dos Santos Júnior, Paulo Ricardo Ramos da Silva, Flávio Lucas Souza Penas dos Santos, Josué da Cruz, Samuel da Cruz Batista, Eliomar da Cunha Rosa, Evandro Silva Santos, Uenderson Gabriel de Oliveira, Diego de Jesus, Genilson de Freitas Santana, Jean Carlos dos Santos, Emerson de Santana Santos, Renivan Barbosa dos Santos, Eduardo de Jesus Santos, Yuri Oliveira da Cruz, Icaro Caio Oliveira Mendes, Alípio Pinheiro de Almeida, Rainer Bispo de Araújo e de outras quatro vítimas não reconhecidas – duas delas vítimas de suposto confronto com a polícia. Todas as vítimas, incluindo o PM, são negras.

Essa reportagem foi publicada originalmente no site Ponte.

jun
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Posted on 28-06-2018
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Clayton, no jornal

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28
Posted on 28-06-2018
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Torcedores brasileiros na Rússia.
Torcedores brasileiros na Rússia. Epsilon Getty Images

Xosé Hermida, que deixa a direção da edição do El País Brasil para assumir um cargo de responsabilidade na sede do jornal em Madri, passou por algo semelhante ao que aconteceu com seu antecessor, Antonio Jiménez. Ambos chegaram a este país com alguma preocupação com seus mil problemas sociais e políticos. “Não sabia, quando cheguei, se seria capaz de inserir-me em uma realidade tão diferente da Europa e, ao mesmo tempo, tão complexa”, confessou-me Jiménez ao despedir-se e acrescentou: “Hoje percebi, quase de repente, que o Brasil me ensinou a ser feliz“.

No domingo, Hermida também veio a Saquarema para despedir-se de nós. Está ciente da responsabilidade que o aguarda na Espanha. No entanto, com uma expressão visivelmente mais alegre do que quando chegou mais de um ano atrás, como observou minha mulher, ele nos disse: “Não vou negar que estou triste com a partida. Aqui tomei consciência de que, com todos os problemas e dificuldades pelos quais os brasileiros passam, a Europa é mais triste que o Brasil.”

O que impressiona meu colega é que descobriu que os brasileiros sabem, entre suas raivas e dores, manter espaços de celebração e alegria, algo que defendem como parte de sua identidade. “Nem os mais pobres renunciam a essa dimensão”, diz ele, algo que também havia chocado, e até contagiado, Jiménez.

Hermida está ciente do momento de desencanto e até de raiva que vivem os brasileiros e de como é difícil interpretá-los sem cair nos clichês. “No entanto, para mim, é inegável que eles sabem manejar melhor do que nós, europeus, seus espaços lúdicos e sua capacidade de comunicação, o que os vacina contra a solidão.”

Ele me conta uma de suas primeiras experiências de vida em São Paulo. Estava fazendo uma viagem de ônibus para ir à praia. Um caminhão fechou-os e bloqueou o tráfego. Tiveram que descer e esperar mais de uma hora até que tudo se normalizasse para poderem continuar a viagem. “Vendo a atitude das pessoas esperando tranquilas, sem desespero, notei o comportamento dos brasileiros, tão diferente dos europeus, diante de uma situação de desconforto. Pensei como teria sido diferente aquele percalço, por exemplo, na Espanha, onde as irritações dos passageiros teriam se amontoado e cada um alegaria que aquela parada havia arruinado seus planos. Haveria um coro de protesto.”

Ele ressalta que sabe muito bem que alguns podem criticar a tranquilidade daqueles passageiros como resignação inútil. “No entanto, isso me fez pensar que, pelo contrário, os europeus vivemos as frustrações com menor capacidade de evitar que nos contaminem. Vi como mais sábia essa atitude dos brasileiros. Entendi que não era passividade, mas uma capacidade de não se amargar a vida inutilmente.”

Conversamos sobre a particularidade dos brasileiros de comunicação mesmo entre estranhos, algo tão raro, se não impossível na Europa, onde cada um prefere se fechar em seu castelo. Ele me contou que, na ida para o aeroporto naquela manhã em São Paulo, o taxista era tão expansivo, com vontade de continuar conversando com ele, que chegou a pedir seu telefone para manter contato. “Você pode imaginar isso na Europa?”, disse ele.

Sua surpresa com a capacidade dos brasileiros de deixar você entrar em sua vida e contar-lhe tudo me lembrou que, em uma das minhas primeiras viagens a Madri depois de minhas primeiras experiências brasileiras, quando contei a uma colega do jornal que, aqui, em uma loja ou esperando um ônibus ou na rua, alguém pode começar a te contar sua vida com a maior tranquilidade, ela reagiu assustada: “Que horror! Não quero que ninguém me conte sua vida. Já me basta a minha!” Hermida, ao contrário, não só não se incomodou com esse modo de vida expansivo dos brasileiros, como se impressionou com ele, e com sua filosofia de que o trabalho, embora importante, não é o eixo de suas vidas já que trabalham para viver mais do que viver para trabalhar. “Sempre deixam espaços livres para sonhar.”

Hermida é um bom analista político e pergunto-lhe o que ele acredita ser o problema central que aflige este país. Não hesitou em responder: “A chave de tudo é a imensa desigualdade da sociedade quase dividida em castas, onde uns poucos acumulam privilégios que ofendem a maioria que precisa lutar para sobreviver.” E acrescenta: “Eu sei que o problema que mais aflige os brasileiros hoje talvez seja a violência, a falta de segurança, o que pode explicar o fenômeno preocupante do ultradireitista Bolsonaro. Mas não. O drama do Brasil continua sendo principalmente a perpetuação dessa desigualdade social produzida pelo desinteresse dos Governos de oferecer uma educação de qualidade que seja capaz de dar a todos as mesmas oportunidades de progredir na vida.”

Como Antonio ao se despedir, Xosé também me garante: “Juan, eu volto. Prometo.” E observando a praia de Saquarema, um luxo no início deste inverno morno, observa: “Ah, a beleza, o clima e as pessoas deste país!” Talvez estivesse pensando que em Madri o espera um termômetro que pode marcar 45 graus à sombra e talvez menos pessoas do que aqui interessadas em conhecer sua vida.

 

DO PORTAL TERRA BRASIL

Mladen Krstaji? apenas fez elogios ao Brasil e à postura da Sérvia em sua última entrevista coletiva na Copa do Mundo, nesta quarta, após a derrota por 2 a 0 que eliminou a seleção da competição. O sérvio destacou que a Seleção Brasileira segue como favorita a conquistar o título na Rússia.

Sérvia, do técnico Krstaji?, está fora da Copa do Mundo (foto: EMMANUEL DUNAND / AFP)
 
Sérvia, do técnico Krstaji?, está fora da Copa do Mundo (foto: EMMANUEL DUNAND / AFP)

Foto: LANCE!

“O Brasil já estava entre os favoritos antes da Copa. Alemanha, Espanha, Argentina também estavam. O futebol é assim, a Alemanha está fora e o Brasil continua favorito para vencer esse torneio”, afirmou o treinador.

“Eu gostaria de parabenizar meus adversários, por uma vitória merecida, e também dar parabéns aos meus atletas pela luta. Acho que nós estávamos liderando no primeiro tempo, aí teve o gol brasileiro. São situações que se precisa manter o foco contra uma equipe tão forte, a qualidade individual pode fazer diferença”, completou Krstaji?.

O Brasil abriu o placar na primeira etapa, com Paulinho. Na volta para o segundo tempo, a Sérvia passou a abafar a Seleção e teve chances de empatar. Mas Thiago Silva, após cobrança de escanteio, ampliou para os brasileiros, que passaram a ter o controle da partida até o final.

“O Brasil controlou muito mais o jogo, era algo que a gente esperava. Queríamos deixar parte do campo para eles e recuperar a bola. Mas tomamos o gol, tem de estar esperto 90 minutos para não ser punido. Estávamos atacando bem, tentamos nos arriscar no segundo tempo. Mas é difícil contra uma potência”, afirmou o treinador sérvio.

“Eu acredito que meus jogadores deram seu máximo. Viemos para mostrar as nossas cores, depois de perder torneios na Europa. Estamos muito felizes com a atitude dos jogadores sérvios depois de uma temporada difícil, a maioria dos atletas jogou mais de 50 jogos em seus clubes. Houve momentos em que poderíamos ter jogado melhor, mas sabíamos que era um grupo difícil. Nós tentamos vencer o Brasil, que é uma potência”, completou.

 Presidente da CBF é afastado de camarote oficial

Na vitória de 2 a 0 do Brasil sobre a Sérvia, que colocou a seleção nas oitavas de final da Copa, o presidente da CBF foi colocado longe do da Fifa no camarote oficial em Moscou, informa Jamil Chade no Estadão.

Conforme o protocolo, Antônio Carlos Nunes –o coronel Nunes, como é conhecido– deveria sentar-se ao lado de Gianni Infantino, o chefe da Fifa.

Em vez disso, teve de dar lugar a Fernando Sarney, vice da CBF, e a Alejandro Dominguez, o presidente da Conmebol. Infantino assistiu ao jogo ao lado de Sarney e do primeiro-ministro da Rússia, Dmitri Medvedev.

Presidente interino da CBF, o coronel Nunes já causou constrangimentos em série. Votou em Marrocos para sede da Copa de 2026, apesar de os sul-americanos terem acordado votar nos vencedores EUA, Canadá e México.

Além disso, teve um assessor, Gilberto Batista, enviado de volta ao Brasil depois de quebrar um copo na cabeça de um torcedor.

Joe Jackson R.I.P. Saudades eternas de Michael.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

 

 

jun
28
Posted on 28-06-2018
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Por G1

Joe Jackson (Foto: Reuters/Regis Duvignau) Joe Jackson (Foto: Reuters/Regis Duvignau)

O empresário americano Joe Jackson, pai do cantor Michael Jackson (1958-2009), morreu nesta quarta-feira (27), informou o TMZ. De acordo com o site, ele tinha câncer e estava em estado terminal.

A agência de notícias Associated Press confirmou a notícia com uma fonte da família.

Na última sexta-feira (22), a imprensa americana disse que Joe estava hospitalizado com uma doença grave.

O site do tabloide “Daily Mail”, citando familiares e outras fontes não reveladas, acrescentou que o patriarca tinha câncer de pâncreas de estágio quatro.

A saúde de Joe vinha se agravando desde 2015, quando ele sofreu um derrame cerebral e três ataques cardíacos – na época, os médicos implantaram um marca-passo.

O próprio empresário havia mencionado há alguns dias no Twitter que a morte se aproximava: “Eu vi mais amanheceres do que ainda tenho para ver. O sol nasce quando chega a hora e, goste você ou não, o sol se põe quando chega a hora”.

Perfil

 Joe Jackson com os filhos (Foto: Reprodução/Twitter) Joe Jackson com os filhos (Foto: Reprodução/Twitter)

Joe Jackson com os filhos (Foto: Reprodução/Twitter)

Joseph Walter Jackson nasceu em 26 de julho de 1928 em Fountain Hill, no Arkansas. Ficou conhecido por, na década de 1960, treinar rigidamente seus filhos pequenos para serem cantores e dançarinos.

Com as crianças, formou o grupo de música pop The Jackson 5, que alcançou a fama global entre o público branco. Tornou-se, assim, uma das figuras paternas mais famosas e relevantes na história da música.

Com seu R&B dançante, o Jackson 5 chegou ao topo das paradas com quatro músicas. Aos 11 anos, Michael Jackson tornou-se o cantor mais jovem a alcançar o ranking com o hit de 1969 “I want you back”.

Pai violento

 

Joe Jackson acompanha o filho, Michal Jackson, em tribunal, em maio de 2005 (Foto: AP Photo/Ric Francis, Arquivo) Joe Jackson acompanha o filho, Michal Jackson, em tribunal, em maio de 2005 (Foto: AP Photo/Ric Francis, Arquivo)

Joe Jackson acompanha o filho, Michal Jackson, em tribunal, em maio de 2005 (Foto: AP Photo/Ric Francis, Arquivo)

Anos depois, ele foi acusado de práticas parentais abusivas, maus tratos e violência física dirigida aos filhos. Joe reconheceu as acusações, mas não chegou a pedir desculpas. De acordo com ele, seus métodos fizeram os filhos terem sucesso e os mantiveram fora da cadeia.

Já adulto, Michael Jackson revelou que cresceu com medo de seu pai, que regularmente batia nele com um cinto. Em uma famosa entrevista de 1993 com Oprah Winfrey, o Rei do Pop começou a chorar quando recordou as surras, mas também disse que o perdoava.

Janet Jackson, a filha mais nova de Joe e a mais famosa depois de Michael, disse que seu pai insistia em ser chamado por seus filhos de Joseph. Ela contou que sofria quando via outros pais demonstrando afeto por seus filhos.

A imagem pública de Joe Jackson se desgastou ainda mais quando seu filho Michael, que sofria de ansiedade e depressão, morreu em 2009 e o pai aproveitou o momento para promover seu projeto de gravadora.

Estou contente de ter sido duro’

Em sua própria entrevista com Oprah em 2010, Joe Jackson reconheceu que disciplinava fisicamente seus filhos, mas disse que o fez pensado em seu bem. “Isso os manteve fora da prisão”, disse Jackson.

Em entrevista à CNN em 2013, ele afirmou: “Estou contente de ter sido duro, porque vejam o que eu realizei. Criei filhos que todo mundo ama em todo o mundo”.

Mas ele começou a se deixar levar pela emoção em seus últimos anos. Quando estava internado no hospital, escreveu em seu site que Janet era a única filha que o visitava e expressou orgulho por suas realizações.

Sua esposa Katherine, que foi uma figura materna calorosa para os dez filhos do casal, explicou que nos lares afro-americanos era normal bater nas crianças.

Katherine, a quem Michael e Janet dedicaram seus álbuns mais famosos, sobreviveu ao seu marido depois de 68 anos turbulentos de casamento, durante os quais pediu o divórcio, mas voltou atrás.

Joe também teve uma filha, Joh’Vonnie, com uma amante de longa data. Joe mudou-se nos anos 1980 para Las Vegas quando ainda era casado com Katherine, que morava em Los Angeles.

Seus outros filhos incluem Jermaine e La Toya Jackson, que também alcançaram sucesso em suas carreiras musicais solo.

Uma corda arrebentada que fez história

 

Joe Jackson em imagem de julho de 1984 (Foto: AP Photo/Marty Lederhandler, Arquivo) Joe Jackson em imagem de julho de 1984 (Foto: AP Photo/Marty Lederhandler, Arquivo)

Joe Jackson em imagem de julho de 1984 (Foto: AP Photo/Marty Lederhandler, Arquivo)

Neto de um escravo, Joe Jackson nasceu em uma zona rural do Arkansas, com um pai tão cruel como depois ele seria.

Após o divórcio de seus pais, primeiro se mudou seu progenitor para Oakland, na Califórnia, e depois se mudou com sua mãe quando era adolescente para a área de Chicago, um dos milhões de afro-americanos que deixaram o sul para ir a cidades do norte, no que foi chamado de a Grande Migração.

Deixando de lado suas ambições de se converter em boxeador, Joe Jackson encontrou emprego como operador de gruas na fábrica US Steel em Gary, Indiana, dando uma vida estável para sua jovem família.

Diz a lenda familiar que os filhos de Jackson mexiam em seu guarda-roupa quando ele estava trabalhando na planta e pegavam seu violão. Furioso um dia quando encontrou uma corta arrebentada, Joe pediu que Tito, seu terceiro filho, mostrasse a ele que sabia tocar.

“E quando comecei a tocar, ele ficou boquiaberto! Me deu o violão e disse que eu aprendesse cada música que ouvia no rádio”, contou Tito Jackson ao blogueiro Malcolm Wyatt em 2017.

“Assim, comecei a aprender ‘The Temptations’ e tudo isso, tocando canções como ‘My Girl’, com Jackie, Jermaine e eu na voz, começando a trabalhar em nossas partes para essas canções. Se tornou uma banda (…) e o resto é história”, disse.

Joe Jackson manejou todas as gravações do Jackson 5 na Motown Records e mudou com a família para Califórnia. Michael Jackson eventualmente lançou sua carreira solo em 1975 com o álbum “Off the Wall”, após assinar um contrato com a Epic Records.

O patriarca logo gerenciou a carreira de Janet. Mas embora tenha sido o pai de dois dos cantores mais bem-sucedidos na história, sua vida não acabou no luxo.

Michael Jackson, apesar de perdoar seu pai publicamente, o deixou totalmente fora de seu testamento.

Em 2012, o antes todo-poderoso agente foi visto vendendo perfume da marca Jackson em um carrinho em um anódino centro comercial de Las Vegas, o que deu início a uma batalha legal porque não tem direito de usar o nome de Michael Jackson.

Joe Jackson, que teve 11 filhos, morava em Las Vegas. Ele deixa a viúva, Katherine.

Petkovic Brasil x Servia socialismo
Dejan Petkovic, dividido no duelo entre brasileiros e sérvios. Alexandre Battibugli

 

Uma decisão arriscada fez a vida de Dejan Petkovic tomar um caminho diferente daquele que havia imaginado na época em que ainda tentava se tornar um jogador de futebol pelo modesto Radnicki Nis. Quando defendia o Real Madrid, mas se via sem perspectivas, recebeu uma proposta do Vitória, da Bahia. Resolveu aceitar a aventura em um país distante da maneira mais calculista possível. “Todo mundo que joga bem no Brasil vai para a Europa. Fui com o objetivo de voltar”, conta. Mas a volta não duraria muito tempo.

Foi do Vitória para o Venezia, da Itália, mas, menos de um ano depois, já arrumava as malas novamente para se tornar ídolo do Flamengo. Não saiu mais do Rio de Janeiro. Fincou raízes e hoje, trabalhando como comentarista no Sportv, se sente “meio brasileiro”. Pet, como ficou conhecido desde os tempos na Bahia – os torcedores tinham dificuldade de pronunciar seu nome –, nasceu em uma pequena cidade da antiga República Socialista da Iugoslávia. Em 1992, seu país iniciou um processo separatista que, somente 14 anos mais tarde, resultaria na formação da atual República da Sérvia.

Decepcionado com os rumos políticos da terra natal, Petkovic, entretanto, não se esquece dos bons momentos de sua infância sob o regime socialista de Josip Tito – sem deixar de ser crítico às diferentes formas de governo experimentadas na região dos Balcãs. Em entrevista ao EL PAÍS, o ex-jogador fala sobre geopolítica, socialismo, conflitos separatistas e, naturalmente, de futebol. Antes do jogo entre Brasil e Sérvia, pela última rodada do grupo E na Copa do Mundo, ele torce para que suas “duas casas” saiam felizes nesta quarta-feira, de preferência com um empate que seja suficiente para a classificação de ambas as seleções.

Pergunta. Como começou sua relação com o Brasil?

Resposta. Eu fiz dois gols contra o Vitória em um amistoso pelo Real Madrid, em 97, e o clube me fez uma proposta. Como não tinha muitas oportunidades no Real, eu autorizei que um representante do Vitória fosse ao Santiago Bernabéu para pegar a assinatura do empréstimo. Mas aí o presidente do Real aparece com um diretor do Borussia Dortmund, que era campeão da Champions e me queria. Sou sérvio, cabeça-dura, cumpri com minha palavra. Perguntaram se eu estava louco, mas já tinha feito o acordo com o Vitória.

P. O que te atraiu na proposta do time baiano?

R. Me disseram que o Vitória era campeão, que o Bebeto jogava no clube. Quando cheguei, o Bebeto já não estava mais no time. Eu pensava que o time era campeão brasileiro, mas era só campeão baiano [risos]. Foi um choque de realidade. A diferença de estrutura entre os clubes era gritante. Não tinha nem água quente no vestiário. Mas imaginei que, se jogasse no Vitória, eu voltaria valorizado. Todo mundo que joga bem no Brasil vai para a Europa. Fui com o objetivo de voltar. Eu queria cumprir o desafio. E consegui. Joguei bem e voltei para a Europa.

P. E foi embora já pensando em voltar?

R. Ter ido para o Vitória foi uma decisão que mudou minha vida. Como já falava espanhol, em dois meses eu aprendi o português. Não fiz simplesmente por obrigação. Tinha muita vontade de me adaptar ao Brasil. E comecei a gostar muito do país. Criei vínculos e não pensei duas vezes em aceitar a proposta do Flamengo para voltar.

P. Segue gostando, apesar da crise que afeta o país nos últimos anos?

R. Eu cresci em um lugar que tem muitos problemas. O que acontece no Brasil eu já vivi. Estou acostumado. Mas os brasileiros não merecem o que está acontecendo. Um país maravilhoso, abençoado com essa riqueza natural e humana, pela mistura de cores, sem conflitos étnicos. Isso não pode ser ofuscado pelos problemas de corrupção. No meu país, também sofremos com corrupção e coisas piores, como a separação de territórios, agressões e mortes de inocentes, políticos que não são dignos de nenhum respeito. Talvez por isso eu consiga enxergar o lado positivo das coisas. Lamento a situação política, às vezes eu também quero chutar o balde, mas sou otimista e acredito muito no Brasil.

“A parte boa do regime socialista: tinha emprego pra todo mundo. Mas, como as empresas viviam de subsídio, não importava o resultado. A produtividade era baixa”

P. Já consegue dizer que se sente em casa aqui?

R. Tenho duas casas. Em uma delas, eu nasci. A outra, eu escolhi. Nenhuma delas é perfeita. Mas eu também não sou perfeito. Não existe perfeição na vida, muito menos um modelo de sociedade perfeita.

P. Percebe diferenças marcantes entre os sérvios e o povo brasileiro?

R. Entre tantas coisas boas, um único defeito me chama a atenção: o brasileiro é muito acomodado. Aceita as coisas sem conhecer os seus direitos, sem reivindicar, sem perguntar: “Mas por que isso?”. O brasileiro não questiona. Por que aumentou o preço da gasolina? Por que tem que pagar taxa de matrícula na escola? Por que vão fazer reajuste e correção monetária? Baseado em quê? “Ah, mas é assim. Não me importa quanto vou pagar no futuro, o que importa é que agora me custa menos.” Esse é o pensamento. Nesse ponto, muita coisa é diferente da Europa. Por que tem franquia do seguro? Por que tem que pagar plano de saúde? Por que faz um financiamento? Na Sérvia, pagamos a hipoteca e o valor das parcelas é fixo. Lá não existe plano de saúde. Os salários e as aposentadorias são baixas, mas as escolas públicas ainda são muito boas e melhores que as privadas. Alguma coisa ainda funciona na minha terrinha. Não é só roubalheira.

P. Você nasceu e cresceu na antiga Iugoslávia socialista. Quais lembranças guarda dessa época?

R. Eu vivi muito bem no socialismo, mas nem sabia o que isso significava. Era criança. A ideologia é fantástica, mas, na prática, não funcionava. Um exemplo… Tenho amigos que são trabalhadores, muito profissionais. Mas também tenho os que são “boleirões”, gostam de vida boa, não querem fazer nada. Imagine se esses amigos recebessem o mesmo que os trabalhadores dedicados? Isso desmotiva quem quer trabalhar. Mas tinha emprego pra todo mundo. Essa era a parte boa do regime socialista, algo que o governo realmente tem de fazer. Criar oportunidades de trabalho. Mas, como as empresas viviam de subsídio, não importava o resultado. A produtividade era baixa. Uma fábrica que poderia operar com 3.000 funcionários tinha 30.000. Como meu pai dizia: comia a si mesmo.

O ex-meia avalia o jogo entre Brasil e Sérvia na Copa do Mundo. ampliar foto
O ex-meia avalia o jogo entre Brasil e Sérvia na Copa do Mundo. Alexandre Battibugli
 

P. Como vivenciar um sistema de governo que já não existe mais?

R. Minha infância foi maravilhosa. Meu pai e minha mãe tinham empregos. A gente frequentava escola boa, praticava esportes, viajava nas férias para a praia ou para a montanha e vivia com dignidade, mas não tinha mordomia. A comida era muito barata. Hoje, qualquer coisa é cara. Praticamente não existe diferença de preço entre a comida e um aparelho doméstico. Antes, a gente podia comer o mês inteiro com 10% do salário dos meus pais, mas precisava de cinco salários para comprar uma televisão. Agora a diferença entre uma cesta básica e uma TV é pequena. Naquela época, nosso país tinha muita produção industrial, da agricultura a materiais de construção. Quando meus pais estavam construindo nossa casa, faltou grana para comprar as calhas do telhado. Então, eu quebrei meu cofrinho de moedas. Deu pra comprar as calhas e ainda sobrou dinheiro.

P. Hoje, olhando à distância, como avalia o período socialista [1948 a 1992] em seu país?

R. A Iugoslávia teve comunismo, socialismo e capitalismo. Não sei qual deles é o melhor, de verdade. Tudo pode prestar, tudo pode estragar: depende dos interesses envolvidos. Não existe um sistema ideal. Para mim, o fundamental é que exista educação, respeito aos valores comunitários e à história do país.

P. Há uma explicação para tantos conflitos separatistas na região?

R. Foi muito triste a separação da Iugoslávia. Quando querem encontrar brechas para dividir o poder, usam como desculpa a religião, o nacionalismo, a centralização do capital ou o que melhor convier para alcançar esse objetivo. A política aproveita os pontos fracos das pessoas e começa a semear diferenças adotando o discurso de “nós contra eles”. É muito fácil promover a segregação do ser humano. Veja só as torcidas no futebol. Existem brigas dentro delas. A Iugoslávia se separou enquanto toda Europa estava se unindo. Qual era a lógica disso? Daqui a pouco, vamos dividir os Estados, as cidades, os bairros. Precisamos aprender a conviver com as diferenças, como acontece no Brasil.

P. Você deixou de disputar uma Eurocopa, em 1992, devido a uma sanção da FIFA à Iugoslávia por questões políticas…

“Em 1998, se tivesse pagado para jogar, eu iria para a Copa do Mundo”

R. Essa decisão de implementar o embargo à Iugoslávia foi estúpida. Não nos deixaram jogar a Eurocopa. Levaram a questão política para o futebol.

P. Acredita que o fato de ser um jogador esclarecido, com opiniões fortes, contribuiu para que você jamais fosse convocado para uma Copa?

R. Não vejo por esse lado. Em 1998, se tivesse pagado para jogar, eu iria para a Copa do Mundo. Nunca me falaram isso diretamente. Mas soube por “laranjas” que dava pra ajeitar um esquema. Diziam que alguns pagavam para ir à Copa. Nem pensei em cogitar um absurdo desses.

P. Houve desentendimentos com algum treinador?

R. Eu era o melhor jogador da Iugoslávia. Em 94, viemos jogar contra o Brasil. Fizeram seis substituições no time e eu não entrei na partida. Paciência. No segundo amistoso, contra a Argentina, me mandaram aquecer aos 30 do primeiro tempo. Ainda estou aquecendo… [risos] No último minuto de jogo, depois de uma hora aquecendo, sentei no banco. E aí quiseram me colocar. O auxiliar começou a gritar porque eu estava sentado. Depois disso, acabou o jogo e disseram que eu tinha me negado a entrar. Fui punido. Só voltei a jogar pela seleção em 98, contra o Brasil, em São Luís. E provavelmente só me chamaram porque precisavam de um tradutor.

P. Depois, já como Sérvia e Montenegro, seu país volta à Copa em 2006, mas você não entra na lista. Por quê?

R. Eu vinha de um Campeonato Brasileiro fantástico com o Fluminense. Meus jogos no Brasil eram transmitidos na Sérvia. O país inteiro pedia minha convocação. Sempre inventavam uma desculpa para não me levar. Quando saiu a lista da Copa, as pessoas se perguntavam por que eu não fui convocado. Na época, o Zico disse que a Sérvia ia ganhar a Copa: “Tem 23 melhores que o Pet.” Então, o Vucinic se machucou. E aí divulgaram o substituto: D. Petkovic. Começaram a me ligar, me dando os parabéns, mas, na verdade, o convocado era o Dusan Petkovic, filho do técnico [Ilija Petkovic]. Ele trocou um atacante por um zagueiro. Isso pegou tão mal que, na preparação para a Copa, o garoto não aguentou a pressão e foi embora, com vergonha de estar lá. Disputamos o Mundial com um jogador a menos. Nunca me deram uma explicação oficial. Em off, diziam que, se me chamassem, eu teria que jogar. Infelizmente, perdi duas Copas do Mundo. Entrei para o grupo restrito dos bons jogadores que nunca jogaram um Mundial.

P. Se sente orgulhoso ou frustrado por isso?

R. Não tenho nenhuma frustração por não ter disputado a Copa, porque não foi um insucesso meu. No futebol, alguns poucos têm poder para arruinar muitas coisas. As pessoas que administravam a seleção do meu país é que me fizeram mal, não a instituição. Não guardo mágoas.

Pet comemorando um gol pelo Flamengo. ampliar foto
Pet comemorando um gol pelo Flamengo. Alexandre Battibugli
 

P. Como tem encarado o duelo entre Brasil e Sérvia nesta Copa do Mundo?

R. O Brasil é favorito absoluto, sem sombra de dúvida. Nossa seleção é comandada por um técnico de primeira viagem (Mladen Krstajic). Mandaram embora uma comissão técnica depois de classificarem a Sérvia para o Mundial em primeiro do grupo, provavelmente por algum fator político. A nova comissão não assumiu pelo mérito. O técnico era auxiliar, nunca tinha treinado uma equipe. Tem uma grande oportunidade nas mãos. Mas os resultados não podem esconder que a preparação para a Copa não foi a ideal.

P. Você vê a Sérvia em condições de vencer o Brasil?

R. É uma equipe equilibrada, com jogadores experientes e outros mais jovens, como Milinkovic-Savic, que está bem cotado no futebol europeu. Também gosto muito do Matic, um volante firme, forte e alto. Tadic e Mitrovic são as esperanças na frente. Os outros jogadores de ataque têm poucos gols pela seleção. Já o Brasil é grande candidato ao título e tem Neymar, Willian, Coutinho, Gabriel Jesus… Nós não temos tantos jogadores decisivos. Mas torço muito para que as duas seleções passem juntas para as oitavas. Meu coração está dividido. Vai ser um dia de emoções fortes para mim.

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