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Posted on 28-06-2018
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Caixas para colocar corpos em Feira de Santana, no final de semana de 16 e 17 de junho.
Caixas para colocar corpos em Feira de Santana, no final de semana de 16 e 17 de junho.

Uma chacina, três duplos homicídios, duas mortes em supostos confrontos com a polícia, um total de 26 pessoas mortas e medo. O cenário é Salvador, capital da Bahia, os dias são 9 e 10 de junho, logo após o policial militar Gustavo Gonzada da Silva ser morto e ter o corpo mutilado. Na região metropolitana, foram mais cinco assassinatos. No final de semana seguinte, o soldado da PM Wagner Silva Araújo, 28 anos, foi morto em Feira de Santana, também na Bahia, e o mesmo roteiro se repetiu: 19 assassinatos em dois dias.

Ouvido pela Ponte, o investigador da Polícia Civil baiana Kleber Rosa, integrante do movimento Policiais Antifascismo, levanta a possibilidade de que várias dessas mortes tenham sido praticadas por policiais como uma retaliação aos moradores das periferias pelas mortes dos colegas. Para ele, a narrativa não deixa dúvida: os homicídios são uma resposta do Estado, a partir da polícia – para ele, “instituição moldada no racismo” – e baseada na vingança e na demonstração de poder.

“É o Estado dizendo assim: ‘tenho que mostrar que sou mais forte’. É uma disputa ilógica. Um comportamento medonho do Estado de tentar medir forças sem usar a Justiça, os meios legais. Não existe legítima defesa aí. O Estado não pode arrogar pra si o direito de matar, sobretudo de uma forma sumária, em nome de uma vingança”, critica.

Todas as execuções seguidas da morte do policial na capital baiana foram praticadas com armas de fogo contra homens jovens e sua maioria em bairros periféricos – apenas 4 na região central da capital baiana, segundo levantamento recebido pela Ponte.

Das mortes na capital baiana, 18 aconteceram ainda em 8 de junho, dia em que a ocorrência da execução do cabo Gonzada foi registrada. O policial estava bebendo com amigos em um bar entre Santa Cruz e Nordeste de Amaralina, onde vivia, quando foi abordado. Após tentar reagir, foi morto. Os assassinos cortaram partes do corpo do PM. A brutalidade gerou revolta em outros policiais.

Kleber Rosa conhecia Gustavo e não soube de qualquer tipo de ameaça que pudesse estar sofrendo. “Eu sou do mesmo bairro, minhas relações estão localizadas lá, ele estudou comigo na mesma escola. Era bem conhecido na região, uma pessoa querida e, antes de ser policial, era morador do bairro, então isso é um elemento problematizador. Tanto é que isso indignou todo mundo, inclusive moradores do bairro que sofrem com a violência policial, porque ele era um morador, foi assassinado próximo da casa dele, num lugar que ele frequentava”, explica.

Soldado Araújo, morto após tentativa de evitar um assalto.
Soldado Araújo, morto após tentativa de evitar um assalto.

Um áudio atribuído ao deputado soldado Prisco (PSDB) demonstra a reação da tropa. “A morte do nosso colega Gonzada nos causou muita dor, muita revolta e muita indignação. A resposta tem que ser dada e tem que ser dada à altura. O bandido não pode dominar o nosso Estado”, diz a suposta mensagem do parlamentar. “O colega foi assassinado, humilhado, esbagaçado por esses marginais. E essa resposta tem que ser dada à altura. Estou aqui à disposição para ajudar vocês a caçar esses marginais e dar essa resposta”, segue.

A Ponte questionou o soldado Prisco sobre se, de fato, é ele quem gravou o áudio propagado pelo WhatsApp, mas o político não respondeu ao e-mail da reportagem.

O investigador Rosa conta que a polícia fez “literalmente um cerco” no Nordeste de Amaralina depois do assassinado do PM Gonzaga. “O bairro foi sitiado. Eu recebi uma série de ligações de pessoas preocupadas, sem saber como agir, sem saber o que fazer com familiares, que podiam ou não ter antecedentes [criminais]. Pessoas, por exemplo, não tinham nem como sair do bairro, porque se fossem parados por uma blitz poderiam acabar em um fim trágico [por terem passagem]. Foi o final de semana mais violento do ano, com certeza”, afirma Rosa.

Medo coletivo

O resultado é uma sensação coletiva de medo nas regiões pobres da capital baiana. Há duas semanas, a Ponte busca familiares de vítimas dos homicídios nestes dois dias. Nenhuma pessoa aceita falar. Até mesmo movimentos e associações que denunciam violência de Estado têm preferido se preservar. Nos registros das ocorrências, há casos de números de telefone incorretos dados pelos parentes de pessoas mortas, outro indicativo do medo. A reação de uma familiar a um telefonema da reportagem deixa claro o alcance desse temor. “Como você conseguiu o meu contato?”, questiona. “Só falei o que precisava para a polícia e os movimentos, não autorizei mais nada. Não quero falar sobre esta história”, encerra.

Para Kleber Rosa, que tem experiência de quase duas décadas na Polícia Civil, o episódio desnuda uma política de segurança que passa pela dita “guerra às drogas”, mas que, no final das contas, “é um salvo conduto para matar”. “A política de segurança de Estado sempre esteve voltada para controlar, exterminar, combater a população negra, isso tudo com o objetivo de viabilizar a sociedade branca pós-escravista. O modelo que permanece se estendendo até hoje faz com que a estrutura da polícia esteja montada para um determinado tipo de crime, que acontece em determinada região e que coloca, portanto, todo o morador daquela região como inimigo”, avalia.

O problema não é só da Bahia, mas no Brasil como um todo, explica Rosa. “É uma política racista que encarcera em massa, que mata em massa a população e que controla mesmo em condição de liberdade, porque o que acontece nos bairros onde se concentra população negra é o que podemos considerar encarceramento ao ar livre. Ou seja, as pessoas estão vivendo em uma condição de permanente de vigilância e violência mesmo a céu aberto. O que aconteceu há duas semanas? As pessoas ficaram presas, sitiadas, não tiveram coragem de sair de casa, de sair do bairro. O clima ainda é tenso, as pessoas não estão falando”, diz.

A ouvidora da Defensoria Pública da Bahia, Vilma Reis, critica o banho de sangue e a rotina de pavor desde os crimes. “No bairro Nordeste, está todo mundo apavorado. Foram cinco assassinatos lá motivados pela morte desse policial. Não se pode admitir uma sociedade de vingança, é uma barbárie”, conta.

Um pesquisador sobre a violência na Bahia comparou a reação à execução do cabo Gonzada como “a versão baiana dos crimes de maio” de 2006 em São Paulo, quando houve uma resposta do Estado aos ataques do PCC (Primeiro Comando da Capital) com uma matança indiscriminada nas periferias. Nos números oficiais, 493 pessoas morreram na reação aos ataques da facção criminosa. “Cobraram geral pela morte do cabo, a periferia está com muito medo. Nessa onda de mortes, muitos não tinham passagem pela polícia. São fortes indícios de que ocorreu a pratica de extermínio”, explica o profissional, sob a condição de anonimato, temendo represálias.

Os mortos em Salvador

A chacina registrada no dia 9 ocorreu no bairro Ceasa. Já os bairros I.A.P.I., Cosme de Farias e Saboeiro tiveram, cada um deles, um duplo homicídio registrado. O cabo Gustavo foi a primeira vítima do fim de semana, seguido por Mario Souza Santos, Lucas Puig Maia Mesquita, Rafael Lucas Franco Matos, Caique Leonardo Santana de Souza, Flavio Reis dos Santos Júnior, Paulo Ricardo Ramos da Silva, Flávio Lucas Souza Penas dos Santos, Josué da Cruz, Samuel da Cruz Batista, Eliomar da Cunha Rosa, Evandro Silva Santos, Uenderson Gabriel de Oliveira, Diego de Jesus, Genilson de Freitas Santana, Jean Carlos dos Santos, Emerson de Santana Santos, Renivan Barbosa dos Santos, Eduardo de Jesus Santos, Yuri Oliveira da Cruz, Icaro Caio Oliveira Mendes, Alípio Pinheiro de Almeida, Rainer Bispo de Araújo e de outras quatro vítimas não reconhecidas – duas delas vítimas de suposto confronto com a polícia. Todas as vítimas, incluindo o PM, são negras.

Essa reportagem foi publicada originalmente no site Ponte.

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Clayton, no jornal

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Torcedores brasileiros na Rússia.
Torcedores brasileiros na Rússia. Epsilon Getty Images

Xosé Hermida, que deixa a direção da edição do El País Brasil para assumir um cargo de responsabilidade na sede do jornal em Madri, passou por algo semelhante ao que aconteceu com seu antecessor, Antonio Jiménez. Ambos chegaram a este país com alguma preocupação com seus mil problemas sociais e políticos. “Não sabia, quando cheguei, se seria capaz de inserir-me em uma realidade tão diferente da Europa e, ao mesmo tempo, tão complexa”, confessou-me Jiménez ao despedir-se e acrescentou: “Hoje percebi, quase de repente, que o Brasil me ensinou a ser feliz“.

No domingo, Hermida também veio a Saquarema para despedir-se de nós. Está ciente da responsabilidade que o aguarda na Espanha. No entanto, com uma expressão visivelmente mais alegre do que quando chegou mais de um ano atrás, como observou minha mulher, ele nos disse: “Não vou negar que estou triste com a partida. Aqui tomei consciência de que, com todos os problemas e dificuldades pelos quais os brasileiros passam, a Europa é mais triste que o Brasil.”

O que impressiona meu colega é que descobriu que os brasileiros sabem, entre suas raivas e dores, manter espaços de celebração e alegria, algo que defendem como parte de sua identidade. “Nem os mais pobres renunciam a essa dimensão”, diz ele, algo que também havia chocado, e até contagiado, Jiménez.

Hermida está ciente do momento de desencanto e até de raiva que vivem os brasileiros e de como é difícil interpretá-los sem cair nos clichês. “No entanto, para mim, é inegável que eles sabem manejar melhor do que nós, europeus, seus espaços lúdicos e sua capacidade de comunicação, o que os vacina contra a solidão.”

Ele me conta uma de suas primeiras experiências de vida em São Paulo. Estava fazendo uma viagem de ônibus para ir à praia. Um caminhão fechou-os e bloqueou o tráfego. Tiveram que descer e esperar mais de uma hora até que tudo se normalizasse para poderem continuar a viagem. “Vendo a atitude das pessoas esperando tranquilas, sem desespero, notei o comportamento dos brasileiros, tão diferente dos europeus, diante de uma situação de desconforto. Pensei como teria sido diferente aquele percalço, por exemplo, na Espanha, onde as irritações dos passageiros teriam se amontoado e cada um alegaria que aquela parada havia arruinado seus planos. Haveria um coro de protesto.”

Ele ressalta que sabe muito bem que alguns podem criticar a tranquilidade daqueles passageiros como resignação inútil. “No entanto, isso me fez pensar que, pelo contrário, os europeus vivemos as frustrações com menor capacidade de evitar que nos contaminem. Vi como mais sábia essa atitude dos brasileiros. Entendi que não era passividade, mas uma capacidade de não se amargar a vida inutilmente.”

Conversamos sobre a particularidade dos brasileiros de comunicação mesmo entre estranhos, algo tão raro, se não impossível na Europa, onde cada um prefere se fechar em seu castelo. Ele me contou que, na ida para o aeroporto naquela manhã em São Paulo, o taxista era tão expansivo, com vontade de continuar conversando com ele, que chegou a pedir seu telefone para manter contato. “Você pode imaginar isso na Europa?”, disse ele.

Sua surpresa com a capacidade dos brasileiros de deixar você entrar em sua vida e contar-lhe tudo me lembrou que, em uma das minhas primeiras viagens a Madri depois de minhas primeiras experiências brasileiras, quando contei a uma colega do jornal que, aqui, em uma loja ou esperando um ônibus ou na rua, alguém pode começar a te contar sua vida com a maior tranquilidade, ela reagiu assustada: “Que horror! Não quero que ninguém me conte sua vida. Já me basta a minha!” Hermida, ao contrário, não só não se incomodou com esse modo de vida expansivo dos brasileiros, como se impressionou com ele, e com sua filosofia de que o trabalho, embora importante, não é o eixo de suas vidas já que trabalham para viver mais do que viver para trabalhar. “Sempre deixam espaços livres para sonhar.”

Hermida é um bom analista político e pergunto-lhe o que ele acredita ser o problema central que aflige este país. Não hesitou em responder: “A chave de tudo é a imensa desigualdade da sociedade quase dividida em castas, onde uns poucos acumulam privilégios que ofendem a maioria que precisa lutar para sobreviver.” E acrescenta: “Eu sei que o problema que mais aflige os brasileiros hoje talvez seja a violência, a falta de segurança, o que pode explicar o fenômeno preocupante do ultradireitista Bolsonaro. Mas não. O drama do Brasil continua sendo principalmente a perpetuação dessa desigualdade social produzida pelo desinteresse dos Governos de oferecer uma educação de qualidade que seja capaz de dar a todos as mesmas oportunidades de progredir na vida.”

Como Antonio ao se despedir, Xosé também me garante: “Juan, eu volto. Prometo.” E observando a praia de Saquarema, um luxo no início deste inverno morno, observa: “Ah, a beleza, o clima e as pessoas deste país!” Talvez estivesse pensando que em Madri o espera um termômetro que pode marcar 45 graus à sombra e talvez menos pessoas do que aqui interessadas em conhecer sua vida.

 

DO PORTAL TERRA BRASIL

Mladen Krstaji? apenas fez elogios ao Brasil e à postura da Sérvia em sua última entrevista coletiva na Copa do Mundo, nesta quarta, após a derrota por 2 a 0 que eliminou a seleção da competição. O sérvio destacou que a Seleção Brasileira segue como favorita a conquistar o título na Rússia.

Sérvia, do técnico Krstaji?, está fora da Copa do Mundo (foto: EMMANUEL DUNAND / AFP)
 
Sérvia, do técnico Krstaji?, está fora da Copa do Mundo (foto: EMMANUEL DUNAND / AFP)

Foto: LANCE!

“O Brasil já estava entre os favoritos antes da Copa. Alemanha, Espanha, Argentina também estavam. O futebol é assim, a Alemanha está fora e o Brasil continua favorito para vencer esse torneio”, afirmou o treinador.

“Eu gostaria de parabenizar meus adversários, por uma vitória merecida, e também dar parabéns aos meus atletas pela luta. Acho que nós estávamos liderando no primeiro tempo, aí teve o gol brasileiro. São situações que se precisa manter o foco contra uma equipe tão forte, a qualidade individual pode fazer diferença”, completou Krstaji?.

O Brasil abriu o placar na primeira etapa, com Paulinho. Na volta para o segundo tempo, a Sérvia passou a abafar a Seleção e teve chances de empatar. Mas Thiago Silva, após cobrança de escanteio, ampliou para os brasileiros, que passaram a ter o controle da partida até o final.

“O Brasil controlou muito mais o jogo, era algo que a gente esperava. Queríamos deixar parte do campo para eles e recuperar a bola. Mas tomamos o gol, tem de estar esperto 90 minutos para não ser punido. Estávamos atacando bem, tentamos nos arriscar no segundo tempo. Mas é difícil contra uma potência”, afirmou o treinador sérvio.

“Eu acredito que meus jogadores deram seu máximo. Viemos para mostrar as nossas cores, depois de perder torneios na Europa. Estamos muito felizes com a atitude dos jogadores sérvios depois de uma temporada difícil, a maioria dos atletas jogou mais de 50 jogos em seus clubes. Houve momentos em que poderíamos ter jogado melhor, mas sabíamos que era um grupo difícil. Nós tentamos vencer o Brasil, que é uma potência”, completou.

 Presidente da CBF é afastado de camarote oficial

Na vitória de 2 a 0 do Brasil sobre a Sérvia, que colocou a seleção nas oitavas de final da Copa, o presidente da CBF foi colocado longe do da Fifa no camarote oficial em Moscou, informa Jamil Chade no Estadão.

Conforme o protocolo, Antônio Carlos Nunes –o coronel Nunes, como é conhecido– deveria sentar-se ao lado de Gianni Infantino, o chefe da Fifa.

Em vez disso, teve de dar lugar a Fernando Sarney, vice da CBF, e a Alejandro Dominguez, o presidente da Conmebol. Infantino assistiu ao jogo ao lado de Sarney e do primeiro-ministro da Rússia, Dmitri Medvedev.

Presidente interino da CBF, o coronel Nunes já causou constrangimentos em série. Votou em Marrocos para sede da Copa de 2026, apesar de os sul-americanos terem acordado votar nos vencedores EUA, Canadá e México.

Além disso, teve um assessor, Gilberto Batista, enviado de volta ao Brasil depois de quebrar um copo na cabeça de um torcedor.

Joe Jackson R.I.P. Saudades eternas de Michael.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

 

 

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Por G1

Joe Jackson (Foto: Reuters/Regis Duvignau) Joe Jackson (Foto: Reuters/Regis Duvignau)

O empresário americano Joe Jackson, pai do cantor Michael Jackson (1958-2009), morreu nesta quarta-feira (27), informou o TMZ. De acordo com o site, ele tinha câncer e estava em estado terminal.

A agência de notícias Associated Press confirmou a notícia com uma fonte da família.

Na última sexta-feira (22), a imprensa americana disse que Joe estava hospitalizado com uma doença grave.

O site do tabloide “Daily Mail”, citando familiares e outras fontes não reveladas, acrescentou que o patriarca tinha câncer de pâncreas de estágio quatro.

A saúde de Joe vinha se agravando desde 2015, quando ele sofreu um derrame cerebral e três ataques cardíacos – na época, os médicos implantaram um marca-passo.

O próprio empresário havia mencionado há alguns dias no Twitter que a morte se aproximava: “Eu vi mais amanheceres do que ainda tenho para ver. O sol nasce quando chega a hora e, goste você ou não, o sol se põe quando chega a hora”.

Perfil

 Joe Jackson com os filhos (Foto: Reprodução/Twitter) Joe Jackson com os filhos (Foto: Reprodução/Twitter)

Joe Jackson com os filhos (Foto: Reprodução/Twitter)

Joseph Walter Jackson nasceu em 26 de julho de 1928 em Fountain Hill, no Arkansas. Ficou conhecido por, na década de 1960, treinar rigidamente seus filhos pequenos para serem cantores e dançarinos.

Com as crianças, formou o grupo de música pop The Jackson 5, que alcançou a fama global entre o público branco. Tornou-se, assim, uma das figuras paternas mais famosas e relevantes na história da música.

Com seu R&B dançante, o Jackson 5 chegou ao topo das paradas com quatro músicas. Aos 11 anos, Michael Jackson tornou-se o cantor mais jovem a alcançar o ranking com o hit de 1969 “I want you back”.

Pai violento

 

Joe Jackson acompanha o filho, Michal Jackson, em tribunal, em maio de 2005 (Foto: AP Photo/Ric Francis, Arquivo) Joe Jackson acompanha o filho, Michal Jackson, em tribunal, em maio de 2005 (Foto: AP Photo/Ric Francis, Arquivo)

Joe Jackson acompanha o filho, Michal Jackson, em tribunal, em maio de 2005 (Foto: AP Photo/Ric Francis, Arquivo)

Anos depois, ele foi acusado de práticas parentais abusivas, maus tratos e violência física dirigida aos filhos. Joe reconheceu as acusações, mas não chegou a pedir desculpas. De acordo com ele, seus métodos fizeram os filhos terem sucesso e os mantiveram fora da cadeia.

Já adulto, Michael Jackson revelou que cresceu com medo de seu pai, que regularmente batia nele com um cinto. Em uma famosa entrevista de 1993 com Oprah Winfrey, o Rei do Pop começou a chorar quando recordou as surras, mas também disse que o perdoava.

Janet Jackson, a filha mais nova de Joe e a mais famosa depois de Michael, disse que seu pai insistia em ser chamado por seus filhos de Joseph. Ela contou que sofria quando via outros pais demonstrando afeto por seus filhos.

A imagem pública de Joe Jackson se desgastou ainda mais quando seu filho Michael, que sofria de ansiedade e depressão, morreu em 2009 e o pai aproveitou o momento para promover seu projeto de gravadora.

Estou contente de ter sido duro’

Em sua própria entrevista com Oprah em 2010, Joe Jackson reconheceu que disciplinava fisicamente seus filhos, mas disse que o fez pensado em seu bem. “Isso os manteve fora da prisão”, disse Jackson.

Em entrevista à CNN em 2013, ele afirmou: “Estou contente de ter sido duro, porque vejam o que eu realizei. Criei filhos que todo mundo ama em todo o mundo”.

Mas ele começou a se deixar levar pela emoção em seus últimos anos. Quando estava internado no hospital, escreveu em seu site que Janet era a única filha que o visitava e expressou orgulho por suas realizações.

Sua esposa Katherine, que foi uma figura materna calorosa para os dez filhos do casal, explicou que nos lares afro-americanos era normal bater nas crianças.

Katherine, a quem Michael e Janet dedicaram seus álbuns mais famosos, sobreviveu ao seu marido depois de 68 anos turbulentos de casamento, durante os quais pediu o divórcio, mas voltou atrás.

Joe também teve uma filha, Joh’Vonnie, com uma amante de longa data. Joe mudou-se nos anos 1980 para Las Vegas quando ainda era casado com Katherine, que morava em Los Angeles.

Seus outros filhos incluem Jermaine e La Toya Jackson, que também alcançaram sucesso em suas carreiras musicais solo.

Uma corda arrebentada que fez história

 

Joe Jackson em imagem de julho de 1984 (Foto: AP Photo/Marty Lederhandler, Arquivo) Joe Jackson em imagem de julho de 1984 (Foto: AP Photo/Marty Lederhandler, Arquivo)

Joe Jackson em imagem de julho de 1984 (Foto: AP Photo/Marty Lederhandler, Arquivo)

Neto de um escravo, Joe Jackson nasceu em uma zona rural do Arkansas, com um pai tão cruel como depois ele seria.

Após o divórcio de seus pais, primeiro se mudou seu progenitor para Oakland, na Califórnia, e depois se mudou com sua mãe quando era adolescente para a área de Chicago, um dos milhões de afro-americanos que deixaram o sul para ir a cidades do norte, no que foi chamado de a Grande Migração.

Deixando de lado suas ambições de se converter em boxeador, Joe Jackson encontrou emprego como operador de gruas na fábrica US Steel em Gary, Indiana, dando uma vida estável para sua jovem família.

Diz a lenda familiar que os filhos de Jackson mexiam em seu guarda-roupa quando ele estava trabalhando na planta e pegavam seu violão. Furioso um dia quando encontrou uma corta arrebentada, Joe pediu que Tito, seu terceiro filho, mostrasse a ele que sabia tocar.

“E quando comecei a tocar, ele ficou boquiaberto! Me deu o violão e disse que eu aprendesse cada música que ouvia no rádio”, contou Tito Jackson ao blogueiro Malcolm Wyatt em 2017.

“Assim, comecei a aprender ‘The Temptations’ e tudo isso, tocando canções como ‘My Girl’, com Jackie, Jermaine e eu na voz, começando a trabalhar em nossas partes para essas canções. Se tornou uma banda (…) e o resto é história”, disse.

Joe Jackson manejou todas as gravações do Jackson 5 na Motown Records e mudou com a família para Califórnia. Michael Jackson eventualmente lançou sua carreira solo em 1975 com o álbum “Off the Wall”, após assinar um contrato com a Epic Records.

O patriarca logo gerenciou a carreira de Janet. Mas embora tenha sido o pai de dois dos cantores mais bem-sucedidos na história, sua vida não acabou no luxo.

Michael Jackson, apesar de perdoar seu pai publicamente, o deixou totalmente fora de seu testamento.

Em 2012, o antes todo-poderoso agente foi visto vendendo perfume da marca Jackson em um carrinho em um anódino centro comercial de Las Vegas, o que deu início a uma batalha legal porque não tem direito de usar o nome de Michael Jackson.

Joe Jackson, que teve 11 filhos, morava em Las Vegas. Ele deixa a viúva, Katherine.

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