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Brizola: o adeus há 14 anos

ARTIGO DA SEMANA

 

Opinião e Realidade: Brasil 14 anos sem Brizola

Vitor Hugo Soares

Navego meio sem rumo pelas águas revoltas e turvas das redes sociais, na quarta-feira, 20, véspera dos 14 anos da morte de Leonel Brizola, no Rio de Janeiro. Bato os olhos na notícia, compartilhada em rede social pelo músico, trovador e cantor baiano Fábio Paes – também professor de História da Universidade Católica de Salvador -, sobre a pesquisa global, “Perigos da Percepção 2017”, do Instituto Ipsos, realizada em 38 países, reveladora de que o Brasil tem a segunda população mais fora da realidade do mundo.

No ranking dos “sem noção” (na expressão de uma sobrinha advogada, espantada e ofendida com o vídeo machista e torpe produzido com uma jovem russa por “torcedores” em Moscou), só estamos atrás dos sul-africanos no quesito que compara opiniões da população com dados da realidade. O registro do mestre da UCSal e parceiro do trovador Elomar, acrescenta: o estudo entrevistou 29,1 mil pessoas, entre 28 de setembro e 19 de outubro. As informações coletadas foram comparadas com dados de fontes oficiais, resultando no “Índice de Percepção Equivocada”. Os piores resultados são da África do Sul (primeirão), do Brasil (vice), Filipinas (3º), Peru (4°) e Índia (5º).

Li sobre a pesquisa na quarta-feira da vitória sofrida da seleção uruguaia – 1 a 0  sobre a Arábia Saudita –  suficiente para assegurar a passagem da seleção celeste da América do Sul, para a próxima fase da Copa do Mundo na Rússia. O Uruguai me levou à lembrança da morte do líder brasileiro, no dia 21 de junho, há 14 anos. E de um encontro no povoado de Carmem, província de Durazno, com o ex- governador do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul. Uma das mais marcantes, polêmicas e instigantes figuras da vida política brasileira, a partir da segunda metade do século passado e começo do século XXI. Doa em quem doer.

 Passagem pessoal e profissionalmente inesquecível. Ele, em seu exílio político, dias antes da sua expulsão pela ditadura uruguaia, em plena fase da Operação Condor, para ir cumprir nos Estados Unidos, então governado pelo democrata Jimmy Carter, a penúltima etapa de seu degredo. Eu, repórter do Jornal do Brasil, então chefe de Redação da sucursal do JB em Salvador.

Recordo, principalmente, da conversa, no trajeto de caminhonete à Durazno, para entregar leite produzido na estância. Sei que já falei do fato em outros artigos, mas repito nesta fase de trancos e barrancos, em ano de eleições gerais, e nesta semana em especial. Numa parada para abrir uma porteira, Brizola fala sobre seu desapontamento com a política e os governantes brasileiros, que ele acompanhava de longe. E reflete comparativamente sobre o fim da era Salazar, em Portugal, e o Brasil pós-ditadura que ele antevia:

“Baiano, tu sabes que venho de longe. Não precisa anotar, mas guarde na cabeça o que te digo aqui, e depois me cobre. Portugal se livrará em menos de 20 anos dos efeitos mais danosos do regime salazarista. No Brasil, os efeitos da ditadura serão mais duradouros e perversos. Levarão mais de 50 anos para passar”. Diante do meu espanto, arremata: “isso será a conseqüência mais terrível da falta de perspectiva histórica. Em nosso País, a visão em perspectiva da maioria dos políticos e dirigentes não ultrapassa cinco centímetros além do próprio umbigo”. Nada a acrescentar, a não ser: “Que falta faz Leonel de Moura Brizola!”.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

“Amanhã, mesmo que uns não queiram, será de outros que esperam ver o dia raiar”…

“Amanhã, ódios aplacados, temores abrandados, será pleno, será pleno”…

Partiu Waldir Pires! Mantenha-se, em nome do digno e grande baiano e brasileiro, o espírito da canção que embalou a sua trajetória em dias gloriosos e honrosos da política e da vida.

Todas as honras e glória a Waldir em sua despedida.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

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Waldir: o adeus de um político maior.

 

 

 

Foto: Reprodução


O ex-governador da Bahia, Waldir Pires, morreu aos 91 anos, na manhã de hoje (22), em Salvador. Ex-ministro da Defesa do governo Lula (2006/2007), Pires estava internado no Hospital da Bahia desde a noite desta quinta-feira (21), com um quadro de pneumonia.

Segundo a assessoria do hospital, Pires teve uma parada cardiorrespiratória por volta das 10 horas. A equipe médica tentou reanimá-lo, mas o político baiano não respondeu aos esforços e faleceu em seguida.

Nascido em Acajutiba (BA), em 21 de outubro de 1926, Pires formou-se em Direito. Ingressou na política após militar no movimento estudantil, com o qual atuou nas campanhas em defesa da Petrobras.

Foi secretário de governo da gestão de Luís Régis Pacheco Pereira (1951-1955), deputado estadual e federal. Após a renúncia do ex-presidente da República Jânio Quadros, em 25 de agosto de 1961, apoiou a posse de João Goulart, vice-presidente constitucional, cujo nome era vetado pelos ministros militares. Após o golpe civil-militar de 1964, teve seus direitos políticos suspensos e se exilou primeiro no Uruguai, depois, na França, onde se tornou professor da Faculdade de Direito da Universidade de Dijon e do Instituto de Altos Estudos da América Latina da Universidade de Paris, em 1968.

Após retornar ao Brasil, em 1970, retomou as atividades políticas. Em 1985, assumiu o Ministério da Previdência e Assistência Social durante o governo José Sarney. Em 1987, foi eleito governador da Bahia, cargo que ocupou até retornar à Câmara dos Deputados, em 1990, pela segunda vez. Em 2003, foi nomeado por Lula ministro-chefe da Corregedoria-Geral da União (CGU), posto que deixou em março de 2006, para assumir o Ministério da Defesa. À frente da pasta, enfretou a crise do setor aéreo, uma das mais graves do governo Lula.

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jun
23

Neymar desafia o discurso ético de Tite

Neymar Tite
Tite orienta Neymar durante a partida contra a Costa Rica. MARCOS BRINDICCI Reuters

Assim que o juiz apitou o fim do jogo que decretou a primeira – e suada – vitória do Brasil na Copa do Mundo, sobre a Costa Rica, Tite respirou aliviado. Sabia que, principalmente pelo que produziu no segundo tempo, sua equipe não merecia mais um tropeço na competição. Em pronunciamento depois da partida, exaltou a persistência pelo gol e voltou a lançar mão de princípios morais para fugir da polêmica em torno da arbitragem, que recorreu ao VAR e anulou um pênalti cavado por Neymar. “O técnico [da seleção] é ético”, bradou, subindo o tom de voz. “Eu pedi para a equipe não reclamar com o juiz. Não precisamos de arbitragem para ganhar o jogo. Quero ganhar sendo mais competente.”

Não é novo o discurso de Tite em nome da ética. Antes da Copa, ele o repetiu em diversas oportunidades, como na entrevista ao EL PAÍS, em maio do ano passado: “O futebol é um instrumento de educação. E qual é a contribuição que posso dar ao Brasil? O exemplo. Eu quero vencer por ser mais competente, mais ético e mais leal, com a autoestima elevada. O que significa autoestima elevada? É não precisar de subterfúgio para vencer. Eu posso ganhar tendo orgulho de ser melhor que o meu adversário. Dentro das regras do jogo, sempre. Isso eu acho do caralho! Eu não preciso da arbitragem, só quero que ela seja imparcial. Eu não preciso da malandragem. Eu posso ser melhor que isso”.

Porém, nem todo o grupo parece ter comprado a filosofia alardeada pelo técnico. A contradição fica evidente sempre que Neymar se joga para cavar faltas, provoca os adversários e reclama de forma petulante com a arbitragem. Atitudes que se chocam frontalmente com a postura ética exigida por Tite. Ou, como o craque do time, ele teria carta branca para figurar como exceção no código de conduta do treinador? Pois, contra a Costa Rica, Neymar foi o oposto ao que se espera de um jogador irretocável do ponto de vista moral. Cercou o árbitro no fim do primeiro tempo, persistindo com as queixas até o túnel dos vestiários. Ao sentir a mão do zagueiro González tocar levemente sua barriga, já no segundo tempo, desabou de costas no gramado e enganou o juiz, que apitou o pênalti. Depois, com a revisão do vídeo (VAR), a penalidade acabou anulada.

Além da simulação no lance, Neymar também valorizou em excesso as entradas dos adversários, a quem distribuía xingamentos, irritado com a cera costarriquenha quando a partida ainda estava empatada. Respondeu ao antijogo dos caribenhos na mesma moeda, exibindo o melhor repertório de sua face provocativa, flagrante na lambreta que aplicou em Tejeda. Nesse momento, o Brasil já havia saído à frente do placar. Neymar não é santo, tampouco o único “pecador”. Assim como jogadores da Costa Rica caíam para retardar o jogo e segurar o empate, o camisa 10 brasileiro abusou do cai-cai em busca da vitória a qualquer custo. São as armas, os tais subterfúgios, que cada um tem à disposição para triunfar num esporte que exige não só talento, mas também uma dose malícia e perspicácia.

É legítimo que Tite, no intuito de romper com a escola brasileira da malandragem, queira dar exemplo e vencer à base do jogo limpo. Tem credenciais para isso. Como a inteligência ao tirar Willian e lançar Douglas Costa, a ousadia ao trocar Paulinho por Firmino e a confiança no taco ao apostar em Fagner para o lugar de Danilo. Além dos reservas e de Philippe Coutinho, novamente o jogador mais lúcido do Brasil, os zagueiros também se destacaram contra a Costa Rica, apesar do desencaixe de Casemiro no sistema defensivo. A primeira vitória na Copa teve o dedo do técnico, mas, no campo dos valores, também o expôs a um choque de incoerência. Neymar fez tudo ao contrário do que ele prega.

Como diz o filósofo e educador Mário Sérgio Cortella, crítico da hipocrisia que se disfarça sob o artifício da “ética utilitária”, quando o conceito de certo ou errado varia de acordo com a própria conveniência, não há como ser mais ou menos ético. Os limites são muito claros. É 8 ou 80. Uma equipe não pode ser considerada impoluta se um ou mais jogadores se desviam do comportamento tido como ideal. Códigos internos sempre assimilaram condutas questionáveis, do cai-cai de Neymar ao antijogo costarriquenho, como parte das regras não escritas do futebol. Quebrar esse mecanismo exige mais que discurso. Em sua missão professoral, Tite ainda precisa enquadrar a grande estrela da companhia aos princípios que apregoa para não desvirtuar de vez o compromisso de “vencer com a autoestima elevada”.

jun
23
Posted on 23-06-2018
Filed Under (Artigos) by vitor on 23-06-2018


 

Simanca, no

 

jun
23

Sergio Moro vai à CNN falar sobre a Lava Jato

Sergio Moro foi entrevistado por Fareed Zakaria, da CNN, sobre a Lava Jato e descrito como um “herói brasileiro” pela emissora de TV americana.

Na entrevista, o juiz federal disse que a operação é uma “grande conquista para a democracia brasileira” e afirmou que “não há vergonha na aplicação da lei” –os casos de corrupção é que são vergonhosos.

A reportagem completa da CNN teve mais de cinco minutos de duração e mencionou tanto a prisão de Lula quanto as investigações sobre Michel Temer.

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