jun
10
Nova York
Memorial dedicado às vítimas de suicídio
Memorial dedicado às vítimas de suicídio John Minchillo AP

 

 

As trágicas mortes, nesta semana, da estilista Kate Spade e do renomado chef Anthony Bourdain chamaram a atenção para um problema de saúde pública crescente nos Estados Unidos. O índice de suicídios cresceu 25% em menos de duas décadas, segundo dados do Centro para o Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês), e é a décima principal causa de morte nos EUA. Na metade dos Estados do país, o aumento passou de 30% desde 1999.

As estatísticas publicadas pela agência revelam que cerca de 45.000 pessoas morreram por essa causa apenas em 2016. Mais da metade dos casos registrados, assinala a médica do CDC Anne Schuchat, eram pessoas que não foram diagnosticadas com nenhum problema mental que pudesse levá-las a tirar a própria vida, como a depressão. “É preocupante”, destaca a responsável pelo estudo ao falar da tendência. “Nossos dados mostram que o problema está piorando.”

A média nacional nos EUA é de 15 mortes por suicídio para cada 100.000 habitantes. Em todos os Estados, exceto Nevada, foram registradas altas no índice de suicídios. O maior aumento foi em Dakota do Norte, de 58%. Mas o índice mais alto é o de Montana, com 29 casos registrados para cada 100.000 pessoas em 2016. Contrasta com o do Distrito de Columbia, onde foram sete para cada 100.000 habitantes. Por faixa etária, o crescimento é significativo entre 45 e 65 anos.

Schuchat explica que o aumento no número de suicídios está ligado em parte ao crescimento do consumo de drogas, que está provocando, por sua vez, uma escalada das mortes por overdose. Nada menos que 31% dos indivíduos que morreram por envenenamento tinham algum traço de opiáceos em seus corpos. Juntamente com o Alzheimer, são as três causas de morte que crescem nos Estados Unidos. “É algo que está entre nós”, insiste a médica do CDC.

Poucos minutos depois do anúncio da morte de Bourdain, a polícia de Nova York divulgou nas redes sociais uma mensagem afirmando que o suicídio pode ser prevenido. Não se dirigia às pessoas com problemas, e sim a seu entorno. “Você não precisa ser um especialista para ajudar alguém”, explica a breve mensagem postada nas redes. “Pergunte, escute.”

Embora não haja uma causa específica para o suicídio, dados do National Violent Death Reporting System, um sistema que coleta informações sobre mortes violentas nos EUA, mostram que entre os principais detonantes estão os problemas sentimentais. Também há fatores econômicos. Em muitos casos, estão relacionados com a dificuldade que moradores de áreas rurais que ficam para trás na recuperação enfrentam para ter acesso a serviços de saúde, por falta de recursos financeiros ou de cobertura médica.As estatísticas do CDC também mostram que o aumento dos suicídios é maior no caso das mulheres, mas o total entre os homens continua sendo de três a cinco vezes mais alto. Os veteranos de guerra são de longe os mais afetados, representando quase dois de cada dez suicídios entre os adultos. E, embora a agência insista em que é um problema que afeta todo o mundo, as pressões social e econômica são as que criam as condições para que ele ocorra.

Especialistas do The Poynter Institute e de outras organizações dedicadas à prevenção do suicídio aproveitam para pedir que a cobertura midiática dos suicídios de pessoas famosas seja feita de uma forma responsável, para não agravar o problema. Eles explicam que está cientificamente provado que a publicação de informações com detalhes explícitos sobre esse tipo de morte cria um efeito de contágio.

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