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Paulo Afonso, anos 70: antigo aeroporto da cidade

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Meio-dia na Praça das Mangueiras

 

Janio Ferreira Soares

 

No filme Meia-Noite em Paris, Gil Pender é um escritor americano que vai passar férias na capital francesa e lá, ao som de um relógio badalando meia-noite, ele embarca num carro que o leva à Paris da década de 20, ocasião onde convive com Picasso, Hemingway e demais lendas que faziam da cidade um paraíso cultural. Baseado nisso e nessa onda da volta do regime militar, ocorreu-me de fazer com o caro leitor e prezada leitora algo semelhante, levando-os para conhecer Paulo Afonso dos anos 70, o que lhes dará uma pequena noção de como era viver numa área de segurança nacional cercada de muros, hidroelétricas e pérolas aos poucos.

Antes de seguir, uma explicação. Por ter voltado a funcionar recentemente após anos parada, a velha sirene da Chesf substituirá o toque do relógio parisiense, em homenagem a quem alertava os operários de que às 7h da manhã era hora de pegar no batente; às 11h30, período de almoço; às 13h30, hora de voltar à labuta e às 17h30 hora de bater o cartão e seguir para o Roda Viva, glorioso lupanar comandado por minha amiga Dulce, que do alto de seu poder de quenga-mor recebia de cossaco a major com a mesma presteza, até porque, segundo ela, “quando nus, eram tudo a mesma merda!”.

Estamos em 2018 numa das cidades mais lindas do Brasil e, depois de um passeio de catamarã pelo maior cânion navegável do mundo, o guia lhe apresenta a Praça das Mangueiras, local onde ficava a principal entrada de um enorme muro que dividia a cidade em duas. Do nada a sirene toca e, no lugar da praça, surge uma enorme guarita cheia de guardas controlando o acesso de carros e pedestres. Sem saber o que fazer, você vê militares vindo em sua direção e aí este locutor passa com sua Brasília amarela e lhe oferece uma carona. Você ainda titubeia, mas, entre um jovem cabeludo e canos de fuzis, não há muito o que pensar.

Você pergunta o que está acontecendo, eu desconverso e continuo pelo lado oriental da cidade com suas casas de taipas, esgotos e lixos nas calçadas. No toca-fitas a nova canção de Lô Borges diz que somos da América do Sul. Sigo para uma guarita menor onde o guarda é um velho conhecido e entramos no lado ocidental. Lá, lhe mostro um hospital referência no Nordeste; um colégio de primeiro mundo; um espetacular clube com cinema exibindo os últimos de Glauber e Godard; um supermercado com preços sem impostos; casas com energia e água de graça; uma fazenda modelo para abastecer um restaurante com refeições a preços simbólicos…

De repente um carro do exército nos fecha e nos conduz ao quartel. A sirene toca e você volta. Eu, como filho de tabeliã, sou perdoado. No Mitsubishi-Evadin, a nova canção de Milton profetiza que nada pode ser como antes. Os poucos, claro, vão continuar insistindo.

 

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura de Paulo Afonso, no lado baiano do Rio S~so Francisco

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Praça das Mangueiras, Paulo Afonso.

 

 

 

 

 

Maravilha de artigo, Janio! Beleza de canção para a trilha de um filme genial sobre Paris, Allen!!!

BOM DOMINGO!!!

 

(Vitor Hugo Soares)

Diante da provável impugnação da candidatura do ex-presidente Lula, que o PT lançou ontem em Contagem (MG), as pesquisas eleitorais começaram a excluí-lo dos cenários projetados, situação em que a liderança é assumida por Jair Bolsonaro. A variável “transferência de votos” para um candidato que venha a substitui-lo tem sido negligenciada, embora já tenha sido aferida em outros momentos. Ontem, porém, a consultoria XP divulgou pesquisa encomendada ao instituto Ipespe, do cientista político Antonio Lavareda, com a novidade de que o ex-prefeito Fernando Haddad chega ao segundo lugar, com 11%, quando apontado como candidato apoiado por Lula.

No cenário em que Lula é incluído entre os candidatos, ele alcança 30%, seguido de Bolsonaro com 20%. Os dispostos a votar nulo ou em branco ficam em terceiro lugar (15%) e só depois vêm Marina (10%), Alckmin (7%) e Ciro (6%), que encolhe muito quando Lula concorre. 

Numa primeira situação sem Lula, em que o alerta vemelho “apoiado por Lula” não aparece ao lado do nome de Haddad, ele alcança apenas 3%. Neste caso, a maioria dos entrevistados (27%) declara a intenção de votar nulo, em branco ou em nenhum candidato. O candidato líder é Bolsonaro (22%), seguido de Marina Silva (13%), Ciro Gomes (11%), Geraldo Alckmin (8%), Álvaro Dias (6%) e da turma da lanterna, com 3% ou menos, nela incluído o ex-prefeito petista de São Paulo. Mas ele salta para 11% na simulação seguinte, em que é apresentado como “apoiado por Lula”, tirando votos de Ciro e Marina, num sinal de que a transferência de votos poderá fazer diferença na seleção dos dois finalistas.

Neste cenário, eleitores negativistas, dispostos a votar nulo ou em branco, ainda são maioria, mas caem para 25%. Bolsonaro perde um ponto porcentual, ficando com 21%, seguido de Haddad com 11%, em empate exato com Marina Silva, que recua dois pontos porcentuais. Ciro recua para 9%, seguido de Alckmin (8%), Dias (6%) e dos que têm menos de 2%.

A pesquisa projeta também a situação em que o PT não teria nenhum candidato. Os nulos/brancos/nenhum sobem para 30%, Bolsonaro chega a 23%, seguido de Marina (13%), de Ciro (11%) e demais, sem variações importantes. Mas este é um cenário irrealista. O PT brigará na Justiça por Lula e o substituirá por outro petista diante da impugnação. Ficando fora do segundo turno é que apoiará outro nome da esquerda, se um deles lá chegar.

Esta pesquisa, por seu patrocinador e pelo momento nervoso em que ocorre, mereceu muita atenção do mercado. A XP divulgou inicialmente o resultado de uma enquete com investidores, em que 48% disseram acreditar na vitória de Bolsonaro, e num segundo turno entre ele e Ciro. Em sondagem anterior, a crença era numa disputa final entre Bolsonaro e Alckmin. O mercado sinaliza assim a descrença no tucano, seu nome preferido, que pouco se moveu na sondagem da XP.

A pesquisa tem margem de erro alta, de 3,2% para mais ou para menos, por ter sido realizada por telefone, ouvindo mil pessoas, entre 4 e 6 de junho. Mas alguns de seus achados conferem com os da pesquisa do site Poder360, divulgada também esta semana. Ambas indicam, por exemplo, pela primeira vez, que Bolsonaro cruzou a marca dos 20% de preferência.

A do Poder360 apurou que, para 54% dos entrevistados, Lula não deve apoiar ninguém se não puder ser candidato. Os demais, entretanto, se dividiram: 16% apontaram Ciro Gomes como quem devia ser apoiado, 12% apontaram Fernando Haddad e 8% o ex-ministro Jacques Wagner. A soma dos dois últimos, que são petistas, dá 20%, algo equivalente à taxa de transferência de votos de Lula apurada em outras pesquisas. Ela é, portanto, uma variável real, a ser considerada. Que força terá, ainda se verá.

NA REDE 

Pesquisa da Aja Solutions constatou que, pela segunda semana consecutiva, a candidata do PC do B, Manuel D’Ávila, obteve mais relevância e visibilidade no Twitter, seguida de Bolsonaro. Lula está em terceiro lugar há três semanas

Nova York
Memorial dedicado às vítimas de suicídio
Memorial dedicado às vítimas de suicídio John Minchillo AP

 

 

As trágicas mortes, nesta semana, da estilista Kate Spade e do renomado chef Anthony Bourdain chamaram a atenção para um problema de saúde pública crescente nos Estados Unidos. O índice de suicídios cresceu 25% em menos de duas décadas, segundo dados do Centro para o Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês), e é a décima principal causa de morte nos EUA. Na metade dos Estados do país, o aumento passou de 30% desde 1999.

As estatísticas publicadas pela agência revelam que cerca de 45.000 pessoas morreram por essa causa apenas em 2016. Mais da metade dos casos registrados, assinala a médica do CDC Anne Schuchat, eram pessoas que não foram diagnosticadas com nenhum problema mental que pudesse levá-las a tirar a própria vida, como a depressão. “É preocupante”, destaca a responsável pelo estudo ao falar da tendência. “Nossos dados mostram que o problema está piorando.”

A média nacional nos EUA é de 15 mortes por suicídio para cada 100.000 habitantes. Em todos os Estados, exceto Nevada, foram registradas altas no índice de suicídios. O maior aumento foi em Dakota do Norte, de 58%. Mas o índice mais alto é o de Montana, com 29 casos registrados para cada 100.000 pessoas em 2016. Contrasta com o do Distrito de Columbia, onde foram sete para cada 100.000 habitantes. Por faixa etária, o crescimento é significativo entre 45 e 65 anos.

Schuchat explica que o aumento no número de suicídios está ligado em parte ao crescimento do consumo de drogas, que está provocando, por sua vez, uma escalada das mortes por overdose. Nada menos que 31% dos indivíduos que morreram por envenenamento tinham algum traço de opiáceos em seus corpos. Juntamente com o Alzheimer, são as três causas de morte que crescem nos Estados Unidos. “É algo que está entre nós”, insiste a médica do CDC.

Poucos minutos depois do anúncio da morte de Bourdain, a polícia de Nova York divulgou nas redes sociais uma mensagem afirmando que o suicídio pode ser prevenido. Não se dirigia às pessoas com problemas, e sim a seu entorno. “Você não precisa ser um especialista para ajudar alguém”, explica a breve mensagem postada nas redes. “Pergunte, escute.”

Embora não haja uma causa específica para o suicídio, dados do National Violent Death Reporting System, um sistema que coleta informações sobre mortes violentas nos EUA, mostram que entre os principais detonantes estão os problemas sentimentais. Também há fatores econômicos. Em muitos casos, estão relacionados com a dificuldade que moradores de áreas rurais que ficam para trás na recuperação enfrentam para ter acesso a serviços de saúde, por falta de recursos financeiros ou de cobertura médica.As estatísticas do CDC também mostram que o aumento dos suicídios é maior no caso das mulheres, mas o total entre os homens continua sendo de três a cinco vezes mais alto. Os veteranos de guerra são de longe os mais afetados, representando quase dois de cada dez suicídios entre os adultos. E, embora a agência insista em que é um problema que afeta todo o mundo, as pressões social e econômica são as que criam as condições para que ele ocorra.

Especialistas do The Poynter Institute e de outras organizações dedicadas à prevenção do suicídio aproveitam para pedir que a cobertura midiática dos suicídios de pessoas famosas seja feita de uma forma responsável, para não agravar o problema. Eles explicam que está cientificamente provado que a publicação de informações com detalhes explícitos sobre esse tipo de morte cria um efeito de contágio.

jun
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Posted on 10-06-2018
Filed Under (Artigos) by vitor on 10-06-2018



 

Jorge Braga, no jornal

 

Por apoio do PSB, PT propõe sacrificar campanhas estaduais

O PT disse que propõe sacrificar candidaturas próprias estaduais em troca do apoio do PSB e do PCdoB na corrida presidencial, publica a Folha.

“Por 19 votos contra cinco e uma abstenção, a Executiva Nacional do PT registrou em papel que ‘está clara a primazia do projeto nacional sobre as disputas regionais’. A resolução submete as candidaturas e alianças estaduais à prévia autorização da cúpula partidária”.

Entre as candidaturas que deverão ser sacrificadas está a da petista Marilia Arraes. No lugar dela o PT passaria a apoiar, então, o governador de Pernambuco, Paulo Câmara, do PSB.

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