Do jornal O Globo/Gente

por Acyr Méra Júnior

Paula Almeida posa, orgulhosa, em frente ao painel que a teve como inspiração – Divulgação

É a modelo baiana Paula Almeida quem serviu de inspiração para o painel, de 10 metros de altura, que acaba de ser concluído e fica no Greenpoint Terminal, no Brooklyn.

— Ele me abordou e perguntou se poderia me usar como inspiração para o próximo projeto dele, que por coincidência era em NY, onde estou morando no momento. Pude vê-lo com a mão na obra e acompanhar o processo de criação foi muito legal — diz Paula.

Natural de Salvador a new face, de 24 anos, já trabalhou para marcas como Abercombrie & Fitch, Tresemmé e Adidas.

Protesto a favor dos caminhoneiros em São Paulo, semana passada.
Protesto a favor dos caminhoneiros em São Paulo, semana passada. Fernando Bizerra Jr. EFE

A semana que acaba hoje foi plena de tensão demonstrando a quem não percebera antes a profundidade das dissensões que vêm de há muito tempo. As incongruências da política econômica dos governos de Lula e Dilma, em sua fase final, já haviam levado a economia à paralisação e o sistema político a deixar de processar decisões. Daí o impeachment do último governo, ainda que baseado em arranhões de normas constitucionais.

Todo impeachment é traumático. Fui ministro de um governo que resultou de um impeachment, o do presidente Itamar Franco. Este, com sabedoria, percebeu logo que precisaria de um ministério representativo do conjunto das forças políticas. Como o PT, que apoiara o impeachment do presidente Collor, se recusava a assumir responsabilidades de governo (com olho eleitoral), Itamar conseguiu a aceitação de uma pasta por Luiza Erundina, então no PT. Mesmo eu, eleito presidente por maioria absoluta no primeiro turno sem precisar buscar o apoio do PT, tive como um de meus ministros um ex-secretário geral do PT.

De lá para cá os tempos mudaram. A possibilidade de algum tipo de convivência democrática, facilitada pela estabilização econômica graças ao Plano Real, que tornou a população menos anti-governo quando viu em marcha uma política econômica que beneficiaria a todos, foi substituída por um estilo de política baseado no “nós”, os supostamente bons, e “eles”, os maus. Isso somado ao descalabro das contas públicas herdado pelo governo atual, mais o desemprego facilitado pela desordem financeira governamental, levou a uma exacerbação das demandas e à desmoralização dos partidos. A Lava Jato, ao desnudar as bases apodrecidas do financiamento partidário pelo uso da máquina estatal em conivência com empresas para extrair dinheiro público em obras sobre faturadas (além do enriquecimento pessoal), desconectou a sociedade das instituições políticas e desnudou a degenerescência em que o país vivia.

A dita “greve” dos caminhoneiros veio servir uma vez mais para ignição de algo que estava já com gasolina derramada: produziu um contágio com a sociedade, que sem saber bem das causas e da razoabilidade ou não do protesto, aderiu, caladamente, à paralisação ocorrida. Só quando seus efeitos no abastecimento de combustíveis e de bens essenciais ao consumo e mesmo à vida, no caso dos hospitais, tornaram-se patentes, houve a aceitação, também tácita, da necessidade de uma ação mais enérgica para retomar a normalidade.

Mas que ninguém se engane: é uma normalidade aparente. As causas da insatisfação continuam, tanto as econômicas como as políticas, que levam na melhor das hipóteses à abstenção eleitoral e ao repúdio de “tudo que aí está”. Portanto, o governo e as elites políticas, de esquerda, do centro ou da direita, que se cuidem, a crise é profunda. Assim como o governo Itamar buscou sinais de coesão política e deu resposta aos desafios econômicos do período, urge agora algo semelhante.

Dificilmente o governo atual, dado sua origem e o encrespamento político havido, conseguirá pouco mais do que colocar esparadrapos nas feridas. Nada de significativo será alcançado sem que uma liderança embasada no voto e crente na democracia seja capaz de dar resposta aos atuais desafios econômicos e morais. Não há milagres, o sistema democrático-representativo não se baseia na “união política”, senão que na divergência dirimida pelas urnas. Só sairemos da enrascada se a nova liderança for capaz de apelar para o que possa unir a nação: finanças públicas saudáveis e políticas adequadas, taxas razoáveis de crescimento que gerem emprego, confiança e decência na vida pública.

É por isso que há algum tempo venho pregando a união entre os setores progressistas (que entendam o mundo e a sociedade contemporâneos), que tenham uma inclinação popular (que saibam que além do emprego é preciso reduzir as desigualdades), que se deem conta que o mundo não mais funciona top/down, mas que “os de baixo” são parte do conjunto que forma a nação e que ao invés de se proporem a “salvar a pátria” devem conduzi-la no rumo que atenda, democraticamente, com liberdade, os interesses do povo e do país.

Não se trata de formar uma aliança eleitoral apenas, e muito menos de fortalecer o dito “centrão”, um conjunto de siglas que mais querem o poder para se assenhorarem de vantagens, do que se unir por um programa para o país. Nas democracias é natural que os partidos divirjam quando as eleições majoritárias se dão em dois turnos, quando os “blocos sociais e políticos” podem ter mais de uma expressão partidária. Mas é preciso criar um clima que permita convergência. E, uma vez no caminho e no exercício do poder, quem represente este “bloco” precisará ter a sensibilidade necessária para unir os que dele se aproximam e afastar o risco maior: o do populismo, principalmente quando já vem abertamente revestido de um formato autoritário.

No quadro atual, entre o desemprego e a violência cada vez mais assustadora do crime organizado, a perda de confiança nas instituições é um incentivo ao autoritarismo. O bloco proposto deve se opor abertamente a isso. Não basta defender a democracia e as instituições, é preciso torna-las facilitadoras da obtenção das demandas do povo, saber governar, não ser leniente com a corrupção e entender que sem as novas tecnologias não há como atender às demandas populares crescentes. E, principalmente, criar um clima de confiança que permita investimento e difundir a noção de que num mundo globalizado de pouco vale dar as costas a ele.

Tudo isso requer liderança e “fulanização”. Quem, sem ser caudilho, será capaz de iluminar um caminho comum para os brasileiros? “Decifra-me ou te devoro”, como nos mitos antigos.

No dia de festejar o 5 de junho, data feliz de seu nascimento, receba esta linda canção como um amoroso presente que lhe mandamos da Bahia. Vai com beijos e abraços de carinho e afeto no seu dia, mas também carregada de muitas lembranças saudosas de sua passagem por Salvador. Dias inesquecíveis para nós. Não custa repetir o ditado óbvio, mas verdadeiro: Recordar é viver. Recordemos, então, através desta música de tão gratas lembranças de sua presença entre nós que a amamos tanto. Parabéns!!! Felicidades, novas lutas e maiores conquistas ainda. E sempre.

(Hugo e Margarida) 

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Por Mariana Oliveira, TV Globo, Brasília

O juiz Marcelo Bretas, responsável pela Lava Jato no Rio (Foto: GloboNews/Reprodução) O juiz Marcelo Bretas, responsável pela Lava Jato no Rio (Foto: GloboNews/Reprodução)

O juiz Marcelo Bretas, responsável pela Lava Jato no Rio (Foto: GloboNews/Reprodução)

O juiz Marcelo Bretas, responsável pela Operação Lava Jato no Rio de Janeiro, enviou um ofício ao ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no qual afirmou que a corrupção não pode ser vista como um crime “menor”.

Procurado, Gilmar Mendes informou que não vai comentar o assunto.

Bretas enviou o documento a Gilmar Mendes após o ministro mandar soltar, nos últimos dias, 19 pessoas presas por ordem do juiz do Rio. Todas elas foram presas na Lava Jato ou em desdobramentos da operação.

“A repressão à organização criminosa que teria se instalado nos governos do estado e município do Rio de Janeiro haveria, como de fato houve, de receber deste juízo o rigor previsto no Ordenamento Jurídico nacional e internacional”, diz trecho do documento.

“Casos de corrupção e delitos relacionados não podem ser tratados como crimes menores, pois a gravidade de ilícitos penais não deve ser medida apenas sob o enfoque da violência física imediata. Os casos que envolvem corrupção de agentes públicos têm enorme potencial para atingir, com severidade, um número infinitamente maior de pessoas”, acrescenta Bretas a Gilmar.

Em todos os casos, o ministro argumenta que as prisões não se justificam e determina medidas cautelares aos investigados.

Crise financeira

No ofício a Gilmar Mendes, o juiz Marcelo Bretas argumenta que a “gravíssima crise financeira” que o Rio de Janeiro enfrenta é um exemplo do reflexo “desse mal” que é a corrupção.

Bretas, então, cita o habeas corpus concedido por Gilmar Mendes a Orlando Diniz, ex-presidente da Fecomércio do Rio.

Segundo Bretas, Diniz deveria ser mantido preso porque é suspeito de ter atuado para “desvio de vultuosas quantias” para alimentar a organização criminosa de Sérgio Cabral, ex-governador do estado.

Ele destacou, em seguida, que Diniz fechou contratos suspeitos, inclusive com a então primeira-dama Adriana Ancelmo.

“Os atos, em tese, praticados não afetaram somente os cofres do Sistema Fecomércio, mas também adentraram na estrutura administrativa e no bom funcionamento das instituições.”

O juiz frisou que elementos de provas já colhidos indicam que Orlando Diniz “utilizava de sua atividade empresarial para fomentar os negócios da organização criminosa e, ao mesmo tempo, se beneficiava dos esquemas engendrados pelo esquema espúrio para ocultar o capital público desviado para si”.

Marcelo Bretas informa ao ministro Gilmar Mendes que cumpriu imediatamente a decisão de soltura, mas que está “à disposição” para eventuais esclarecimentos suplementares. Ele encerra o documento apresentando “protestos de elevada estima e consideração”.

Ao decidir sobre o habeas corpus do ex-presidente da Fecomércio, o ministro destacou que as suspeitas são graves, mas entendeu que não estavam preenchidos os requisitos previstos em lei para prisão preventiva.

Isso porque, segundo ele, as suspeitas são antigas, do ano de 2011, e porque Orlando Diniz já está afastado da Fecomércio.

Gilmar Mendes considerou que a prisão poderia ser convertida nas seguintes medidas cautelares: proibição de contato com outros investigados, proibição de deixar o país e entrega do passaporte.

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Posted on 05-06-2018
Filed Under (Artigos) by vitor on 05-06-2018
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Clayton, no jornal O Povo (CE)

STF pode aprovar o “trem-bala da alegria”. Presente do criminoso Vargas para o sindicalismo de toga

 

O criminoso André Vargas deixou um presentão para os sindicalistas de toga. É o que magistrados independentes estão chamando de “trem-bala da alegria”.

Trata-se da autorização para a instalação milionária de 4 novos tribunais regionais federais, bem como a ampliação dos 5 já existentes — o pontapé inicial, no traseiro do pagador de impostos, criará 4 cargos no TRF3, 9 cargos no TRF5 e 21 cargos no TRF1.

Depois do pontapé inicial, virão uma série de coices. A medida implica novos prédios, equipamentos, frotas de carros — e, claro, servidores, com salários, benefícios e aposentadorias. Tudo pago (permanentemente) por você, claro.

Em 2013, André Vargas assumiu a presidência interina da Câmara apenas para aprovar essa barbaridade, que foi suspensa em caráter liminar por Joaquim Barbosa.

O STF julgará finalmente a emenda nesta quarta-feira. Mas o sindicalismo de toga, aquele mesmo que conseguiu engavetar o caso do auxílio-moradia, já comemora, antevendo que, com a criação dos novos tribunais, ampliará os seus tentáculos sobre o Poder Judiciário.

No Brasil, os trens são só os da alegria.

Do Jornal do Brasil

 

O número um do mundo varejista Walmart anunciou nesta segunda-feira a venda de 80% do Walmart Brasil ao grupo de investimento Advent International, uma transação cujo valor não foi divulgado e que ainda deve ser autorizada pelas autoridades brasileiras.

Após a venda, prevista para ser concluída no final deste ano, Walmart indicou em um comunicado que espera uma perda líquida de cerca de 4,5 bilhões, que será registradas nas contas do segundo trimestre.

“Uma parte significativa da perda líquida deve-se ao reconhecimento de perdas acumuladas de conversão de moeda estrangeira”, explicou a empresa, observando que a perda final pode variar devido a mudanças na taxa de câmbio.

No entanto, a gigante varejista não espera mudanças significativas no lucro por ação neste ano fiscal, e “um leve impacto positivo” para o próximo.

Presente no Brasil há 22 anos, o Walmart possui 438 lojas em 18 estados do país, que empregam 55 mil funcionários. Em 2017, as vendas totais do Walmart Brasil atingiram mais de 25 bilhões de reais (6,682 bilhões de dólares na taxa de câmbio atual).

“O Walmart está comprometido em criar negócios fortes e resilientes”, disse Enrique Ostale, vice-presidente executivo e diretor do Walmart para o Reino Unido, América Latina e África.

“Vamos manter uma participação de 20% no Walmart Brasil e continuaremos compartilhando nossa experiência global em vendas no varejo”, acrescentou.

“Atuamos no Brasil há mais de 20 anos e estamos empolgados com essa parceria com o maior distribuidor do mundo”, declarou Patrice Etlin, gerente e sócio da Advent International.

O grupo, que atua no Brasil desde 1997, possui investimentos em mais de 30 empresas brasileiras de diversos setores. Em todo o mundo, nos últimos 28 anos, fez 40 investimentos no setor de distribuição em 14 países.

O Walmart possui um total de mais de 11.700 lojas em 28 países, além de suas vendas online. Emprega cerca de 2,3 milhões de pessoas e em 2017 faturou cerca de 500,3 bilhões de dólares.

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