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Reinaldo Galo ditadura
Reinaldo repete o gesto do punho cerrado em frente ao Mineirão. Pedro Silveira
Belo Horizonte

 

Era o gol de empate do Brasil. Foram poucos segundos para tomar uma decisão importante: erguer o braço direito, com o punho cerrado, ou “deixar pra lá”? Aos 21 anos, Reinaldo Lima, mineiro de Ponte Nova, já era o craque do Atlético-MG. Chegou à Copa do Mundo de 1978 como camisa 9 da seleção brasileira, que estreou no torneio em 3 de junho daquele ano, contra a Suécia, em Mar del Plata. O time escandinavo abriu o placar. Mas, aos 45 minutos do primeiro tempo, Toninho Cerezo cruzou da direita, Reinaldo se antecipou ao zagueiro Roy Andersson e empurrou para as redes. O ato que se seguiu ao gol foi encarado como uma afronta aos governos militares espalhados pela América do Sul. Uma decisão por impulso. Mas também por rebeldia. 

Inspirado no movimento dos Panteras Negras e na dupla John Carlos e Tommie Smith, os atletas negros americanos que protestaram contra o racismo na Olimpíada de 1968, Reinado comemorava seus gols com o punho em riste. “No meu caso, era um gesto socialista, em protesto pelo fim da ditadura”, conta. Ele já havia acirrado sua postura combativa ao regime militar no Brasil três meses antes da Copa, quando alegou ter sido impedido de disputar a final do Campeonato Brasileiro diante do São Paulo por causa de uma punição manobrada entre cartolas e o Governo. Naquela época, a Confederação Brasileira de Desportos (CBD, atual CBF) era comandada por militares, sob a presidência do almirante Heleno Nunes. Reinaldo foi suspenso após julgamento por uma expulsão que acontecera no mês anterior. O centroavante, que não era visto com bons olhos por Nunes e seus subordinados, se convenceu de que o regime estava por trás da suspensão e passou a ser ainda mais crítico à ditadura.

Por ter seu inconfundível talento reivindicado na Copa pelo clamor popular, acabou convocado pelo treinador Cláudio Coutinho, que era capitão do Exército. Antes do embarque para a Argentina, jogadores e comissão técnica da seleção foram recebidos pelo presidente Ernesto Geisel no Palácio Piratini, em Porto Alegre. Em discurso oficial, o general deixou implícita uma mensagem opressiva: “Ponham de lado os sentimentos pessoais e façam do time um conjunto que realmente possa trazer a vitória”. Ao cumprimentar Reinaldo, relata o ex-jogador, Geisel teria transmitido a ordem de forma mais clara: “Vai jogar bola, garoto. Deixa que política a gente faz”. Mais tarde, na concentração, André Richer, chefe da delegação brasileira, comunicou a Reinaldo que tanto a CBD quanto o regime militar consideravam o gesto ao celebrar os gols “revolucionário demais”. A recomendação era para que não repetisse aquele tipo de comemoração nos campos argentinos nem tecesse comentários sobre política em entrevistas.

A Argentina que recebia pela primeira vez um Mundial sofria com as violentas consequências do golpe militar liderado em 1976 pelo general Jorge Videla, que, décadas depois, seria condenado à prisão perpétua por crimes contra a humanidade cometidos durante seu Governo. Nesse contexto, a Copa tinha um enorme peso político para os argentinos. Reinaldo sabia que seu gesto repercutiria muito além do campo de futebol. Hesitou ao empatar o jogo contra os suecos. Porém, a cena do punho erguido, que durou pouco mais de dois segundos, ficou marcada como o momento mais emblemático de sua trajetória na seleção brasileira. “Quando o presidente [Ernesto Geisel] falou aquilo, eu fiquei meio assim, pensativo. Mas, na hora que fiz o gol, não teve jeito. Levantei o braço, não resisti… E aí já era.”

Depois do jogo, no hotel da seleção, Reinaldo lembra ter recebido um envelope anônimo da Venezuela. Era, segundo ele, um documento com informações em espanhol sobre a morte do ex-presidente Juscelino Kubitschek em um acidente de carro, dois anos antes. Se deu conta, então, de que poderia estar no radar da Operação Condor, aliança entre ditaduras sul-americanas para perseguir opositores dos regimes militares. “Fiquei aterrorizado, mas não contei a ninguém a respeito do documento”, diz o ídolo atleticano, que foi barrado do time titular por Coutinho depois do empate com a Espanha. Tinha problemas físicos desde a preparação para a Copa. Treinava de calças compridas para esconder o inchaço no joelho. Mas acredita ter ido para a reserva por determinação do almirante Heleno Nunes, que, após o duelo contra os espanhóis, cobrou publicamente da comissão técnica mexidas na equipe.

O Brasil avançou até a segunda fase do Mundial. Para se classificar à final, dependia que o Peru não fosse goleado pela Argentina. Os donos da casa venceram por 6 a 0, em uma partida cercada pela suspeita de suborno aos peruanos. Minutos antes do apito inicial, Videla adentrou o vestiário dos visitantes, deixando encabulados os jogadores que vestiam o uniforme. Nenhum deles jamais admitiu ter recebido dinheiro para entregar o jogo, mas alguns justificariam, nas décadas seguintes, que o encontro com o general teria desestabilizado a equipe. “Aquilo foi um desrespeito ao futebol”, afirma Zico, que, assim como Reinaldo, também perdeu a posição no time brasileiro durante a Copa. “Tanto que o povo do Peru recebeu sua seleção arremessando moedas.”

“O corpo fascista do país começou a me minar. Não só moralmente, mas com assédio de todo o tipo. Falavam que eu era cachaceiro, maconheiro, homossexual. Fui massacrado sozinho”

No fim das contas, Videla e todo o governo militar argentino festejaram o primeiro título mundial, conquistado em cima da Holanda. Já Reinaldo tão cedo não encontraria motivos para comemorar novamente. Mal retornou ao Brasil e pegou um avião em direção aos Estados Unidos, onde voltou a operar o joelho. Aproveitou o período de recuperação para entregar o documento que havia recebido na Argentina ao cantor e compositor Gonzaguinha, outro desafeto da ditadura, que morreu em 1991 sem nunca ter revelado ao amigo jogador o destino do material contido no envelope. Geisel, o general que apertou sua mão antes da Copa e o aconselhara a “deixar pra lá” a política, seguiria no poder até 1979. “Medo eu não tinha, porque contava com respaldo popular. Não iam me sequestrar ou matar, como fizeram com vários outros brasileiros. Mas fui queimado em fogueira pública e continuo queimando até hoje.”

Reinaldo atribui a “forças ocultas do regime” a disseminação de boatos em torno de sua orientação sexual por causa da amizade com o radialista gay, Tutti Maravilha. Para ele, a ditadura não perdoou o atrevimento de seu gesto na Copa e a postura de enfrentamento aos militares. “O corpo fascista do país começou a me minar. Não só moralmente, mas com assédio de todo o tipo. Falavam que eu era cachaceiro, maconheiro, homossexual. Era uma campanha difamatória, linchamento moral. Eu não tinha partido, sindicato, nada. Fui massacrado sozinho.” Colheu dissabores devido à fama de “problemático”, como a não convocação para a Copa de 1982. Telê Santana, considerado um técnico disciplinador, pregava abertamente que não queria em seu time “sujeito homossexual”. Mas relacionou o veto a Reinaldo apenas à suposta má condição física do jogador. “Houve influência política. Eu estava bem fisicamente. A comissão técnica não resistiu à pressão, aos argumentos de pessoas que não me queriam na seleção”, diz o ex-atacante. “O Telê era implicante com o estilo de vida das pessoas. E o meu estilo não o agradava.”

Acometido por seguidas lesões, Reinaldo parou de jogar cedo, aos 29 anos. Depois da aposentadoria, conviveu com o vício em drogas, lutou contra a dependência química, se aventurou pela política e, atualmente, trabalha como observador nas categorias de base do Atlético. Em vez de arrependimento, ele revela orgulho de ter escolhido lutar quando poderia, simplesmente, ter deixado pra lá. “O futebol sempre foi um meio machista e conservador. Não aceitam que um jogador tenha posições políticas, que se proponha a pensar. Fui perseguido por fazer oposição, mas, como figura pública, era preciso mostrar resistência ao regime militar para acelerar o processo democrático. O autoritarismo emburrece a sociedade. Quem pede a volta da ditadura militar no Brasil não sentiu na pele o que eu sofri.”

Maravilha de canção – das primeiras da explosão criativa de Lô Borges, de tão belas e expressivas composições da música brasileira. Formidável artista de Minas e do Brasil, que está em Salvador, em curta série de apresentações, com o brilho de sempre. Todas as honras do BP e da Bahia para ele. Viva!!!!

BOM DOMINGO!!!

(Vitor Hugo Soares) 

A demissão de Pedro Parente da presidência da Petrobras tem um custo alto mas, apesar dos lamentos, e mesmo do pedido que Temer lhe fez para adiar a saída, tornou-se inevitável depois da greve dos caminhoneiros e trouxe alívio para a área política do governo. Permitirá que agora seja implementada com mais liberdade uma política de preços de combustíveis focada no consumidor. A eleição vem aí. Apoiando uma greve que lhe impôs privações, a população mostrou o tamanho de sua irritação. Tal alívio transpareceu nas entrelinhas de várias declarações. 

Não houve pressões, mas Parente percebeu o fim do caminho e a proximidade da frigideira. Contrariado desde que precisou conceder o desconto de 10% no preço do diesel, que não ajudou a debelar a greve dos caminhoneiros, anteviu a cobrança por mais concessões, em relação à gasolina e ao gás de cozinha.

Se ele não saísse, o governo iria para a ambiguidade, com um pé em cada canoa. De uma, acenaria à população, temendo novos protestos, com fórmulas para evitar aumentos diários na bomba. De outra, acenaria ao mercado, garantindo a observância da política dolarizante de Parente, com o reembolso das perdas pelos aumentos menos frequentes, como fará com o diesel. 

Ontem mesmo, antes da demissão, o ministro das Minas e Energia, Moreira Franco, teoricamente superior hierárquico de Parente, reuniu técnicos, representantes da ANP, de distribuidoras e de postos em busca do que seu secretário-executivo, Marcio Félix, definiu como uma política de preços “voltada para o consumidor, sem prejuízo da política da Petrobras”. Segundo fontes políticas, o governo pretendia transferir à ANP a fixação dos preços da Petrobras, que o governo faria chegar menores aos consumidores por mecanismos ainda não definidos. Parente teria resistido refugado na primeira abordagem, temendo talvez a interferência na ANP.

Em sua carta, ele recusa o jogo proposto: “Está claro, Sr. Presidente, que novas discussões serão necessárias. E, diante deste quadro fica claro que a minha permanência na presidência da Petrobras deixou de ser positiva e de contribuir para a construção das alternativas que o governo tem pela frente.” 

Em contraste com declarações de pessoas do mercado, lamentando a saída de Parente e apontando o risco de uma recaída populista, os políticos governistas mal continham o alívio. Depois dos elogios ao demissionário, enfatizavam a necessidade de “previsibilidade” e “sensibilidade”. O presidente do Senado, Eunício Oliveira, listou qualidades que o presidente da Petrobras precisa ter: “visão empresarial, sensibilidade social e responsabilidade política”. Parente não teria as duas últimas, como tanto se falou no Congresso durante a greve. Romero Jucá, líder do governo no Senado, foi explícito: “A falta de previsibilidade foi a grande falha deste sistema, que funcionaria bem em situações normais, não neste quadro de alta volatilidade internacional. É isso que defendemos”. A líder do MDB, Simone Tebet, foi na mesma linha: “Faltou sensibilidade para entender o momento que o Brasil atravessa”.

A oposição, é claro, festejou. O PT, em nota, acusou Parente de ter feito “manobras contábeis” e de ter divulgado balanços mentirosos. Por isso apoia a criação de uma CPI sobre sua gestão proposta pela senadora Vanessa Grazziotin (PC do B). “Não basta Parente cair, é preciso mudar a política de preços”, disse a presidente do partido, Gleisi Hoffmann. 

Todas as centrais sindicais disseram um “já vai tarde”, e com mais gosto a Federação dos Petroleiros, que fez greve pedindo a saída de Parente e recuou diante das pesadas multas impostas pelo TST. Até a ex-presidente Dilma pode faturar: foi ela que levou o novo presidente Ivan Monteiro (interino, talvez efetivo) para a Petrobrás, após a saída de Graça Foster. 

O que virá, veremos.

 

 

No dia em que Yves Saint Laurent morreu, 1º. de junho de 2008, sua sobrinha, a escritora Marianne Vic, preferiu não ir ao funeral realizado na igreja parisiense de Saint-Roch. “Estava triste demais. Perdia uma figura paterna, por estranho que pareça. Apesar do seu próprio sofrimento, ele sempre se ocupou de mim”, conta sobre seu tio, que também era seu padrinho. Nesta sexta-feira ela voltou a esse local para homenageá-lo, dez anos depois de sua morte, e leu em sua memória algumas linhas que originalmente lhe foram dedicadas por Marguerite Duras. Foi uma forma de fechar um círculo. Da mesma vontade surge seu último livro, Rien de Ce Qui Est Humain N’Est Honteux (“nada de humano é vergonhoso”), recentemente publicado na França, em que Vic revela um segredo familiar que acredita ter devorado Saint Laurent: um estupro cometido por seu padrasto contra sua mãe.

Neste livro de prosa cortante, Vic se esforça em desmontar a mitologia que sempre cercou o estilista, meticulosamente concebida por Pierre Bergé, seu sócio e companheiro sentimental durante 50 anos. A figura chave nessa imagem familiar é da matriarca Lucienne, que também foi filha de outro estupro, do qual sua mãe foi vítima pouco depois de se casar com um banqueiro na Argélia colonial. Para evitar que a acelerada ascensão social da família fosse interrompida, Lucienne foi entregue a uma ama-de-leite ao nascer e passou os cinco primeiros anos de sua vida em um orfanato.

Saint Laurent morreu sem saber nada disso. “Nem cogitei lhe contar”, diz Vic, a quem sua avó confiou o segredo em 2002, poucos dias depois de o estilista anunciar sua aposentadoria do mundo da moda. “Eu estava muito impactada, a tal ponto que tinha deixado de ver minha avó. Guardava-lhe rancor. Por que tinha me escolhido, e não os seus três filhos, que ainda estavam vivos?”

A autora terminou entendendo que os considerava “frágeis demais para ouvir” a revelação. E que os tabus familiares costumam se romper saltando uma geração. Mesmo assim, está convencida de que seu tio sabia que algo não batia no relato oficial. “Um segredo de família sempre é um veneno. Seja qual for, devora você por dentro. Uma criança sempre consegue perceber essas coisas”, argumenta.

O costureiro, em sua oficina.
O costureiro, em sua oficina. GETTY
 

Vic também se aprofunda na ascendência espanhola de Saint Laurent, bisneto de imigrantes que se instalaram em Oran (Argélia) no final do século XIX, fugindo da pobreza. Sua avó adotou o sobrenome de ressonância germânica de seu marido, Muller, para eliminar qualquer rastro dessas origens. “Sempre se falou muito da genealogia do pai de Saint Laurent, mais prestigiosa, onde havia alguns membros do entorno de Napoleão Bonaparte. Por outro lado, mencionava-se menos que sua mãe descendia de caramujos espanhóis – como eram chamados por causa do fardo que levavam nas costas com todos os seus pertences –, que se instalaram na Argélia e conseguiram crescer”, relata Vic.

O jovem Saint Laurent sentiu vergonha da mãe de origens humildes, apesar da insistente lenda segundo a qual foi a incomensurável elegância dessa mulher que inspirou sua carreira meteórica na moda. “Era uma mulher com um senso estético muito desenvolvido, que causava sensação em Oran com modelos confeccionados com padrões vindos de Paris. Mas quando entrou para trabalhar na Dior, meu tio percebeu o abismo colossal que separava a elegância de sua mãe e a das parisienses…”, afirma a sobrinha. Com o tempo, essa vergonha terminou por desaparecer. Lá estava Lucienne, radiante de felicidade, sentada na primeira fila do desfile de despedida que Saint Laurent organizou em 2002, com Catherine Deneuve e Laetitia Casta como convidadas. Entretanto, durante esse longo processo, Lucienne também tinha mudado.

“Apagou tudo o que não gostava das suas origens, seu sotaque, sua maneira de falar e seus costumes”, afirma Vic. “Minha avó terminou se tornando uma mulher vestida de alta costura e calçada com salto alto, que usava meias escuras até no verão. Mas sempre é difícil fazer desaparecer totalmente o que lhe constitui…” Vic levou 16 anos para romper o silêncio. Esperou que morressem seu tio, sua avó e sua mãe, Brigitte, com quem Saint Laurent teve uma relação complicada, e só então se sentiu capaz de contar a história. “Não queria transmitir esta herança a meus filhos”, justifica-se. Em 2016, informou sobre o projeto literário a Bergé, o guardião do templo. Garante que teve seu aval. E também que este acrescentou a seguinte frase: “No fundo, você é a única da família que encontrou uma saída”.

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03
Posted on 03-06-2018
Filed Under (Artigos) by vitor on 03-06-2018


 

Miguel, no (PE)

 

DO BLOG O ANTAGONISTA

Meirelles: “Não sou o candidato do governo”

O ex-ministro Henrique Meirelles disse, em entrevista ao Estadão/Broadcast, que sua candidatura à Presidência não representa o governo de Michel Temer.

“Estou tirando o rótulo. Por exemplo, não sou o candidato do mercado, não sou o candidato do governo, não sou o candidato de Brasília. A minha proposta é a proposta do meu histórico. Não estou tentando tirar um rótulo. Estou tentando tirar qualquer rótulo que não seja a minha proposta, meu histórico”.

Questionado sobre ter sido integrante do governo Temer até pouco tempo, Meirelles disse que é o candidato da renda, do crescimento e da inflação controlada.

“Mas acredito que as reformas feitas por esse governo são fundamentais e, no Ministério da Fazenda, conseguimos neste governo retirar a economia da maior recessão da história e criar dois milhões de postos de trabalho. Isso é um dado inquestionável”.

Após três meses de ausência, Neymar voltará aos campos neste domingo no amistoso contra a Croácia, em Liverpool: a atuação do craque será sabatinada por todo o Brasil, que acredita na recuperação de sua maior estrela para a Copa do Mundo da Rússia-2018.

Desde o início da preparação para a Copa, a Seleção confia em poder ver Neymar em plena forma na Rússia, contando até com as palavras de incentivo do Rei Pelé via Twitter: “Você vai ajudar os brasileiros a comemorarem muito durante essa Copa do Mundo!”, escreveu o maior jogador da história.

Antes da festa, porém, Neymar mostrou boa dose de cautela e serenidade em entrevistas recentes.

“Ainda não estou 100%”, havia explicado o craque do PSG antes de voar para Londres, no último domingo. “Há um receio de fazer os movimentos totais, mas ainda temos alguns dias antes da estreia. Estou pronto para jogar e não tem nada que possa me impedir”.

O atacante de 26 anos desenhou assim o cenário de sua recuperação, antes da seleção desembarcar em terras londrinas para dar sequência à preparação para o primeiro amistoso pré-Copa, contra a Croácia neste domingo.

Neymar, jogador mais caro da história do futebol, fraturou o pé direito em final de fevereiro defendendo o PSG. Ele foi operado em início de março em Belo Horizonte.

“Quem vai sair eu não sei, mas ele vai entrar”, disse o treinador sobre Neymar

>> Tite confirma que Neymar jogará o segundo tempo do amistoso com a Croácia

– Neymar no segundo tempo –

No Centro de Treinamento do Tottenham, os companheiros de seleção de Neymar fortaleceram as declarações do camisa 10, sempre pintando um quadro positivo.

“Pelos movimentos e dribles nos treinos, ele mostrou que está bem”, garantiu o volante do Manchester City Fernandinho. “Ele está confiante, é isso que importa. Ele mostra que não tem medo dos nossos defensores, porque está encarando sem receio. É o primeiro passo para voltar a ter 100% de confiança para a Copa do Mundo (…) Neymar está pronto”.

Na quarta-feira, Danilo admitiu que vinha tendo dificuldades para marcar Neymar nos treinos.

“Eu sempre acabo pisando no pé dele!”, afirmou o lateral do Manchester City. “Ele é tão rápido, nunca sabemos se vai para frente, para trás, para a esquerda ou direita. Então é normal pisar uma ou duas vezes no pé dele”, brincou.

“Ele está cada dia melhor, mais rápido e ágil, é cada vez mais difícil marcá-lo”, concluiu Danilo.

Declarações para acalmar um país inteiro ou uma verdadeira serenidade?

A segundo opção parece mais provável. Uma escalação como titular contra a Croácia mandaria uma mensagem de peso ao mundo do futebol, mas o técnico Tite adiantou que Neymar entrará somente no segundo tempo contra os croatas.

“Ele vai ficar no banco porque está em processo de recuperação. Vai entrar no intervalo. Porque é jogo de preparação nosso, de toda a equipe. Quem vai sair eu não sei, mas é nossa projeção, em cima dessa escala evolutiva de trabalho dele”, explicou o técnico, em coletiva de imprensa neste sábado em Liverpool.

Não há motivos para apressar Neymar, já que a Seleção ainda terá um segundo amistoso, contra a Áustria (10 de junho), antes da estreia na Copa do Mundo diante da Suíça (17 de junho).

Com ou sem Neymar, o zagueiro Thiago Silva, seu companheiro no PSG, prometeu que a seleção jogará bonito.

“Não podemos prometer o título, mas podemos prometer grandes jogos. Na Copa, vocês verão um belo futebol”.

– Prováveis escalações:

Brasil: Alisson – Danilo, Thiago Silva, Miranda, Marcelo – Casemiro – Willian, Fernandinho, Paulinho, Coutinho – Gabriel Jesus. T: Tite.

Croácia: Subasic – Vrsaljko, Lovren, Vida, Strinic – Rakitic, Brozovic, Modric – Rebic – Perisic e Mandzukic. T: Zlatko Dalic.

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