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Com todas as suas limitações, a democracia ainda é a única possibilidade para que um povo possa conviver com o melhor de seus valores

Caminhoneiros protestam na Régis Bittencourt, a 30 km de São Paulo. SEBASTIÃO MOREIRA (EFE) / VIDEO: REUTERS-QUALITY

 

Embora não exista o perigo de querer solucionar a crise política e social do Brasil com a intervenção militar, negada pelo exército, é verdade que essa tentação começa a aparecer em alguns círculos como uma perigosa miragem capaz de condicionar as próximas eleições presidenciais. Acabamos de ver isso no momento mais agudo da greve dos caminhoneiros, na qual se ouviram vivas ao ditador chileno Pinochet e apelos por um governo militar.

Minha amiga Telma, que trabalha com cultura, me conta consternada: “Juan, estão gritando que eu vá embora para Cuba, que sou comunista por defender que a greve dos caminhoneiros pode favorecer o ultradireitista Bolsonaro.” Outro amigo meu, Antonio, aposentado da Petrobras que sabe que sofri a longa ditadura militar franquista na Espanha, confidencia: “Juan, não se iluda, só os militares podem salvar o Brasil, fechando esse Congresso corrupto e assumindo o comando do país.”

Qualquer brasileiro medianamente informado sobre a história deveria, no entanto, saber que, com todos os seus defeitos, ninguém ainda encontrou uma fórmula melhor do que a democracia para que uma sociedade viva em harmonia no tocante a suas liberdades e direitos. Custa-me, por isso, imaginar que um intelectual ou artista, qualquer que seja sua tendência política, possa apostar nos militares para tirar o país da crise, porque se sabe que nenhuma solução autoritária produz bem-estar, convivência e respeito às diferenças. E, no entanto, essas mesmas pessoas que consideramos iluminadas e formadoras de opinião parecem cair na armadilha de apoiar ou alimentar movimentos populares de protesto que, ainda que possam parecer uma forma legítima de pressionar o poder e defender os direitos dos trabalhadores, podem se transformar em um bumerangue em momentos históricos de confusão ideológica como o que o Brasil está vivendo.

A história ensina que, em muitas experiências de cunho fascista, não poucos intelectuais e artistas acabaram colaborando explícita ou implicitamente sob pretexto de defender os oprimidos. A miragem das soluções totalitárias contra as arbitrariedades dos governantes das democracias acabou apoiando totalitarismos e regimes militares que chegaram ao poder não com o voto, mas pela imposição das armas. Já tivemos isso na Alemanha de Hitler, na Itália de Mussolini e na Espanha de Franco, para falar apenas da Europa.

No momento em que escrevo esta coluna ainda não é possível fazer um balanço do que representou, politicamente, a greve dos caminhoneiros no Brasil, à qual parece querer seguir a dos petroleiros e, quem sabe, também a de outras categorias que poderiam sair às ruas “contra tudo e contra todos”, que é a fórmula mais perigosa para impedir uma solução dialogada que faça justiça aos abusos que podem ter sido o estopim das manifestações.

Quem viveu e sofreu por muitos anos um regime totalitário sabe que, com todas as suas limitações, a democracia ainda é a única possibilidade para que um povo possa conviver com o melhor de seus valores. Quem, por exemplo, hoje pode gritar nas estradas contra o governo para defender o que considera seus direitos, ignora que não poderia fazê-lo sob nenhum regime totalitário sem pôr em perigo sua própria vida.

Na política, na família ou em qualquer relacionamento humano, nada é capaz de substituir o diálogo se não se quiser viver no inferno da incomunicabilidade. Nunca a força imposta pelas armas fez a Humanidade crescer no melhor que possui, como sua possibilidade de viver em liberdade sem a tirania dos muros, nem os de Berlim nem os do México, emblema, ambos, dos crimes contra a liberdade e a convivência democrática.

Na chegada de junho, a sanfona, o baião e a voz de Luiz Gonzaga que canta como ninguém a saudade de Pernambuco. Uma raridade musical dedicada aos ouvintes e leitores do Bahia em Pauta.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares) 

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Na saída da visita ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta quinta-feira, 31, a também ex-presidente Dilma Rousseff contou a jornalistas que a situação da Petrobras foi uma das pautas de discussão entre os petistas. Lula foi condenado e está preso desde o mês passado, na sede da Polícia Federal em Curitiba (PR). “Lula discutiu comigo como está sendo a destruição da maior empresa estatal brasileira”, afirmou.

Dilma destacou algumas diferenças entre as políticas de preço que são adotadas atualmente para o petróleo, de livre mercado, e as definidas em seu governo, consideradas mais restritivas. “Se você deixar os preços fluírem de acordo com o andamento do mercado, você tem vários fatores que influenciam”, disse a ex-presidente. Dentre estes fatores, ela citou as tensões nos acordos firmados entre os Estados Unidos e o Irã, e a queda na produção da Venezuela que, segundo Dilma, já esteve em 2,5 milhões de barris por dia e agora está em 1,5 milhão de barris por dia.

Dilma Rousseff visitou ex-presidente Lula na sede da Polícia Federal, em Curitiba

Os ajustes nas taxas de juros norte-americanos, que fazem com que com que o dólar suba, configuram outra justificativa para que o “petróleo brasileiro não seja dolarizado”, afirmou Dilma.

A petista ainda criticou “o processo de privatização do refino” e acredita que esta seja uma ferramenta para “abrir o mercado brasileiro desnecessariamente à importação de petróleo”.

Além disso, Dilma acrescentou que Lula está indignado e lembra de feitos importantes realizados no governo do PT, como a exploração do pré-sal e a “ampliação das refinarias”, para se manter confiante em meio à situação adversa em que se encontra.

Roseanne Barr e John Goodman, em uma imagem promocional do regresso de 'Roseanne'.
Roseanne Barr e John Goodman, em uma imagem promocional do regresso de ‘Roseanne’. Adam Rose AP
Los Angeles

Roseanne foi uma das séries mais importantes dos anos noventa, seu remake neste ano foi um dos momentos mais bem-sucedidos da televisão em 2018, mas nesta semana ela foi cancelada, numa das polêmicas mais comentadas dos últimos tempos. Sua produtora e protagonista, Roseanne Barr, ícone da América profunda, publicou um tuíte tão abertamente racista que em pouco tempo Channing Dungey, presidente da rede ABC (Disney), o seu canal, divulgou um comunicado dizendo que “a afirmação de Roseanne no Twitter é abominável, repugnante e incompatível com nossos valores, e decidimos cancelar a série”.

Desde que voltou à televisão, Barr fez muito sucesso com o revival da sua série, na mesma medida em que provocou polêmicas com o seu apoio público ao presidente Donald Trump, algo pouco comum no mundo do espetáculo. Nesta terça-feira, sua personagem política terminou por destruir a sua personagem televisiva, que no começo dos anos 1990 ficou famosa por representar um tipo que até então não se via na televisão: o indivíduo de classe média baixa, com problemas de dinheiro sem solução e escassas chances de futuro, apesar de seu bom coração.

Mas, no tuíte que publicou na madrugada desta terça-feira no mundo real, Barr ecoava uma das tantas acusações do universo da ultradireita contra o presidente Barack Obama, neste caso centrada na ex-assessora presidencial Valerie Jarrett. Barr escreveu: “Se a Irmandade Muçulmana e o Planeta dos Macacos tivessem um filho: VJ”. Jarrett é de origem iraniana e de pele escura.

Pouco antes de a polêmica lhe custar o emprego, a atriz tinha apagado o tuíte inicial e publicado outros dois. Em um dizia: “Peço desculpas. Vou deixar o Twitter”. E no seguinte se estendia mais: “Peço desculpas a Valerie Jarrett e a todos os norte-americanos. Sinto seriamente ter feito uma má piada sobre sua política e seu aspecto. Eu deveria saber que isso não se faz. Perdoem-me, minha brincadeira foi de mau gosto”.

A essa altura, Roseanne Barr era trending topic nos Estados Unidos, e as reações à sua postagem, considerada racista, inundavam a rede e as televisões. Entre as respostas, destaca-se a da atriz Sara Gilbert, coprotagonista e produtora-executiva da série, que escreveu: “Os recentes comentários de Roseanne sobre Valerie Jarrett, e sobre muito mais, são abomináveis e não refletem as opiniões de nossos atores ou nossa equipe ou qualquer pessoa relacionada com a série. Estou decepcionada com ela, no mínimo”.

O presidente executivo da Disney, Bob Iger, também tuitou inequivocamente: “Aqui só se podia fazer uma coisa, o correto”. A onda de reações à suposta piada de Roseanne Barr incluiu atores, jornalistas e o mundinho político, criticando seu racismo e exigindo responsabilidades.

Em vídeo, tráiler da série cancelada.
 À tarde, Roseanne voltou ao Twitter. Durante um tempo se dedicou a retransmitir mensagens de apoio enviadas por fãs, além de uma montagem fotográfica que justificava a pertinência da piada sobre Jarrett. Às 20h (hora de Los Angeles, 0h desta quarta em Brasília) tuitou para seus admiradores: “Não lamentem por mim, crianças! Só quero pedir perdão às centenas de pessoas, e aos roteiristas maravilhosos (todos de esquerda) e atores talentosos que perderam seus trabalhos em meu programa por causa do meu estúpido tuíte”.

Uma hora depois, Barr mudou o tom e começou a pedir a seus seguidores, que propuseram um boicote à ABC, que não a defendessem. “Crianças, fiz algo imperdoável, então não me defendam”. Disse que havia tuitado a brincadeira de madrugada, depois de tomar Ambien (um sonífero). “Fui muito longe e não quero defender o que eu fiz, é atrozmente indefensável. Cometi um engano, quem dera não o tivesse cometido… Mas não o defendam, por favor”.

De noite, a Viacom tinha retirado os episódios da Roseanne clássica, a que formou várias gerações, de todos os seus canais. A série nova tampouco estava disponível no Hulu. A atriz tuitou também a notícia, e reproduziu algumas das críticas contra ela.

Até esta terça-feira, Roseanne tinha sido a série de TV aberta mais bem-sucedida deste ano. Tratava-se da décima temporada de uma das atrações mais conhecidos dos anos noventa, exibida originalmente entre 1988 e 1997. A temporada segue a vida do casal Conner (Roseanne Barr e John Goodman) 20 anos depois da série original. Suas dificuldades econômicas se estendem agora aos seus filhos. A série foi elogiada por reunir todo o elenco original e oferecer o mesmo humor ácido daquela época.

A personagem de Roseanne além disso fornecia algo que não se havia visto na era Trump. É uma mulher da classe média empobrecida dos subúrbios do Meio Oeste que votou no republicano. Na vida real, Roseanne Barr mostrou seu apoio ao presidente dos Estados Unidos, e em sua conta do Twitter dá trela inclusive ao que há de mais marginal no trumpismo.

A décima temporada de Roseanne foi um enorme sucesso para a ABC. Seus capítulos de meia hora tiveram entre 18 e 22 milhões de espectadores, acima de qualquer outra série da TV aberta. Havia sido renovada para uma 11ª. temporada, e fez disparar o interesse de Hollywood por remakes de formatos antigos dos anos oitenta e noventa. O presidente Trump telefonou para Barr para cumprimentá-la depois do sucesso do primeiro episódio. Depois, em um comício, felicitou-se publicamente pelo sucesso da série e disse a seus seguidores: “Ela fala de nós”.

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Posted on 01-06-2018
Filed Under (Artigos) by vitor on 01-06-2018


 

Luscar, no portal de humor

 

Dilma se guarda para ‘quando o Carnaval chegar’

 

Dilma Rousseff foi hoje pedir a bênção de Lula na PF em Curitiba. Na saída, repórteres lhe perguntaram se ela, afinal, concorrerá a uma vaga no Senado.

“Estou me guardando para quando o Carnaval chegar”, disse a ex-presidente, em referência à música do ídolo petista Chico Buarque.

O Antagonista espera que Dilma seja bastante literal nesse caso, uma vez que as eleições serão em outubro e o Carnaval, só em fevereiro.

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