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CRÔNICA

 

Quando Alberto Dines afagou meu ego

 

Janio Ferreira Soares

 

Com o Sol em vias de sair de cena num deslumbrante cenário pré-ângelus, sombras de pás eólicas passam pelo asfalto da BR-423 como se fossem lâminas gigantes querendo cortar dezenas de caminhões descendo a Serra dos Ventos, mas, sombras que são, apenas lambem lonas e fuselagens que seguem rodando até o posto mais próximo, onde alguns motoristas pernoitarão em suas boleias, enquanto outros jogarão uns arrebites goela abaixo e seguirão sob a luz da Lua, que se agora nasce rente ao meu retrovisor, logo ofuscará Vênus e delineará carrocerias cheias de fuligens e manchas de borboletas, coitadas, até há pouco jovens crisálidas em seus casulos sonhando voejar no arejado azul desse maio que se finda.

Sigo meu caminho sem pressa de chegar, ainda mais com a surpreendente seleção musical que Julia extrai do seu até então monossilábico iPhone, parceria mais que perfeita para celebrar um desses raros instantes em que pai e filha encaram uma estrada num entardecer de filme bom, ora com Gal mandando um pérola negra, te amo, te amo, ora com a voz de Gil numa coincidência de arrepiar, confirmando que o melhor lugar do mundo era ali e agora.

De volta à planície, zapeio a realidade e vejo que nessa última quinzena do mês que precede a canjica a lâmina que realmente corta foi particularmente cruel com as letras, ceifando três daqueles que as tratavam como se num cafuné de mãe. Foi-se Tom Wolfe, um dos grandes do jornalismo literário americano, autor do clássico A Fogueira das Vaidades. Depois Philip Roth, que muita gente boa considera o maior romancista norte-americano. E, por fim, o nosso Alberto Dines, a mais perfeita tradução de um gentleman da escrita e do bom senso, que num ano distante afagou-me o ego. Explico.

Corria 2008 e Claudio Leal, querido amigo e jornalista da mesma escola de Dines, escrevia no Terra Magazine, site dirigido pelo também jornalista Bob Fernandes. Morando no meio do mato e sem muito o que fazer, comecei a lhe mandar alguns textos que, bondosamente, ele publicava.

Num deles, intitulado A Machadinha de Daniel Dantas, eu fiz uma brincadeira com o esperto banqueiro baiano preso pela Operação Satiagraha, dizendo que se ele resolvesse usar a mesma arma que seu xará Daniel Boone arremessava na abertura de um antigo seriado, muitas cabeças rolariam.

Pois bem, dias depois, estava pescando com a meninada, quando me liga a antenada Olivia Soares dizendo que o texto estava no Observatório da Imprensa, respeitado jornal e programa de TV fundado e dirigido por Dines, que todo fim de semana colocava em suas páginas o que de mais legal saía na imprensa brasileira. Dia seguinte, o jeito foi comprar um teclado novo.

Pra quem quiser conferir. observatoriodaimprensa.com.br/imprensa-em-questao/terra-magazine-36156/

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura de Paulo Afonso, na beirada baiana do Rio São Francisco

 

Um samba monumental de Nelson Cavaquinho e dois intérpretes à altura :Paulinho e Beth. Viva

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

 

 

 

 

 

 

 

maio
27

 

FOTO: Protesto no Distrito Federal em apoio aos caminhoneiros. / VIDEO: El presidente do Governo, Michel Temer. fabio Rodrigues Pozzebom (Agência Brasil) / reuters

 

Um dia depois de o Governo Michel Temer comemorar um acordo com o grupo de caminhoneiros em greve, o caminho da solução do problema se mostrou mais difícil do que a versão oficial tentava apontar. Segundo os dados governamentais, 60% das interrupções rodoviárias continuaram. O movimento, organizado pelo WhatsApp, se mostrou mais complexo e descentralizado. E foi capaz de atrair o apoio de setores diversos, da direita à esquerda, da classe média ao grande produtor rural, ainda que a crise de abastecimento tenha seguido nesta sexta, com postos se dividindo entre filas quilométricas e o vazio pela falta de combustível em várias cidades .

Desde o meio do mês os movimentos que representam os caminhoneiros alertavam o Governo para a possibilidade de uma paralisação por conta do aumento no preço do diesel. A Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam) protocolou em 14 de maio um ofício na Presidência da República e na Casa Civil para pedir medidas contra o constante aumento dos combustíveis. Reclamavam que em 11 de maio o diesel atingia o maior nível desde meados de 2017 e a oscilação de preços constante prejudicava a previsibilidade do valor dos fretes. Foram nada menos que dez aumentos em um mês, por conta da flutuação do preço internacional do barril de petróleo seguido pela Petrobras. Em 16 de maio, sob a mesma motivação, a Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA), que reúne um milhão de filiados, também pediu audiência em caráter emergencial com o Governo.

Ambas, entretanto, foram ignoradas. E, com isso, a mobilização começou a ganhar corpo. O descontentamento dos caminhoneiros se espalhou rapidamente pelas redes sociais e pelos grupos de WhatsApp. E a categoria, geralmente desmobilizada, conseguiu se unir de forma descentralizada e horizontal, sem líderes claros. Nas estradas, se concentraram especialmente os trabalhadores autônomos (650.000 dos dois milhões de caminhoneiros do país, consultoria Ilos Supply Chain), mas também profissionais ligados a transportadoras. As empresas não podem, por lei, organizar paralisações (chamadas de locaute) e, caso isso seja provado, poderão sofrer sanções legais.

“A categoria dos caminhoneiros é desorganizada, não paga sindicato e as associações representativas. Mas isso foi a gota d’água para nos organizarmos. Hoje, pelo WhatsApp, pelas redes sociais, um fala aqui, o outro fala aí, vai para um grupo, vai para o outro e em dez minutos está no Brasil inteiro”, afirma José Araújo Silva, o China, presidente da União Nacional dos Caminhoneiros (Unicam). A organização destes trabalhadores pela internet é justamente a chave da dificuldade enfrentada pelo Governo nesta negociação.

Nesta quinta, representantes de Temer se reuniram com 11 associações do setor, um número que, por si só, já mostra a dispersão da categoria. Nove delas assinaram o acordo, celebrado pelo Governo como a resolução do problema —apenas a Abcam e a Unicam não assinaram. Mas a própria CNTA, uma das signatárias, já avisava pela manhã que “nenhuma pessoa ou entidade tem, sozinha, o poder de acabar com essa mobilização”. Também alertava que as entidades haviam apenas concordado em comunicar aos trabalhadores nas estradas sobre as propostas do Governo. Em vídeo divulgado no final do dia, o presidente da entidade, Gilmar Bueno, afirmou que “em nenhum momento nenhuma das entidades que participaram [da reunião] se posicionou no sentido de comprometer ou desmobilizar este movimento.”

Durante todo o dia, a posição dos grevistas era de crítica tanto ao Governo quanto às mobilizações que participaram do encontro. “Elas são fascistas, estão a mando de empresas que têm bastante caminhão, a mando de empresários. Não nos representam. Aqui ninguém nos representa, é o povo que está aqui”, afirmava o caminhoneiro Rafael Machado, que estava em um dos bloqueios na rodovia Régis Bittencourt, em São Paulo, ao repórter Felipe Betim. Durante dos dias de greve também não faltaram demonstrações de apoio a uma “intervenção militar”, ainda que não se saiba o alcance e a representatividade desse seguimento mais radical no conjunto.

Na BR-101, altura da entrada do Recife, em Pernambuco, Marcelo Freitas, dono de três caminhões, disse que passava o dia com os grevistas, levava água e alimentos, e voltava para casa depois. “Meus três funcionários estão parados, um no Rio de Janeiro, um na Bahia e outro aqui”, explicou. “Todos nós temos contas acumuladas. Queremos trabalhar, mas não sairemos daqui enquanto o valor do diesel não abaixar”, relatou à repórter Marina Rossi.

A situação se tornou mais crítica ainda depois que o Governo afirmou que autorizava o uso das Forças Federais para desbloquear as estradas. “Se as Forças Armadas vierem, vamos resolver da melhor maneira possível”, dizia Anderson Wanderley, em Recife. “Mas eles não virão. Estamos com apoio da população, recebemos doações o tempo todo e não estamos impedindo ninguém, além dos caminhões, de passar”, contava, enquanto carros buzinavam em apoio ao movimento.

Tempestade perfeita

A mobilização contra o aumento dos combustíveis acabou pressionando um nervo já dolorido na sociedade. E, por isso, conseguiu aglutinar setores geralmente distantes ou opostos: da classe média, irritada com os constantes aumentos da gasolina, aos produtores rurais, que reclamam dos prejuízos do setor com o combustível em alta; da esquerda, que aproveitou para criticar a política de preço livre da Petrobras, à direita, que mirou na situação para denunciar o desmonte da petroleira gerado pela corrupção dos governos de esquerda.

A Central Única dos Trabalhadores (CUT), alinhada ao PT, declarou apoio aos motoristas. “A população precisa apoiar este movimento que não é somente contra o reajuste dos combustíveis, é contra a privatização da Petrobras. O Governo está utilizando esses aumentos para defender a venda da estatal”, diz o presidente da entidade, Vagner Freitas, aproveitando para jogar a culpa na política de preços implementada sob Temer. A Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja) também endossou a paralisação dos caminhoneiros, apesar do impacto que a greve tem no escoamento da produção. O presidente da entidade, Bartolomeu Braz Pereira, afirmou que dentro da associação existem inclusive setores favoráveis à continuidade da greve mesmo caso os caminhoneiro cedam. “Entre o início da safra e a colheita tivemos um aumento de óleo diesel de 60 centavos por saca. Gastamos quase 3 bilhões a mais somente em combustível. E esse gasto vai pro produtor”, afirmou.

Formou-se, então, uma tempestade perfeita sobre um Governo de popularidade extremamente baixa. No Twitter, a hashtag ForaTemer chegou a segundo lugar nos Trending Topics, logo depois de #TemerAbaixaAGasolina. Tudo isso torna o futuro da greve e seus desdobramentos ainda mais incertos. O transtorno provocado pelos bloqueios continuados vai fazer ruir essa heterogênea coalizão anti-Temer? Não havia ainda respostas. Por ora, o Partido dos Caminhoneiros atraía o apoio de pré-candidatos presidenciais. O deputado de extrema-direita, Jair Bolsonaro, o segundo nas pesquisas, animou os grevistas, criticou os preços praticados pela estatal, mas também os bloqueios, segundo ele inflados por “infiltrados petistas”. Pela esquerda, Ciro Gomes (PDT) acusou a Petrobras de querer apenas beneficiar os acionistas privados da empresa mista. “A alta dos combustíveis é uma aberração que praticamente nega a razão de ser da própria existência institucional da Petrobras. A política de preços adotada está equivocada e desrespeita a sua estrutura de custos”, disse o pedetista, no Twitter. “O Exército nas ruas é mais uma demonstração da incapacidade do Temer de lidar com uma crise criada por um dos seus homens: Pedro Parente. Temer age com covardia, com uma política de preços de combustíveis que se ajoelhou diante do mercado. E agora apela para a força militar”, escreveu Guilherme Boulos, do PSOL. Era o sinal definitivo de que a categoria havia instalado o debate sobre os rumos e o papel estratégico da Petrobras num ponto alto da agenda eleitoral.

Do Jornal do Brasil

 

 

A soma das perdas do país com esta crise de caminhões, misto de greve e lockout, nunca será exata. Além das econômicas, existem os intangíveis transtornos causados à vida das pessoas. Mas era previsível que os caminhos percorridos pelo governo levariam a uma trombada. Numa trilha, a política de preços da Petrobras, que fatalmente bateria no limite do suportável pelos consumidores de combustíveis. Em outra, a lerdeza com que o governo lidou com o problema, despertando até a suspeita de que apostasse numa turbulência que pudesse comprometer a eleição.

Começando pela lentidão: No último dia 15 uma das entidades de caminhoneiros, a CNTA, pediu por escrito ao governo a abertura de negociações sobre duas reivindicações: o congelamento do preço do diesel até que fosse negociada uma redução tributária, e o fim da cobrança de pedágio a caminhões vazios. Do contrário, avisaram, a greve viria no dia 21, com apoio de outras 120 entidades (não informam se patronais ou de autônomos). O governo não quis conversa. Veio a greve e as transportadoras pegaram carona, incluindo na pauta demandas de seu interesse, como a não-reoneração fiscal do setor.

O movimento estourou na segunda-feira e só na quarta houve a primeira reunião com o governo, que acenou com fim da cobrança da Cide sobre o diesel. Temer pediu trégua. Com a recusa da proposta, que traria redução de apenas R$ 0,05 no preço do diesel, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, colocou finalmente em votação o projeto da reoneração, com emenda suprimindo a cobrança de PIS-Cofins sobre o diesel. Bola fora. O impacto fiscal não seria de R$ 3,5 bilhões, como ele disse, mas de R$ 12,5 bilhões. Na quinta, com o caos campeando solto, o governo fechou aquele acordo capenga, sem garantias de suspensão do movimento, sem a participação de todas as entidades. Não funcionou. Ontem Temer acionou as Forças Armadas. As estradas estão sendo liberadas mas o problema não estará resolvido. A trégua obtida no acordo foi por 15 dias.

Por que o governo demorou tanto? O deputado Miro Teixeira tem uma suspeita: “Talvez tenham apostado na criação de alguma situação política que pudesse até melar as eleições. Talvez acenaram com a Cide apenas para forçar a votação da reoneração. Mas se houve conspiração, ela foi abortada porque muitos, como eu, logo denunciaram que era lockout”. Se houvesse Parlamento de fato, diz Miro, “o impeachment de Temer estaria sendo redigido”, pois ao negligenciar o problema, colocou a ordem pública em risco.

Na base do problema, a gestão atual da Petrobrás, focada em sua recuperação. A política de preços vinculados à variação do dólar e ao preço internacional de petróleo produziu os aumentos constantes mas, para muitos especialistas no setor, o impacto interno não teria sido tão forte se a empresa não tivesse optado por reduzir o refino interno, aumentando as importações. Em 2013, utilizando 100% da capacidade das refinarias nacionais, a Petrobras atendia 90% da demanda. Em 2017, a utilização caiu para 76% e cresceram as exportações de óleo bruto. Agora, com dólar e preço do barril em alta no mundo, 24% do consumo de derivados, como diesel e gasolina, são importados, principalmente dos EUA. Somando-se os impostos, deu no que deu. A classe média, também castigada, não foi às ruas, como o governo até receou, mas ontem outros setores, como os motoristas de vans escolares, aderiram ao protesto. 

Na campanha eleitoral, essa crise alimentará o debate sobre o tamanho do Estado e o papel de sua maior empresa, no confronto entre os mais privatistas e os mais estatistas. Algum ponto de equilíbrio deve existir, entre uma política de preços dita “populista”, nefasta à empresa, e outra, focada nos acionistas e indiferente à realidade da população.

Mais ao fundo, há o velho problema da opção pelo rodoviarismo, num país continental que não investiu em ferrovias e em navegação de cabotagem, erro que só poderá ser corrigido com investimentos pesados por muitos anos.

Comunicado do Vem pra Rua

 

O Vem pra Rua divulgou um comunicado defendendo o corte de impostos e de privilégios bancados pelos brasileiros.

Leia abaixo o comunicado do movimento:

“Quase 30% do preço do óleo diesel é composto por impostos federais do governo Michel Temer (MDB) e do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) estadual. O preço da Petrobrás, estatal dilapidada pelos governos anteriores e que a Operação Lava Jato comprovou ter sofrido um rombo de pelo menos R$ 6 bilhões nas dobradinhas dos governos PT e MDB, compõe outros 55% do custo do combustível dos caminhões.

Neste sábado (26/05), completam-se seis dias da paralisação de um setor que alega a impossibilidade de atuação por conta do alto custo do óleo diesel. Soma-se a isso o fato de que nos últimos 50 anos o Brasil privilegiou apenas o transporte rodoviário, não construiu ferrovias, deixando o brasileiro virtualmente refém de uma paralisação do setor de frete.

O Vem Pra Rua lembra que além da corrupção sistêmica na estatal, a Petrobrás também foi destruída pela a armadilha que os próprios governos embarcaram: conter os preços internacionais fixando os valores na moeda nacional. O movimento acredita que, em qualquer setor, é impossível impor preços como instrumento de política econômica.

Os antecessores do atual presidente também quebraram o setor enérgico ao impor tarifas que não se sustentavam. Os caminhoneiros têm razão quanto ao alto custo do combustível e suas consequências em seu dia-a-dia, mas forçar a Petrobrás a diminuir o preço do óleo diesel não é a solução.

Os combustíveis, assim como outros produtos básicos consumidos diariamente pelos brasileiros, são caros porque bancam Estado inflado de privilégios, cargos comissionados e ineficiente nos serviços essenciais para a população.

Não podemos aceitar a resposta do presidente Temer para solucionar o problema de desabastecimento que atinge as cidades, que pretende colocar a faca no pescoço dos pequenos e médios empresários, além dos trabalhadores: reduzir o preço do diesel e onerar 30 setores da economia, arrecadando mais R$ 3 bilhões em taxas.

O Congresso Nacional não deu a devida prioridade às Reformas necessárias e agora o povo brasileiro se vê diante desta situação crítica.

O Vem Pra Rua acredita que é necessário reduzir os impostos, equilibrar o custo do Estado e cortar os privilégios daqueles que ocupam cargos públicos e comissionados nos municípios, estados e União, nos três poderes.

O movimento acredita que a Operação Lava Jato avançou no combate à corrupção, mas para o país se desenvolver também é necessário cortar os privilégios bancados com os impostos que o brasileiro paga.

É importante esclarecer que o Vem Pra Rua não endossa nem aceita pautas defendidas por uma parcela de manifestantes, principalmente e dentre as quais está uma intervenção militar.

O movimento é a favor da Lei, da República e da Democracia.

maio
27
Posted on 27-05-2018
Filed Under (Artigos) by vitor on 27-05-2018


 

Claudio, no diário

 

Real Madrid campeão Champions League Liverpool
Real Madrid faturou o 13º título da Champions League. SERGEY DOLZHENKO EFE

 

O Real Madrid venceu o Liverpool por 3 a 1 neste sábado, no Estádio Olímpico de Kiev, e conquistou seu 13º título da Champions League. É a terceira taça consecutiva da competição continental erguida pelos comandados de Zinedine Zidane. Apesar de toda experiência em finais, pesaram a favor do time merengue as falhas do goleiro Karius. No primeiro gol, ele errou a reposição e jogou a bola em cima de Benzema, que, atento ao lance, abriu o placar no início da etapa final.

Lambança à parte, o Liverpool não se abateu e empatou a partida menos de cinco minutos depois, com Sadio Mané. O jogo seguia equilibrado até Zidane colocar Gareth Bale no lugar de Isco. Aproveitando cruzamento de Marcelo, o galês acertou uma linda bicicleta logo em sua primeira jogada e pôs novamente o Real Madrid em vantagem. Os Reds bem que tentaram correr atrás do prejuízo, mas não contavam com uma nova falha grotesca de Karius. Bale arriscou de longe, o goleiro parecia convicto para agarrar a bola, mas acabou engolindo um frango, aos 38 minutos do segundo tempo, e decretou a vitória do Real.

Não bastasse a noite tenebrosa do arqueiro, o Liverpool ainda sofreu um duro golpe no primeiro tempo. O craque do time, Mohamed Salah, deixou o gramado às lágrimas após ser derrubado por Sergio Ramos e sentir uma lesão no ombro direito. De acordo com informações preliminares de Kiev, é provável que o atacante tenha de passar por uma cirurgia, o que o tiraria da Copa do Mundo com a seleção do Egito.

Com o resultado, o Real Madrid, que também perdeu o lateral Carvajal, machucado, alcançou a incrível marca de quatro títulos nas últimas cinco edições de Champions League e se isola ainda mais no topo dos maiores campeões europeus. Uma equipe que entra para a história não somente por ser o time de Cristiano Ronaldo que, embora tenha amargado atuação discreta na final, igualou lendas do calibre de Di Stéfano ao comemorar sua quinta Liga dos Campeões e a artilharia, com 15 gols. Mas, acima de tudo, por fazer do torneio o grande símbolo da vocação vencedora do clube de Madri.

Resultado de imagem para Temer chama Forças Armadas para acabar greve dos caminhoneiros
Caminhoneiros param , deixam governo de joelhos e mexem
com o País.
Resultado de imagem para Forças Federais nas estradas para acabar greve dos caminhoneiros
…e Temer apela para as Forças Armadas.

ARTIGO DA SEMANA

Moro e a “bicha do Manhattan” em NY, o Governo Temer de joelhos

Vitor Hugo Soares

Perto da meia noite de domingo estou ligado no canal privado de TV que transmite o programa “Manhattan Connection”, ancorado pelo jornalista Lucas Mendes, direto de sua bancada em Nova York. Cidade de ressonância planetária onde o juiz federal Sérgio Moro foi o mais comentado e polêmico personagem da semana passada. Duplamente homenageado por entidades norte-americanas: a Câmara do Comércio Brasil Estados Unidos, onde recebeu o título de Personagem do Ano, e a Universidade Notre Dame, na qual o implacável magistrado, – contra corruptos e corruptores no Brasil – fez discurso de honra na solenidade de formatura da turma de Direito. Até aí nem se falava em movimento de caminhoneiros e, nem de longe, se imagina o tamanho do desastre a caminho nas cargas inflamáveis dos caminhões pelas estradas do Brasil.

Dentro dos recintos, aplausos de pé e até apelos de “Moro Presidente”. Do lado de fora, grupos bem azeitados de “ativistas de esquerda” vaiam e agridem o juiz de Curitiba, ou a qualquer passante que eles considerem um apoiador daquele que condenou e levou à prisão o ex-presidente da República e fundador do PT, Luís Inácio Lula da Silva, aclamado nos protestos em NY. Mandou para a cadeia, também, entre outros, o ex todo poderoso presidente da Câmara, Eduardo Cunha, do PMDB, e agora – depois de 20 anos de chicanas protelatórias – o tucano ex-governador de Minas Gerais, Eduardo Azeredo.  

Lucas Mendes foi alcançado pela turba, durante as manifestações  contra Moro. No programa passado, ele falou das agressões que sofreu, com as marcas explícitas do ódio, ignorância intelectual e preconceitos de todo tipo, a começar pelo sexual, que prosperam  nestes dias temerários. Ao chegar sozinho e atrasado, no Museu de História Natural de NY, o jornalista convidado para a cerimônia, na qual era homenageado também o ex-prefeito de NY,, Michael Bloomberg, foi surpreendido, logo nos primeiros passos rumo à escadaria para o auditório da homenagem.  Mendes foi identificado por um manifestante, que o apontou aos gritos: “Olha lá a bicha do Manhattan!”.

E começaram as agressões : “Veado”, “golpista safado”, “direitista da Globo”. O tom virulento subia na medida em que, a cada três degraus que avançava, Mendes acenava e mandava beijos para a turba enfurecida: “filho da puta, vai tomar no…”. Mais não conto.

E desembocamos nesta semana de maio, da maior e mais contundente mobilização de caminhoneiros na história recente do País. Em cinco dias, o protesto contra a alta do diesel “colocou o governo Temer (MDB) de joelhos”, sintetiza o El Pais. “Forçou a Petrobras a alterar, por enquanto temporariamente, a política de preços de combustível da estatal, um dos símbolos da gestão Pedro Parente, incensado por investidores financeiros”. Calculadamente 500 mil caminhoneiros “fizeram um país refém”, na definição de William Bonner, no JN. Na noite de quinta-feira o governo anunciou um “acordo” para suspensão, por 15 dias, o movimento que começou a provocar desabastecimento, caos, oportunismo político, ladroagem e usura de maus empresários. Das 11 entidades das negociações, duas se recusaram a aceitar o “mel na chupeta” incluído no pedido de trégua do governo, e abandonaram a mesa do acordo. Nesta sexta, o caos do impasse só aumentava. E Temer jogou o pepino no colo das Forças Armadas e dos governadores.  Vamos ver!.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

“Agora pego um caminhão, na lona vou a nocaute outra vez…”

Maravilha, Zé Ramalho, preciosa pedra paraibana do Brasil.

BOM DIA

(Vitor Hugo Soares)

 
Greve dos Caminhoneiros 2018
Homens da Polícia do Exército na saída de refinaria da Petrobras, na Baixada Fluminense. Vladimir Platonow/Agência Brasil
  • Derrotado na negociação na qual fez várias concessões aos caminhoneiros grevistas parados desde segunda-feira, o Governo Michel Temer apelou para o uso das Forças Armadas para tentar evitar o desabastecimento de combustível e insumos básicos no país. O presidente emitiu um decreto de garantia da lei e da ordem (GLO), a base legal para autorizar que militares acabem com bloqueios de rodovias e dos acessos a aeroportos, portos e refinarias. Recebeu ainda um aval de uma decisão do Supremo Tribunal Federal para fazê-lo. Mas o cenário estava longe de ser animador. A gestão se deparava com um lento enfraquecimento do movimento que ainda bloqueava 519 rodovias até o início da noite desta sexta-feira _dados da Polícia Rodoviária Federal dão conta de que desde segunda-feira houve 938 interdições ao longo do país. A perspectiva de normalização de serviços, incluindo o funcionamento dos postos de gasolina, também era sinal de um final de semana tumultuado pela frente: na maior cidade do país, São Paulo, havia pouquíssimo combustível e previsões desanimadoras do setor. 

O Governo havia anunciado um acordo com lideranças de caminhoneiros na expectativa de que os protestos fossem suspensos. Atenderam 12 exigências deles, entre elas a da redução da CIDE e o desconto no preso do diesel, assim como o congelamento mensal de reajuste desse combustível. A esperança era de que a manhã dessa sexta-feira já houvesse um número menor de interdições. Mas não foi isso que ocorreu. No meio do dia, Temer ouviu os ministros do núcleo duro do Governo e, temendo um desabastecimento generalizado, decidiu chamar os militares. “O gatilho da decisão de empregar os recursos mais enérgicos foi o risco de desabastecimento”, afirmou o general e ministro do Gabinete de Segurança Institucional, Sérgio Etchegoyen. O decreto de GLO vale até 4 de junho e pode ser prorrogada. Mas a expectativa no Planalto é que o problema seja contornado antes desse prazo.

Os caminhoneiros desafiaram o Governo em tempo real. Boa parte deles ignorou o acordo com as lideranças sindicais e decidiu seguir o protesto, mostrando também a dificuldade de negociar com um movimento fragmentado. “Nós da Abcam, temos muito orgulho desse movimento que tomou dimensões como nunca na história do país. Mas, para proteção e segurança de todos vocês, pedimos que liberem as vias e respeitem o decreto presidencial. A nossa luta continua e a manifestação não acabou, apenas segue, a partir de agora, sem intervenções nas estradas brasileiras”, pediu, em nota, uma das principais associações que havia se recusado a aceitar a proposta do Planalto. As seguidas notícias de que os aeroportos estavam sendo afetados também assustaram o Governo. Até as 18h as quatro principais companhias aéreas que atuam no Brasil informaram que 89 voos em 11 aeroportos haviam sido cancelados por causa da falta de combustíveis para as aeronaves. Até voos internacionais deixaram de pousar ou decolar no território brasileiro. “O Brasil não pode ficar isolado”, acrescentou o ministro do GSI.

Os primeiros locais em que os militares teriam agido segundo o Governo, foram na Refinaria de Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, de onde caminhões-tanques eram impossibilitados de deixar o local e seguir para distribuidoras de combustíveis, e no interior da Bahia. Mas uma reportagem da BBC Brasil constatou que, ao menos no momento do anúncio, no fim da tarde, o protesto seguia firme no local e apenas caminhões que abasteceriam forças de segurança ou a área de saúde podiam sair da refinaria na Baixada Fluminense. Em outros Estados, como São Paulo, a gestão federal pediu que o governo local ajude a desbloquear as rodovias com o uso da Polícia Militar. O embasamento jurídico para a liberação de todas as vias foi dado por uma decisão judicial do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Ele atendeu a um pedido da Advocacia Geral da União para que todas as estradas brasileiras bloqueadas pudessem ser liberadas.

Como foi derrotado pelos caminhoneiros, ato esse reconhecido pelo ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun (“O movimento é vitorioso”, disse ele), o Governo se viu obrigado a criar uma sala de situação para a crise dos combustíveis. É uma espécie de grupo de trabalho que reúne duas vezes ao dia representantes dos ministérios da Segurança, Defesa, GSI, Saúde, Agricultura e Transporte com o objetivo de monitorar a situação dos protestos e definir onde ocorrerá a próxima ação.

Locaute e acordo com Estados

A mesma força militar poderá ainda ser utilizada para dirigir os caminhões dos motoristas que se negarem a fazê-lo ou que forem impedidos por seus patrões. O Governo diz que poderá emitir um decreto de requisição de posse para que os militares transportem as cargas desses veículos, principalmente alimentos, materiais hospitalares e combustíveis.

A proposta desse decreto foi apresentada pelo ministro da Segurança, Raul Jungmann. Como alguns empresários proibiram seus motoristas de deixarem os locais de trabalho escoltados por policiais, como distribuidoras de combustíveis, surgiu a suspeita de que pudesse estar havendo um locaute. É uma espécie de greve dos patrões, o que é proibido pela legislação brasileira. Uma investigação foi aberta pela Polícia Federal e 20 empresários foram identificados como suspeitos de associação para prática de crimes contra a organização do trabalho, a segurança dos meios de transporte e outros serviços públicos. As penas variam de um a cinco anos de prisão.

Paralelamente à ação na área de segurança, a gestão Temer tenta agir na área econômica. Seu ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, anunciou que na próxima reunião do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) irá sugerir que os Estados reduzam o percentual de cobrança de um tributo estadual, o Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Caso consiga a adesão da maioria dos Estados, o diesel poderá sofrer uma redução de até 35 centavos de real. Desse valor, 25 centavos provêm da decisão da Petrobras de reduzir em 10% o preço do produto na refinaria, mais 5 centavos seria de responsabilidade do Governo ao decidir reduzir a incidência da CIDE e os outros 5 centavos do ICMS. Apesar da proposta, a Fazenda ainda não sabe de onde cortará cerca de 5 bilhões de reais para compensar a Petrobras pelo desconto dos 10% até o fim do ano.

Minutos após os ministros anunciarem as medidas para tentar liberar as estradas, um grupo de 20 manifestantes se concentrou em frente ao Palácio do Planalto, a sede da presidência da República, para protestar contra os altos preços da gasolina. Entre eles, havia motoristas de vans escolares, motoboys e motoristas da Uber. A queixa deles tem aparecido esporadicamente nesse protesto dos caminhoneiros que, em diversas cidades, ganhou adesão de algumas dessas categorias. Ainda assim, o Governo faz ouvidos moucos a esse pleito. Os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil), Marun e Guardia deram, em ocasiões distintas, a mesma resposta quando questionados se o Governo atuaria contra o aumento do preço da gasolina. “Nesse momento, só discutimos diesel”. Resta saber se a bandeira levantada pelos caminhoneiros não vai arrefecer antes de ser levantada de vez pelos demais setores.

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