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CRÔNICA

 

Quando Alberto Dines afagou meu ego

 

Janio Ferreira Soares

 

Com o Sol em vias de sair de cena num deslumbrante cenário pré-ângelus, sombras de pás eólicas passam pelo asfalto da BR-423 como se fossem lâminas gigantes querendo cortar dezenas de caminhões descendo a Serra dos Ventos, mas, sombras que são, apenas lambem lonas e fuselagens que seguem rodando até o posto mais próximo, onde alguns motoristas pernoitarão em suas boleias, enquanto outros jogarão uns arrebites goela abaixo e seguirão sob a luz da Lua, que se agora nasce rente ao meu retrovisor, logo ofuscará Vênus e delineará carrocerias cheias de fuligens e manchas de borboletas, coitadas, até há pouco jovens crisálidas em seus casulos sonhando voejar no arejado azul desse maio que se finda.

Sigo meu caminho sem pressa de chegar, ainda mais com a surpreendente seleção musical que Julia extrai do seu até então monossilábico iPhone, parceria mais que perfeita para celebrar um desses raros instantes em que pai e filha encaram uma estrada num entardecer de filme bom, ora com Gal mandando um pérola negra, te amo, te amo, ora com a voz de Gil numa coincidência de arrepiar, confirmando que o melhor lugar do mundo era ali e agora.

De volta à planície, zapeio a realidade e vejo que nessa última quinzena do mês que precede a canjica a lâmina que realmente corta foi particularmente cruel com as letras, ceifando três daqueles que as tratavam como se num cafuné de mãe. Foi-se Tom Wolfe, um dos grandes do jornalismo literário americano, autor do clássico A Fogueira das Vaidades. Depois Philip Roth, que muita gente boa considera o maior romancista norte-americano. E, por fim, o nosso Alberto Dines, a mais perfeita tradução de um gentleman da escrita e do bom senso, que num ano distante afagou-me o ego. Explico.

Corria 2008 e Claudio Leal, querido amigo e jornalista da mesma escola de Dines, escrevia no Terra Magazine, site dirigido pelo também jornalista Bob Fernandes. Morando no meio do mato e sem muito o que fazer, comecei a lhe mandar alguns textos que, bondosamente, ele publicava.

Num deles, intitulado A Machadinha de Daniel Dantas, eu fiz uma brincadeira com o esperto banqueiro baiano preso pela Operação Satiagraha, dizendo que se ele resolvesse usar a mesma arma que seu xará Daniel Boone arremessava na abertura de um antigo seriado, muitas cabeças rolariam.

Pois bem, dias depois, estava pescando com a meninada, quando me liga a antenada Olivia Soares dizendo que o texto estava no Observatório da Imprensa, respeitado jornal e programa de TV fundado e dirigido por Dines, que todo fim de semana colocava em suas páginas o que de mais legal saía na imprensa brasileira. Dia seguinte, o jeito foi comprar um teclado novo.

Pra quem quiser conferir. observatoriodaimprensa.com.br/imprensa-em-questao/terra-magazine-36156/

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura de Paulo Afonso, na beirada baiana do Rio São Francisco

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Comentários

Taciano Lemos de Carvalho on 27 Maio, 2018 at 22:06 #

Para o pessoal das barrancas do São Francisco, uma senhora entrevista sobre o rio. E também, claro, para qualquer brasileiro que se preocupe com o tema da tansposição (ou sangramento) daquele que foi um dia o rio da integração nacional.

http://www.gamalivre.com.br/2018/05/transposicao-do-rio-sao-francisco-e-um.html

“Transposição do Rio São Francisco é um “elefante branco” construído a partir de um argumento falacioso. Entrevista especial com José do Patrocínio Tomaz Albuquerque”


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