ALBERTO DINES 

PUBLICADO NO RELANÇAMENTO DO JORNAL DO BRASIL NAS BANCAS EM 2018 

 

Sempre JB

Café, jornal, cigarro. Cigarro, não mais, mas jornal sempre foi fundamental. O Jornal do Brasil ia além, era vício. Bibliotecas eram paraísos para Jorge Luís Borges; o JB era alimento para os cariocas e leitores de outros estados que corriam de banca em banca atrás de um exemplar. 

Correio da Manhã, revistas Senhor e Realidade, O Pasquim e tantos tabloides de literatura atormentaram os nostálgicos, mas não voltaram. 

O JB voltou. Para fazer barulho bom e peso na leveza das redes. Pedra firme em água fluida. Um adversário temido volta às bancas. 

Caixa de ressonância, guia seguro, imprensa séria, comprometida, consistente, inovadora, tudo combina com o JB. Repórter bom que briga com a matéria e com o editor. O redator que acredita: a matéria mais importante do jornal é a dele, ou a dela – como uma vez eu disse para a então estreante colunista Clarice Lispector. 

Os livros não interessavam aos tablets, e os apressados preconizavam: vão acabar. Não acabaram. As vendas de livros até aumentaram 6% no ano passado, no Brasil. E se as vendas dos jornais caem, há sempre um Warren Buffett que acredita e compra, compra, compra jornais. 

O jornalismo está impregnado do espírito sequencial, de passagem, de prolongamento e continuidade. Nosso ofício, que começa e se esgota a cada fluxo, a cada novo dia, é o exercício da permanência, da duração. Por melhor ou pior que tenha sido a edição anterior, o que vale é a seguinte. E depois dela, a outra. É um nunca acabar, ou eterno renascer. 

Um grande jornal faz-se com a consciência do tempo e a capacidade de atrair o leitor, todos os dias, para a maravilhosa aventura de saber um pouco mais. 

Há um caminho aí que é o de fazer pensar. Oferecer alternativas de pensamento e marcar presença, fazer história. Pensar grande. 

Mario Sergio Conti, em coluna recente, lembrou de “Memórias de um Antissemita”, o romance de Gregor von Rezzori: “O sangue jorra como antes. A única dignidade que se pode manter no nosso tempo é a dignidade de estar entre as vítimas”. 

No caso do JB, é brigar pelas vítimas. 

Não é fácil, mas é possível. Agora mais do que nunca.

Harmonia perfeita nos passos do bailado, química perfeita de sentimentos e movimentos e toda magia do cinema em volta. Que par!!!

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares) 

maio
24
Caminhoneiros bloqueiam parcialmente parte da BR-116, umas das principais artérias do país.
Caminhoneiros bloqueiam parcialmente parte da BR-116, umas das principais artérias do país. MAURO PIMENTEL AFP

A maior mobilização de caminhoneiros em duas décadas colocou o Governo Michel Temer (MDB) de joelhos e forçou a Petrobras a alterar, por enquanto temporariamente, a sua política de preços de combustível da estatal, um dos símbolos da gestão Pedro Parente, incensada por investidores financeiros. Desde segunda-feira, cerca de 500.000 caminhoneiros promovem uma série de protestos pelo Brasil e bloquearam trechos de 270 rodovias federais e estaduais para protestar contra alta de  de 50% no preço do diesel desde julho passado. A ação resultou em desabastecimento de alimentos, inclusive pães na rede McDonalds e batatas em sacolões, restrição no transporte público de capitais e até de voos domésticos e internacionais que partiriam de seis aeroportos.

Com o Governo sem nada a oferecer de concreto ao grevistas e diante de uma possível ampliação do problema, o presidente da petrolífera, Pedro Parente, foi obrigado a recuar. Anunciou, em entrevista coletiva, que o preço do óleo diesel se reduzirá em 10% nas refinarias pelo período de 15 dias. Isso representa cerca de R$ 0,20 centavos por litro como um gesto de “boa vontade”. “São 15 dias para que o Governo converse com os caminhoneiros.” Ele rejeitou ter sofrido pressões. Disse apenas que a estatal fez uma análise “realista” do cenário.

Apesar da alteração, não há garantia de que os protestos serão suspensos. O pleito inicial dos manifestantes era de que, por meio da isenção de tributos, a diminuição do preço fosse de R$ 0,60 a R$ 0,80. Temer chegou a pedir uma trégua “de dois ou três dias” aos caminhoneiros para que se chegassem a um consenso sobre o assunto.

Desde que o emedebista assumiu a presidência da República, em maio de 2016, ele determinou que Petrobras teria autonomia para definir os preços dos combustíveis, um contraste com a criticada política de controle tarifário do Governo Dilma Rousseff. A partir de então, por ordem de Pedro Parente, a companhia decidiu seguir a oscilação internacional do preço do barril de petróleo, num cenário de recuperação do preço das matérias primas em geral e de instabilidade nos países produtores, como Irã e Venezuela, e, consecutivamente do dólar. A mudança arrancada à força pelos caminhoneiros nesta quarta-feira não atinge outros combustíveis como gasolina e etanol nem o GLP, conhecido como gás de cozinha. Na última semana, a gasolina sofreu quatro reajustes consecutivos e o diesel, dois. Em cidades como Recife (PE), a gasolina chegou nesta quarta-feira ao valor de 9 reais por litro.

O alto preço do combustível na cidade pernambucana se deve ao quase desabastecimento de postos porque os caminhões tanques acabaram sendo impedidos de circular por algumas rodovias. Segundo dados da Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes (Fecombustíveis), cidades dos Estados do Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, São Paulo e o Distrito Federal também registraram baixos estoques nas bombas. Ao menos seis aeroportos brasileiros (São Paulo, Brasília, Recife, Maceió, Palmas e Aracaju) anunciaram que operam no limite mínimo de reabastecimento. Ou seja, só aceitam que pousem em suas pistas as aeronaves que tivessem condições de decolar sem precisar de reabastecimento.

Transporte coletivo e fator estadual da equação

Concessionárias de ônibus de diversos municípios reduziram suas frotas. No Rio de Janeiro, em São Paulo e em Brasília, a redução foi de 40% dos veículos nas ruas. E empresas das principais regiões metropolitanas informaram que, se o diesel não chegar nos postos, até sexta-feira não haverá transporte público.

Diante de um possível caos no abastecimento, Michel Temer convocou uma reunião de emergência com sua equipe e representantes de dez entidades de caminhoneiros. No encontro, nenhuma nova proposta foi apresentada. Apenas requentaram uma ideia que já havia sido aventada na terça-feira, que foi a de zerar a cobrança da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) sobre o diesel — o imposto corresponde a apenas 1% do preço do combustível. Essa medida, no entanto, ainda depende da votação de um projeto de lei no Congresso Nacional e não há prazo para isso ocorrer. Se aprovada, resultará na perda de arrecadação de 2,5 bilhões de reais para os cofres da União.

Nesta quinta-feira, um novo encontro entre Governo e caminhoneiros deverá ocorrer para discutir o assunto. Um dos problemas na definição do preço do combustível são tributos estaduais que incidem sobre o produto, como o Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). E cada Estado cobra a tarifa que bem entende. Por isso, o Senado iniciou a discussão de um projeto de resolução para limitar a incidência o ICMS em 18% sobre o preço final da gasolina. Hoje, o teto para a incidência desse imposto é de 30%. A proposta ainda não obteve o número mínimo de apoio para começar a tramitar. Faltam cinco votos para atingir os 41 mínimos para iniciar sua votação.

A última vez que caminhoneiros conseguiram tamanha adesão foi em 1999, durante o Governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Naquele ano, 700.000 caminhoneiros protestaram pelas estradas por quase uma semana também por conta do reajuste do preço do óleo diesel. O movimento só acabou depois que FHC decidiu colocar as Forças Armadas para desbloquear as estradas. Questionado se o Governo pretendia intervir nas rodovias, o ministro da Casa Civil disse que a gestão Temer prefere dialogar do que usar a força. “Esse é o Governo do diálogo, da negociação. Queremos achar a melhor solução para toda a população”.

Na esfera judicial, no entanto, a gestão Temer já começou a agir. A Advocacia Geral da União ingressou com 26 ações para o desbloqueio de rodovias. Até às 20h30 desta quarta-feira, nove foram julgadas favoravelmente ao Governo e determinando a liberação das estradas nos Estados de Minas Gerais, Paraná, Goiás, Santa Catarina, Pernambuco, Paraíba, Distrito Federal e Rio Grande do Sul.

Nas ruas de Brasília, já avançada a noite de quarta, o cenário era de longas filas nos postos e temor de desabastecimento. O tic-tac sobre o Planalto seguia: o prazo para que o caos se instale de vez, caso a situação não se normalize, é em 48 horas.

Com informações dos repórteres Marina Rossi, de Recife, e Rodolfo Borges, de São Paulo.

maio
24

DO BLOG O ANTAGONISTA

Fachin autoriza Lula a receber deputados na cadeia

 

Lula vai receber um monte de deputados na cadeia.

Edson Fachin atropelou a decisão da juíza Carolina Lebbos e autorizou a comissão externa da Câmara, formada por parlamentares de PT, PCdoB, PSB, PDT e PSOL, a visitar o presidiário.

O comunista Orlando Silva disse para a Folha de S. Paulo:

“Finalmente a lei será cumprida”.

maio
24
Morre Philip Roth
Philip Roth em Nova York em 2010 Eric Thayer Reuters
DO EL PAIS
MiamI

O gigante literário norte-americano Philip Roth, vencedor do prêmio Pulitzer por seu romance Pastoral Americana em 1998, morreu na noite de terça-feira em Manhattan, aos 85 anos, segundo seu agente, Andrew Wylie. A causa foi uma insuficiência cardíaca.

Sua morte encerra tanto uma carreira transcendental nas letras americanas quanto a geração literária que observou e desconstruiu a vida na liderança mundial na segunda metade do século XX. Nascido em 19 de março de 1933 em Newark (Nova Jersey), filho de descendentes de imigrantes judeus da Europa Oriental e criado no bairro de classe média de Weequahic, Philip Milton Roth, eterno candidato ao prêmio Nobel – que nunca chegou a conquistar –, recebeu outros reconhecimentos notáveis, como dois National Book Awards, dois National Book Critics, três PEN/Faulkner Awards, um Pulitzer e um Man Booker International.

Depois de publicar 31 obras ao longo de sua carreira, o autor de O Complexo de Portnoy (1969), que o catapultou ao sucesso com a tormentosa relação com o sexo do personagem Alexander Portnoy, e da já lendária Trilogia Americana, que lhe abriu definitivamente as portas do Olimpo literário – Pastoral Americana (1997), Casei com um Comunista (1998) e A Marca Humana (2000) –, tomou a decisão de deixar a escrita em 2012, ano em que foi premiado com o Príncipe de Astúrias das Letras, fechando uma trajetória magistral que começara com a publicação em 1959, quando tinha 26 anos, de Adeus, Columbus, uma coletânea de cinco contos e uma novela de amor que lhe valeu um dos prêmios mais prestigiosos dos Estados Unidos, o National Book Award.

Com Philip Roth desaparece o último dos gigantes das letras norte-americanas do século passado, junto com Saul Bellow (1915-2005) e John Updike (1932-2009), e uma figura central da fecunda narrativa judaica norte-americana, ao lado do próprio Bellow, Bernard Malamud (1914-1986) e Norman Mailer (1923-2007), brilhando por sua capacidade de se aprofundar nas obsessões da cultura da sua própria comunidade.

Roth não se sentia cômodo com sua reiterada categorização como escritor judeu-americano

Philip Roth, entretanto, não se sentia cômodo com sua reiterada categorização como escritor judeu-americano. “Essa qualificação não faz sentido para mim”, disse. “Se não for um americano, não sou nada”, ou, como resumiu em outra ocasião, rejeitando o reducionismo e ressaltando seu propósito de universalidade: “Eu não escrevo judeu, escrevo norte-americano”. Em sua autobiografia The Facts (2008), dizia com humor sobre seu pai: “Seu repertório nunca foi enorme: família, família, família, Newark, Newark, Newark, judeu, judeu, judeu. Mais ou menos como o meu”.

A introspecção psicológica – recorrendo ao uso de um alter ego, como o romancista Nathan Zuckerman, voz de nove de seus livros – foi permanente campo de batalha do prolífico Roth, com obras memoráveis como Patrimônio (1991), em que o protagonista examina sua complexa relação com o pai e se situa ante a dificuldade de ser testemunha de sua agonia até sua morte. Em seu obituário, a The New Yorker recordou os temas preferidos de Philip Roth: “A família judia, o sexo, os ideais norte-americanos, a traição dos ideais norte-americanos, o fanatismo político e a identidade pessoal”.

Em uma entrevista em 1985, Roth definia assim a questão essencial sobre a qual giravam ele e sua literatura: “É a tensão entre a fome de liberdade pessoal e as forças da inibição”, dizia, aludindo à luta do indivíduo contemporâneo com os espartilhos tradicionais e pessoais.

Em janeiro, depois de anos afastado da imprensa, o autor de O Escritor Fantasma (1977) concedeu uma entrevista ao The New York Times em que afirmava que a leitura – sobretudo de obras de História – tinha substituído sua paixão pela escrita, e explicava que tinha dado por concluída sua carreira ao notar que já havia oferecido tudo o que levava dentro de si: “Tinha tirado o melhor de meu trabalho, e o seguinte seria inferior”. “Já não possuía a vitalidade mental, nem a energia verbal e a forma física necessárias para construir e manter um longo ataque criativo de qualquer duração sobre uma estrutura tão complexa e exigente como um romance”.

Quando optou por deixar o ofício, Philip Roth grudou um post-it no seu computador que dizia: “A luta com a escrita terminou”. Para avaliar sua obra, citava esta frase que o pugilista Joe Louis disse quase no final da vida: “Fiz o melhor que pude com o que eu tinha”.

maio
24
Posted on 24-05-2018
Filed Under (Artigos) by vitor on 24-05-2018
 

Atualizado diariamente desde 1996 Se você acha que não está vendo a página de hoje. Clique aqui para atualizar

Jornal de charges – O melhor do humor gráfico brasileiro na Internet – ano XXII – 4ª- feira 23/05/2018

random image
Claudio, no jornal Agora S. Paulo

maio
24
Posted on 24-05-2018
Filed Under (Artigos) by vitor on 24-05-2018

DO G1

O juiz federal Sérgio Moro determinou nesta quarta-feira (23) a prisão do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, condenado por lavagem de dinheiro em um processo da Operação Lava Jato, em 2017.

A defesa de Delúbio teve o último recurso negado em segunda instância nesta quarta pelos desembargadores do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4). O G1 tenta contato com os defensores.

Os advogados apelaram com embargos de declaração depois que Delúbio teve a condenação confirmada e a pena aumentada de cinco para seis anos pelos desembargadores do tribunal, em Porto Alegre, em março deste ano.

Essa ação penal é um desdobramento do processo que condenou o pecuarista José Carlos Bumlai e dirigentes do Banco Schahin, por empréstimo fraudulento de R$ 12 milhões concedidos pelo Banco Schahin a Bumlai.

Conforme os desembargadores, metade do valor foi repassada para a empresa Betin e a outra parte, para a Remar Agenciamento e Assessoria, que repassou quase tudo o que recebeu à empresa Expresso Nova Santo André, com o destinatário final sendo Ronan.

De acordo com a sentença, todas essas transações que envolvem os réus deste processo seriam fraudulentas e teriam por objetivo disfarçar o destino do dinheiro. Nos autos, não há investigação sobre a motivação do PT para entregar os valores a Ronan.

Porém, o Ministério Público Federal (MPF) levantou a hipótese de uma suposta extorsão praticada por Ronan contra o PT, o que não foi esclarecido e não era o foco da denúncia, relativa ao crime de lavagem de dinheiro.

  • Arquivos