10 de junho é o dia dele,que segue abossoando!

BOA NOITE!!!

(Gilson Nogueira)

Dines e o eterno renascer

Na edição que marcou a volta do JB às bancas, em 25 de fevereiro passado, não poderia faltar um artigo de Alberto Dines, que ao assumir a direção do jornal, em 1961,  consolidou a reforma gráfica e editorial iniciada por Odylo Costa, filho.  Naquele artigo, ele sintetizou sua paixão e compromisso com o fazer jornalístico:  “Nosso ofício, que começa e se esgota a cada fluxo, a cada novo dia, é o exercício da permanência, da duração. Por melhor ou pior que tenha sido a edição anterior, o que vale é a seguinte. E depois dela, a outra. É um nunca acabar, ou eterno renascer.”

Sua trajetória foi este eterno renascer, mas com um norte permanente, o compromisso com a verdade dos fatos, ainda que o tempo, as mudanças, as tecnologias, exigissem a adequação da forma, da linguagem e  mesmo a atuação em diferentes plataformas. Homem das pretinhas, enfrentou a parafernália televisiva e a selva da Internet quando a ampliação das audiências passou a cobrar a atuação multimídia.

Outra de suas lições também está contida na frase acima: a auto-exigência de qualidade, pois neste ofício humano por excelência, ninguém escapa da imperfeição e do erro. Desde que sejam reconhecidos, o importante é fazer o melhor possível na edição seguinte.

“Fazer o Observatório na TV Brasil, mantendo também o site de mesmo nome na Internet, foi o último e valoroso combate de Dines”

Foi na televisão, e não no jornalismo impresso, onde ele pontificou,  e eu fiz a maior parte de minha vida profissional, que encontrei Dines.  Deixei o jornal O Globo para enfrentar o desafio de implantar a primeira televisão pública nacional, a TV Brasil. O Observatório da Imprensa já existia na grade da TVE do Rio, incorporada pela nova emissora. O programa de Dines tinha que ser mantido, decidimos logo na montagem da nova grade.  Anualmente, eu enfrentava os obstáculos da burocracia para renovar o contrato do programa. Neste período, além das edições semanais, que fazia com absoluta independência, ele  realizou um trabalho que lhe deu grande alegria, o documentário sobre os 70 anos do fim da Segunda Guerra Mundial.

Fazer o Observatório na TV Brasil, mantendo também o site de mesmo nome na Internet, foi o último e valoroso combate de Dines. Infelizmente, com as turbulências do impeachment em 2016, a EBC sofreu uma intervenção e o programa saiu do ar.  

A coleção de programas gravados por Dines constituem um acervo valioso para os interessados no debate sobre a imprensa brasileira nos anos recentes, em que jornalismo foi tão impactado pelas tecnologias, pela globalização e pelos conflitos políticos que continuam a dividi-lo. Em seus programas, não havia assunto interditado para Dines. Mas, com seu modo muito peculiar de entrevistar e conduzir o debate, com suavidade sem perder a firmeza, Dines tratava de todos eles sem resvalar para a beligerância, como ocorre no terreno pantanoso das redes.

Vai-se um mestre, ficam as lições.

Mensagem de ontem, no Facebook, depois de ler na página do jornalista, poeta, escritor e grande amigo, Elieser Cesar, o registro do aniversário do filho Fernando Valverde (Fernando Infante).

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Fernando Infante faz 27 anos, leio com surpresas, como diria o sábio Walmir Palma, em A Tarde, a poucos metros da mão do poeta estendida na Praça. Está homem feito o garoto de tantas poesias e crônicas maravilhosas do pai (amigo querido do peito), quando eu rolava boêmio pelas redações, era passo na noite boêmia de Salvador, ou virava as noites nas ruas , cafés e cantinas do bairro La Boca . A Fernando dedico “Passillo de La Vida”, tango de Adriana Varela que Fernando gostava e aprendeu a cantar quando era infante. PARABÉNS!

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

“Você é uma preta de alma branca”

Racismo no Brasil
Jovens da favela Vigário Geral, no Rio de Janeiro Cordon Press

O maior número de eleitores nas próximas eleições presidenciais no Brasil, 54%, será de negros e pardos. E são eles que sofrem todos os recordes de mortes violentas. A cada 23 minutos é assassinado um jovem negro. 71% dos assassinatos são de pessoas negras. E enquanto a taxa de homicídios de brancos diminuiu 12%, a de negros aumentou 18%, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Diante dessa tragédia vivida pelos descendentes dos escravos, é urgente perguntar aos candidatos a governar o Brasil como pretendem abordar essa guerra aberta contra os negros e como farão para assegurar um futuro de igualdade de oportunidades que lhes devolva a dignidade que lhes foi roubada. Manter o país dividido entre negros e brancos é perpetuar a injustiça engendrada durante os 300 anos de escravidão. Escravidão, a brasileira, que foi uma das últimas a serem abolidas no mundo. Somente em 1888.

“Não sei se o Brasil está preparado para aceitar um presidente negro”, afirmou o juiz Joaquim Barbosa, que acabou renunciando a ser candidato às eleições presidenciais. De qualquer forma, negro ou branco, o próximo presidente não pode fechar os olhos para toda essa massa de jovens negros que morrem a cada hora vítimas da violência.

Urgem políticas sérias, concretas, realistas, capazes de encerrar para sempre esse triste capítulo da discriminação sofrida por essa maioria da sociedade, que além de ter sido condenada a não poder estudar como os brancos, o que fez que tivessem que aceitar os trabalhos mais humildes, são os mais expostos a uma morte precoce e violenta. Hoje, no Brasil, a grande maioria das domésticas, por exemplo, são negras ou pardas e cabe lembrar que o vocábulo “doméstica” deriva dos escravos que deviam ser “domesticados”, como se fazia com os animais de carga.

A sociedade brasileira ainda está impregnada de racismo aberto ou dissimulado. Isso significa rever o que os sociólogos chamam de “rejeição sutil.” É o que sofreram, por exemplo, duas meninas negras que, depois de voltar da escola, perguntavam a suas mães: “Por que as outras crianças nos acham esquisitas e não falam conosco?”

A linguagem cotidiana muitas vezes nos trai. As expressões coloquiais ainda estão impregnadas de discriminação contra os negros. Basta recordar algumas delas, como passar um “dia negro”, ter um “lado negro”, ser a “ovelha negra” da família ou praticar “magia negra”. Diz-se que o preto é a cor do pecado. Usamos o verbo “denegrir” que significa “manchar uma reputação que era limpa” . O preto suja.

A linguagem nunca é inocente e, às vezes, as palavras carregam uma forte carga de dor e agressão. Uma jovem negra africana ouviu uma senhora dizer como um elogio: “Bem, filha, eu não te vejo tão negra como dizem.” Uma empregada negra teve que suportar o seguinte elogio da família para quem trabalhava: “Você é uma preta de alma branca.” Tão sutil é a associação do preto com o inferior que até no jogo de xadrez as primeiras peças que se movem são as brancas. O branco é que dá sorte, não o preto.

Como enviado especial a uma viagem do papa a Uganda, fiquei surpreso ao ver, nas igrejas da África negra, anjos brancos como a neve. Contaram-nos que os missionários europeus diziam àqueles africanos que, se se comportassem bem e se tornassem cristãos, “ressuscitariam brancos no céu”.

Sempre acreditei que a poesia é um dos instrumentos que pode nos libertar das sombras de racismo incrustadas em nosso inconsciente. No livro Poemas para Metrônomo e Vento, de Roseana Murray, que acaba de ser publicado pela Penalux, há um poema intrigante intitulado A Pele Negra. O poema trata, com rara delicadeza, precisamente dessa dor que pulsa sob a pele dos negros. Quis reproduzi-lo para os meus leitores amantes da poesia como um exemplo de linguagem empática com essa ferida ainda aberta na nossa sociedade.

A pele negra

A harpa

que ondula

debaixo

da pele negra,

debaixo,

dos antigos

açoites,

e antes,

debaixo da noite,

suas tochas

e panteras,

essa harpa

nunca se cala,

seus acordes

profundos,

oceânicos

atravessam

séculos de memória

e dor,

não dormem.

Só mantendo desperta essa “harpa que não se cala” sob uma pele que conserva as cicatrizes dos antigos açoites contra os escravos, só estando atentos para não silenciar séculos de memória e dor, seremos capazes de nos livrarmos do peso do nosso racismo aberto ou sutil. Já que, como diz o poema, essa harpa não só não se cala, mas “seus acordes (…) não dormem”. Permanecem despertos para nos lembrar que não é a cor da pele que nos distingue e separa, mas a capacidade de aceitar que somos filhos do mesmo barro.

Meirelles ‘joga fora’ a carreira, diz Ciro Gomes

Ciro Gomes afirmou que Henrique Meirelles, a quem chamou de “amigo”, “joga fora” a carreira ao aceitar ser o candidato do governo de Michel Temer,  relata O Globo.

O presidenciável do PDT disse que a presença do ex-ministro da Fazenda “qualifica o debate”, mas que ele serve a uma gestão com uma agenda “antipovo” e “antipobre”.

Ciro também acusou o Ministério Público e o Judiciário de quererem “governar no lugar de todo mundo”. Para ele, Congresso e Executivo estão desmoralizados, o que provoca uma “invasão intolerável” dos poderes que não têm voto.

maio
23
Posted on 23-05-2018
Filed Under (Artigos) by vitor on 23-05-2018


 

Sponholz, no

 

Cármen Lúcia, presidente do STF, diz que corrupção é crime que mata

Ela fez discurso sobre ética e política em um seminário sobre combate à corrupção no Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB).

“A falta de ética gera uma desagregação do tecido social e da estrutura estatal. É inaceitável, inadmissível. Todo governo só é legítimo se for honesto. Sem confiança, não há democracia. Democracia se dá pela segurança que o cidadão tem nas instituições.”, disse.

Para a presidente do STF, “não se pode seguir numa rua se ali estiver indicando contramão. Uma servidora pública que alimenta práticas antiéticas, isso é andar na contramão. Estado só vive pela confiança do cidadão nas estruturas de poder”;

A ministra disse que não há como conviver com a corrupção, o que ela chamou de ‘fratura social’.

“A única possibilidade de viver com o outro é confiando no outro. A base de toda convivência é a confiança. A corrupção é uma fratura social, uma prática que rompe essa união, a empatia pelo outro. Não há como conviver com a corrupção. A corrupção faz com que a nossa união com o outro seja dificultada”, disse.

Cármen Lúcia disse que o Brasil expôs e admitiu os casos de corrupção. “Poucos países tiveram a coragem de expor a corrupção, admitir que não quer mais conviver com isso. O estado é construído por todos nós”, afirmou a ministra.

A presidente do STF classificou a prática corrupta como uma “indignidade”, uma “injúria”.

“Quanto mais transparência, menor a possibilidade de corrupção. Se juntarmos o excesso de burocracia e a ausência de transparência, com toda certeza teremos facilitado a corrupção. O Estado precisa criar estruturas preventivas e repressivas da corrupção”, declarou.

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