Por Vitor Sorano, Amanda Polato, Vanessa Fajardo, Carol Prado e Luiza Tenente, G1, São Paulo

Oitenta e nove pessoas morreram ou desapareceram no Brasil por motivos políticos, a partir de 1º de abril de 1974 e até o fim da ditadura, segundo levantamento do G1 com base nos registros da Comissão Nacional da Verdade (CNV). Foi a partir desta data que o general Ernesto Geisel, então presidente do Brasil, autorizou execução de opositores, segundo documento da CIA tornado público recentemente pelo governo americano.

De acordo com o levantamento do G1, além dos 89 casos confirmados, há outras 11 pessoas que podem ter morrido ou desaparecido a partir de 1º de abril de 1974 – a data não foi esclarecida pela CNV. Além disso, pode haver mortes e desaparecimentos durante esse período da ditadura que não foram registrados.

Entre as vítimas desse período estão o jornalista Vladimir Herzog, assassinado em 25 de outubro de 1975 após se apresentar voluntariamente ao Centro de Operações de Defesa Interna, um órgão militar da ditadura; o metalúrgico Manoel Fiel Filho, que foi torturado até a morte, em 17 de janeiro de 1976, nas dependências do Destacamento de Operações de Informações (DOI) do II Exército, em São Paulo.

As informações sobre as vítimas do regime militar estão nos relatórios da CNV, que foi criada para apurar violações de diretos humanos entre 1946 e 1988.

Embora tenha feito uma extensa pesquisa histórica, não foi essa comissão que revelou o reconhecimento explícito de que decisões sobre morte de opositores foram tomadas pelo Planalto. A confirmação está um memorando da CIA (a agência de inteligência americana), descoberto pelo pesquisador Matias Spektor, da Fundação Getulio Vargas (FGV). Com data de 11 de abril de 1974, ele foi tornado público recentemente (não há data precisa) pelo governo americano.

O documento foi elaborado pelo então diretor da CIA, William Egan Colby, e endereçado ao secretário de Estado dos EUA Henry Kissinger. Colby relata um encontro que teria acontecido em 30 de março de 1974.

Dele, participaram Geisel e João Batista Figueiredo, que era chefe do Serviço Nacional de Informações (SNI) e que viria a ser presidente entre 1979 e 1985, além dos generais Milton Tavares de Souza, que comandava o Centro de Inteligência do Exército (CIE), e Confúcio Danton de Paula Avelino, que viria a subistitui-lo no CIE.

O general Milton, segundo o documento, disse que o Brasil não poderia ignorar a “ameaça terrorista e subversiva”, e que os métodos “extra-legais deveriam continuar a ser empregados contra subversivos perigosos”.

No ano anterior, 1973, 104 pessoas “nesta categoria” foram sumariamente executadas pelo CIE. Segundo o diretor da CIA, Figueiredo apoiou a política e pediu a sua continuidade.

Geisel pediu para pensar durante o fim de semana. No dia 1º de abril, Geisel e Figueiredo decidiram seguir com ações, mas destacaram que apenas “subversivos perigosos” deveriam ser executados. Figueiredo concordou que, quando o CIE apreendesse alguém, ele seria consultado e aprovaria ou não a execução.

Veja os nomes dos desaparecidos ou mortos pelo regime a partir de 1º de abril de 1974:

1. Adauto Freire da Cruz

2. Afonso Henrique Martins Saldanha

3. Alberto Aleixo

4. Ana Rosa Kucinski ou Ana Rosa Silva

5. Ângelo Arroyo

6. Antônio de Araújo Veloso

7. Armando Teixeira Fructuoso

8. Ary Cabrera Prates

9. Aurea Eliza Pereira

10. Batista

11. Benedito Gonçalves

12. Daniel José de Carvalho

13. Daniel Ribeiro Callado

14. David Eduardo Chab Tarab Baabour

15. Eduardo Gonzalo Escabosa

16. Elson Costa

17. Enrique Ernesto Ruggia

18. Feliciano Eugênio Neto

19. Flávio Ferreira da Silva

20. Francisco Tenório Cerqueira Junior

21. Guido Leão

22. Gustavo Buarque Schiller

23. Hiran de Lima Pereira

24. Horacio Domingo Campiglia

25. Ieda Santos Delgado

26. Issami Nakamura Okano

27. Itair José Veloso

28. Jane Vanini

29. Jayme Amorim de Miranda

30. João Batista Franco Drumond

31. João Bosco Penido Burnier

32. João Leonardo da Silva Rocha

33. Joao Massena Melo

34. Joel José De Carvalho

35. Jorge Alberto Basso

36. Jorge Oscar Adur

37. José Ferreira de Almeida

38. José Lavecchia

39. José Maurílio Patrício

40. José Maximino de Andrade Netto

41. José Montenegro de Lima

42. José Pinheiro Jobim

43. José Soares Dos Santos

44. Juvelino Andrés Carneiro da Fontoura Gularte

45. Liliana Inés Goldenberg

46. Lorenzo Ismael Viñas

47. Lourenço Camelo de Mesquita

48. Luiz Ignácio Maranhão Filho

49. Luiz Renato do Lago Faria

50. Lyda Monteiro Da Silva

51. Manoel Custódio Martins

52. Manoel Fiel Filho

53. Marcos Basílio Arocena da Silva Guimarães

54. Margarida Maria Alves

55. Maria Auxiliadora Lara Barcellos

56. Maria Regina Marcondes Pinto

57. Massafumi Yoshinaga

58. Mónica Susana Pinus de Binstock

59. Nativo Da Natividade de Oliveira

60. Neide Alves dos Santos

61. Nestor Vera

62. Norberto Armando Habegger

63. Odair José Brunocilla

64. Onofre Pinto

65. Orlando Da Silva Rosa Bonfim Júnior

66. Orocílio Martins Gonçalves

67. Pedro Jerônimo de Sousa

68. Pedro Ventura Felipe de Araujo Pomar

69. Raimundo Ferreira Lima

70. Roberto Adolfo Val Cazoria

71. Roberto Rascado Rodriguez

72. Ruy Frasão Soares

73. Santo Dias da Silva

74. Sérgio Fernando Tula Silberberg

75. Sidney Fix Marques dos Santos

76. Solange Lourenço Gomes

77. Therezinha Viana de Assis

78. Thomaz Antônio da Silva Meirelles Netto

79. Tito De Alencar Lima

80. Uirassu de Assis Batista

81. Vitor Carlos Ramos

82. Vladimir Herzog

83. Walkíria Afonso Costa

84. Walter de Souza Ribeiro

85. Walter Kenneth Nelson Fleury

86. Wilson Silva

87. Wilson Souza Pinheiro

88. Zelmo Bosa

89. Zuleika Angel Jones

Veja os nomes de pessoas que podem ter morrido ou desaparecido a partir de 1º de abril de 1974:

  1. Antonio Ferreira Pinto
  2. Dinaelza Santana Coqueiro
  3. Dinalva Oliveira Teixeira
  4. Elmo Correa
  5. Jose Huberto Bronca
  6. Lucio Petit Da Silva
  7. Luisa Augusta Garlippe
  8. Oswaldo Orlando Da Costa
  9. Pedro Alexandrino Oliveira Filho
  10. Suely Yumiko Kanayama
  11. Telma Regina Cordeiro Correa

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Comentários

luis augusto gomes on 12 Maio, 2018 at 23:42 #

Acrescento o nome de Sérgio Landulfo Furtado, meu vizinho da Rua Lucaia, 29, Rio Vermelho, jogado de avião na Baía de Guanabara,em 1969.


Daniel on 13 Maio, 2018 at 3:20 #

luis augusto gomes, creio que a relação seja de eventuais desaparecidos após 1974.

O que, aliás, é bastante estranho, já que as reportagens insinuam que as “execuções” tenham começado nesta data…

É mais uma das incoerências desse relatório curiosamente publicado 44 anos após o fato.


Taciano Lemos de Carvalho on 14 Maio, 2018 at 8:31 #

Quantos mais foram mortos pelos generais ditadores?

Honestino Guimarães, estudante de geologia, líder estudantil em Brasília, assassinado pela ‘ditabranda’ é um dos muitos e muitos brasileiros assassinados pelos generais, pelos ulstras, e que não aparecem nessa lista.


Daniel on 14 Maio, 2018 at 15:26 #

O termo “ditabranda” deve- se a ser um regime que matou/perseguiu/oprimiu consideravelmente menos do que outras experiências ditatoriais genocidas e totalitárias!


Lucas Ribeiro on 14 Maio, 2018 at 20:42 #

Daniel on 15 Maio, 2018 at 3:38 #

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