Resultado de imagem para Jaques Wagner no aniversário de Angelo Coronel Quinta Portuguesa
Wagner, Rui e Coronel: na festa de aniversário do presidente
da ALBA, na Quinta Portuguesa.

ARTIGO DA SEMANA

Wagner, o Galego na festa de Coronel: a Bahia de sempre

Vitor Hugo Soares

Sábado, 5 de maio, o esperto ex-governador e ex-ministro petista, Jaques Wagner, foi a figura de proa da festança política e eleitoral na comemoração dos 60 anos do deputado Ângelo Coronel, atual presidente da Assembleia Legislativa baiana. Badalação de arromba, realizada na Quinta Portuguesa, atual “point” de recepções de gente endinheirada da política, do governo e dos negócios no Litoral Norte de Salvador. Lembrou, mal (ou bem?) comparando, os mais animados tempos do falecido Baile da Oxum, furdunço de repercussão nacional nos anos 70 – cheio de celebridades – que marcava a abertura do carnaval, em geral precedido de alguma grande polêmica.

Na concorrida celebração (a deduzir dos registros de seletos convidados e alguns penetras de praxe), uma inevitável constatação. Em tudo, ou quase, ficou patente, mais uma vez, a força e atualidade dos versos de “Você já foi à Bahia?”. Uma das mais famosas e referenciais composições de Dorival Caymmi, que assinala em uma de suas passagens mais marcantes: “A Bahia tem um jeito, que nenhuma terra tem” … 

Na mosca, maestro!

Na “festa de Coronel”, a terrinha – salvo nuances e malfeitos maiores e mais graves, dos personagens atuais, (principalmente envolvidos nos mais gritantes processos de corrupção, propina, lavagem de dinheiro, da Lava Jato), – mostrou-se do jeito de sempre. Como nunca!.

O “Galego de Lula”, – como é chamado o “cabeça branca” da vez, na política e no mando estadual nas rodas petistas e de influentes aliados, (boa parte debandados das antigas hostes do falecido manda chuva ACM ,“o original”, como assinala o âncora de rádio e ex-prefeito Mario Kertész, para diferenciar do Neto, prefeito da capital), – deitou e rolou. Wagner foi, de longe, a estrela central de praticamente todas as conversas e rapapés. Mesmo quando o serviço de som no local, comunicava, com insistência, a presença do governador Rui Costa, enfezado grandalhão, candidato à reeleição. Precisa dizer mais? 

Recém desembarcado em Salvador, depois de pioneira visita de não familiar ou advogado (ao lado da esquentada senadora presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann), à cela de Lula na sede da PF, em Curitiba, o ex-governador reluziu, ao lado de Coronel (estrela em ascensão no firmamento da política na província). Não sobraram olhos para praticamente mais ninguém, na terra acostumada a identificar antes da biruta – desde a chegada de Cabral, o descobridor – para que lado sopram  os ventos do poder e da grana.

Raio Laser, bem informada e atenta coluna política da Tribuna da Bahia, revela: em conversa de pé de ouvido, com um amigo especial, Wagner confessou-se “praticamente” arrependido de ter sugerido a possibilidade do PT indicar o vice da chapa do ex-colega do Ceará, Ciro Gomes (PDT) diante da possibilidade cada dia mais flagrante de Lula continuar na cadeia, sem poder disputar a eleição deste ano, sepultando o sonho cada dia mais improvável de voltar ao Palácio do Planalto. O apoio proposto pelo galego foi descartado de imediato por Gleisi , com fúria e ironia: “o nome de Ciro não passa no PT nem com “reza brava”, garantiu a atual mandatária nacional do partido. Mais não digo, nem precisa, sobre a tempestade que se arma no horizonte nacional e parece já caminho da Bahia. A conferir.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br 

“A Bahia tem um jeito”… Grande, seu Dorival!!!

BOM SÁBADO PARA OUVINTES E LEITORES!!!

(Vitor Hugo Soares)

Por Vitor Sorano, Amanda Polato, Vanessa Fajardo, Carol Prado e Luiza Tenente, G1, São Paulo

Oitenta e nove pessoas morreram ou desapareceram no Brasil por motivos políticos, a partir de 1º de abril de 1974 e até o fim da ditadura, segundo levantamento do G1 com base nos registros da Comissão Nacional da Verdade (CNV). Foi a partir desta data que o general Ernesto Geisel, então presidente do Brasil, autorizou execução de opositores, segundo documento da CIA tornado público recentemente pelo governo americano.

De acordo com o levantamento do G1, além dos 89 casos confirmados, há outras 11 pessoas que podem ter morrido ou desaparecido a partir de 1º de abril de 1974 – a data não foi esclarecida pela CNV. Além disso, pode haver mortes e desaparecimentos durante esse período da ditadura que não foram registrados.

Entre as vítimas desse período estão o jornalista Vladimir Herzog, assassinado em 25 de outubro de 1975 após se apresentar voluntariamente ao Centro de Operações de Defesa Interna, um órgão militar da ditadura; o metalúrgico Manoel Fiel Filho, que foi torturado até a morte, em 17 de janeiro de 1976, nas dependências do Destacamento de Operações de Informações (DOI) do II Exército, em São Paulo.

As informações sobre as vítimas do regime militar estão nos relatórios da CNV, que foi criada para apurar violações de diretos humanos entre 1946 e 1988.

Embora tenha feito uma extensa pesquisa histórica, não foi essa comissão que revelou o reconhecimento explícito de que decisões sobre morte de opositores foram tomadas pelo Planalto. A confirmação está um memorando da CIA (a agência de inteligência americana), descoberto pelo pesquisador Matias Spektor, da Fundação Getulio Vargas (FGV). Com data de 11 de abril de 1974, ele foi tornado público recentemente (não há data precisa) pelo governo americano.

O documento foi elaborado pelo então diretor da CIA, William Egan Colby, e endereçado ao secretário de Estado dos EUA Henry Kissinger. Colby relata um encontro que teria acontecido em 30 de março de 1974.

Dele, participaram Geisel e João Batista Figueiredo, que era chefe do Serviço Nacional de Informações (SNI) e que viria a ser presidente entre 1979 e 1985, além dos generais Milton Tavares de Souza, que comandava o Centro de Inteligência do Exército (CIE), e Confúcio Danton de Paula Avelino, que viria a subistitui-lo no CIE.

O general Milton, segundo o documento, disse que o Brasil não poderia ignorar a “ameaça terrorista e subversiva”, e que os métodos “extra-legais deveriam continuar a ser empregados contra subversivos perigosos”.

No ano anterior, 1973, 104 pessoas “nesta categoria” foram sumariamente executadas pelo CIE. Segundo o diretor da CIA, Figueiredo apoiou a política e pediu a sua continuidade.

Geisel pediu para pensar durante o fim de semana. No dia 1º de abril, Geisel e Figueiredo decidiram seguir com ações, mas destacaram que apenas “subversivos perigosos” deveriam ser executados. Figueiredo concordou que, quando o CIE apreendesse alguém, ele seria consultado e aprovaria ou não a execução.

Veja os nomes dos desaparecidos ou mortos pelo regime a partir de 1º de abril de 1974:

1. Adauto Freire da Cruz

2. Afonso Henrique Martins Saldanha

3. Alberto Aleixo

4. Ana Rosa Kucinski ou Ana Rosa Silva

5. Ângelo Arroyo

6. Antônio de Araújo Veloso

7. Armando Teixeira Fructuoso

8. Ary Cabrera Prates

9. Aurea Eliza Pereira

10. Batista

11. Benedito Gonçalves

12. Daniel José de Carvalho

13. Daniel Ribeiro Callado

14. David Eduardo Chab Tarab Baabour

15. Eduardo Gonzalo Escabosa

16. Elson Costa

17. Enrique Ernesto Ruggia

18. Feliciano Eugênio Neto

19. Flávio Ferreira da Silva

20. Francisco Tenório Cerqueira Junior

21. Guido Leão

22. Gustavo Buarque Schiller

23. Hiran de Lima Pereira

24. Horacio Domingo Campiglia

25. Ieda Santos Delgado

26. Issami Nakamura Okano

27. Itair José Veloso

28. Jane Vanini

29. Jayme Amorim de Miranda

30. João Batista Franco Drumond

31. João Bosco Penido Burnier

32. João Leonardo da Silva Rocha

33. Joao Massena Melo

34. Joel José De Carvalho

35. Jorge Alberto Basso

36. Jorge Oscar Adur

37. José Ferreira de Almeida

38. José Lavecchia

39. José Maurílio Patrício

40. José Maximino de Andrade Netto

41. José Montenegro de Lima

42. José Pinheiro Jobim

43. José Soares Dos Santos

44. Juvelino Andrés Carneiro da Fontoura Gularte

45. Liliana Inés Goldenberg

46. Lorenzo Ismael Viñas

47. Lourenço Camelo de Mesquita

48. Luiz Ignácio Maranhão Filho

49. Luiz Renato do Lago Faria

50. Lyda Monteiro Da Silva

51. Manoel Custódio Martins

52. Manoel Fiel Filho

53. Marcos Basílio Arocena da Silva Guimarães

54. Margarida Maria Alves

55. Maria Auxiliadora Lara Barcellos

56. Maria Regina Marcondes Pinto

57. Massafumi Yoshinaga

58. Mónica Susana Pinus de Binstock

59. Nativo Da Natividade de Oliveira

60. Neide Alves dos Santos

61. Nestor Vera

62. Norberto Armando Habegger

63. Odair José Brunocilla

64. Onofre Pinto

65. Orlando Da Silva Rosa Bonfim Júnior

66. Orocílio Martins Gonçalves

67. Pedro Jerônimo de Sousa

68. Pedro Ventura Felipe de Araujo Pomar

69. Raimundo Ferreira Lima

70. Roberto Adolfo Val Cazoria

71. Roberto Rascado Rodriguez

72. Ruy Frasão Soares

73. Santo Dias da Silva

74. Sérgio Fernando Tula Silberberg

75. Sidney Fix Marques dos Santos

76. Solange Lourenço Gomes

77. Therezinha Viana de Assis

78. Thomaz Antônio da Silva Meirelles Netto

79. Tito De Alencar Lima

80. Uirassu de Assis Batista

81. Vitor Carlos Ramos

82. Vladimir Herzog

83. Walkíria Afonso Costa

84. Walter de Souza Ribeiro

85. Walter Kenneth Nelson Fleury

86. Wilson Silva

87. Wilson Souza Pinheiro

88. Zelmo Bosa

89. Zuleika Angel Jones

Veja os nomes de pessoas que podem ter morrido ou desaparecido a partir de 1º de abril de 1974:

  1. Antonio Ferreira Pinto
  2. Dinaelza Santana Coqueiro
  3. Dinalva Oliveira Teixeira
  4. Elmo Correa
  5. Jose Huberto Bronca
  6. Lucio Petit Da Silva
  7. Luisa Augusta Garlippe
  8. Oswaldo Orlando Da Costa
  9. Pedro Alexandrino Oliveira Filho
  10. Suely Yumiko Kanayama
  11. Telma Regina Cordeiro Correa

Do Jornal do Brasil

 

“O vazamento foi nefasto. Por que, de certa forma, nós trabalhávamos com esses dados para, com inteligência, produzir provas para indiciar os autores desse crime. Quando surge um vazamento como este, nós temos que reorientar a nossa estratégia”, disse Richard Nunes.

General criticou vazamento de informações sobre caso Marielle Franco

O general ainda destacou que o vazamento “coloca vidas de pessoas em risco”. “O que é mais prudente é manter o sigilo e continuar trabalhando para produzir provas”, disse o secretário de Segurança do Estado. 

Richard Nunes foi enfático ao garantir que o homem que delatou o vereador Marcello Siciliano e o miliciano Orlando Oliveira de Araújo, o Orlando de Curicica, está sob proteção policial. Nunes frisou que a participação de membros de grupos paramilitares no assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes “sempre foi uma das hipóteses” trabalhadas pelos investigadores.

maio
12
Posted on 12-05-2018
Filed Under (Artigos) by vitor on 12-05-2018

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) GIlmar Mendes determinou nesta sexta-feira (11) que Paulo Vieira de Souza, ex-diretor da Dersa, deve ser libertado.

Conhecido como Paulo Preto, o ex-diretor atuou em gestões do PSDB no governo paulista. Ele foi preso preventivamente pela Polícia Federal (PF) no início do mês passado, sob a suspeita de participação em um esquema de desvio de recursos em diversas obras na região metropolitana de São Paulo, entre os anos 2009 e 2011, entre elas a construção do Rodoanel.

“Defiro a medida liminar para suspender a eficácia do decreto de prisão preventiva de Paulo Vieira de Souza, o qual deverá ser posto em liberdade, se por outro motivo não estiver preso”, diz o ministro em sua decisão. 

Ministro Gilmar Mendes determinou soltura de Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto

Em nota divulgada quando foi apresentada a denúncia, a defesa alegou que a ação era “contrária à própria conclusão da auditoria e das investigações internas, que inocentaram Paulo Vieira de Souza de qualquer ato ilícito ou favorecimento a quem quer que seja. Igualmente, a denúncia não se ampara nos elementos informativos colhidos no inquérito policial, que mostraram que ele não cometeu qualquer crime”.

maio
12
Posted on 12-05-2018
Filed Under (Artigos) by vitor on 12-05-2018


Charge atualizada direto no site pelo próprio autor, hoje às 00:40 h

 

J. Bosco

 

maio
12
Posted on 12-05-2018
Filed Under (Artigos) by vitor on 12-05-2018
DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

Juíza manda prender agressores do Instituto Lula

 

Débora Faitarone, juíza da 1ª Vara do Júri de São Paulo, decretou a prisão preventiva do ex-vereador de Diadema Maninho do PT e de seu filho, Leandro Marinho, informa Fausto Macedo.

Os dois são acusados de tentativa de homicídio duplamente qualificado – “por motivo torpe e por dificultar a defesa da vítima” – contra Carlos Alberto Bettoni em frente à sede do Instituto Lula em 5 de abril, dia em que Lula teve a prisão decretada.

Maninho e o filho empurraram o empresário contra um caminhão que passava na rua. Bettoni teve traumatismo craniano e passou 22 dias internado.

Segundo a juíza, o petista e seu filho “Não podem permanecer em liberdade após a prática de um crime doloso contra a vida, praticado de maneira tão covarde”.

maio
12
Manifestação no Rio de Janeiro em junho de 1968.
Manifestação no Rio de Janeiro em junho de 1968. Arquivo Nacional/Correio da Manhã

As feridas abertas durante a ditadura militar brasileira (1964-1985) insistem em não cicatrizar. Revelado na quinta-feira, o documento da CIA que expõe a cúpula do Governo militar discutindo execuções em 1974 “implode o núcleo da versão oficial”, segundo Vivien Ishaq, gerente-executiva do relatório da Comissão da Verdade. Responsável por coordenar os esforços das mais de 300 pessoas que participaram ao longo de 30 meses da pesquisa que revirou o passado recente do país, a historiadora chama atenção para o nível em que a mensagem da CIA foi trocada. “Do ponto de vista do poder dos personagens, é top secret. De diretor da CIA para primeiríssimo escalão. É extremamente importante”, diz Ishaq. O conteúdo da mensagem é posto em dúvida pelos militares, contudo.

De acordo com a pesquisadora, que também coordenou o recolhimento dos arquivos da ditadura no Arquivo Nacional em Brasília, a maior parte do material dessa época disponível no Brasil diz respeito a pessoas investigadas pelo serviço secreto. “Aqui [no memorando da CIA] se vê de outro ponto. De primeiro escalão para primeiro escalão. É documento de Governo, não de serviço secreto”, analisa Ishaq, para quem mensagem da agência norte-americana reforça as conclusões da Comissão da Verdade. O relatório final, apresentado em dezembro de 2014, demonstrava a existência de uma política de repressão. “Ao implodir esse núcleo central, também se joga por terra teses muito caras para as Forças Armadas e para os defensores da ditadura”, diz a pesquisadora, que cita duas delas: “De que a maioria das mortes teria ocorrido em confronto ou de que seriam resultado de excessos de determinados agentes do Estado”, o que eximiria de responsabilidade o comando hierárquico.

Como esse documento estava à disposição para consulta desde 2015, é de se imaginar que ainda há mais para ser descoberto sobre o período. Pelo menos a partir dos arquivos norte-americanos, porque o Exército divulgou uma nota desencorajadora na quinta-feira. Reproduzida pela Agência Brasil, a mensagem do Centro de Comunicação Social do Exército “informa que os documentos sigilosos, relativos ao período em questão e que eventualmente pudessem comprovar a veracidade dos fatos narrados foram destruídos, de acordo com as normas existentes à época – Regulamento da Salvaguarda de Assuntos Sigilosos (RSAS) – em suas diferentes edições”.

O Ministério da Defesa reforçou a mensagem do Exército em nota praticamente idêntica. Mais tarde, questionado por jornalistas sobre o assunto, o ministro Raul Jungmann, da Segurança Pública, disse que o valor das Forças Armadas “permanece nos mesmos níveis [em] que se encontra até aqui”. “São documentos da CIA, e o Governo brasileiro não tem conhecimento oficial de nada do que diz respeito a isso. Para se ter um pronunciamento oficial a respeito desse assunto, nós não podemos ficar apenas [nisso]”, comentou.

O Arquivo Nacional guarda pelo menos dois lotes de documentos enviados pelos Estados Unidos após a conclusão do relatório da Comissão da Verdade. São 651 os documentos disponíveis para os pesquisadores brasileiros. “A produção documental sobre o assunto é gigantesca. Há 20 milhões de páginas no Arquivo Nacional”, diz Vivien Ishaq. Segundo ela, o relatório da Comissão da Verdade produziu apenas uma “fotografia do período em que funcionou” e ainda “tem muita investigação a ser feita e muito documento a ser analisado”. E é possível até que existam documentos brasileiros, porque o termo de destruição dos registros também foi destruído. Ou seja, não existe prova de que os documentos foram de fato destruídos.

Militares

Além do Exército, do Ministério da Defesa e do ministro da Segurança Pública, também falou pelos militares o deputado federal Jair Bolsonaro (PSL-RJ). Em entrevista à rádio mineira Rádio Super, o pré-candidato à presidência questionou onde estão os 104 mortos que teriam sido executados pelo regime em 1973, de acordo com o documento da agência de inteligência norte-americana. “Quantas vezes você falou ali num canto que tem que matar mesmo, tem que bater, tem que dar canelada…Talvez esse cara tenha ouvido uma conversa como essa e fez o relatório e mandou”, questionou o deputado, referindo-se ao então diretor da CIA, William Egan Colby.

Único dos pré-candidatos à presidência a defender o regime militar, Bolsonaro interpretou a comoção em torno da questão como uma reação a seu prestígio eleitoral. “Voltaram à carga, né? Um capitão está para chegar lá, é o momento. Olha, foi um memorando de um agente, que a imprensa não divulgou. É um historiador que diz que viu, mas não mostrou. Tem que matar a cobra e mostrar o pau. Eu respondo de forma simples: quem nunca deu um tapa no bumbum de um filho e depois se arrependeu?”, disse o deputado durante a entrevista.

O presidente do Clube Militar, Gilberto Pimentel, engrossou o coro. Em entrevista ao Estado de S.Paulo, ele classificou a comunicação norte-americana de “inteiramente fantasiosa” e disse que o documento “não vale um tostão furado”. Na entrevista, Pimentel destaca o momento em que a mensagem surgiu. “Temos agora na liderança das pesquisas para as eleições presidenciais um candidato que surgiu do nosso meio e um grupo expressivo de militares que, democraticamente, nesses dias consolidou a intenção de candidatar-se aos mais variados cargos de governo, desde os municipais, passando pelos estaduais até os federais”. Levantamento do Estado de S.Paulo aponta a que pelo menos 71 militares pretendem se candidatar na eleição deste ano.

O presidente eleito do Clube Militar, Antonio Hamilton Mourão, que assume o posto em junho, também comentou o assunto em entrevista. Ao jornal gaúcho Zero Hora: “A quem interessa manchar a reputação das Forças Armadas, que segundo pesquisas são as instituições em que a população mais confia, hoje, no Brasil? Gostaria de saber por que esse documento surgiu justo agora, num momento turbulento da nação.”

Anistia

Órgãos do Ministério Público Federal divulgaram nota nesta sexta-feira para questionar a Lei de Anistia. A Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão e a Câmara Criminal do MPF dizem que o “Brasil é o único país do continente que, após ditadura ou conflito interno, protege os autores de graves violações aos direitos humanos com uma Lei de Anistia”. “O documento do governo americano, ao revelar nova evidência de que a repressão política pela ditadura militar incluiu uma política de extermínio de opositores do regime, convida para uma resposta breve do Estado brasileiro em favor da promoção da justiça”, defendem os órgãos, que dirigem sua pressão diretamente ao Supremo Tribunal Federal. “A Suprema Corte brasileira, ao conformar a aplicação da Lei de Anistia e da prescrição penal às normas vinculantes do direito internacional e às decisões da Corte Interamericana de Direitos Humanos, ajustará o Brasil ao parâmetro adotado por todos os Estados da América Latina que passaram por ditaduras ou conflitos internos durante os anos setenta e oitenta”.

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