Do Jornal do

O vereador Marcello Siciliano (PHS) afirmou, durante entrevista coletiva concedida na manhã desta quarta-feira (9) , que a declaração de uma testemunha sobre seu suposto envolvimento na morte da vereadora Marielle Franco (PSOL) é um ‘factoide’.

“Gostaria de esclarecer, antes de mais nada, a minha surpresa com relação ao que aconteceu ontem. A minha relação com a Marielle era muito boa, não estou entendendo porque esse factoide foi criado contra a minha pessoa. Estou sendo massacrado nas redes sociais por algo que foi dito por uma pessoa que a gente não sabe nem a credibilidade que a pessoa tem. Nunca tivemos conflito político em região alguma. Ela esteve no meu aniversário. Em Curicica eu não tive muitos votos”, afirmou Siciliano.

‘A minha relação com a Marielle era muito boa’, disse Marcello Siciliano

Uma testemunha do caso Marielle Franco disse, em depoimento, que Marcello Siciliano (PHS) e o ex-PM Orlando Oliveira de Araújo – acusado de chefiar milícia – queriam que a vereadora fosse morta. À Divisão de Homicídios, o homem, ligado a um grupo paramilitar do Rio, revelou datas, horários e locais de reuniões entre Sicilliano e Araújo. Ainda de acordo com a testemunha, as conversas teriam iniciado em junho. As informações são do jornal O Globo, que acrescentou ainda que a testemunha estaria jurada de morte e, por isso, decidiu contar o que sabia. A motivação do crime, de acordo com o depoimento, foi o avanço de ações comunitárias de Marielle em áreas de interesse da milícia na Zona Oeste.

Siciliano já havia prestado depoimento à Divisão de Homicídios sobre o assassinato de Marielle em abril. Ela foi chamado na condição de testemunha. Dois dias depois de prestar depoimento, um colaborador do vereador, Carlos Alexandre Pereira, foi executado na Taquara, na Zona Oestee. Siciliano comentou esta morte, durante sua coletiva, afirmando que não acredita na sua relação com a morte de Marielle.

Depoimento de testemunha

A testemunha teria presenciado ao menos quatro conversas entre o vereador e o miliciano. O homem também revelou nomes de quatro pessoas que teriam sido selecionadas para executar Marielle Franco. Ele garantiu que, em junho passado, Marcello Siciliano e Orlando de Curicica se encontraram em um restaurante no bairro do Recreio, Zona Oeste do Rio, e conversaram sobre Marielle.

“O vereador falou alto: ‘Tem que ver a situação da Marielle. A mulher está me atrapalhando’. Depois, bateu forte com a mão na mesa e gritou: ‘Marielle, piranha do Freixo'”, disse, fazendo referência ao deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL), de quem a vereadora era amiga. Marielle Franco foi assessora do parlamentar à época da CPI das Milícias.

Segundo o depoente, Orlando de Curicica era “uma espécie de capataz” de Marcello Siciliano. “Pelo que sei, era apoio político, mas ouvi comentários de que a milícia agia em grilagem de terras na Zona Oeste, especialmente no Recreio dos Bandeirantes”, disse. Ainda de acordo com a testemunha, há apoio de financeiro por parte de Siciliano a inúmeras ações do grupo paramilitar.

O homem foi à polícia em três oportunidades. Ele está sob proteção. De acordo com o depoente, ele foi obrigado a trabalhar como segurança de Orlando de Curicica. O delator, diz O Globo, instalava equipamentos de TV a cabo em área controlada pelo grupo paramilitar.

À época do assassinato de Marielle Franco, Marcello Siciliano disse, em nota, ter recebido “com grande pesar a notícia de falecimento”. O político também destacou que a vereadora “estava sempre disponível para ajudar no que fosse necessário” e que sua família poderia contar com ele “para ajudar no que for preciso”.

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