OPINIÃO
Rumos, não só lamentos
Eleições 2018
Nelson Jr./ ASICS/ TSE

Passei uma semana em Nova York para participar de um evento sobre novas tecnologias para a medição da ingerência de drogas por condutores de caminhão pelas marcas deixadas nos cabelos. Tendo exercido por muitos anos a presidência da Comissão Global sobre Política de Drogas, da qual continuo a ser membro, achei útil difundir os aperfeiçoamentos na medição do seu uso continuado para coibir que os adictos a tal prática ocupem funções nas quais esse hábito possa ser daninho ao bem-público e à vida de terceiros. Defender uma política não repressiva aos usuários de drogas não significa ser partidário de seu uso. Nem se devem tratar os usuários como criminosos (tratamento a ser dado aos narcotraficantes), nem deixar de restringir as possibilidades do uso das drogas, a começar pelo tabaco, hoje praticamente expulso dos locais de trabalho, estudo e mesmo lazer.

Pois bem, à margem da conferência, que se realizou em dependência da ONU, ao ler os jornais e ver a TV, voltei nesta terça-feira ao Brasil com a intenção de fazer um paralelo entre a “política” nos Estados Unidos e a nossa. Por lá a mídia não perdoa. Por menos que eu tenha simpatia pelos métodos e propósitos de Trump, há que reconhecer que qualquer passo dele é vigiado e se tenta obstruir seu caminho usando notícias em geral verdadeiras, mas também duvidosas. Isso é da alma da democracia contemporânea, hoje mais atribulada pela força das mídias sociais. Tanto lá como aqui. Com uma diferença: as instituições americanas são mais fortes do que as nossas e os rumos do país são debatidos com argumentos pelas organizações partidárias.

Aqui chegando, um susto; pegou fogo e ruiu um edifício em pleno centro de São Paulo no qual habitavam dezenas ou mesmo centenas de famílias e… que pertencia à União, a qual negociava com a Prefeitura sua posse e uso. Pelo nome do prédio, a família que o construiu deve ter sido a mesma que possuía uma fábrica de alumínio e vidros para as batentes e para as portas e janelas, materiais que na época (1950/1960) eram o símbolo da “modernidade”. Sabe-se lá por que tropeços, o edifício foi parar nas mãos da União (provavelmente dívidas não pagas) e esta, depois de usá-lo, ficou sem saber o que fazer com ele, assim como acontece com milhares de outras edificações. Mais grave ainda: tal edifício era tombado pelo patrimônio histórico. Quer dizer: nele nada se pode fazer sem autorização pública. Ora, diante da carência de habitação para os mais pobres e dos movimentos sociais e políticos (falsos e verdadeiros) seria previsível o que aconteceu e acontece em centenas de outros edifícios do centro de São Paulo: a ocupação por famílias sem teto.

Daí por diante a ação do poder público se torna ainda mais lenta, com boa escusa: trata- se de uma questão social que requer o olho da Justiça antes da ação da polícia. Tempo suficiente para que exploradores se misturem aos que autenticamente têm compromisso com a causa do acesso à moradia e comecem a explorar os mais miseráveis, cobrando taxas e todo tipo de subordinação. Ou seja, a questão social (falta de renda, trabalho e moradia) explode confundindo-se com a exploração feita por malandros ou pelos próprios organizadores de invasão, ainda que justifiquem suas ações com propósitos defensáveis.

Ruiu um prédio, morreram pessoas (por sorte poucas, mas no caso de vidas não são os números que contam), dezenas de famílias estão desabrigadas, a mídia faz barulho, as administrações fazem jogo de empurra e, pior, o que ocorreu não é diferente do que provavelmente acontecerá em muitos outros prédios ocupados.

Ocupações também houve em Nova York, no Bronx ou mesmo no Harlem. E não faltaram squatters em Londres. Em Paris, até hoje, os habitantes podem solicitar às prefeituras apartamentos com aluguel moderado chamados HLM (habitations à loyer modéré), solução que não deu certo porque, como a maioria dos projetos do Minha Casa, Minha Vida, em geral resulta em habitações localizadas em áreas pouco urbanizadas e distantes dos locais de trabalho dos moradores. Muitos se transformaram em aglomerações urbanas com altos índices de delinquência. Mas nas cidades citadas, houve maior continuidade nas ações dos governos, mesmo com coloração política distinta, em busca do bem-estar comum.

É isso o que nos falta. Marchamos quase às cegas para novas eleições daqui a cinco meses. Candidatos à presidência proliferam. Por quê? Hah, porque sim; porque “tenho todas as condições pessoais para isso”, diz a maioria. E é assim que se consegue governar? Talvez algum caudilho antiquado ou “carismático” engane as massas por algum tempo. Mas governar é coisa mais séria. Se a União nem consegue dar destino a um prédio que é seu e a Prefeitura nem sabe bem como fazer para ocupá-lo (ou desocupá-lo para evitar tragédias…), vê-se que o país precisa reformar a máquina pública. O que dizem a respeito os candidatos? Com que forças sociais e políticas contarão se eleitos? Em uma palavra: com o que estão eles ou elas política e socialmente comprometidos? O que farão com o Brasil, que afinal é o que conta? Com o país e com sua gente?

Há uns poucos que têm história e carregam o peso de terem partidos. Sabe-se mais ou menos o que pensam e como agem. E digo isso sem me referir apenas a um candidato, e sim aos que têm trajetória e experiência. O país precisa de renovação, mas esta não é apenas juventude e falta de prática político-administrativa. Para dar bom resultado ela precisa de conhecimento, visão, persistência, honestidade e esperança.

Quem sabe no entremear de alianças partidárias para aumentar o tempo de televisão, do esforço desesperado para escapar das acusações em curso, das manobras congressuais para abocanhar pedaços do fundo eleitoral, ainda se consiga ouvir a voz dos candidatos, tonitruantes, mas não apenas com slogans e sim com propostas embasadas no que sabem e no que serão capazes de alcançar porque terão apoio na sociedade. É minha torcida.

Salve Recife! Salve Maria Bethania! Bahia e Pernambuco cantando juntos! Bonito demais. Confira!

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

 
Marcello Siciliano, nesta quarta-feira durante entrevista coletiva.
Marcello Siciliano, nesta quarta-feira durante entrevista coletiva. Carlos de Souza AFP
Felipe Betim
Felipe Betim Jornalista | Periodista – El País
São Paulo 

 

Uma das pistas mais importantes sobre a execução da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes foi relevada nesta terça-feira por uma reportagem do jornal O Globo, 55 dias depois do duplo assassinato, ocorrido no dia 14 de março: o vereador carioca Marcello Moraes Siciliano, do Partido Humanista da Solidariedade (PHS), teria tramado o assassinato junto com o ex-policial militar e miliciano Orlando de Oliveira de Araújo, segundo o relato de uma testemunha ouvida pelas polícias Federal e Civil. Siciliano, de 46 anos, chegou a prestar depoimento como testemunha, há pouco mais de um mês, junto com outros vereadores. Dois dias depois, no domingo de 8 de abril, um de seus assessores parlamentares foi brutalmente executado dentro de seu carro, algo que foi interpretado como uma tentativa de queima de arquivo. Já Orlando está preso desde outubro do ano passado e cumpre pena por envolvimento com a milícia no bairro de Curicica, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. A testemunha, que não foi identificada e contará com proteção policial, também informou os nomes de quatro homens escolhidos pela dupla para cometer o crime que teria começado a ser arquitetado em junho do ano passado.

Em três depoimentos, a testemunha, que assegura ter sido coagida a trabalhar para o ex-policial, conta ter presenciado ao menos quatro reuniões entre ele e Siciliano. Sobre um delas, ocorrida em um restaurante no Recreio, contou: “Eu estava numa mesa, a uma distância de pouco mais de um metro dos dois. Eles estavam sentados numa mesa ao lado. O vereador falou alto: ‘Tem que ver a situação da Marielle. A mulher está me atrapalhando’. Depois, bateu forte com a mão na mesa e gritou: ‘Marielle, piranha do [deputado estadual Marcelo] Freixo’. Depois, olhando para o ex-PM, disse: ‘Precisamos resolver isso logo'”.

Nesta quarta-feira, Siciliano convocou uma entrevista coletiva para refutar as acusações, frisando que sua relação com Marielle era de amizade e que estava “chateado” com a acusação. “Agora mais do que nunca faço questão de que esse crime seja esclarecido mais rápido que nunca. Estou sendo massacrado nas redes sociais por algo que foi supostamente dito por uma pessoa que a gente nem sabe a credibilidade que tem”, disse. “A região da Cidade de Deus nunca foi meu reduto. Em Curicica, também não tive votos. Coisas totalmente sem pé nem cabeça”, acrescentou. Disse não conhecer o ex-policial Orlando e que nunca esteve em uma reunião formal com ele, mas não descartou já ter interagido com o miliciano em alguma de suas passagens por favelas da Zona Oeste. Durante a entrevista, ainda comentou o seguinte: “Eu acho que a gente transforma a cidade dando direito de oportunidades. O resto, milícia, tráfico, são problemas de polícia. E não de política. O meu reduto é Vargens e cheguei adotando creches. A educação transforma. O direito de cidadania é pelo que eu luto. Eu sou totalmente contra qualquer tipo de poder paralelo. A polícia esta aí para me proteger. Que vão lá e façam o trabalho deles. Eu nunca fui interpelado”.

Carreira política forjada em bairros dominados por milicianos

Siciliano está em seu primeiro mandato como vereador do Rio de Janeiro, eleito pelo PHS com 13.500 votos. A maioria deles, segundo verificou o EL PAÍS no site do Tribunal Regional Eleitoral do Rio, são provenientes de bairros da Zona Oeste da cidade, nos arredores de Jacarepaguá, Recreio, Vargem Grande e Vargem Pequena. São regiões da cidade que abrangem áreas — como Anil, Gardênia Azul e Rio das Pedras — dominadas por milicianos, grupos paramilitares formados por agentes do Estado da ativa e da reserva, tais como policiais e bombeiros, que controlam serviços como o de transporte, distribuição de gás e instalação de internet e TV a cabo, além de possuir o respaldo de políticos e lideranças comunitárias. Estima-se que cerca de 160 comunidades, e dois milhões de pessoas, estejam submetidos ao poder das milícias em todo o Estado do Rio. Elas já elegeram deputados estaduais e vereadores, vários deles presos após a CPI das Milícias de 2008 comandada pelo deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL).

Siciliano aterrissou na Câmara após sucessivas derrotas eleitorais e mudanças de partido. Em 2010, tentara se eleger deputado estadual pelo Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB), mas seus 8.013 votos se mostraram insuficientes. Quatro anos depois, em 2014, voltou a concorrer ao cargo, dessa vez pelo Partido Social Democrata Cristão (PSDC). Naquele ano, o jornal O Globo publicou uma reportagem sobre um relatório sigiloso, chamado “Extrato de inteligência de número 2 das eleições 2014”, que fez com que o Tribunal Superior Eleitoral solicitasse apoio das Forças Armadas para garantir o bom funcionamento das eleições no Rio. O documento identificou 41 áreas dominadas por milicianos e traficantes nas quais “grupos (criminosos) atuariam na coação das pessoas que residem naquelas localidades como forma de impedir o pleno gozo dos direitos políticos”. Candidatos encontravam dificuldade para fazer campanha, mas alguns deles tinham passe livre para fazer propaganda. Siciliano era um deles. Sua imagem e do também candidato Domingos Brazão predominavam entre placas e cartazes na Gardênia Azul, bairro de Jacarepaguá sob domínio de milicianos. O jornal carioca também constatou que ambos montaram comitês dentro da comunidade e mostrou relatos de moradores que diziam obrigados a colocar em seus muros as placas dos candidatos. Siciliano melhorou seu desempenho e conquistou 18.287 votos, mas ainda assim insuficientes para elegê-lo.

Boa relação com Crivella e uma mensagem lamenetando a morte de Marielle

Nascido em 1972, o hoje vereador se casou muito cedo, aos 19 anos. Pai de quatro filhos e avô de três netos, suas falas sempre são carregadas de menção a sua família e a Deus. Com ensino médio completo, mas sem passagem pela universidade, se consolidou como um bem sucedido empresário da construção civil com diversas ações sociais, geralmente ligadas ao esporte e educação, em bairros e comunidades da zonas Norte e Oeste. Seu mandato como vereador também vem sendo marcado por ações e projetos sociais em seu reduto eleitoral, onde possui livre movimentação apesar das facções criminosas que dominam muitos dos bairros. Tem boa relação com o prefeito Marcelo Crivella (PRB), com quem geralmente aparece em vídeos publicados em sua página no Facebook.

 

A relação com a vereadora Marielle Franco também era boa, garante Siciliano. Quando foi morta, o vereador publicou em seu Facebook uma mensagem lamentando o ocorrido junto com uma foto em que apareciam abraçados. Os dois chegaram a assinar juntos um projeto de lei que criava um programa de desenvolvimento cultural do funk tradicional carioca. Mas um vídeo publicado pela vereadora em agosto de 2017 mostra que nem sempre a relação era cordial. No plenário da Câmara, Marielle aparece repreendendo Siciliano por sua postura nos debates. “A minha palavra é palavra de mulher, mas vale. Não é só palavra de homem que vale, não”, disse na ocasião.

Os fatos ocorridos após as mortes de Marielle e Anderson e as perguntas por responder

Desde que Marielle e Anderson foram assassinados há quase dois meses, familiares e amigos, entre eles políticos do PSOL, vem reafirmando a confiança nas investigações da Polícia Civil, que vem trabalhando praticamente desde o início com a hipótese de que o crime foi cometido por milicianos, devido ao grau de profissionalismo envolvido na operação. As 13 balas disparadas contra o carro da vereadora saíram não de uma pistola, mas sim de uma submetralhadora HK MP5, de alta precisão e utilizada por forças de elite da polícia militar do Rio, como o Bope.

Siciliano foi um dos 10 vereadores ouvidos como testemunhas pela Delegacia de Homicídios da Polícia Civil. Na lista de escutados também estão Juninho da Lucinha (PMDB) e Zico Bacana (PHS), também suspeitos de envolvimento com a milícia. Porém, alguns fatos ocorridos após as mortes de Marielle e Anderson rondam o vereador Siciliano. Na noite do domingo de 3 de abril, dois dias depois de Siciliano ter prestado depoimento na polícia, seu colaborador parlamentar, Carlos Alexandre Pereira Maria, foi assassinado a tiros dentro do carro. O corpo de Alexandre Cabeça, como era conhecido, foi encontrado por volta das 22h dentro do veículo abandonado na estrada Curumau, em Jacarepaguá, zona oeste do Rio. Uma testemunha contou ao jornal Extra que, antes de dispararem contra Alexandre, os pistoleiros teriam dito que era preciso “calar a boca dele”, um sinal de que o crime teria sido uma queima de arquivo — ou de assim fazer acreditar.

Dois dias depois, na terça-feira, o subtenente reformado da PM Anderson Claudio da Silva, suspeito de estar envolvido com milicianos, também foi morto a tiros. Ele estava saindo de casa, no Recreio, Zona Oeste do Rio, quando um carro impediu que o ex-policial saísse com sua BMW da garagem. Cinco homens começaram a atirar em Anderson, que chegou a reagir. Uma arma foi encontrada dentro de seu carro. A polícia, que chegou a prender um ex-PM ferido na perna perto do local do crime, também trabalha com a hipótese de queima de arquivo.

Há ainda algumas questões à respeito da acusação contra Siciliano que devem ser respondidas pela sigilosa investigação do caso. Além de seu depoimento, a testemunha também apresentou provas documentais, tais como fotos, mensagens ou gravações que mostram a ligação entre Siciliano e o ex-policial e miliciano Orlando? Siciliano se tornou para a Polícia Civil o principal suspeito de ter mandado executar a vereadora? Caso afirmativo, por que não foi decretada sua prisão preventiva? Ou o fato de não ter sido decretada mostra que o depoimento é inconclusivo? Os indícios que apontam para Siciliano indicam de fato que ele foi o mandante da execução, ou só servem para despistar os investigadores e a opinião pública sobre os reais autores? Afinal, quem matou e mandou matar Marielle e Anderson?

 

maio
10
Posted on 10-05-2018
Filed Under (Artigos) by vitor on 10-05-2018


 

Ronaldo, no (PE)

 

DO BLOG O ANTAGONISTA

Para diretor do Datafolha, Marina ganha mais com saída de Barbosa

 

Mauro Paulino, o diretor do Datafolha, deu entrevista à rádio CBN e disse que Marina Silva pode ser a maior beneficiada pela desistência de Joaquim Barbosa.

“Pela saída de Barbosa, não por uma migração de votos, mas pela divisão dos seus 10%, é possível que Marina seja a maior beneficiada”, afirmou.

O diretor do Datafolha afirmou também que Jair Bolsonaro, o atual líder das pesquisas, não deve ser beneficiado e já teria atingido o teto das intenções de voto.

Do Jornal do

O vereador Marcello Siciliano (PHS) afirmou, durante entrevista coletiva concedida na manhã desta quarta-feira (9) , que a declaração de uma testemunha sobre seu suposto envolvimento na morte da vereadora Marielle Franco (PSOL) é um ‘factoide’.

“Gostaria de esclarecer, antes de mais nada, a minha surpresa com relação ao que aconteceu ontem. A minha relação com a Marielle era muito boa, não estou entendendo porque esse factoide foi criado contra a minha pessoa. Estou sendo massacrado nas redes sociais por algo que foi dito por uma pessoa que a gente não sabe nem a credibilidade que a pessoa tem. Nunca tivemos conflito político em região alguma. Ela esteve no meu aniversário. Em Curicica eu não tive muitos votos”, afirmou Siciliano.

‘A minha relação com a Marielle era muito boa’, disse Marcello Siciliano

Uma testemunha do caso Marielle Franco disse, em depoimento, que Marcello Siciliano (PHS) e o ex-PM Orlando Oliveira de Araújo – acusado de chefiar milícia – queriam que a vereadora fosse morta. À Divisão de Homicídios, o homem, ligado a um grupo paramilitar do Rio, revelou datas, horários e locais de reuniões entre Sicilliano e Araújo. Ainda de acordo com a testemunha, as conversas teriam iniciado em junho. As informações são do jornal O Globo, que acrescentou ainda que a testemunha estaria jurada de morte e, por isso, decidiu contar o que sabia. A motivação do crime, de acordo com o depoimento, foi o avanço de ações comunitárias de Marielle em áreas de interesse da milícia na Zona Oeste.

Siciliano já havia prestado depoimento à Divisão de Homicídios sobre o assassinato de Marielle em abril. Ela foi chamado na condição de testemunha. Dois dias depois de prestar depoimento, um colaborador do vereador, Carlos Alexandre Pereira, foi executado na Taquara, na Zona Oestee. Siciliano comentou esta morte, durante sua coletiva, afirmando que não acredita na sua relação com a morte de Marielle.

Depoimento de testemunha

A testemunha teria presenciado ao menos quatro conversas entre o vereador e o miliciano. O homem também revelou nomes de quatro pessoas que teriam sido selecionadas para executar Marielle Franco. Ele garantiu que, em junho passado, Marcello Siciliano e Orlando de Curicica se encontraram em um restaurante no bairro do Recreio, Zona Oeste do Rio, e conversaram sobre Marielle.

“O vereador falou alto: ‘Tem que ver a situação da Marielle. A mulher está me atrapalhando’. Depois, bateu forte com a mão na mesa e gritou: ‘Marielle, piranha do Freixo'”, disse, fazendo referência ao deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL), de quem a vereadora era amiga. Marielle Franco foi assessora do parlamentar à época da CPI das Milícias.

Segundo o depoente, Orlando de Curicica era “uma espécie de capataz” de Marcello Siciliano. “Pelo que sei, era apoio político, mas ouvi comentários de que a milícia agia em grilagem de terras na Zona Oeste, especialmente no Recreio dos Bandeirantes”, disse. Ainda de acordo com a testemunha, há apoio de financeiro por parte de Siciliano a inúmeras ações do grupo paramilitar.

O homem foi à polícia em três oportunidades. Ele está sob proteção. De acordo com o depoente, ele foi obrigado a trabalhar como segurança de Orlando de Curicica. O delator, diz O Globo, instalava equipamentos de TV a cabo em área controlada pelo grupo paramilitar.

À época do assassinato de Marielle Franco, Marcello Siciliano disse, em nota, ter recebido “com grande pesar a notícia de falecimento”. O político também destacou que a vereadora “estava sempre disponível para ajudar no que fosse necessário” e que sua família poderia contar com ele “para ajudar no que for preciso”.

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