O caso está relacionado aos R$ 51 milhões em espécie encontrados no apartamento de um amigo de Geddel em Salvador. Ele foi preso preventivamente em 8 setembro do ano passado, três dias após o dinheiro ser encontrado. Posteriormente, um fragmento de impressão digital encontrado no material apreendido foi apontado pela Polícia Federal como sendo do ex-ministro.

Fachin afirmou haver “elementos suficientes” para justificar a abertura de ação penal, com base em depoimentos, provas documentais e periciais. Em breves votos, os ministros Dias Toffoli, Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski e Celso de Mello acompanharam o relator.

Geddel Vieira Lima foi denunciado por lavagem de dinheiro e associação criminosa

O relator descreveu crimes de corrupção e peculato que são investigados em outros inquéritos como suficientes para indicar a origem do dinheiro e a existência de associação criminosa no seio da família Vieira Lima. O processo agora passará para uma nova etapa de apuração, com prováveis novas diligências e coleta de depoimentos.

Também por unanimidade, os ministros decidiram arquivar as acusações conta Gustavo do Couto Ferraz, um antigo aliado de Geddel cujas digitais foram encontradas no dinheiro apreendido. Fachin disse ter ficado claro, pelas investigações da Polícia Federal, que Ferraz apenas transportou parte da quantia, o que não seria ilegal, e não teve participação em crimes ligados ao dinheiro.

Foram tornados réus ainda Job Brandão, ex-assessor parlamentar de Lúcio Vieira Lima; e o empresário Luiz Fernando Machado, administrador da empresa Cosbat, que teria sido usada pela família Vieira Lima para lavar dinheiro.

Acusação a Geddel

A denúncia foi apresentada pela procuradora-geral da República, Raquel Dodge, em dezembro do ano passado. Segundo ela, a quantia milionária é a maior apreensão de dinheiro vivo da história do Ministério Público Federal (MPF).

Na acusação, Raquel Dodge sustentou que o dinheiro seria proveniente de esquemas de corrupção na Caixa Econômica Federal investigados em outras ações penais. Geddel foi vice-presidente do banco. Outra parte teria sido acumulada por Lúcio Vieira Lima por meio do crime de peculato, em que o parlamentar se apropriou de parte do salário do ex-assessor parlamentar Job Brandão.

Além do dinheiro encontrado, outros R$ 12 milhões teriam sido lavados por Marluce, Geddel e Lúcio por meio de investimentos em imóveis de alto padrão em Salvador, em empreendimentos da empresa Cosbat, administrada por Luiz Fernando Machado.

“E, como nós sabemos, não foram apenas R$ 51 milhões. Com tudo o que já li sobre o Geddel nos processos, a coisa já passou muito e muito de R$ 100 milhões em vantagens indevidas em razão do cargo. O paciente continua sendo investigado por corrupção, peculato”, disse a subprocuradora-geral da República Cláudia Sampaio Marques, em sustentação oral nesta terça-feira.

Cláudia Sampaio pediu que Geddel continue preso. “Seria um desplante, um descaso com a Justiça, soltar um paciente nessas condições.”

Defesas

De acordo com a defesa de Geddel, a origem dos R$ 51 milhões decorre da “simples guarda de valores em espécie”. O valor seria fruto de “investimentos no mercado de incorporação imobiliária, com dinheiro vivo”.

O advogado Gamil Föppel, que representa a família Vieira Lima, afirmou nesta terça-feira que a denúncia da PGR é inepta, pois não descreveu, especificamente, quais crimes teriam sido praticados pela suposta associação criminosa, dando origem a recursos ilícitos a serem lavados.

“A denúncia não descreve atos de corrupção e não descreve atos de peculato”, destacou o advogado. “Descreve o antefato, descreve o pós-fato, mas não descreve o miolo da acusação”, acrescentou. “É insustentável se falar em associação criminosa sem que se descrevam os crimes.”

Ao defender a soltura imediata de Geddel, o advogado argumentou não haver nenhum risco de que ele volte a cometer crimes. Ele afirmou que o político é alvo de “uma cruzada de perseguição dos órgãos de controle”, com o intuito de “demonizá-lo perante a opinião pública”.

O advogado César de Faria Júnior, que representa o empresário Luiz Fernando Machado, argumentou que seu cliente agiu de boa-fé ao receber quantias em cheque e em espécie das mãos da família Vieira Lima. “O fato de ele ter depositado esse dinheiro não pode ter outra consequência se não militar em seu favor”, disse.

O defensor Marcelo Ferreira de Souza, que representa Job Brandão, apontou a contradição da acusação contra o ex-assessor parlamentar, que foi denunciado por desvios milionários, mas sequer possui um carro popular, sendo pobre “no sentido mais literal do termo”.

Xosé HermidaEleições 2018 Joaquim BarbosaJoaquim Barbosa antes de uma reunião com líderes do PSB em Brasília no dia 19 de abril UESLEI MARCELINO Reuters

Joaquim Barbosa, ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou na manhã desta terça-feira, que não será candidato à Presidência da República. “Está decidido. Após várias semanas de muita reflexão, finalmente cheguei a uma conclusão. Não pretendo ser candidato a presidente da República. Decisão estritamente pessoal”, afirmou. por meio de sua conta no Twitter.

Barbosa se filiou ao PSB no início de abril, mas nunca chegou a oficializar sua pré-candidatura ao Planalto. Era considerado um nome forte, uma espécie de terceira via,  capaz de atrair votos da esquerda e da direita. Em pesquisa Datafolha divulgada no dia 17 de abril, o ex-ministro, que foi relator do caso do Mensalão, aparece, em um cenário sem o nome do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com 10% das intenções de voto. Atrás de Marina Silva (Rede) e Jair Bolsonaro (PSL), mas à frente do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) e do ex-ministro Ciro Gomes (PDT). Embora as ideias de Barbosa para lançar uma possível candidatura fossem ainda uma incógnita, o ex-ministro do STF costumava defender posições liberais no terreno econômico, mais atraentes para o eleitor de centro, e progressistas em questões de costumes e defesa dos direitos das minorias. À época em que ele era ministro do Supremo, confessou que havia votado no ex-presidente Lula.

A candidatura de Barbosa tinha enfrentado resistências dentro do PSB, pois um setor do partido temia que a entrada do ex-presidente do STF na corrida eleitoral atrapalhasse as alianças em alguns Estados. Esse era o caso, por exemplo, de São Paulo, onde o atual governador, Márcio França, até há algumas semanas vice de Alckmin, tenta se reeleger oferecendo continuidade com o legado do candidato do PSDB à Presidência da República. Após conhecer a decisão de Joaquim Barbosa,  França declarou à Rádio Bandeirantes que nunca acreditou na candidatura do ex-ministro porque “ele não ia suportar a pressão da vida pública”. O governador paulista disse ainda que o ex-ministro do STF seria “um ótimo vice-presidente”.

Em nota, o PSB informou que o presidente da legenda, Carlos Siqueira, foi avisado na manhã desta terça-feira sobre a desistência de Barbosa. Afirmou que o ex-ministro não tinha a obrigação de se candidatar e que compreende a decisão pessoal dele de não disputar nenhum cargo eletivo. “O PSB segue doravante, com serenidade, na tentativa de contribuir para a construção de alternativas para o País, que contemplem os amplos clamores populares, pela renovação da prática política, algo que a possibilidade da candidatura do ministro Joaquim Barbosa tão bem representou”, diz trecho do documento.

A desistência de Barbosa parece deixar a eleição presidencial de outubro sem um candidato outsider, uma possibilidade com a que muitos analistas vinham especulando há meses como possível saída à crise política do Brasil. Antes do anúncio da filiação de Joaquim Barbosa ao PSB (e, consequentemente, as especulações em torno de sua candidatura), Luciano Huck, apresentador da TV Globo, era aventado como um possível nome de fora dentro da corrida eleitoral ao Palácio do Planalto. Entretanto, Huck também abriu mão após várias semanas de reflexão.

Dois candidatos vão tentar agora se apresentar diante do eleitor como a terceira via, uma alternativa à polarização de décadas de disputa entre PT e PSDB, embora ambos tenham uma longa trajetória política: o líder de extrema direita e deputado federal Jair Bolsonaro, e a candidata da Rede, a ex-senadora Marina Silva —esta última quem ocupa um espaço político mais parecido do que procurava Joaquim Barbosa. Em abril, antes da filiação de Barbosa ao PSB, chegou a ser especulado que ambos estariam trabalhando uma aproximação, com a possibilidade de um ser vice da chapa de outro, o que tanto Marina quanto o ex-presidente do STF negaram.

Todos os demais candidatos provêm da política tradicional. No centro-direita, aparecem Geraldo Alckmin, em teoria o melhor situado nas pesquisas, além do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM); o ministro de Fazenda, Henrique Meirelles (MDB) e outros como Álvaro Dias (Podemos). Na esquerda, enquanto não é resolvida a incógnita do PT, ficam Ciro Gomes (PDT), Guilherme Boulos (PSOL) e Manuela D´Ávila (PCdoB). Nas últimas horas, um dos nomes fortes do PCdoB, o governador do Maranhão, Flávio Dino, sugeriu uma coalizão de toda a esquerda com Ciro Gomes de candidato, segundo o jornal Folha de S.Paulo. Mas essa possibilidade enfrenta grandes resistências no PT, onde suas principais lideranças insistem que seu único candidato é o ex-presidente Lula, apesar de estar preso em Curitiba. (Colaborou Marina Novaes)

Beleza de tango (letra e música)! Portento de voz e interpretação!!!

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)


Juan Arias

 

Se sobrava emoção e perplexidade às eleições presidenciais diante a impossibilidade de Lula concorrer, a saída de Joaquim Barbosa confundiu ainda mais as coisas, se for possível. O paradoxo é que o juiz emblema da luta contra a corrupção, consagrado no julgamento do mensalão, nem sequer era pré-candidato e já se transformara no “candidato novidade”, como escreveu a catedrática em Sociologia na USP Angela Alonso, no jornal Folha de S.Paulo.

E agora?, podem se perguntar os analistas políticos, enquanto os partidos já devem estar revisando suas cartadas. A desistência do ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) representa duas derrotas: a dos candidatos não políticos, de Doria a Huck, já que Barbosa era a única figura de peso, alheia à política tradicional, que restava, e a da centro-esquerda, que fica debilitada. Barbosa era um candidato da esquerda social com o plus de ser, por sua biografia, um representante herdeiro das injustiças que o Brasil arrasta desde a escravidão. Não por acaso havia recordado que a miséria que castiga ainda milhões de pessoas no país é sobretudo “estrutural”.

Joaquim Barbosa poderia em sua campanha eleitoral ter colocado em relevo as veias abertas no Brasil pela escravidão que condenou à pobreza física e cultural milhões de pessoas para as quais se cunhou a ideia de que somente os filhos dos ricos deviam estudar. Os dos pobres, filhos da escravidão, estavam condenados a trabalhar como seus pais. Ao mesmo tempo, uma candidatura de Barbosa teria posto à prova a capacidade dos brasileiros, acusados de racismo, de aceitar um presidente negro. Ele mesmo se havia perguntado dias atrás se o país estaria preparado para aceitá-lo.

A saída de Joaquim Barbosa não só enfraquece a centro-esquerda como fortalece a direita, que, apesar de arrastar o lastro da experiência de um governo qualificado de golpista, poderá enfrentar em um segundo turno uma esquerda desorientada com o caso Lula, um PT sem candidato no qual apostar e, como quase sempre, mais difícil de unificar que a direita, que, embora apenas por sobrevivência, acaba sempre se unindo.

Se a candidatura do extremista e violento Bolsonaro, que apesar do vazio cultural e imaginativo que o personagem representa ainda aparece com possibilidades de estar presente em um segundo turno, se via esvaziada em parte com a chegada de Barbosa, um homem também duro e severo com a violência e a corrupção, mas de grande estatura intelectual e moral, agora a incógnita se torna mais perigosa.

A desistência de Joaquim Barbosa reforça ao mesmo tempo a candidatura de Marina Silva, que, sem ser novidade, já que leva uma vida inteira na política e disputou duas presidenciais, de alguma forma aparece senão como o novo, pelo menos como o diferente da velha política, com o plus de não estar contaminada pelos escândalos de corrupção.

Agora, o desafio da esquerda necessitará mais do pragmatismo político de Lula do que a exaltação quixotesca de sua porta-voz, a incendiária Gleisi Hoffmann. Talvez seja o próprio Lula que entenda que, sem ele, o PT poderá ter alguma sobrevivência – embora delegada a outros – somente apoiando uma candidatura fora do partido, como a de Ciro Gomes. Seria talvez a única possibilidade de frear, se é que ainda há tempo, outro candidato que ponha de joelhos toda a esquerda, mais enfraquecida que nunca nos últimos 20 anos no caminho das urnas.

maio
09
Posted on 09-05-2018
Filed Under (Artigos) by vitor on 09-05-2018
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Clayton, no jornal O Povo (CE)

DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

PSB não tem plano B, diz líder na Câmara

 

O líder do PSB na Câmara, Júlio Delgado, disse ao Estadão que o partido não tem um plano B depois da desistência de Joaquim Barbosa.

“Acho muito difícil [outra candidatura própria]. O PSB não tem plano B. A eleição perdeu seu grande nome”, declarou Delgado.

A sigla, diz o jornal paulista, trabalha com dois cenários: liberar a bancada ou abrir negociação com Ciro Gomes.

Em princípio, um acordo com Geraldo Alckmin –opção preferencial de Márcio França e do PSB paulista– foi descartado após resolução do PSB restringir o diálogo a siglas de centro-esquerda.

maio
09
Posted on 09-05-2018
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Do Jornal do Brasil

 

A Argentina anunciou nesta terça-feira (8) que buscou ajuda financeira do Fundo Monetário Internacional (FMI) para enfrentar a grave turbulência de seus mercados, e a diretora do organismo, Christine Lagarde, afirmou que as negociações terão início “em breve”.

“De forma preventiva, decidi iniciar diálogos com o FMI para que nos conceda uma linha de apoio financeiro”, anunciou o presidente Mauricio Macri em um pronunciamento televisionado, após o peso cair nesta terça mais de 4% em relação ao dólar na abertura dos mercados.

No último mês, a depreciação foi de mais de 10%.

“Estamos recorrendo ao único caminho possível para sair da estagnação, buscando evitar uma grande crise econômica que nos faria retroceder e prejudicaria a todos”, acrescentou.

“Nos dois primeiros anos tivemos um contexto internacional favorável, mas esse contexto está mudando. Estamos entre os países que mais dependem de financiamento externo no mundo”, disse Macri

“Foram iniciadas discussões sobre como podemos trabalhar juntos para fortalecer a economia argentina e levaremos esses diálogos a cabo em breve”, informou Lagarde em uma nota oficial, sem mencionar os eventuais valores do aporte financeiro. De acordo com ela, a Argentina “é um membro valioso” do FMI.

Macri e seu ministro de Economia, Nicolás Dujovne, não especificaram qual será o montante do crédito solicitado pela Argentina, terceira maior economia da América Latina.

“Não podemos ainda anunciar os montantes, mas concordamos que o FMI vai prestar apoio financeiro à Argentina”, indicou Dujovne.

“Neste momento dos diálogos, ainda não falamos de detalhes. Temos que levar em conta que estamos falando com um FMI muito diferente do que conhecemos há 20 anos”, acrescentou o ministro.

Em janeiro de 2006, a Argentina tinha saldado seu último crédito com o FMI, por 9,6 bilhões de dólares.

A Argentina sofreu, em 2001, uma crise econômica que provocou a queda de quatro presidentes em uma semana e levou o país à moratória.

– Contexto internacional desfavorável –

Macri explicou sua decisão afirmando que “durante os dois primeiros anos (de governo) tivemos um contexto internacional muito favorável, mas esse contexto está mudando. Estamos entre os países que mais dependem de financiamento externo no mundo”.

Quando assumiu, em dezembro de 2015, Macri permitiu a flutuação da moeda, eliminando o controle cambial que vigorou durante o governo de Cristina Kirchner (2007-2015).

Mas a valorização do dólar nos últimos dias afetou o peso argentino mais que a outras moedas.

Segundo o mandatário, o financiamento do FMI permitirá fortalecer seu “programa de crescimento e desenvolvimento, dando-nos maior respaldo para enfrentar este novo cenário global e evitar crises como as que tivemos em nossa história”.

A moeda argentina, que na abertura dos mercados nesta terça se desvalorizou 4,61%, a 23,41 pesos por dólar, ganhou um pouco de força após o discurso de Macri, indo a 23,06. A Bolsa também freou sua queda.

Para enfrentar a desvalorização do peso, o Banco Central decidiu na semana passada aumentar a taxa básica de juros a 40% ao ano, a mais alta do mundo.

A taxa tão elevada pode afetar o crescimento do país.

Além da desvalorização, a Argentina enfrenta uma inflação de mais de um dígito (24,8% em 2017) e um déficit fiscal cuja meta foi reduzida de 3,2% para 2,7% do PIB na semana passada.

O governo estabeleceu uma meta de inflação de 15% para este ano e insiste que não será modificada, embora o próprio FMI a tenha projetado em 19%.

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