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Posted on 07-05-2018
Filed Under (Artigos) by vitor on 07-05-2018

Blog do Nobla

Veja

Em que mundo vive Temer?

Nem a História o absolverá

Nas últimas 48 horas, uma declaração e um pedido feito pelo presidente Michel Temer consolidaram a certeza geral de que ele vive em outro mundo. De resto, é como vive boa parte dos políticos.A declaração:– Para dar resultado, [a intervenção federal na área de segurança pública do Rio] leva sete, oito meses, às vezes até um ano. Mas já começou a dar resultado principalmente na sensação de segurança.O pedido: Temer quer que os políticos e militantes do PMDB defendam sua obra de governo na campanha eleitoral que se avizinha.

É preciso estar totalmente descolado da realidade para achar que a intervenção federal no Rio já começou a produzir uma “sensação de segurança”. Ou então Temer fumou, e ainda por cima tragou.

Cresceu o número de homicídios e de assaltos. Policiais militares seguem morrendo em troca de tiros com bandidos. Não há um só dia sem barulho de armamento pesado nos morros e fora deles. E sem que o tráfego seja interrompido em alguma via importante da cidade.

O que de fato aumentou foi a sensação de insegurança. Poucos cariocas ainda se arriscam a sair de casa à noite sem necessidade.

Quanto ao pedido para que o PMDB defenda a obra do governo: alguma obra que mereça ser defendida até existe. Mas quem está disposto a arriscar-se à perda de votos em defesa de um governo tão impopular?

Grudou em Temer o rótulo de o mais rejeitado presidente da República desde tempos imemoriais. E somente a História poderá ser mais tolerante com ele – se for.

 (Antonio Lucena/VEJA)

Chabuca: voz e veia da canção peruana e da América Latina canta Fina Estampa ( com notável arranjo musical e força interpretativa) uma de suas composições de maior sucesso , ao lado de La Flor de La Canela, ambas revisitadas em gravações primorosas também por Caetano Veloso.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares) 

 

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Resultado de imagem para Diogo Tavares jornalista e escritor

 

 

Não diga que nada de novo (e bom) acontece em Salvador e na Bahia ultimamente.

Lançamento será na quinta feira, 10 de maio, no Mister Miss Pub Café, Pelourinho, Salvador

Que tal fazer uma viagem no tempo e por uma terra tão dessemelhante quanto pitoresca e intrigante? Esse é o convite que o jornalista Eduardo Diogo Tavares faz para quem gosta e deseja se aprofundar de forma lúdica e ao mesmo tempo divertida nas 47 crônicas de Hist

 

Não diga que nada de novo (e bom) acontece em Salvador e na Bahia ultimamente.

Lançamento será na quinta feira, 10 de maio, no Mister Miss Pub Café, Pelourinho, Salvador

Que tal fazer uma viagem no tempo e por uma terra tão dessemelhante quanto pitoresca e intrigante? Esse é o convite que o jornalista Eduardo Diogo Tavares faz para quem gosta e deseja se aprofundar de forma lúdica e ao mesmo tempo divertida nas 47 crônicas de Histórias de uma Terra Dessemelhante, seu novo livro, a ser lançado no dia 10 de maio, a partir as 18h, no Mister Miss Pub Café, na Rua Gregório de Mattos, 15, no Pelourinho.

Quando o escritor lançou em 2000 Breves Histórias da Dessemelhança, edição limitada e esgotada, surpreendeu muitos baianos que não conheciam esses causos pitorescos garimpados por um carioca que naquela época já morava na Bahia há 15 anos.

Mas como o próprio Diogo Tavares costuma dizer, “todo jornalista é um historiador apressado” e por isso ele foi pesquisando, escrevendo e publicando algumas dessas histórias nas edições de domingos do Jornal Correio da Bahia, além de sites, blogs e revistas.

Assim apareceram as estripulias de Caramuru, Catarina e sua santa, as histórias do Frei Bastos, a partida de Gregório de Mattos, o Boca do Inferno, da sua amada Bahia, a carreira militar de Santo Antônio, a revolução dos chinelos, a peleja de São Francisco contra o mal da bicha, o surgimento de bairros e ruas de Salvador, entre outras curiosas histórias acontecidas na cidade da Bahia dos últimos séculos.

Da contemporaneidade, Diogo Tavares relembra ainda histórias do famoso Totonho de Mar Grande, da Irmandade da Boa Morte em Cachoeira e os poderes da água de Serrinha, imprimindo humor e tons de baianidade em suas histórias.

Nota sobre a edição

A história é cheia de lacunas e quase sempre elas são preenchidas por versões edificantes ou depreciativas, de acordo com os interesses em moda. Mas imagine se você estivesse lá e acompanhasse os fatos e “versões” com a ironia dos boêmios irreverentes, ou como no clássico Decameron, do genovês Giovanni Boccaccio.

Os acontecimentos deste livro constam em registros históricos, as interpretações não. Deste exercício resultam momentos hilariantes, como desculpas de pessoas flagradas em atos embaraçosos, comentários de alcova e pensamentos inconfessáveis. Da Bahia colonial à atualidade, esta liberdade intrínseca ajuda a revelar o próprio espírito irreverente do baiano e, por extensão, do brasileiro.

O leitor pode encarar este livro como um divertido passeio através do tempo, seja seguindo pela ordem cronológica apresentada ou optando pelo acaso, pois cada história é completa em si.

O autor

Eduardo Diogo Tavares é jornalista, consultor de comunicação e escritor. Nasceu no Rio de Janeiro, onde se formou em Jornalismo no início de 1986, mesmo ano em que se mudou para a capital baiana. Foi secretário de Comunicação da Prefeitura de Salvador, depois de atuar em rádios, jornais e TVs, como Correio da Bahia, A Tarde, Jornal da Bahia, TV Itapoan, TV Bandeirantes, Rádio Educadora (Irdeb), além da revista Veja e do Jornal do Brasil, através das sucursais.

Como assessor de comunicação, atendeu diversas empresas e organizações, tendo implantado a Assessoria de Comunicação da Força Sindical Bahia. Participou, como coordenador ou redator, de campanhas eleitorais em São Paulo (SP), Salvador (BA), Camaçari (BA) e Barretos (SP).

Possui nove livros publicados, com destaque para O Milagre de Dom Amoroso (1995), sobre a vida de Dom Timóteo, abade do Mosteiro de São Bento, e Breves Histórias da Dessemelhança (2000), tendo organizado também o livro Nós Vimos a Cobra Fumar (2005), em que o pai, Italo Diogo Tavares, narra na forma de diário a participação na campanha brasileira na II Guerra Mundial, na Itália, em 1944 e 1945. Também publicou os livros Apertura (1979), Pedaços (1982), Uma Viagem (1989), Separação Anunciada (1989), Rotas & Desvios (1996) e Sobre Guerra e Gratidão (2013), coautoria de Nádya Argôlo.

Obras também disponíveis em e-book na loja Amazon.com.br: Nós Vimos a Cobra Fumar, O Milagre de Dom Amoroso e Notícias de Uma Terra Dessemelhante. Este último encontrado ainda nesta mesma versão impressa sob demanda na livraria virtual da Editora Book2 (https://www.livrariadabok2.com.br/).

órias de uma Terra Dessemelhante, seu novo livro, a ser lançado no dia 10 de maio, a partir as 18h, no Mister Miss Pub Café, na Rua Gregório de Mattos, 15, no Pelourinho.

Quando o escritor lançou em 2000 Breves Histórias da Dessemelhança, edição limitada e esgotada, surpreendeu muitos baianos que não conheciam esses causos pitorescos garimpados por um carioca que naquela época já morava na Bahia há 15 anos.

Mas como o próprio Diogo Tavares costuma dizer, “todo jornalista é um historiador apressado” e por isso ele foi pesquisando, escrevendo e publicando algumas dessas histórias nas edições de domingos do Jornal Correio da Bahia, além de sites, blogs e revistas.

Assim apareceram as estripulias de Caramuru, Catarina e sua santa, as histórias do Frei Bastos, a partida de Gregório de Mattos, o Boca do Inferno, da sua amada Bahia, a carreira militar de Santo Antônio, a revolução dos chinelos, a peleja de São Francisco contra o mal da bicha, o surgimento de bairros e ruas de Salvador, entre outras curiosas histórias acontecidas na cidade da Bahia dos últimos séculos.

Da contemporaneidade, Diogo Tavares relembra ainda histórias do famoso Totonho de Mar Grande, da Irmandade da Boa Morte em Cachoeira e os poderes da água de Serrinha, imprimindo humor e tons de baianidade em suas histórias.

Nota sobre a edição

A história é cheia de lacunas e quase sempre elas são preenchidas por versões edificantes ou depreciativas, de acordo com os interesses em moda. Mas imagine se você estivesse lá e acompanhasse os fatos e “versões” com a ironia dos boêmios irreverentes, ou como no clássico Decameron, do genovês Giovanni Boccaccio.

Os acontecimentos deste livro constam em registros históricos, as interpretações não. Deste exercício resultam momentos hilariantes, como desculpas de pessoas flagradas em atos embaraçosos, comentários de alcova e pensamentos inconfessáveis. Da Bahia colonial à atualidade, esta liberdade intrínseca ajuda a revelar o próprio espírito irreverente do baiano e, por extensão, do brasileiro.

O leitor pode encarar este livro como um divertido passeio através do tempo, seja seguindo pela ordem cronológica apresentada ou optando pelo acaso, pois cada história é completa em si.

O autor

Eduardo Diogo Tavares é jornalista, consultor de comunicação e escritor. Nasceu no Rio de Janeiro, onde se formou em Jornalismo no início de 1986, mesmo ano em que se mudou para a capital baiana. Foi secretário de Comunicação da Prefeitura de Salvador, depois de atuar em rádios, jornais e TVs, como Correio da Bahia, A Tarde, Jornal da Bahia, TV Itapoan, TV Bandeirantes, Rádio Educadora (Irdeb), além da revista Veja e do Jornal do Brasil, através das sucursais.

Como assessor de comunicação, atendeu diversas empresas e organizações, tendo implantado a Assessoria de Comunicação da Força Sindical Bahia. Participou, como coordenador ou redator, de campanhas eleitorais em São Paulo (SP), Salvador (BA), Camaçari (BA) e Barretos (SP).

Possui nove livros publicados, com destaque para O Milagre de Dom Amoroso (1995), sobre a vida de Dom Timóteo, abade do Mosteiro de São Bento, e Breves Histórias da Dessemelhança (2000), tendo organizado também o livro Nós Vimos a Cobra Fumar (2005), em que o pai, Italo Diogo Tavares, narra na forma de diário a participação na campanha brasileira na II Guerra Mundial, na Itália, em 1944 e 1945. Também publicou os livros Apertura (1979), Pedaços (1982), Uma Viagem (1989), Separação Anunciada (1989), Rotas & Desvios (1996) e Sobre Guerra e Gratidão (2013), coautoria de Nádya Argôlo.

Obras também disponíveis em e-book na loja Amazon.com.br: Nós Vimos a Cobra Fumar, O Milagre de Dom Amoroso e Notícias de Uma Terra Dessemelhante. Este último encontrado ainda nesta mesma versão impressa sob demanda na livraria virtual da Editora Book2 (https://www.livrariadabok2.com.br/).

Do Jornal do Brasil

 

Os brasileiros tomam sustos quando a estiagem esvazia os reservatórios das usinas hidrelétricas da Eletrobras, responsável pela geração de 36% da energia do país. Para poupar água e evitar risco de racionamento, são acionadas termelétricas a gás ou a combustíveis, o que onera as tarifas de luz e força. Em 2015, as contas de luz subiram 54% no país. Este ano, os clientes da Light já tiveram reajuste de 10% e os da Enel (interior do RJ e região dos Lagos), de 21%. 

De certa forma, a polêmica privatização da Eletrobras virou uma aposta dos interessados em substituir a União (53,9% das ações ON) no comando da segunda estatal brasileira de que o ‘reservatório’ vai encher e gerar muitos lucros. A metáfora vale como uma explicação sobre o que está em jogo, além de gigantescas disputas judiciais sobre o valor real do ativo e do passivo da estatal.

(em cima, esq.) Juca Abdala; (em cima, dir.) Jorge Paulo Lemann; (embaixo, esq.) Marcell Hermann Telles; (embaixo, dir.) Beto Sicupira

Crime de lesa-pátria especial 

O patrimônio líquido da Eletrobras vale cerca de R$ 45 bilhões (42,7 bilhões em dezembro de 2017). Os ativos da companhia, que controla a Eletronorte, a Chesf, no Nordeste, Furnas, no Sudeste, a Eletrosul e ainda metade da usina binacional de Itaipu e a Eletronuclear, que gere as usinas nucleares de Angra dos Reis e a fábrica de enriquecimento de urânio de Resende (antiga Nuclen), são avaliados por R$ 75 bilhões.

O modelo de privatização da Eletrobras, que o JORNAL DO BRASIL classificou esta semana em editorial como “Crime de lesa-pátria”, foge aos modelos anteriores de privatização, no qual após avaliação técnica, há um leilão pelo controle do capital com direito a voto. Foi assim na privatização das siderúrgicas, nos governos Collor e Itamar Franco, e na venda do sistema Telebrás, no governo FHC. A palavra privatização sumiu do vocabulário no governo Lula, substituída por leilões de concessões de estradas, ferrovias, portos e aeroportos para grupos privados, também sob Dilma.

O aumento de capital da Petrobras, em 2010, após a descoberta do pré-sal, em 2007, foi feito com chamada do público (brasileiro e internacional), mas a União integralizou parte do capital, para manter o controle. Na Eletrobras, sem avaliação, a União (53,9% das ações com direito a voto – ON) e de 15,5% das preferenciais (PN), pretende ‘pedir mesa’ e esperar as apostas de quem quiser ficar com o controle da estatal. 

Uma pechincha (se não houver grande disputa com chineses) estimada em R$ 12/15 bilhões. Quase uma doação. Pela Lei das S.A., um investidor ou grupo de investidores pode deter o controle de empresa de capital aberto com pouco mais de 17% das ações com direito a voto (ON). Hoje, o maior investidor em papéis ON da Eletrobras é o Banco Máxima, do bilionário paulista João José (Juca) Abdala, com cerca 7%. Aparentemente, o único interesse de Juca Abdala é ter mais influência no Conselho de Administração.

Entre os acionistas PN, a maior posição (cerca de 5,5%) é da 3G-Radar, criada pelos fundadores da 3G-Capital, empresa de investimento que reúne os três brasileiros mais ricos da lista da Revista Forbes: Jorge Paulo Lemann, Marcel Hermann Telles e Carlos Alberto (Beto) Sicupira, controladores da Ambev/Inbev, da Kraft-Heinz, Lojas Americanas e Burger King. Conhecidos por ‘mãos de tesoura’, pelos duros cortes de custos nas empresas que assumem o controle, o trio mira, há tempos, a Eletrobras. Na assembleia de 27 de abril o representante do 3G-Radar discordou do não pagamento de dividendos (3º ano de prejuízo) e criticou o superfaturamento em obras de hidrelétricas das quais a estatal é sócia, como Belo Monte (PA), Jirau e Santo Antônio (AC), Angra 3 e outras, em mais de R$ 140 bilhões. Nas mãos do trio haveria economia extra de R$ 50 bilhões na Eletrobras. Mas não é só isso que motiva o trio de bilionários surgidos do mercado financeiro.

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Posted on 07-05-2018
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Claudio, no jornal

 

Colômbia a ponto

Colômbia a pontoFERNANDO VICENTE

Ninguém nunca me pôde explicar por que os colombianos falam o melhor espanhol de toda a América Latina. Não me refiro à elite culta, mas aos homens e mulheres comuns nos quais são notáveis a precisão e a eloquência com que costumam expressar-se, e a riqueza de seu vocabulário. É verdade que a Colômbia teve ilustres gramáticos e linguistas desde o século XIX, e certamente conhecer nossa língua e saber usá-la deve ter sido, há muito tempo, preocupação central de seus programas escolares.

Outra coisa notável e surpreendente desse país é que, apesar de ter sofrido por mais de cinquenta anos com guerrilhas sanguinárias, vinculadas ao narcotráfico, algo que em qualquer outra nação latino-americana teria ocasionado um golpe de Estado e uma ditadura militar de longos anos, seguiu funcionando como uma democracia, liberdade de imprensa, eleições livres e juízes mais ou menos independentes. Quando o presidente Juan Manuel Santos e as FARC iniciaram as negociações de paz, o mundo inteiro festejou, e mais ainda quando, depois de um longo vaivém, ambas as partes chegaram a um acordo que parecia pôr fim a essa guerra interminável.

Por isso o mundo inteiro (e eu mesmo) tivemos uma surpresa maiúscula quando, no referendo que deveria consolidar aquele acordo, os eleitores colombianos o rejeitaram de modo inequívoco, dando razão a quem, como o ex-presidente Álvaro Uribe, se opunha a ele considerando que o Governo tinha feito concessões demais às FARC, sobretudo no que se refere aos crimes, sequestros e tortura de suas vítimas.

Acabo de passar uns dias na Colômbia, onde serão realizadas eleições em 27 de maio, e aqueles acordos de paz são o ponto nevrálgico dos debates. Fiquei impressionado com a virulência dos ataques dos adversários dos acordos ao presidente Santos, a quem acusam de ter feito concessões demais a uma guerrilha desalmada, sustentada pelo narcotráfico e que deixou semeadas por todo o país dezenas de milhares de famílias de vítimas. E essas críticas parecem contar com o respaldo de um grande setor da opinião pública. Um só exemplo pode dar ideia do volume das críticas: Humberto de La Calle, que foi o chefe negociador do lado do Governo e agora é candidato à Presidência pelo Partido Liberal, tem nas pesquisas um porcentual ridículo, que oscila entre três e quatro por cento das intenções de voto. Por usa vez, Iván Duque, o candidato do Centro Democrático, o partido de Uribe, que tem como vice-presidenta Marta Lucía Ramírez, de origem conservadora, lidera as pesquisas com dez pontos acima de seu mais próximo adversário, o esquerdista Gustavo Petro, ex-prefeito de Bogotá.

Acredito que, em longo prazo, a história fará justiça a Juan Manuel Santos

Acredito que, em longo prazo, a história fará justiça a Juan Manuel Santos, e uma maioria de colombianos terminará aceitando que foi oportuno e corajoso iniciar aquelas negociações para pôr fim a uma guerra que vinha sangrando o país e emperrando seu progresso, um anacronismo em uma época como a nossa, em que uma coisa pelo menos ficou clara: não é disparando tiros, assassinando, sequestrando e traficando drogas que se acaba com a pobreza, as desigualdades e as injustiças de uma sociedade. Não há um só exemplo que prove o contrário e, sim, na realidade, seria bem o oposto: se tivessem triunfado, as FARC teriam feito da Colômbia uma segunda Cuba ou uma segunda Venezuela, ou seja, uma ditadura brutal e paupérrima.

Com todas as deficiências que uma maioria de colombianos vê nos acordos de paz, estes serviram pelo menos para algo evidente: que, apesar do que a propaganda revolucionária e extremista fazia crer, as FARC, longe de representarem o “povo”, eram uma organização subserviente e temida, e ao mesmo tempo desprezada. O povo colombiano em sua imensa maioria a repudia e, em vez de aplaudir sua incorporação à vida política, a vê com ódio e temor. Por isso o candidato presidencial da antiga guerrilha, Rodrigo Londoño (Timochenko), teve de renunciar a sua candidatura, e os únicos parlamentares das FARC no novo Congresso serão só aqueles que preencherão o número mínimo de cadeiras garantidas pelos acordos de paz, embora os votos dos eleitores os tenham rejeitado.

Os acordos de paz não teriam sido possíveis sem os duros golpes que o Governo de Álvaro Uribe impôs à guerrilha, um Governo do qual, convém recordar, Juan Manuel Santos foi um enérgico ministro da Defesa. “Faltou apenas isto para acabar com as FARC”, me disse um amigo, apertando os dedos. Não sei se é correto, mas sei que, sem aqueles graves reveses militares que o anterior Governo lhes assestou, e que devolveram a confiança e recuperaram as estradas e boa parte do território que os guerrilheiros terroristas ocupavam, estes não teriam jamais chegado a sentar-se à mesa de negociações.

Os acordos de paz não teriam sido possíveis sem os duros golpes que o Governo de Álvaro Uribe impôs à guerrilha

O que acontecerá agora? Se as pesquisas são mais ou menos exatas, Iván Duque deverá ganhar com folga e, talvez, até no primeiro turno. Apesar de sua juventude, é um homem muito capaz e, além de sua formação econômica e a experiência financeira em organizações internacionais, é um homem culto, que não se envergonha de ler poesia e romances. Na chapa presidencial é acompanhado por uma mulher que conheço bem e não vacilo em dizer que é admirável: Marta Lucía Ramírez. O risco de populismo e extremismo, encarnado por Gustavo Petro, parece, portanto, descartado em boa hora para os colombianos. Duque e Ramírez não propõem desconsiderar os acordos, mas aperfeiçoá-los.

Não será fácil a tarefa para o futuro governante desse país que fala tão bem e de tão sólida entranha democrática. Há um milhão de venezuelanos que, ao fugirem da fome, do desemprego e da repressão que transformaram seu país em um inferno, escaparam para a Colômbia, que os acolheu generosamente. Mas, entre aqueles exilados, Maduro, seguindo o exemplo de Fidel Castro quando dos famosos marielitos, aproveitou para esvaziar suas prisões de criminosos e foragidos e incentivá-los a escapar para o país vizinho. Deste modo, deixa espaço nos ergástulos para enchê-los com os opositores democratas que se multiplicam a cada dia, enquanto a Venezuela afunda na miséria e no caos, e castiga um país vizinho que abriu os braços às infelizes vítimas de sua demagogia e desvarios. Não só a Venezuela precisa livrar-se o quanto antes de Maduro e da gangue que o acompanha em suas ações malignas, mas também a Colômbia e o restante da América Latina, que sofrem por igual com a tragédia que vive a terra de Bolívar.

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