Do Jornal do Brasil

 

O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu submeter diretamente ao plenário da Corte uma ação da Mesa Diretora da Câmara dos Deputados contra a decisão da juíza Carolina Lebbos, da 12ª Vara Federal de Curitiba, de impedir a comissão externa da Casa de visitar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Superintendência da Polícia Federal no Paraná. Com a decisão de Fachin, caberá agora aos 11 ministros do Supremo analisar o pedido da Câmara.

O ministro também solicitou com urgência informações à 12ª Vara Federal de Curitiba, que deverá se manifestar dentro de um prazo de três dias. Depois desse prazo, o ministro também quer que a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Advocacia-Geral da União (AGU) opinem sobre o caso.

Fachin decidiu submeter diretamente ao plenário da Corte uma ação contra a decisão de impedir a comissão externa da Câmara de visitar Lula

Em 23 de abril, a magistrada vetou a entrada dos deputados, sob a alegação de que não havia motivação para a realização da diligência. A juíza também destacou que, como uma comissão de senadores já havia vistoriado a cela de Lula, não havia necessidade de nova visita de parlamentares. A Mesa Diretora da Câmara dos Deputados alega que houve violação do princípio de separação de Poderes e prerrogativas do Legislativo.

“Em face da relevância da matéria e de seu significado para a ordem social e a segurança jurídica (nomeadamente o imprescindível respeito ao texto constitucional, às garantias procedimentais institucionais e às prerrogativas dos Poderes), (…) submete-se o processo diretamente ao plenário para a apreciação por parte do tribunal pleno do STF”, determinou Fachin, em decisão assinada nesta quinta-feira, dia 3.

Pedido

Assinada pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental com pedido de medida cautelar propõe a anulação da decisão da juíza e autorização imediata da entrada da comissão externa na cela de Lula.

A Câmara alega que a decisão da magistrada restringiu o acesso de autoridades do Legislativo e que isso fere cláusula pétrea da Constituição. “A decisão impugnada cria um obstáculo intransponível ao exercício de prerrogativa constitucional do Poder Legislativo, qual seja, a de fiscalizar e controlar os atos da administração pública”, diz a petição.

A comissão externa é formada por 13 deputados da oposição ao governo Michel Temer. Os petistas argumentam que a Constituição permite que parlamentares entrem em estabelecimentos prisionais a título de fiscalizar o ambiente. “Impõe-se, assim, que o Supremo Tribunal Federal assegure à Comissão Externa o exercício de suas prerrogativas constitucionais e regimentais, determinando ao juízo da 12ª Vara Federal de Curitiba que, em comum acordo com o coordenador da comissão, fixe dia e hora para realização da diligência para que foi constituída a comissão, observadas as restrições impostas pela lei de Execução Penal”, finaliza a Mesa Diretora.

Os três protagonistas

 

Joaquim BarbosaJoaquim Barbosa em reunião do PSB. UESLEI MARCELINO REUTERS

 

Desde o fim das eleições de 2016, venho dando entrevistas e escrevendo artigos, afirmando que a eleição presidencial deste ano, deverá ser ganha por um outsider da política ou por uma figura anti-establishment. Os resultados apresentados na semana passada pelo Datafolha assim como as duas pesquisas de âmbito nacional que realizei no mês de abril, seguem ratificando a minha hipótese. Essa perspectiva não poderia ser diferente num país em que a soma dos eleitores que dizem não confiar nada ou confiar pouco no Congresso Nacional chega a uma taxa impressionante de 89%. Similarmente, não poderia ser diferente num país em que cerca de 80% dos eleitores dizem — em questionamentos separados — confiar pouco ou não confiar nada na grande mídia, nos grandes bancos, nas grandes empresas e na justiça brasileira (apesar de 83% das pessoas avaliarem a Operação Lava Jato como boa ou muito boa para o país).

Desse modo, se não houver novas surpresas jurídico-institucionais ou nenhum grave acidente de campanha, as duas vagas do segundo turno das eleições presidenciais de 2018 serão disputadas por três candidatos: o nome a ser apoiado pelo ex-presidente Lula e o PT, o deputado federal Jair Bolsonaro e o ex-ministro do STF Joaquim Barbosa. Em tempos de Copa do Mundo, isso significa que dos sete candidatos que têm alguma chance de se “classificar” para o segundo turno, apenas três não dependem dos resultados dos demais.

No final de janeiro, quando o ex-presidente Lula foi condenado em segunda instância pelo TRF-4, eu escrevi neste jornal que havia três variáveis críticas que definiriam o resultado das eleições: 1) o que o ex-presidente Lula e o PT fariam ao longo dos próximos meses a partir daquela condenação da Justiça brasileira; 2) a entrada ou não do apresentador Luciano Huck e do ex-ministro Joaquim Barbosa na disputa; e 3) os movimentos da justiça brasileira em relação ao deputado Jair Bolsonaro e seus possíveis desdobramentos.

Apesar dos fatos marcantes e históricos que ocorreram no país de lá para cá, o resultado das eleições de outubro permanece dependente dessas três variáveis. A decisão acerca do nome e do timing do lançamento de um novo candidato do PT terá um impacto enorme sobre o processo eleitoral. Se Lula e o PT acertarem o timing e o nome, eu afirmo, sem medo de errar, que esse novo candidato do partido estará no segundo turno das eleições.

A confirmação da presença de Joaquim Barbosa na disputa eleitoral pelo PSB assim como a manutenção da sua imagem atual — a de herói anticorrupção, de origem pobre e sensibilidade social — ao longo do processo também será um fator chave no resultado do primeiro turno. Por último, mas não menos importante, o desfecho jurídico e político dos movimentos que a Procuradoria Geral da República fez recentemente contra o deputado Jair Bolsonaro e seu filho, Eduardo, junto ao STF, também será crítico para as eleições.

Qualquer outra variável — alianças, uso da máquina, tempo de TV, recursos financeiros — terá um impacto bastante secundário e talvez, até irrelevante quando comparada às três anteriores. Com isso, desenham-se oito cenários possíveis. No primeiro, Lula e o PT acertam o nome e o timing de lançamento do novo candidato do partido; Joaquim Barbosa é lançado pelo PSB e consegue manter sua imagem atual ao longo da campanha; e Bolsonaro, apesar dos movimentos da PGR, consegue manter seu fiel eleitorado coeso em torno do seu nome ou de um novo candidato ungido por ele. Nesse cenário, teríamos um segundo turno com o novo candidato do PT contra Jair Bolsonaro (ou seu “ungido”) ou contra Joaquim Barbosa.

No segundo, terceiro e quarto cenários, apenas um dos três protagonistas (Lula/PT, Bolsonaro e Joaquim Barbosa) não é bem-sucedido em seus movimentos. Nesses três casos, teríamos no segundo turno os dois que conseguiram fazer o movimento adequado.

No quinto, no sexto e no sétimo cenários, apenas um dos três (Lula/PT, Bolsonaro e Joaquim Barbosa) é bem-sucedido em seus movimentos. Nesses casos, teríamos no segundo turno, o único que conseguiu fazer o movimento adequado contra um dos outros quatro candidatos com chances (Marina Silva, Geraldo Alckmin, Ciro Gomes e Álvaro Dias) — importante notar que as chances de Alckmin e Álvaro Dias aumentam bastante se apenas Lula e o PT fizerem o movimento correto. Da mesma forma, as chances de Ciro e Marina são bem maiores se somente Bolsonaro for bem-sucedido na sua movimentação.

No oitavo e último cenário, aquele em que nenhum dos três protagonistas (Lula/PT, Bolsonaro e Joaquim Barbosa) consegue acertar seus movimentos, podemos prever um segundo turno com Marina ou Ciro de um lado e Alckmin ou Álvaro Dias do outro. A essa altura, o leitor deve estar se perguntando: “Mas, de onde vêm todas essas conjecturas?”. A resposta é simples: dos mapas eleitorais.

Lula e PT fortalecidos depois da prisão

O ex-presidente Lula foi preso na primeira semana de abril, mas tanto ele quanto o PT saíram absolutamente fortalecidos em termos eleitorais e de imagem com o desfecho ocorrido. Além disso, nunca o Lulismo e o Petismo estiveram tão integrados e convergentes na mente dos eleitores — nem mesmo na disputa presidencial de 1989. A disparada nas filiações ao PT ao longo desse mês são uma prova inconteste desse processo. De fato, essa é a maior oportunidade que o Partido dos Trabalhadores já teve, em toda a sua história, de transformar os eleitores de Lula em eleitores do PT — por isso, é cada vez mais improvável que o partido apoie um candidato de fora dos seus quadros em outubro. A pequena queda (dentro da margem de erro) que houve nas intenções de voto para o ex-presidente não significa de forma alguma um desgaste na imagem dele junto aos eleitores. Na verdade, ela decorre de uma migração nas intenções de voto de alguns eleitores de faixas de renda mais elevada que já consideram que a candidatura de Lula não será ratificada pela Justiça eleitoral devido à sua condenação em segunda instância.

Por enquanto, o ex-presidente permanece tão forte (ou até mais forte) eleitoralmente que antes de sua prisão. Sua capacidade de influenciar as eleições e de transferir votos continua gigantesca. Retirando-se as indicações de voto em branco ou nulo, Lula tem cerca de 40% das intenções de voto. E dentre esses eleitores, 46% afirmam que votariam com certeza e outros 37% afirmam que provavelmente votariam num novo nome do PT apoiado por ele. É fato que não há uma grande oportunidade de crescimento para uma candidatura alternativa do PT além dos patamares atuais de Lula. Mas, o eleitorado de Lula (e agora, cada vez mais do PT) está tão consolidado que 31% dos seus eleitores sequer são capazes de apontar uma segunda opção de voto dentre os demais pré-candidatos — patamar bem superior à média dos outros.

Por outro lado, é evidente que enquanto o ex-presidente e seu partido não lançarem seu novo candidato, mais eleitores de Lula passarão a indicar a intenção de votar em outros pré-candidatos nas pesquisas. Em tese, esse processo de migração dos eleitores do ex-presidente para as outras pré-candidaturas deveria acontecer de forma cada vez mais acelerada no decorrer do tempo. Logo, quanto mais cedo Lula e o PT definissem o novo nome, melhor seria para estancar esse processo de migração de votos, particularmente, se considerarmos o fato de que quanto maior o tempo decorrido da migração da intenção de voto, menor é a probabilidade do seu retorno.

O “pequeno grande detalhe” é que, daqui até as eleições, há uma Copa do Mundo e ela, como sempre acontece, vai roubar a atenção do brasileiro médio em relação ao processo eleitoral. Com isso, de meados de maio até meados de julho, poderá ocorrer uma estagnação ou até uma desaceleração no processo de migração das intenções de voto do ex-presidente para as outras pré-candidaturas. Por isso, do ponto de vista estratégico, essa é a principal razão que deve fazer com que Lula e o PT segurem, pelo menos até o final da Copa do Mundo, o lançamento do nome a ser ungido por ambos para participar da “selva eleitoral”. Até lá, o PT, corretamente, deve seguir reafirmando a candidatura de seu maior líder à presidência da República e lutando contra sua prisão — importante notar que 45% dos eleitores acreditam que a Lava Jato e a justiça têm sido mais duras com o PT do que com os outros partidos contra apenas 9% que dizem o inverso.

A conclusão de tudo isso é que provavelmente, a “fumaça branca” com o novo nome do PT só deverá emergir das “chaminés” do partido nas duas semanas seguintes ao final da Copa do Mundo — postergar o lançamento da nova candidatura para além desse período seria bastante contraproducente, uma vez que ficaria cada vez mais difícil tanto estancar a migração para as outras pré-candidaturas quanto recuperar o “terreno” perdido. Colocar nomes aleatórios do PT e ainda desconhecidos em nível nacional nas pesquisas antes de uma ampla divulgação da escolha de Lula é um grave erro metodológico que leva analistas menos avisados a considerarem que o ex-presidente não consegue mais influenciar a eleição de forma significativa — uma conclusão absolutamente equivocada.

Por outro lado, assim como escrevi ao final de janeiro e de acordo com as pesquisas qualitativas que venho realizando, continuo cético quanto à possibilidade dos eleitores de Lula votarem cegamente em qualquer nome ungido por ele ou pelo PT. Não vou me estender aqui sobre as características ideais ou aquelas a serem evitadas por um eventual candidato do PT já que escrevi longamente sobre isso no meu último artigo. De qualquer forma, mantenho a afirmação de que não pode ser mulher; não pode ser paulista; e não pode ser alguém capaz de ser fortemente relacionado a casos de corrupção. Se esse nome ainda tiver, assim como Lula, forte apelo social e além disso, carregar em si uma imagem mais conservadora sob o ponto de vista comportamental, a probabilidade de absorção de votos será ainda maior — sobretudo, se considerarmos que vivemos num país onde 62% dos eleitores se dizem totalmente a favor e outros 18% se dizem mais a favor do que contra os ensinamentos do Cristianismo. Portanto e por incrível que pareça, a escolha de um nome “não-pragmático” é a coisa mais pragmática que Lula e o PT podem fazer para ganhar essa eleição.

Bolsonaro sedimentado

Agora, tratemos do segundo protagonista: o deputado Jair Bolsonaro. Apesar dos poderosos e permanentes ataques que o ex-capitão do Exército sofre da grande mídia, o seu patamar de 15% das intenções de voto segue bem sedimentado. A verdade é que esse eleitor, bastante conservador no campo comportamental e dos costumes, depois de tantos anos se vendo impelido a votar no PSDB, parece finalmente ter encontrado um candidato a presidente para chamar de seu. Dois terços dos eleitores de Bolsonaro — que representa 10% do universo total — é cativo: eles afirmam que não há possibilidade de mudarem sua escolha até outubro.

Além disso, ainda há possibilidade de crescimento nas suas intenções de voto. Bolsonaro só é conhecido por 52% dos eleitores com renda familiar abaixo de dois salários mínimos — um universo que representa mais da metade do eleitorado do país. Ele também é a segunda opção de voto para 10% dos eleitores com renda familiar acima de cinco salários mínimos, o que pode ser fundamental para o voto útil às vésperas da eleição. As regiões do país em que ele tem maior potencial de crescimento são o Nordeste — por conta do desconhecimento do seu nome (apenas metade dos eleitores dessa região afirmam conhecê-lo) e o Sul onde ele já lidera com alguma folga as intenções de voto. O potencial de crescimento dele no Sul decorre de sua baixa rejeição e do fato de ele ser a segunda opção de voto para mais de 15% dos eleitores dessa região.

Por outro lado, sua forte rejeição (40% dos eleitores que o conhecem, o rejeitam) representa um grande impeditivo para seu crescimento, especialmente no Sudeste e mais ainda em São Paulo. Além da rejeição, há outros três fatores que podem prejudicar bastante os sonhos presidenciais de Bolsonaro e do seu eleitorado. Em primeiro lugar, a inabilidade ou a falta de vontade do pré-candidato de formar fortes palanques para disputarem os governos estaduais. Nem mesmo no Rio de Janeiro, seu grande reduto eleitoral, há sinais de que Bolsonaro esteja construindo uma candidatura ao governo que tenha a sua marca.

Em segundo lugar, o fator mais importante: a movimentação da PGR junto ao STF contra ele e o seu filho mais velho. Se esses processos evoluírem a ponto de impedirem a presença de um membro do clã Bolsonaro na disputa presidencial e ao mesmo tempo, o ex-capitão do Exército não conseguir (ou não quiser) selecionar um novo nome (com características pessoais e ideológicas parecidas com a dele) para representar seu fiel eleitorado na campanha presidencial, assistiremos a uma grande migração dos seus votos para Geraldo Alckmin, Álvaro Dias e sobretudo para Joaquim Barbosa.

Barbosa, a grande novidade

Em terceiro lugar, há exatamente o fator Joaquim Barbosa. A presença do ex-ministro do STF na disputa divide a narrativa do combate à corrupção (apontada por 58% dos eleitores como a principal causa do momento difícil por que passa o país) e do rompimento com o sistema político vigente. Não é por acaso que 21% dos eleitores de Bolsonaro indicam o ex-ministro do STF como sua segunda opção de voto e 17% dos eleitores de Joaquim Barbosa identificam o ex-capitão do Exército como sua segunda alternativa eleitoral. No momento atual, nenhum outro candidato está tão próximo dos eleitores de Bolsonaro quanto Joaquim Barbosa e vice-versa. Por enquanto, a candidatura Joaquim Barbosa representa um risco muito maior para Bolsonaro do que Alckmin ou Álvaro Dias e isso tende a permanecer assim até o final da disputa — e desde que, como já disse anteriormente, Lula e o PT não errem ao escolher o nome e o timing de lançamento do novo candidato do partido. Aproveitando essa toada, tratemos finalmente do terceiro protagonista: o ex-ministro Joaquim Barbosa.

Depois da desistência do apresentador Luciano Huck — fato que o beneficiou enormemente — o destemido algoz do processo do mensalão representa a grande novidade que acometeu o processo eleitoral nos últimos meses. Na pesquisa que realizamos, ele já aparece com 9% das intenções de voto — à frente de Marina Silva e de Geraldo Alckmin e mesmo sendo conhecido por apenas 52% dos eleitores contra 77% de Marina e 64% de Alckmin. De longe, também é o candidato com a menor rejeição — apenas 17% dos eleitores que afirmam conhecê-lo, o rejeitam. Por todas essas razões, Joaquim Barbosa é, sem dúvida nenhuma, o candidato que hoje possui o maior potencial de crescimento na disputa. Com exceção de duas faixas de renda (entre 3 e 5 salários mínimos e maior que 10 salários mínimos) e da região Sul, o ex-ministro do STF é o candidato com maior potencial de crescimento em todas faixas de renda e regiões geográficas do país. Para se ter uma ideia, apenas 41% dos eleitores do Nordeste e apenas 46% dos eleitores brasileiros com renda familiar inferior a 2 salários mínimos o conhecem — uma verdadeira avenida de crescimento.

Além disso, ele já está praticamente empatado com Marina Silva como segunda alternativa de voto — 12% dos eleitores brasileiros já o indicam como opção caso seu candidato preferencial não possa participar da disputa. Esses números de segunda alternativa de voto são ainda mais expressivos na faixa de renda familiar entre 2 e 3 salários mínimos e na região Sudeste — sendo que, no Estado de São Paulo, esse número chega a um patamar impressionante de 20%. Isso significa que quando começarem as movimentações de voto útil, provavelmente, Joaquim Barbosa será o candidato mais beneficiado em toda a disputa.

Por outro lado, sua pré-candidatura enfrenta alguns desafios importantes. Em primeiro lugar, a baixa consolidação das suas intenções de voto: apenas 47% dos seus eleitores dizem que não devem mudar seu voto até as eleições. Para se ter uma ideia, 74% dos eleitores de Lula e 67% dos eleitores de Bolsonaro afirmam que não vão mudar seu voto até outubro. Em segundo lugar, há o risco do PSB, por conta dos interesses divergentes de seus governadores em relação à eleição presidencial, não lhe garantir a legenda para disputar as eleições. Em terceiro lugar, há a inexperiência de Joaquim Barbosa em campanhas eleitorais. Não é difícil imaginar o todo-poderoso ex-presidente do STF cometendo erros de estratégia e de comunicação que o impeçam de manter a imagem atual de herói anti-corrupção, de origem pobre e sensibilidade social — sobretudo, considerando-se, como escrevi neste jornal em novembro passado, a estratégia de manter um posicionamento camaleônico em diversos temas de natureza econômica e comportamental.

Na verdade, Joaquim Barbosa e o PSB se encontram diante de um grande dilema: consolidar e ampliar essa candidatura no posicionamento político em que ela é percebida pelos eleitores atualmente ou mover-se mais para a esquerda a fim de capturar alguns votos que hoje pertencem a Lula (correndo o risco de perder alguns de seus eleitores atuais)? De fato, os eleitores que hoje declaram a intenção de votar no ex-ministro do STF estão muito mais próximos de Jair Bolsonaro do que de Lula — enquanto 17% deles indicam o ex-capitão do Exército como sua segunda opção de voto, apenas 1% indica o ex-presidente da República. E mais: enquanto 58% dos seus eleitores rejeitam Lula, apenas 30% rejeitam Bolsonaro.

Do ponto de vista estratégico, o movimento correto seria ficar parado no posicionamento atual, disputar votos com Bolsonaro, Alckmin e Álvaro Dias e esperar um eventual erro de Lula e do PT para então, fazer um movimento em direção à esquerda — a realidade é que por enquanto, o PSB pode acabar tão udenista nessas eleições quanto foi em 1955. Depois de todas essas análises, é inegável que ainda há muitas léguas até outubro. Entretanto, apenas três candidaturas dependem de suas próprias habilidades à frente do timão das suas embarcações: a do PT, a do PSB (Joaquim Barbosa) e a do PSL (Bolsonaro). Todas as demais candidaturas dependerão de eventuais erros de navegação desses três protagonistas. Por enquanto, são eles que têm, de longe, as maiores chances de cruzar a linha de chegada do primeiro turno da eleição presidencial.

Marcello Faulhaber é mestre (MSc.) em Economia Política pela London School of Economics e foi o estrategista da campanha de Marcelo Crivella à Prefeitura do Rio em 2016.

  De maio ou não,viva ela, a Rosa!

BOM DIA!!!

(Gilson Nogueira)

Operação 'Câmbio, Desligo'
Agentes da PF no Rio de Janeiro em operação de outubro de 2017 Tânia Rêgo Agência Brasil

A Polícia Federal cumpre na manhã desta quinta-feira, 3 de maio, mandados de prisão preventiva e temporária em desdobramento da operação Lava Jato que mira um esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas que teria movimentado mais de 1,6 bilhão de dólares (5,6 bilhões de reais) em 52 países. A operação, que recebeu o nome de Câmbio, Desligo foi desencadeada com base nas delações de dois dos principais doleiros do país, Vinicius Claret e Cláudio Barbosa.

O principal alvo da operação é o doleiro Dário Messer, que já foi investigado nos esquemas do Banestado, Mensalão e Swiss Leaks. Ele seria o mentor de Claret e Barbosa. Amigo de celebridades como o ex-jogador Ronaldo Nazário, o Ronaldo Fenêmeno, a atuação de Messer no mercado paralelo é antiga: foi acusado em 2005 por outros doleiros durante a  Comissão Parlamentar de Inquérito dos Bingos do Senado de ser “o principal doleiro do Partido dos Trabalhadores” já em 2002. Acredita-se que ele esteja no Paraguai, já que ele possui dupla cidadania e não foi localizado pela Polícia em sua residência no Rio de Janeiro.

Os suspeitos teriam integrado um sistema chamado Bank Drop, que consiste na remessa de dinheiro ao exterior através de “dólar-cabo”, forma de envio de valores que não passa pelas instituições financeiras reguladas pelo Banco Central. O grupo operou entra 2010 e 2016, e durante alguns períodos chegou a movimentar um milhão de reais por dia.

Em nota, a força-tarefa afirmou que Claret e Barbosa funcionavam “como uma verdadeira instituição financeira, fazendo a compensação de transações entre vários doleiros do Brasil, servindo como ‘doleiros dos doleiros’, indicando clientes que necessitavam de dólares e que necessitavam de reais”. Para conseguir realizar as transações era usado um software que conectava doleiros do mundo todo. Messer era o fiador do esquema, responsável por dar garantias financeiras às remessas da dupla. “Junto com Dario Messer, dono de casas de câmbio, eles montaram uma complexa rede de câmbio paralelo sediada inicialmente no Brasil e, a partir de 2003, no Uruguai, de onde comandavam remotamente os negócios”.

De acordo com a PF, estão sendo cumpridos mandados de prisão preventiva e temporária no Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, Distrito Federal e no Uruguai, além dos mandados de busca e apreensão, todos expedidos pela 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro.

maio
04
Posted on 04-05-2018
Filed Under (Artigos) by vitor on 04-05-2018

Do Jornal do Brasil

 

A filha do presidente Michel Temer, Maristela, prestou depoimento nesta quinta-feira, 3, por quatro horas à Polícia Federal no inquérito que investiga o decreto de Portos. Ela deixou a sede da PF em Congonhas por volta das 14h. Segundo seu advogado, Fernando Castelo Branco, ela “prestou todos os esclarecimentos” para o delegado responsável pelo inquérito, Cleyber Nunes.

‘Registre meu sorriso’

Mais cedo, Michel Temer reagiu com ironia ao ser indagado se estaria preocupado com o depoimento de sua filha. “Registre o meu sorriso”, disse Temer durante visita à 25ª Agrishow, em Ribeirão Preto (SP).

A investigação apura se a reforma da residência da filha do Presidente da República foi utilizada para lavar dinheiro de propina destinada a Temer. Ao contrário da reação lacônica nesta manhã, o presidente havia dito na semana passada que não iria permitir ataques contra sua honra e a de sua família. O emedebista nega as irregularidades.

Temer reagiu com ironia ao ser indagado se estaria preocupado com o depoimento de sua filha

maio
04
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Bruno Aziz, no jornal

 

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DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

Odebrecht assina contrato bilionário no ES

 

A Odebrecht anunciou ter assinado “memorando de entendimentos” com a empresa Petrocity para estudos de engenharia e construção de um porto em São Mateus, no norte do Espírito Santo, informa a Folha.

A empreiteira, um dos principais alvos da Lava Jato, informa que o investimento previsto para o projeto é de R$ 2,1 bilhões. A obra, segundo a empresa, deve ficar pronta em 2021 e empregar cerca de 2.000 pessoas.

E a construção ainda contará com benefícios fiscais da Sudene, a Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste –embora o Espírito Santo fique no Sudeste.

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