Winnie, Adeus!!! R.I.P.

(Vitor Hugo Soares)

Johanesburgo 
Winnie Mandela em Johannesburgo, em 20 de dezembro.

Winnie Madikizela Mandela, ex-mulher do ex-presidente da África do Sul e um dos pilares da luta contra o apartheid, morreu nesta segunda-feira (2) aos 81 anos, como relatado por sua assistente pessoal, Zodwa Zwane, ao jornal local Times. Madikizela Mandela permaneceu ativa na clandestinidade durante os 27 anos em que seu marido esteve preso. Em 1994, após as primeiras eleições democráticas, foi nomeada vice-ministra de Artes e Cultura. Desde então, ela foi deputada, apesar das poucas aparições públicas nos últimos anos. A renomada ativista, nascida em Bizana em 1936-2018, sofreu uma infecção nos rins e chegou a ser hospitalizada em 20 de janeiro.

Madikizela Mandela foi torturada e passou dificuldades, como perder o emprego com o qual mantinha suas duas filhas jovens, ser desalojada, e ficar em prisão domicilar mesmo sem julgamento. O período mais longo que ela passou na prisão foi entre maio de 1969 e setembro de 1970. Winnie Mandela foi condenada à prisão perpétua na histórica prisão Robben Island, quando, aplicando o Ato Terrorista, a polícia a prendeu em sua casa em Soweto, na presença de duas filhas e a confinou em uma Prisão de Pretória. Ela se separou de Nelson Mandela em 1992, dois anos após a saída de Madiba (apelido de Mandela) da prisão, após 27 anos de cárcere e dois anos antes de se tornar o primeiro presidente negro da África do Sul.

OPINIÃO
Civilização ou barbárie
Protesto na Câmara de Deputados questiona quem matou Marielle Franco.Protesto na Câmara de Deputados questiona quem matou Marielle Franco. LUIS MACEDO AFP

Passei as duas últimas semanas em Lisboa e Londres. Vi pela mídia a indignação provocada pelo assassinato de Marielle Franco, vereadora que denunciava abusos contra os direitos humanos no Rio de Janeiro.

Dizer que se tratou de mais um assassinato é não entender o recado que quiseram dar os que a mataram. A intervenção militar na segurança pública do Rio não foi devidamente preparada e não soluciona todos os males, mas é vista como uma ameaça real pela banda podre das forças policiais, pelas milícias e pelas organizações criminosas. Os autores do crime quiseram deixar claro que o poder ilegal está disposto a tudo para preservar seus domínios. É sinal de uma escalada.  

Na Colômbia, entre as décadas de 70 e 90, o crime organizado foi de ousadia em ousadia até assassinar um candidato a presidente da República e explodir um avião de passageiros. No México, há mais de dez anos, vive-se uma guerra que não poupa jornalistas, políticos, policiais, militares e cidadãos comuns. Ano passado, o país teve a maior taxa de homicídios já registrada.

O assassinato de Marielle é um alerta. Deve nos fazer lembrar que está em jogo a possibilidade ou não de avançar na construção de uma sociedade decente no Brasil. Nos últimos trinta anos, muita coisa mudou para melhor. Menos os índices de violência. E isso se deve em larga medida à expansão do crime organizado. A escalada da violência coloca em risco a própria democracia.

Não é uma questão partidária ou mesmo ideológica. Os que mataram a vereadora, assim como os assassinos da juíza Patrícia Acioli em 2011 e de centenas de policiais nos últimos anos no Rio de Janeiro, não são de esquerda nem de direita, são bandidos. E bandidos organizados em poderes paralelos que se impõem pela violência e pela corrupção. Os mais pobres, que não têm meios para se proteger da sistemática violação dos mais elementares direitos humanos, são suas maiores vitimas.

Senti de perto o drama vivido pelas populações das favelas cariocas quando participei do documentário Quebrando o Tabu. Elas vivem entre o fogo cruzado de grupos criminosos rivais. Apesar disso, não veem na polícia uma aliada. Quando esta sobe o morro, me contou uma mãe com um filho traficante e outro não, todo mundo apanha. O filme põe em discussão a chamada guerra às drogas, que em vários países tem sofrido críticas e propostas de mudanças por não reduzir o consumo de entorpecentes e aumentar a violência.

A comoção provocada pela morte de Marielle dá esperança de ser possível reunir pessoas e forças sociais diversas em torno do objetivo comum de reduzir com urgência a violência no Brasil. Devemos colocá-lo acima dos interesses e paixões eleitorais e condenar a exploração política rasteira do episódio. É muito perigosa a mistura de ódio político, violência cotidiana e demagogia.

O momento pede coesão em torno de valores: firmeza no combate ao crime, mas dentro da lei; ordem sim, mas dentro da democracia. A polícia deve estar bem armada, não a sociedade. Que o digam os milhões de jovens americanos que, depois de sucessivos mass shootings, foram às ruas no último fim de semana protestar contra a facilidade de acesso a armas naquele país.

Sem coesão em torno de determinados valores, o que esperar do futuro? O país vive uma disjuntiva: podemos reconhecer os males que nos afligem – e a escalada da violência é um dos maiores, senão o maior — e estabelecer políticas que reduzam ou eliminem esses males ou nos deixar dominar pelo espírito de facção e lançar o país à deriva. Sem catastrofismos nem exageros, o risco existe.

Não falo como homem de partido, mas como brasileiro: o Brasil precisa de lideranças que tenham a capacidade de reunificar o país em torno de alguns objetivos comuns. Se em outubro, o país se deixar levar pelo ódio, o que será de nós como “comunidade nacional”? Não pode haver comunidade nacional bem-sucedida sem crença na importância da convivência política civilizada, sem recuperação da confiança na democracia, sem a prevalência da ordem dentro do Estado de Direito.

É urgente recuperar a autoridade pública, mas autoridade derivada da legitimidade das urnas, da capacidade de governar para o país em seu conjunto, da exemplaridade da conduta, da compreensão de que o Brasil requer tanto mais eficiência econômica quanto mais justiça social, tanto mais ordem quanto mais democracia, tanto mais eficácia no combate ao crime quanto mais respeito aos direitos humanos.

Nas circunstâncias atuais, a eleição do futuro presidente se torna agônica. Que ele ou ela seja não só expressão de um sentimento, mas líder competente para governar. Que saiba que o Estado deve estar a serviço da sociedade e não de grupos ou partidos políticos. Que valorize a federação e convoque governadores e prefeitos a se engajar nas grandes causas nacionais. Que respeite o Congresso, mas seja capaz de conduzi-lo e, obediente às leis, não tenha medo de buscar reformá-las quando inconsistentes com as necessidades do país.

Cada um de nós tem a responsabilidade de ajudar o eleitor a distinguir entre a demagogia e a proposta consistente, entre informação e fake news, entre compromisso com valores e políticas e truques de marketing. A ansiada renovação de conduta deve ter início na campanha e se traduzir em um novo governo capaz de fazer o país recuperar a confiança no seu futuro.

Caso contrário, temo, podemos enveredar por descaminhos que, cedo ou tarde, nos levem a governos não democráticos, de direita ou de esquerda. A história dos últimos vinte anos mostra que a democracia pode morrer sem que necessariamente haja golpes de Estado e supressão de eleições. Ela morre quando grupos e líderes políticos se aproveitam do rancor ou do medo do povo para sufocá-la pouco a pouco em nome da grandeza da pátria, da revolução ou do combate à desordem.

Nossa maior arma contra esse risco é a palavra e o voto. Façamos bom uso dela. 

Canoas do Tejo

Autor: Frederico Brito   Cantor: Carlos do Carmo

Canoa de vela erguida,
Que vens do Cais da Ribeira,
Gaivota, que andas perdida,
Sem encontrar companheira

O vento sopra nas fragas,
O Sol parece um morango,
E o Tejo baila com as vagas
A ensaiar um fandango

[refrão:]
Canoa,
Conheces bem
Quando há norte pela proa,
Quantas docas tem Lisboa,
E as muralhas que ela tem

Canoa,
Por onde vais?
Se algum barco te abalroa,
Nunca mais voltas ao cais,
Nunca, nunca, nunca mais

Canoa de vela panda,
Que vens da boca da barra,
E trazes na aragem branda
Gemidos de uma guitarra

Teu arrais prendeu a vela,
E se adormeceu, deixa-lo
Agora muita cautela,
Não vá o mar acordá-lo

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Maravilha de canção lusitana: letra, melodia e interpretação.

Nada melhor para, musicalmente, começar abril.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

 

 

 

Esquerda portuguesa encontra a fórmula do sucesso econômico
Luis Tinoco
Lisboa
“Pela primeira vez desde a adesão ao euro, Portugal cresce acima da média da União Europeia”. O Parlamento Europeu escutou há algumas semanas o primeiro-ministro português, o socialista António Costa, contar a fórmula do sucesso de sua política econômica. “Definimos uma alternativa à política de austeridade centrada em mais crescimento, mais e melhor emprego e mais igualdade”, explicou Costa. “Virar a página da austeridade” foi o lema eleitoral dos socialistas. Se não deu a vitória ao partido, conseguiu atrair o apoio de comunistas e do Bloco de Esquerda para formar governo. A fórmula, batizada depreciativamente como a gerigonça, se transformou em um sucesso dois anos depois, apesar do receio de organismos como a Comissão Europeia e o FMI, que velavam pelos bilhões de euros emprestados em 2011 para impedir que o país quebrasse.

Não parece que se passaram somente dois anos. O salário mínimo subiu de 505 a 580 euros – 600 no ano que vem – (respectivamente, 2.057, 2.362 e 2.444 reais). Muitos previam uma destruição do emprego, mas aconteceu o contrário: se em 2013 o desemprego chegou a 16,2%, hoje é de 8,9%. Os funcionários públicos tiveram os salários descongelados, há quatros dias a mais de feriados no país, as aposentadorias subiram e o Imposto sobre Valor Agregado (IVA) de produtos básicos deixou de ser taxado em 23%.

Agora os órgãos internacionais elogiam a política do Governo. Portugal fechou 2017 com um crescimento de 2,7% (o maior do século); mas não só isso. O déficit, acima de 3% há dois anos, é de 1,1% e no próximo ano será de 0,3%. A presidenta do Conselho das Finanças Públicas, Teodora Cardoso, nem um pouco dada a elogiar governos, reconhece “uma evolução muito favorável do saldo orçamentário que nós, pouco tempo atrás, consideraríamos impossível”. Há dois anos, os relatórios de Cardoso eram contínuas pancadas ao “otimismo militante” do primeiro- ministro. “Portugal não só cresce como nunca nesse século, como cresce bem”, diz o ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral. “E não por um aumento de gasto público; vem das exportações, com um aumento de 11,7%. O investimento subiu 9%, especialmente o privado e o estrangeiro”. Também ajudou muito o espetacular aumento do turismo: no ano passado, o pais superou seu recorde de visitantes, com 20 milhões, quase o dobro da população portuguesa.

Naturalmente, nem todos aplaudem. “Dizer que o crescimento de 2,7% é o melhor registro do século é uma afirmação triste”, diz Maria Luís Albuquerque, ministra das Finanças do Governo anterior de centro-direita. Irene Mia, diretora editorial da The Economist Intelligence Unit, lembra que Portugal está crescendo no mesmo ritmo da Alemanha apesar de ser uma economia muito mais pobre. A dívida, que chegou a alcançar 132% do PIB, caiu a 126% em 2017 e em 2022 será de 114%. A revista The Economist alerta que a promessa de virar a página da austeridade pode ser difícil de ser mantida se o crescimento enfraquecer. Já se prevê que o crescimento cairá nesse ano (quatro décimos), por isso o Governo deixou vazar que em 2019 não ocorrerá aumento salarial aos funcionários públicos e que manterá a legislação trabalhista imposta pelas instituições europeias. Ainda assim, nesse jogo político da geringonça, socialistas e aliados à esquerda estão acertando medidas para reduzir a contratação temporária. “O Governo precisa de empresários e o empreendimento, atrair empresas estrangeiras. Não pode entrar nos devaneios de uma esquerda que quer a lua”, alerta o secretário geral do sindicato socialista UGT, Carlos Silva.

A bonança ainda não chegou ao setor industrial. “O setor bancário está melhor, mas o índice de dívidas não pagas continua elevado e é um fator de risco”, diz Irene Mia. Nada comparável ao panorama encontrado por esse Governo, com vários bancos em situação muito grave e que consegui resolver com diversas fórmulas mais ou menos engenhosas. Esperando o retorno do crédito empresarial, o hipotecário dispara. Se nos últimos cinco anos os empréstimos às empresas caíram 36,7%, o empréstimo para comprar apartamentos subiu 327%. A venda de casas aumentou 20,6% no último ano e seu faturamento, 30,6%.

Com os Amorim – reis da cortiça e muito mais – e os Azevedo – telefonia e centros comerciais –, a família Soares dos Santos completa o tripé do grande empresariado português. Nesse caso no setor da alimentação, com sua rede de supermercados Pingo Doce, que emprega mais de 100.000 pessoas na Polônia, Colômbia e Portugal. Seu presidente executivo, Pedro Soares dos Santos, é muito crítico com os governos: “Em Portugal investimos porque somos portugueses, porque se olhássemos o investimento do ponto de vista do crescimento e do retorno, a perspectiva é zero. Para nosso grupo, todas as grandes oportunidades estão fora. Quando a rentabilidade se perde, o investimento estrangeiro deixa de chegar”.  Falta uma visão estratégica de país, segundo Soares dos Santos: “O que queremos ser, onde queremos construir nossa base de crescimento, nosso diferencial. Portugal poderia ser a Califórnia europeia, mas para isso falta um acordo sobre as áreas onde investir”.

Ainda que os organismos internacionais continuem pedindo mais reformas, o ministro da Economia, Caldeira Cabral, responde: “O que acontece é que nossas reformas são diferentes. As reformas do período de ajuste se centraram na legislação trabalhista, muito discutíveis por seus efeitos perniciosos. Meio milhão de jovens qualificados deixaram o país, hoje por outro lado a força de trabalho cresceu em 50.000 pessoas. Nossas reformas, que estão reduzindo o déficit e a dívida, se dirigem à modernização do país. São reformas que o FMI hoje não sabe ver e quantificar, mas que serão vistas a médio e longo prazo. Como o FMI mede o programa Simplex?”. O Simplex é uma das bandeiras do Governo: a eliminação de burocracias e a anulação de milhares de leis, normas e decretos obsoletos e contraditórios. “Antes de abrir uma empresa era necessário conseguir 11 licenças ambientais, agora uma basta”, diz o ministro.

Com a concentração bancária iniciada no governo FHC e acentuada nos governos do PT, o controle do mercado de crédito no país é de cinco grandes bancos. Pouca diferença faz para o consumidor ou empresário entrar numa porta giratória de um banco público federal ou privado. A sensação de agiotagem oficial é a mesma. Com a inflação estimada pelo Banco Central para este ano em 3,5% e os juros básicos da taxa Selic (piso da captação dos bancos) em 6,5% e que deve cair a 6,25% em maio, o sistema bancário (público e privado) segue ignorando a angústia das famílias endividadas e as atribulações dos pequenos, médios e grandes empresários para equilibrar as contas em meio a juros abusivos.  

O BC ficou sempre atrás da queda da inflação ao baixar os juros básicos e ainda foi passivo, esperando que os bancos reduzissem os juros (e os lucros). Vamos ver se, com a redução de 37,5% nos compulsórios dos bancos, consegue um choque de liquidez no mercado, reanima a economia e evita nova onda de desemprego. 

Bancos públicos não turbinam a economia nem competem para baixar juros no crédito 
Bancos públicos não turbinam a economia nem competem para baixar juros no crédito 

No passado, governos tentaram induzir os bancos públicos a forçar, via competição, a queda dos juros nos empréstimos. Sem sucesso. No mercado de crédito imobiliário, onde conta com o dinheiro fácil do FGTS – sem prestar conta com a transparência devida aos trabalhadores, o que fez alguns ex-dirigentes serem afastados sob suspeita de má aplicação e fraudes no uso dos FI-FGTS – a CEF ainda faz diferença. O mesmo acontece com o Banco do Brasil no crédito rural, onde tem a maior fatia. 

No dia a dia, é quase tudo igual. No competitivo mercado de financiamento a veículos, a CEF está em último lugar entre os grandes bancos, com juros mensais de 2,03% ou 27,38% ao ano. O BB é o antepenúltimo entre os cinco do oligopólio (1,76% ao mês e 23,25% ao ano, praticamente as mesmas taxas do Itaú Unibanco BM (1,76% ao mês e 23,26% ao ano). Perde para o espanhol Santander (1,69% ao mês e 22,31% ao ano), ou ainda para a Itaúcard (1, 55% ao mês e 20,26% ao ano) e também para o Safra (1,57% ao mês e 20,06% ao ano),  para a Bradesco Financeira (1,54% ao mês e 20,06% ao ano) e para o Banco Bradesco (1,45% ao mês e 18,82% ao ano), a taxa mais acessível, segundo levantamento do BC entre 9 e 15 de março. O cliente deve prestar atenção, porém, no percentual financiado. Como o carro fica 100% em garantia, um financiamento de 70% ou 80% do valor faz muita diferença. 

A competição está sendo bem explorada pelos bancos oficiais e,o cliente tem vantagem, se tiver uma bom relacionamento (conta salário no BB ou na CEF, ou aplicações fna caderneta de poupança) é no crédito pessoal não consignado. A menor taxa, segundo o BC, entre os grandes bancos, é da Bradescard, que opera os cartões Bradesco, com 2,32% ao mês e 31,70% ao mês. O BB, tem a segunda melhor taxa entre os grandes (63,83% ao ano). A CEF vem a seguir (ver tabela), com 74,74% ao ano Santandar e Itaú Unibanco BM, disputam os cliente na casa decimal, respectivamente, 76,20% e 77% ao ano. A maior taxa dos grandes é do Bradesco: 91% ao ano. Mas ainda muito distante dos escandalosos 707,77% ao ano cobrados pela Crefisa. Aquela que “dá crédito mesmo a negativados”. Ou seja, dá corda com laço a quem está enforcado.

abr
02
Posted on 02-04-2018
Filed Under (Artigos) by vitor on 02-04-2018


 

Miguel, NO (PE)

 

DO BLOG O ANTAGONISTA

A compra de curtidas nas redes sociais

 

O Globo pesquisou dezenas de sites brasileiros e estrangeiros que oferecem venda de seguidores no Twitter ou Instagram, visualizações de vídeos no YouTube, curtidas em páginas ou publicações no Facebook e até comentários em postagens.

“Por trás da operação, estão estruturas conhecidas como farms — fazendas, em inglês, referência à criação e cultivo de milhões de perfis falsos.”

O jornal testou o funcionamento de um desses sites e criou perfis no Twitter e no Facebook.

“Por R$ 109,90, um pacote que dá direito a 2 mil curtidas em um post no Facebook foi comprado. (…) Com mais R$ 239,90, foi possível ‘investir’ num lote de 10 mil seguidores no Twitter.”

Uma publicação no Facebook com a mensagem “Vote em José Silva 2018” alcançou 256 curtidas — um número alto para a insignificância do conteúdo, mas pouco acima de 10% do que foi prometido. “No Twitter, nenhum dos dez mil seguidores foi entregue.”

“As contas que curtiram a publicação no Facebook tinham características diversas. Algumas pareciam pertencer a pessoas reais, com postagens sobre assuntos variados e fotos com amigos e familiares. Outras claramente eram falsas: sem foto de perfil, amigos e nomes como ‘Habbig Htl’, ‘Henr Mathias’. A maior parte parecia pertencer a crianças e adolescentes, indicando que, em algum momento, podem ter autorizado de forma involuntária o uso automático do perfil para esse tipo de serviço. Foram enviadas mensagens para perfis escolhidos aleatoriamente, mas não houve respostas.

Em outro ramo do mercado, também é possível comprar no Instagram perfis já prontos e com muitos seguidores. Depois, basta trocar o nome e a foto para construir uma conta que já surge com uma base ampla. A reportagem identificou um perfil com 57 mil seguidores à venda por R$ 500 — havia também um anúncio no Mercado Livre, em outro exemplo da busca por influência nas redes a qualquer custo.”

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